{"id":10219,"date":"2021-04-08T17:47:46","date_gmt":"2021-04-08T20:47:46","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=10219"},"modified":"2021-04-09T10:06:54","modified_gmt":"2021-04-09T13:06:54","slug":"dia-internacional-dos-povos-ciganos-8-de-abril-carta-aberta-contra-a-ciganofobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/dia-internacional-dos-povos-ciganos-8-de-abril-carta-aberta-contra-a-ciganofobia\/","title":{"rendered":"Dia Internacional dos Povos Ciganos, 8 de abril: : Carta aberta contra a ciganofobia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Dia Internacional dos Povos Ciganos, 8 de abril: Carta aberta contra a ciganofobia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ciganos-logotipo-mandala.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10220\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ciganos-logotipo-mandala.jpg 960w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ciganos-logotipo-mandala-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ciganos-logotipo-mandala-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Assinalando o Dia Internacional da Pessoa Cigana \u2013 8 de abril, um conjunto de pessoas e associa\u00e7\u00f5es divulgaram uma carta aberta \u201ccom o objetivo de dissipar ideias preconcebidas, desmontar estere\u00f3tipos e derrubar generaliza\u00e7\u00f5es injustas e anacr\u00f3nicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dia 8 de abril \u00e9 o Dia Internacional da Pessoa Cigana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na carta aberta, que publicamos na \u00edntegra abaixo, salienta-se que \u201cum dos primeiros sintomas da degrada\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e9 precisamente a mobiliza\u00e7\u00e3o demag\u00f3gica contra as minorias\u201d e que, por isso, \u201ccada um de n\u00f3s tem o dever de combater a discrimina\u00e7\u00e3o e assegurar que as vozes das minorias s\u00e3o ouvidas e respeitadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carta aberta na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carta aberta aos nossos concidad\u00e3os&nbsp;sobre a&nbsp;ciganofobia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assinalando o 8 de Abril \u2013 Dia Internacional dos Ciganos, dirigimos esta carta aberta a todos os nossos concidad\u00e3os, incluindo aqueles que ainda t\u00eam preconceitos relativamente \u00e0 etnia cigana, com o objetivo de dissipar ideias preconcebidas, desmontar estere\u00f3tipos e derrubar generaliza\u00e7\u00f5es injustas e anacr\u00f3nicas, alimentadas por pol\u00edticos demagogos que normalizam o discurso de \u00f3dio e a estigmatiza\u00e7\u00e3o de minorias.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto da pandemia COVID-19 veio agravar a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade das minorias. Num memorando publicado em mar\u00e7o de 2021, a comiss\u00e1ria para os Direitos Humanos do Conselho da Europa alerta para \u201co aumento do n\u00famero de crimes motivados pelo \u00f3dio racial, assim como do discurso do \u00f3dio, visando sobretudo os ciganos, os afrodescendentes e pessoas vistas como estrangeiras em Portugal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cEm toda a Europa, a pandemia serviu de pretexto para policiar e segregar ainda mais a comunidade cigana.