{"id":809,"date":"2017-12-10T19:10:07","date_gmt":"2017-12-10T21:10:07","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=809"},"modified":"2021-01-22T15:04:52","modified_gmt":"2021-01-22T18:04:52","slug":"livro-memorias-vivas-de-1968-a-prisao-dos-padres-franceses-e-do-diacono-brasileiro-em-belo-horizonte-de-michel-marie-le-ven-e-rosely-carlos-augusto-ed-puc-minas-2017","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/livro-memorias-vivas-de-1968-a-prisao-dos-padres-franceses-e-do-diacono-brasileiro-em-belo-horizonte-de-michel-marie-le-ven-e-rosely-carlos-augusto-ed-puc-minas-2017\/","title":{"rendered":"Livro MEM\u00d3RIAS VIVAS DE 1968: a pris\u00e3o dos padres franceses e do di\u00e1cono brasileiro em Belo Horizonte, de Michel Marie Le Ven e Rosely Carlos Augusto, Ed. PUC Minas, 2017."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Livro <strong>MEM\u00d3RIAS VIVAS DE 1968<\/strong>: <strong>a pris\u00e3o dos padres franceses e do di\u00e1cono brasileiro em Belo Horizonte<\/strong>, de Michel Marie Le Ven e Rosely Carlos Augusto, Ed. PUC Minas, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Por Gilvander Moreira<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-810 aligncenter\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mem\u00f3rias-vivas-de-1968-0-a-pris\u00e3o-dos-padres-franceses-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mem\u00f3rias-vivas-de-1968-0-a-pris\u00e3o-dos-padres-franceses-225x300.jpg 225w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mem\u00f3rias-vivas-de-1968-0-a-pris\u00e3o-dos-padres-franceses.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/p>\n<p>Ontem, dia 09\/12\/2017, tive a alegria de participar do lan\u00e7amento do livro <strong>MEM\u00d3RIAS VIVAS DE 1968<\/strong>: <strong>a pris\u00e3o dos padres franceses e do di\u00e1cono brasileiro em Belo Horizonte<\/strong>, de Michel Marie Le Ven e Rosely Carlos Augusto, Ed. PUC Minas, 2017. Livro de leitura imprescind\u00edvel em tempos de nova ditadura pol\u00edtica, jur\u00eddica, midi\u00e1tica e do sistema do capital, principalmente o financeiro. Foi emocionante o reencontro de muitos\/as lutadoras\/res dos \u201canos de chumbo\u201d e tamb\u00e9m a significativa presen\u00e7a de jovens lutadores.<\/p>\n<p>O livro resgata a luta dos padres franceses, chamados de \u201cpadres do Horto\u201d, de Belo Horizonte, MG: <strong>padre Fran\u00e7ois-Xavier Berthou, padre Michel Marie Le Ven e padre Herv\u00e9 Croguennec<\/strong> \u2013 e o ent\u00e3o <strong>di\u00e1cono Jos\u00e9 Geraldo da Cruz<\/strong>, que se tornou bispo comprometido com a op\u00e7\u00e3o pelos pobres. Membros da Congrega\u00e7\u00e3o dos Assuncionistas, os tr\u00eas padres e o di\u00e1cono Jos\u00e9 Geraldo foram presos dia 28 de novembro de 1968 pela ditadura militar-civil-empresarial no quartel do Col\u00e9gio Militar em Belo Horizonte. Motivo: compromisso solid\u00e1rio, atrav\u00e9s da JOC (Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica), com a classe oper\u00e1ria em greve. Jesus de Nazar\u00e9 foi \u201cpreso no Horto das Oliveiras\u201d (Lucas 22,43-49). Os padres franceses, no Horto de Belo Horizonte. Maria do Carmo, na \u00e9poca, militante da JOC, emocionada, em seu depoimento, escreveu: \u201cNaquele novembro de 1968, eu chorei nas escadarias da Igreja do Horto das Oliveiras\u201d (nota 4, p. 37), em Belo Horizonte.<\/p>\n<p>O livro traz testemunhos de outras 22 pessoas perseguidas pela luta contra o arb\u00edtrio da ditadura militar-civil-empresarial iniciada em 31\/3\/1964. O padre Elias, p\u00e1roco da Par\u00f3quia Senhor Bom Jesus do Horto, de 2006 a 2010, na capital mineira, ao perceber o sil\u00eancio imposto sobre a pris\u00e3o dos padres franceses, procurou Michel Le Ven e, ap\u00f3s receber dele uma extraordin\u00e1ria aula de hist\u00f3ria a partir dos perseguidos, nasceu o projeto da edi\u00e7\u00e3o do livro <em>Mem\u00f3rias vivas de 1968<\/em>.<\/p>\n<p>O pref\u00e1cio foi escrito por frei Oswaldo Resende, frade dominicano companheiro de frei Tito Alencar, frei Betto, frei Fernando Brito e frei Ivo Lebauspan \u2013 frades presos no calabou\u00e7o da ditadura militar-civil-empresarial simplesmente porque estavam sendo fi\u00e9is ao evangelho de Jesus Cristo. Ainda bem que Jesus de Nazar\u00e9 atestou segundo o Evangelho de Mateus: \u201cFelizes os que s\u00e3o perseguidos por causa da justi\u00e7a\u201d (Mt 5,10). \u00a0No pref\u00e1cio, com uma beleza liter\u00e1ria que nos comove e nos deixa indignado, frei Oswaldo afirma: \u201cHouve greves, e entre elas destacou-se a dos metal\u00fargicos mineiros, em abril de 1968, que surpreendeu os donos do poder pela sua for\u00e7a, ao ponto de conseguir arrancar do coronel Jarbas Passarinho, ent\u00e3o ministro do Trabalho, 10% de aumento salarial. Mas a vit\u00f3ria n\u00e3o evitou a repress\u00e3o, que foi terr\u00edvel. Em outubro do mesmo ano, outra greve. [&#8230;] Os padres do Horto n\u00e3o se calaram, criaram um Comit\u00ea de Apoio \u00e0 Greve e proclamando en\u00e9rgico rep\u00fadio \u00e0s arbitrariedades ditatoriais que infringiam descaradamente as conven\u00e7\u00f5es internacionais que o Brasil assinou inclusive a Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas. [&#8230;] Foi nesse quadro que no dia 28 de novembro de 1968 homens do Ex\u00e9rcito Brasileiro, sim, ele, n\u00e3o a pol\u00edcia, invadiram a casa dos padres assuncionistas, reviraram tudo, levaram tudo o que puderam, e os conduziram presos\u201d (p. 16-17). Frei Oswaldo encerra o pref\u00e1cio alertando: \u201c\u00e9 prefer\u00edvel a pior das democracias \u00e0 melhor das ditaduras\u201d (p. 18).