Retomada Indígena Kamakã Mongoió em Brumadinho, MG: obra do Grande Espírito

Retomada Indígena Kamakã Mongoió em Brumadinho, MG: obra do Grande Espírito. Por Alenice Baeta[1] e Frei Gilvander Moreira[2]

Imagem 1 – Cacique Merong Kamacã Mongoió na Retomada no vale do Córrego de Areias, Brumadinho, MG.  Município: Brumadinho, MG. Novembro de 2021. Foto: Alenice Baeta.

Em outubro de 2021 famílias indígenas lideradas por lideranças Kamakã Mongoió realizaram uma Retomada em uma localidade situada no vale do Córrego Areias, entre Casa Branca e Piedade do Paraopeba, emoldurada pela belíssima Serra da Moeda, no município de Brumadinho, MG.

Nos últimos anos, houve inúmeras denúncias e algumas reuniões na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e Mesas de Negociação junto ao Governo do estado de Minas Gerais para tratar do descaso e do abandono que os indígenas em situação urbana sofrem. Sem solução, após uma série de discussões e reivindicações não atendidas, os indígenas que moram nas cidades e que possuem inúmeros problemas ligados à moradia, risco social, carência alimentar, hídrica e dificuldade de acesso às políticas públicas têm iniciado, desde 2018, processos de Retomada de territórios. 

É preciso levar em consideração a realidade na qual os indígenas em contexto urbano estão inseridos e os motivos que os levaram à migração para as cidades pode ser, às vezes, voluntária ou, quase sempre, forçada e, em muitas situações, envolve violação de direitos humanos dos Povos Indígenas, motivada pela expulsão de suas terras de origem, fuga de conflitos, ameaças, inseguranças econômica e alimentar, falta de trabalho, ausência ou precariedade de serviços básicos, tratamento de saúde, comercialização de artesanato, estudos, dentre outras tantas razões.

As Lutas de Retomadas de territórios são consideradas pelas lideranças indígenas e Xamãs como algo sagrado de recuperar a terra e a vida que lhes foi tirada pelos invasores colonizadores e pela expansão dos empreendimentos degradantes, como a mineração devastadora. Segundo o Cacique Merong Kamacã Mongoió, ele, guiado pelo Grande Espírito, sentiu que precisava voltar às terras ancestrais na região de Brumadinho protegendo-as da destruição que a assola e a ameaça constantemente. Comentou que na Serra da Moeda “há sinais dos povos ancestrais, e que é preciso respeitar a memória que a Mãe Terra guardou para nos ensinar a respeitá-la e o bem viver comunitário. Importante retomar a vida e o respeito aos seres em sua plenitude.”

Imagem 2 – Retomada Kamakã Mongoió no córrego de Areias, Brumadinho, MG. Novembro de 2021. Foto: Alenice Baeta.

Já plantaram mudas de plantas medicinais e frutíferas na localidade. Esta Retomada em Brumadinho está sendo um importante marco para a história indígena em Minas Gerais e na Serra da Moeda, mas necessita do apoio da sociedade organizada e de moradores da região, em geral, além de doações de alimentos e mantimentos. Unamo-nos na Retomada Kamakã Mongoió e na proteção das terras, das serras, das suas águas sagradas, que emanam para todos nós!

Retomada Indígena Kamakã Mongoió, em Brumadinho, MG: obra do Grande Espirito. Com Cacique Merong e cacica Katorã – 15/11/2021


[1] Doutora em Arqueologia pelo MAE/USP; Pós-Doutorado Antropologia e Arqueologia-FAFICH/UFMG; Historiadora e Membro do CEDEFES, do Movimento Serra Sempre Viva, do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios-ICOMOS/Brasil. E-mail: alenicebaeta@yahoo.com.br

[2] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; agente e assessor da CPT/MG, assessor do CEBI e Ocupações Urbanas; prof. de Teologia bíblica no SAB (Serviço de Animação Bíblica), em Belo Horizonte, MG. E-mail: gilvanderlm@gmail.com  – www.gilvander.org.br  – www.freigilvander.blogspot.com.br       –       www.twitter.com/gilvanderluis         – Facebook: Gilvander Moreira III

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