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em toda a Europa, a pandemia serviu de pretexto para policiar e segregar ainda mais a comunidade cigana. As propostas de confinamento especial para a comunidade cigana em Portugal s\u00e3o hoje uma realidade em pa\u00edses do leste da Europa, como a Hungria e a Bulg\u00e1ria, pa\u00edses onde cresce o autoritarismo. N\u00e3o podemos deixar de salientar o precedente de conotar a comunidade cigana com \u201camea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica\u201d. Sob o pretexto de proteger a sa\u00fade p\u00fablica (e limpar a \u201cra\u00e7a\u201d alem\u00e3) o regime nazi assassinou meio milh\u00e3o de ciganos, e promoveu a esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de mulheres ciganas. A ciganofobia n\u00e3o come\u00e7ou nem acabou com o horror do Holocausto, mas devemos lembrar a fam\u00edlia ideol\u00f3gica de quem prega a segrega\u00e7\u00e3o de minorias \u00e9tnicas. Em Portugal, nenhum partido parlamentar se assume abertamente como fascista, porque isso, sendo proibido pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, obrigaria o Tribunal Constitucional a ilegaliz\u00e1-lo. Mas a extrema-direita n\u00e3o disfar\u00e7a o seu racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o contra as minorias n\u00e3o \u00e9 exclusiva de regimes autocr\u00e1ticos; mesmo em democracia existe discrimina\u00e7\u00e3o estrutural contra os ciganos, os negros, os imigrantes, as mulheres e pessoas LGBTI+. Sabemos que um dos primeiros sintomas da degrada\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e9 precisamente a mobiliza\u00e7\u00e3o demag\u00f3gica contra as minorias. Por isso, cada um de n\u00f3s tem o dever de combater a discrimina\u00e7\u00e3o e assegurar que as vozes das minorias s\u00e3o ouvidas e respeitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma acusa\u00e7\u00e3o comum feita \u00e0s pessoas ciganas \u00e9 a de n\u00e3o trabalharem e viverem \u00e0 custa do Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o (RSI). Ora, a verdade \u00e9 que, segundo dados e estudos da pr\u00f3pria Seguran\u00e7a Social, os ciganos que recebem RSI representam apenas 3,8% do total de benefici\u00e1rios. Apesar de a maioria da comunidade cigana se inserir nos mais de 2 milh\u00f5es de pobres que h\u00e1 em Portugal, a maior parte trabalha nas feiras, no com\u00e9rcio ou venda ambulante e no artesanato.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cCom a democracia, as novas gera\u00e7\u00f5es de ciganos e ciganas portuguesas t\u00eam conseguido, \u00e0 custa de muito esfor\u00e7o, abra\u00e7ar profiss\u00f5es mais qualificadas.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com a democracia, as novas gera\u00e7\u00f5es de ciganos e ciganas portuguesas t\u00eam conseguido, \u00e0 custa de muito esfor\u00e7o, abra\u00e7ar profiss\u00f5es mais qualificadas, depois de quase seis s\u00e9culos de banimentos, persegui\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias b\u00e1rbaras contra homens, mulheres e crian\u00e7as desta etnia. Apesar dos progressos alcan\u00e7ados, persistem os estigmas, exclus\u00f5es e discrimina\u00e7\u00f5es, sobretudo no acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o e ao emprego. Os elementos das comunidades ciganas encontram-se guetizados pelas autarquias em bairros sociais perif\u00e9ricos, com dificuldades em obter um contrato de trabalho, conforme estudos e relat\u00f3rios oficiais do governo, da UE e de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos Direitos Humanos, como a Amnistia Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Pontualmente vemos ciganos e ciganas que conseguiram guindar-se a posi\u00e7\u00f5es de destaque nas mais variadas profiss\u00f5es, nomeadamente, professores, cientistas, advogados, engenheiros, futebolistas, atrizes, cineastas, m\u00e9dicas, enfermeiras e at\u00e9 uma vereadora e deputada na Assembleia da Rep\u00fablica e um Secret\u00e1rio de Estado do actual governo, Carlos Miguel, que j\u00e1 foi presidente da C\u00e2mara Municipal de Torres Vedras. No entanto, a mobilidade social s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel generalizar-se com um ensino verdadeiramente inclusivo, que valorize a diversidade cultural de todas as comunidades em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cO n\u00famero de ciganos na escola obrigat\u00f3ria duplicou nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, mas ainda h\u00e1 um d\u00e9fice enorme no ensino secund\u00e1rio e sobretudo no superior.