<\/p>\n<p>Autora de muitos textos e dos livros <em>P\u00f4ncia Vicencio<\/em> (2003), <em>Becos da Mem\u00f3ria<\/em> (2006), <em>Poemas da recorda\u00e7\u00e3o<\/em> (2008), <em>Insubmissas l\u00e1grimas de mulheres<\/em> (2011), <em>Olhos d\u2019\u00e1gua<\/em> (2014), <em>Hist\u00f3rias de leves enganos e parecen\u00e7as<\/em> (2016), na Apresenta\u00e7\u00e3o de Mem\u00f3rias vivas de 1968, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo assevera: \u201cQuem luta pela justi\u00e7a cr\u00ea na for\u00e7a coletiva, reconhece que um soldado sozinho n\u00e3o faz a guerra e confiantemente canta: \u201cVoc\u00ea me agarra, algu\u00e9m vem e me solta\u201d e se \u201cvoc\u00ea me prende vivo, eu escapo morto\u201d (p. 21). E, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo conclui a Apresenta\u00e7\u00e3o de <em>Mem\u00f3rias vivas de 1968<\/em> com sabedoria fina e revolucion\u00e1ria: \u201cPara resistir \u00e9 preciso reatualizar, cultivar mem\u00f3rias, pois o presente n\u00e3o nasce do nada e o futuro n\u00e3o se constr\u00f3i no vazio e sim enquanto estamos preenchendo o presente. Portanto, vamos \u00e0s <em>Mem\u00f3rias vivas de 1968<\/em>, pois elas nos trazem outras!\u201d (p. 23).<\/p>\n<p>Eis um livro de leitura imprescind\u00edvel, al\u00e9m de um \u00f3timo presente em tempos natalinos e de virada de ano. Oxal\u00e1 <em>Mem\u00f3rias vivas de 1968<\/em> nos inspire para virarmos n\u00e3o apenas o ano, mas o sistema do capital que imp\u00f5e sobre o povo uma atroz ditadura.<\/p>\n<p>Com eterna gratid\u00e3o aos padres franceses &#8211; Fran\u00e7ois-Xavier Berthou, Michel Marie Le Ven e Herv\u00e9 Croguennec &#8211; ao di\u00e1cono Jos\u00e9 Geraldo, que por causa da pris\u00e3o teve sua ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal adiada, mas se tornou um dos bispos brasileiros que combateu o arb\u00edtrio e contribui ainda na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa, solid\u00e1ria, ecum\u00eanica e sustent\u00e1vel ecologicamente.<\/p>\n<p>Abra\u00e7o terno. Frei Gilvander Moreira<\/p>\n<p>Belo Horizonte, MG, 09\/12\/2017.<\/p>\n<p><strong>Obs<\/strong>.: Quem quiser adquirir o livro, entre em contato com Rosely Carlos Augusto: e-mail: <a href=\"mailto:rosely54@yahoo.com.br\">rosely54@yahoo.com.br<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-812\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mem\u00f3rias-vivas-3-de-1968-0-a-pris\u00e3o-dos-padres-franceses-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mem\u00f3rias-vivas-3-de-1968-0-a-pris\u00e3o-dos-padres-franceses-225x300.jpg 225w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mem\u00f3rias-vivas-3-de-1968-0-a-pris\u00e3o-dos-padres-franceses.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-811\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mem\u00f3rias-vivas-2-de-1968-0-a-pris\u00e3o-dos-padres-franceses-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mem\u00f3rias-vivas-2-de-1968-0-a-pris\u00e3o-dos-padres-franceses-225x300.jpg 225w, http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Mem\u00f3rias-vivas-2-de-1968-0-a-pris\u00e3o-dos-padres-franceses.jpg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP<strong>\/<\/strong>SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma, It\u00e1lia; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupa\u00e7\u00f5es Urbanas; prof. De \u201cMovimentos Sociais Populares e Direitos Humanos\u201d no IDH, em Belo Horizonte, MG.<\/p>\n<p>E-mail: <a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\">www.gilvander.org.br<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/gilvanderluis\">www.twitter.com\/gilvanderluis<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Face book: Gilvander Moreira III<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro MEM\u00d3RIAS VIVAS DE 1968: a pris\u00e3o dos padres franceses e do di\u00e1cono brasileiro em Belo Horizonte, de Michel Marie Le Ven e Rosely Carlos Augusto, Ed. PUC Minas, 2017. Por Gilvander Moreira[1] Ontem, dia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":810,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-809","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=809"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/809\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9385,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/809\/revisions\/9385"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/810"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}