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de ciganos na escola obrigat\u00f3ria duplicou nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, mas ainda h\u00e1 um d\u00e9fice enorme no ensino secund\u00e1rio e sobretudo no superior. Para ajudar a superar esta dificuldade, a Associa\u00e7\u00e3o Letras N\u00f3madas, liderada por uma mulher cigana, Olga Mariano, em parceria com a Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades Entre Homens e Mulheres, criou o projeto \u201cOpr\u00e9 Chaval\u00e9\u201d (\u201cErguei-vos, jovens\u201d, em romani), a que se seguiu o projeto OPRE, cofinanciado por fundos comunit\u00e1rios, que j\u00e1 concedeu bolsas de estudo para a frequ\u00eancia do ensino superior de quase meia centena de rapazes e mo\u00e7as ciganas (80% s\u00e3o oriundos de bairros sociais e as mo\u00e7as j\u00e1 s\u00e3o a maioria e as que t\u00eam maior sucesso escolar).<\/p>\n\n\n\n<p>As jovens e os jovens ciganos acreditam no lema do \u201cOpr\u00e9 Chaval\u00e9\u201d: \u201cA educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a arma mais poderosa que podemos utilizar para mudar o mundo\u201d (Nelson Mandela). N\u00e3o \u00e9 por acaso que um dos peritos de acompanhamento deste projeto \u00e9 um jovem ativista cigano reconhecido pelo seu exemplo de \u201ceduca\u00e7\u00e3o sem assimila\u00e7\u00e3o\u201d, Pim\u00e9nio Teles (\u201cGitelles\u201d), T\u00e9cnico Superior de Investiga\u00e7\u00e3o no Instituto de Biof\u00edsica e Engenharia Biom\u00e9dica da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cA ci\u00eancia gen\u00e9tica veio demonstrar que biologicamente n\u00e3o h\u00e1 \u201cra\u00e7as\u201d humanas. A ra\u00e7a \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o um atributo biol\u00f3gico.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia gen\u00e9tica veio demonstrar que biologicamente n\u00e3o h\u00e1 \u201cra\u00e7as\u201d humanas. A ra\u00e7a \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o um atributo biol\u00f3gico. Diferen\u00e7as como a cor da pele e a cor dos olhos, refletem adapta\u00e7\u00f5es superficiais ao ambiente em que viviam os nossos antepassados. Diferenciamo-nos tamb\u00e9m pela cultura, e o reconhecimento da import\u00e2ncia da diversidade cultural \u00e9 a primeira condi\u00e7\u00e3o para aquilo que se convencionou chamar \u201cpatrim\u00f3nio comum da humanidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura das v\u00e1rias comunidades rom\u00e1 ciganas (Kalderash, Vlax, Lovari, Ruska, Sinti, Manouche ou os ib\u00e9ricos Calon ou Cal\u00e9) integrou e enriqueceu a cultura dos pa\u00edses onde se inseriram. No campo da m\u00fasica a cultura cigana foi absorvida pela identidade nacional de Espanha, com o Flamenco, e marcou a m\u00fasica popular portuguesa. \u00c9 marca cultural de todos os pa\u00edses balc\u00e2nicos, com as bandas internacionalmente chamadas \u201cbalkan brass\u201d ou \u201cgypsy brass\u201d. Marcou a cultura francesa com o \u201cjazz manouche\u201d, que ainda hoje anima as noites de Paris. A m\u00fasica cigana influenciou igualmente a m\u00fasica cl\u00e1ssica europeia, inspirando obras de m\u00fasicos eruditos como Beethoven, Brahms (que alguns bi\u00f3grafos dizem ser de origem cigana) Haydn, Liszt, Schubert, Dvorjak, Berlioz, Ravel, Debussy, Bizet, Sarasate, Alb\u00e9niz, Granados, Falla, Turina e Francisco (Paco) Su\u00e1rez Saavedra, ele pr\u00f3prio cigano. Conta-se que o filho mais velho de Bach abandonou a c\u00e1tedra de professor de \u00f3rg\u00e3o em Notre-Dame de Halle, para se juntar a um grupo de ciganos com quem tocou violino.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem centenas de ciganos e ciganas famosas em todo o mundo, das artes \u00e0s ci\u00eancias, e at\u00e9 no Parlamento Europeu j\u00e1 h\u00e1 duas eurodeputadas de origem cigana e um eurodeputado desta etnia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras caracter\u00edsticas (n\u00e3o exclusivas, \u00e9 claro) da cultura cigana s\u00e3o o esp\u00edrito comunit\u00e1rio, o respeito pelos idosos e o amor pelas crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cA cultura cigana faz parte da cultura portuguesa, mas os ciganos s\u00f3 foram reconhecidos como cidad\u00e3os nacionais a partir da Constitui\u00e7\u00e3o de 1822 e s\u00f3 com o 25 de Abril \u00e9 que adquiriram a plena cidadania.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A cultura cigana faz parte da cultura portuguesa, mas os ciganos s\u00f3 foram reconhecidos como cidad\u00e3os nacionais a partir da Constitui\u00e7\u00e3o de 1822 e s\u00f3 com o 25 de Abril \u00e9 que adquiriram a plena cidadania. A \u00fanica coisa que vos pedimos \u00e9 que n\u00e3o dificultem, com preconceitos anacr\u00f3nicos, a total inser\u00e7\u00e3o (sem acultura\u00e7\u00e3o) dos ciganos e ciganas na multicultural sociedade portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado, desde j\u00e1!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Associa\u00e7\u00f5es&nbsp;Subscritoras:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o Social, Recreativa e Cultural Cigana de Coimbra<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00edrculo de Cultura Cigana (CCC) do N\u00facleo de Viseu da Associa\u00e7\u00e3o Olho Vivo<\/p>\n\n\n\n<p>Grupo Ativo Comunit\u00e1rio de Viseu<\/p>\n\n\n\n<p>Costume Colossal \u2013 Associa\u00e7\u00e3o para a Integra\u00e7\u00e3o das Comunidades Ciganas (Set\u00fabal) Letras N\u00f3madas \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o e Dinamiza\u00e7\u00e3o das Comunidades Ciganas S\u00edlaba Din\u00e2mica \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Intercultural (Elvas)<\/p>\n\n\n\n<p>Subscritores&nbsp;Individuais:<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Fernandes Pinto (T\u00e9cnico Auxiliar de Sa\u00fade \u2013 membro do CCC)<br>Bruno Gon\u00e7alves (Licenciado em Anima\u00e7\u00e3o S\u00f3cio-Educativa, formador, co-mentor do \u201cOpr\u00e9-Chaval\u00e9\u201d, membro da Assembleia de Freguesia de Buarcos-S.Juli\u00e3o, autor de livro infantil \u201cA Hist\u00f3ria do Ciganito Chico\u201d).<br>Carlos Vieira (vice-presidente da Olho Vivo &#8211; Associa\u00e7\u00e3o de Defesa de Direitos Humanos e activista do CCC)<br>Catarina Vieira e Castro (Professora, deputada na AM de Viseu e activista do CCC)<br>Guiomar Sousa (mediadora s\u00f3cio-cultural e activista pelos Direitos das Mulheres Ciganas)<br>Lu\u00eds Rom\u00e3o (Dirigente associativo da comunidade cigana de Elvas)<br>Maria Gil (actriz e activista pelos Direitos da Mulher Cigana)<br>Maria Jo\u00e3o Pais (Activista da comunidade cigana de Coimbra)<br>M\u00e1rio Santos \u201cMarinho\u201d (Estudante do Ensino Superior e Monitor do Projecto Caminhos E7G)<br>Osvaldo Grilo (dirigente associativo e activista da comunidade cigana de Coimbra)<br>Osvaldo Russo (estudante do Ensino Superior e coordenador do Grupo Ativo Comunit\u00e1rio de Viseu)<br>Ringo Pinto Louren\u00e7o (dirigente da Associa\u00e7\u00e3o de Feirantes das Beiras)<br>Rui Salabarda Garrido (Mediador intercultural em Elvas e activista pelos direitos da etnia cigana)<br>V\u00e2nia Cardoso Louren\u00e7o (estudante de Direito e activista do C\u00edrculo de Cultura Cigana de Viseu)<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira, da CPT\/MG.<\/p>\n\n\n\n<p>Belo Horizonte, MG, 08 de abril de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ciganofobia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assinalando o Dia Internacional da Pessoa Cigana \u2013 8 de abril, um conjunto de pessoas e associa\u00e7\u00f5es divulgaram uma carta aberta \u201ccom o objetivo de dissipar ideias preconcebidas, desmontar estere\u00f3tipos e derrubar generaliza\u00e7\u00f5es injustas e anacr\u00f3nicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dia 8 de abril \u00e9 o Dia Internacional da Pessoa Cigana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na carta aberta, que publicamos na \u00edntegra abaixo, salienta-se que \u201cum dos primeiros sintomas da degrada\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e9 precisamente a mobiliza\u00e7\u00e3o demag\u00f3gica contra as minorias\u201d e que, por isso, \u201ccada um de n\u00f3s tem o dever de combater a discrimina\u00e7\u00e3o e assegurar que as vozes das minorias s\u00e3o ouvidas e respeitadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carta aberta na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carta aberta aos nossos concidad\u00e3os&nbsp;sobre a&nbsp;ciganofobia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assinalando o 8 de Abril \u2013 Dia Internacional dos Ciganos, dirigimos esta carta aberta a todos os nossos concidad\u00e3os, incluindo aqueles que ainda t\u00eam preconceitos relativamente \u00e0 etnia cigana, com o objetivo de dissipar ideias preconcebidas, desmontar estere\u00f3tipos e derrubar generaliza\u00e7\u00f5es injustas e anacr\u00f3nicas, alimentadas por pol\u00edticos demagogos que normalizam o discurso de \u00f3dio e a estigmatiza\u00e7\u00e3o de minorias.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto da pandemia COVID-19 veio agravar a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade das minorias. Num memorando publicado em mar\u00e7o de 2021, a comiss\u00e1ria para os Direitos Humanos do Conselho da Europa alerta para \u201co aumento do n\u00famero de crimes motivados pelo \u00f3dio racial, assim como do discurso do \u00f3dio, visando sobretudo os ciganos, os afrodescendentes e pessoas vistas como estrangeiras em Portugal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cEm toda a Europa, a pandemia serviu de pretexto para policiar e segregar ainda mais a comunidade cigana.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em toda a Europa, a pandemia serviu de pretexto para policiar e segregar ainda mais a comunidade cigana. As propostas de confinamento especial para a comunidade cigana em Portugal s\u00e3o hoje uma realidade em pa\u00edses do leste da Europa, como a Hungria e a Bulg\u00e1ria, pa\u00edses onde cresce o autoritarismo. N\u00e3o podemos deixar de salientar o precedente de conotar a comunidade cigana com \u201camea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica\u201d. Sob o pretexto de proteger a sa\u00fade p\u00fablica (e limpar a \u201cra\u00e7a\u201d alem\u00e3) o regime nazi assassinou meio milh\u00e3o de ciganos, e promoveu a esteriliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de mulheres ciganas. A ciganofobia n\u00e3o come\u00e7ou nem acabou com o horror do Holocausto, mas devemos lembrar a fam\u00edlia ideol\u00f3gica de quem prega a segrega\u00e7\u00e3o de minorias \u00e9tnicas. Em Portugal, nenhum partido parlamentar se assume abertamente como fascista, porque isso, sendo proibido pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, obrigaria o Tribunal Constitucional a ilegaliz\u00e1-lo. Mas a extrema-direita n\u00e3o disfar\u00e7a o seu racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o contra as minorias n\u00e3o \u00e9 exclusiva de regimes autocr\u00e1ticos; mesmo em democracia existe discrimina\u00e7\u00e3o estrutural contra os ciganos, os negros, os imigrantes, as mulheres e pessoas LGBTI+. Sabemos que um dos primeiros sintomas da degrada\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e9 precisamente a mobiliza\u00e7\u00e3o demag\u00f3gica contra as minorias. Por isso, cada um de n\u00f3s tem o dever de combater a discrimina\u00e7\u00e3o e assegurar que as vozes das minorias s\u00e3o ouvidas e respeitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma acusa\u00e7\u00e3o comum feita \u00e0s pessoas ciganas \u00e9 a de n\u00e3o trabalharem e viverem \u00e0 custa do Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o (RSI). Ora, a verdade \u00e9 que, segundo dados e estudos da pr\u00f3pria Seguran\u00e7a Social, os ciganos que recebem RSI representam apenas 3,8% do total de benefici\u00e1rios. Apesar de a maioria da comunidade cigana se inserir nos mais de 2 milh\u00f5es de pobres que h\u00e1 em Portugal, a maior parte trabalha nas feiras, no com\u00e9rcio ou venda ambulante e no artesanato.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cCom a democracia, as novas gera\u00e7\u00f5es de ciganos e ciganas portuguesas t\u00eam conseguido, \u00e0 custa de muito esfor\u00e7o, abra\u00e7ar profiss\u00f5es mais qualificadas.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com a democracia, as novas gera\u00e7\u00f5es de ciganos e ciganas portuguesas t\u00eam conseguido, \u00e0 custa de muito esfor\u00e7o, abra\u00e7ar profiss\u00f5es mais qualificadas, depois de quase seis s\u00e9culos de banimentos, persegui\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias b\u00e1rbaras contra homens, mulheres e crian\u00e7as desta etnia. Apesar dos progressos alcan\u00e7ados, persistem os estigmas, exclus\u00f5es e discrimina\u00e7\u00f5es, sobretudo no acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o e ao emprego. Os elementos das comunidades ciganas encontram-se guetizados pelas autarquias em bairros sociais perif\u00e9ricos, com dificuldades em obter um contrato de trabalho, conforme estudos e relat\u00f3rios oficiais do governo, da UE e de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos Direitos Humanos, como a Amnistia Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Pontualmente vemos ciganos e ciganas que conseguiram guindar-se a posi\u00e7\u00f5es de destaque nas mais variadas profiss\u00f5es, nomeadamente, professores, cientistas, advogados, engenheiros, futebolistas, atrizes, cineastas, m\u00e9dicas, enfermeiras e at\u00e9 uma vereadora e deputada na Assembleia da Rep\u00fablica e um Secret\u00e1rio de Estado do actual governo, Carlos Miguel, que j\u00e1 foi presidente da C\u00e2mara Municipal de Torres Vedras. No entanto, a mobilidade social s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel generalizar-se com um ensino verdadeiramente inclusivo, que valorize a diversidade cultural de todas as comunidades em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cO n\u00famero de ciganos na escola obrigat\u00f3ria duplicou nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, mas ainda h\u00e1 um d\u00e9fice enorme no ensino secund\u00e1rio e sobretudo no superior.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de ciganos na escola obrigat\u00f3ria duplicou nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, mas ainda h\u00e1 um d\u00e9fice enorme no ensino secund\u00e1rio e sobretudo no superior. Para ajudar a superar esta dificuldade, a Associa\u00e7\u00e3o Letras N\u00f3madas, liderada por uma mulher cigana, Olga Mariano, em parceria com a Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades Entre Homens e Mulheres, criou o projecto \u201cOpr\u00e9 Chaval\u00e9\u201d (\u201cErguei-vos, jovens\u201d, em romani), a que se seguiu o projecto OPRE, cofinanciado por fundos comunit\u00e1rios, que j\u00e1 concedeu bolsas de estudo para a frequ\u00eancia do ensino superior de quase meia centena de rapazes e raparigas ciganas (80% s\u00e3o oriundos de bairros sociais e as raparigas j\u00e1 s\u00e3o a maioria e as que t\u00eam maior sucesso escolar).<\/p>\n\n\n\n<p>As jovens e os jovens ciganos acreditam no lema do \u201cOpr\u00e9 Chaval\u00e9\u201d: \u201cA educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a arma mais poderosa que podemos utilizar para mudar o mundo\u201d (Nelson Mandela). N\u00e3o \u00e9 por acaso que um dos peritos de acompanhamento deste projecto \u00e9 um jovem ativista cigano reconhecido pelo seu exemplo de \u201ceduca\u00e7\u00e3o sem assimila\u00e7\u00e3o\u201d, Pim\u00e9nio Teles (\u201cGitelles\u201d), T\u00e9cnico Superior de Investiga\u00e7\u00e3o no Instituto de Biof\u00edsica e Engenharia Biom\u00e9dica da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cA ci\u00eancia gen\u00e9tica veio demonstrar que biologicamente n\u00e3o h\u00e1 \u201cra\u00e7as\u201d humanas. A ra\u00e7a \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o um atributo biol\u00f3gico.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia gen\u00e9tica veio demonstrar que biologicamente n\u00e3o h\u00e1 \u201cra\u00e7as\u201d humanas. A ra\u00e7a \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o um atributo biol\u00f3gico. Diferen\u00e7as como a cor da pele e a cor dos olhos, refletem adapta\u00e7\u00f5es superficiais ao ambiente em que viviam os nossos antepassados. Diferenciamo-nos tamb\u00e9m pela cultura, e o reconhecimento da import\u00e2ncia da diversidade cultural \u00e9 a primeira condi\u00e7\u00e3o para aquilo que se convencionou chamar \u201cpatrim\u00f3nio comum da humanidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura das v\u00e1rias comunidades rom\u00e1 (Kalderash, Vlax, Lovari, Ruska, Sinti, Manouche ou os ib\u00e9ricos Calon ou Cal\u00e9) integrou e enriqueceu a cultura dos pa\u00edses onde se inseriram. No campo da m\u00fasica a cultura cigana foi absorvida pela identidade nacional de Espanha, com o Flamenco, e marcou a m\u00fasica popular portuguesa. \u00c9 marca cultural de todos os pa\u00edses balc\u00e2nicos, com as bandas internacionalmente chamadas \u201cbalkan brass\u201d ou \u201cgypsy brass\u201d. Marcou a cultura francesa com o \u201cjazz manouche\u201d, que ainda hoje anima as noites de Paris. A m\u00fasica cigana influenciou igualmente a m\u00fasica cl\u00e1ssica europeia, inspirando obras de m\u00fasicos eruditos como Beethoven, Brahms (que alguns bi\u00f3grafos dizem ser de origem cigana) Haydn, Liszt, Schubert, Dvorjak, Berlioz, Ravel, Debussy, Bizet, Sarasate, Alb\u00e9niz, Granados, Falla, Turina e Francisco (Paco) Su\u00e1rez Saavedra, ele pr\u00f3prio cigano. Conta-se que o filho mais velho de Bach abandonou a c\u00e1tedra de professor de \u00f3rg\u00e3o em Notre-Dame de Halle, para se juntar a um grupo de ciganos com quem tocou violino.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem centenas de ciganos e ciganas famosas em todo o mundo, das artes \u00e0s ci\u00eancias, e at\u00e9 no Parlamento Europeu j\u00e1 h\u00e1 duas eurodeputadas de origem cigana e um eurodeputado desta etnia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras caracter\u00edsticas (n\u00e3o exclusivas, \u00e9 claro) da cultura cigana s\u00e3o o esp\u00edrito comunit\u00e1rio, o respeito pelos idosos e o amor pelas crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cA cultura cigana faz parte da cultura portuguesa, mas os ciganos s\u00f3 foram reconhecidos como cidad\u00e3os nacionais a partir da Constitui\u00e7\u00e3o de 1822 e s\u00f3 com o 25 de Abril \u00e9 que adquiriram a plena cidadania.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A cultura cigana faz parte da cultura portuguesa, mas os ciganos s\u00f3 foram reconhecidos como cidad\u00e3os nacionais a partir da Constitui\u00e7\u00e3o de 1822 e s\u00f3 com o 25 de Abril \u00e9 que adquiriram a plena cidadania. A \u00fanica coisa que vos pedimos \u00e9 que n\u00e3o dificultem, com preconceitos anacr\u00f3nicos, a total inser\u00e7\u00e3o (sem acultura\u00e7\u00e3o) dos ciganos e ciganas na multicultural sociedade portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado, desde j\u00e1!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Associa\u00e7\u00f5es&nbsp;Subscritoras:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Associa\u00e7\u00e3o Social, Recreativa e Cultural Cigana de Coimbra<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00edrculo de Cultura Cigana (CCC) do N\u00facleo de Viseu da Associa\u00e7\u00e3o Olho Vivo<\/p>\n\n\n\n<p>Grupo Ativo Comunit\u00e1rio de Viseu<\/p>\n\n\n\n<p>Costume Colossal \u2013 Associa\u00e7\u00e3o para a Integra\u00e7\u00e3o das Comunidades Ciganas (Set\u00fabal) Letras N\u00f3madas \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o e Dinamiza\u00e7\u00e3o das Comunidades Ciganas S\u00edlaba Din\u00e2mica \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Intercultural (Elvas)<\/p>\n\n\n\n<p>Subscritores&nbsp;Individuais:<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Fernandes Pinto (T\u00e9cnico Auxiliar de Sa\u00fade \u2013 membro do CCC)<br>Bruno Gon\u00e7alves (Licenciado em Anima\u00e7\u00e3o S\u00f3cio-Educativa, formador, co-mentor do \u201cOpr\u00e9-Chaval\u00e9\u201d, membro da Assembleia de Freguesia de Buarcos-S.Juli\u00e3o, autor de livro infantil \u201cA Hist\u00f3ria do Ciganito Chico\u201d).<br>Carlos Vieira (vice-presidente da Olho Vivo &#8211; Associa\u00e7\u00e3o de Defesa de Direitos Humanos e activista do CCC)<br>Catarina Vieira e Castro (Professora, deputada na AM de Viseu e activista do CCC)<br>Guiomar Sousa (mediadora s\u00f3cio-cultural e activista pelos Direitos das Mulheres Ciganas)<br>Lu\u00eds Rom\u00e3o (Dirigente associativo da comunidade cigana de Elvas)<br>Maria Gil (actriz e activista pelos Direitos da Mulher Cigana)<br>Maria Jo\u00e3o Pais (Activista da comunidade cigana de Coimbra)<br>M\u00e1rio Santos \u201cMarinho\u201d (Estudante do Ensino Superior e Monitor do Projecto Caminhos E7G)<br>Osvaldo Grilo (dirigente associativo e activista da comunidade cigana de Coimbra)<br>Osvaldo Russo (estudante do Ensino Superior e coordenador do Grupo Ativo Comunit\u00e1rio de Viseu)<br>Ringo Pinto Louren\u00e7o (dirigente da Associa\u00e7\u00e3o de Feirantes das Beiras)<br>Rui Salabarda Garrido (Mediador intercultural em Elvas e activista pelos direitos da etnia cigana)<br>V\u00e2nia Cardoso Louren\u00e7o (estudante de Direito e activista do C\u00edrculo de Cultura Cigana de Viseu)<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira, da CPT\/MG.<\/p>\n\n\n\n<p>Belo Horizonte, MG, 08 de abril de 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia Internacional dos Povos Ciganos, 8 de abril: Carta aberta contra a ciganofobia Assinalando o Dia Internacional da Pessoa Cigana \u2013 8 de abril, um conjunto de pessoas e associa\u00e7\u00f5es divulgaram uma carta aberta \u201ccom<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10220,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,46,44,38,49,37,27,33],"tags":[],"class_list":["post-10219","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-dos-ciganos","category-direitos-humanos","category-nota-publica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10219","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10219"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10219\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10223,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10219\/revisions\/10223"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}