{"id":11256,"date":"2022-05-31T09:35:04","date_gmt":"2022-05-31T12:35:04","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=11256"},"modified":"2022-05-31T09:40:36","modified_gmt":"2022-05-31T12:40:36","slug":"agrotoxicos-contra-os-povos-o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/agrotoxicos-contra-os-povos-o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/","title":{"rendered":"AGROT\u00d3XICOS CONTRA OS POVOS: O Cerrado como zona de sacrif\u00edcio imposta pelo agroneg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>AGROT\u00d3XICOS CONTRA OS POVOS: O Cerrado como zona de sacrif\u00edcio imposta pelo agroneg\u00f3cio<\/strong>. Por\u00a0Raquel Maria Rigotto<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11257\" width=\"778\" height=\"519\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro2.jpg 700w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro2-300x200.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro2-420x280.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px\" \/><figcaption>Piv\u00f4 central em fazenda no munic\u00edpio de Balsas (MA). (Cr\u00e9ditos: Thomas Bauer)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O vasto e rico Cerrado, ocupado h\u00e1 pelo menos 11 mil anos por povos origin\u00e1rios, enriquecido a partir do s\u00e9culo XVII com o povo negro resistindo \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o, ber\u00e7o da fecunda sociodiversidade de comunidades tradicionais que se fizeram em estreita rela\u00e7\u00e3o com os diferentes ecossistemas, o bioma teve suas fronteiras arrega\u00e7adas pelo pr\u00f3prio Estado brasileiro nos \u00faltimos 50 anos, para abrir as portas aos extrativismos que se renovam a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>N\u00f3s, como comunidade, crian\u00e7as, idosos, sofremos muito as consequ\u00eancias dos agrot\u00f3xicos: diarreia, dor de cabe\u00e7a, dor de est\u00f4mago, fraqueza, coceira na pele, coceira no olho<\/em>\u201d.&nbsp;\u00c9 assim que Eryleide Domingues, jovem Guarani Kaiow\u00e1 do Mato Grosso do Sul, nos fala da opressora presen\u00e7a dos agrot\u00f3xicos no dia-a-dia de sua comunidade. Estes s\u00e3o sintomas que tamb\u00e9m os livros de toxicologia, de cl\u00ednica e de emerg\u00eancia m\u00e9dica, assim como as pesquisas, descrevem quando da intoxica\u00e7\u00e3o aguda pelos venenos. Mais que um agravo, uma viola\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e cont\u00ednua do direito \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade, imposto pelas empresas do agroneg\u00f3cio que cercam a terra&nbsp;<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/guerra-quimica-contra-as-comunidades\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">que hoje este povo ocupa,<\/a>&nbsp;numa trajet\u00f3ria cont\u00ednua e violenta de desterritorializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros depoimentos dolorosos como este foram prestados diante do j\u00fari do Tribunal Permanente dos Povos em Defesa dos Territ\u00f3rios do Cerrado na audi\u00eancia sobre&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.campanhacerrado.org.br\/noticias\/349-povos-denunciam-racismo-do-agronegocio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Soberania Alimentar e Sociobiodiversidade<\/a>&nbsp;realizada em 15 e 16 de mar\u00e7o de 2022. Jovecino Pereira expressa a \u201copress\u00e3o e a derrota pela enxurrada de veneno vindo de cima da chapada\u201d e atingindo as veredas que sustentam a vida na comunidade de Chup\u00e9, no Piau\u00ed. \u00c9 tamb\u00e9m do monocultivo de soja que v\u00eam os agrot\u00f3xicos pulverizados por avi\u00e3o sobre o povo Akro\u00e1 Gamella, no V\u00e3o do Vico, no mesmo estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando a natureza com olhos muito distintos daqueles da cultura ocidental branca moderna, eles sentem tamb\u00e9m pelas plantas \u201cque respiram ar polu\u00eddo\u201d, pelas aves que est\u00e3o sumindo, pelos peixes e tracaj\u00e1s que aparecem intoxicados e mortos no entorno das lavouras. Lamentam que os alimentos que cultivam, fonte de sua soberania alimentar, n\u00e3o conseguem crescer, porque \u201ctem os insetos que vem na soja e prejudicam as nossas ro\u00e7as. N\u00f3s plantamos feij\u00e3o, n\u00f3s plantamos a ab\u00f3bora\u2026 a mosca branca vem e mata tudo\u201d<a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes n\u00e3o s\u00e3o casos isolados, \u00e9 importante compreender a escala do conflito. O vasto e rico Cerrado, ocupado h\u00e1 pelo menos 11 mil anos por povos origin\u00e1rios, enriquecido a partir do s\u00e9culo XVII com o povo negro resistindo \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o, ber\u00e7o da fecunda sociodiversidade de comunidades tradicionais que se fizeram em estreita rela\u00e7\u00e3o com os diferentes ecossistemas, o bioma teve suas fronteiras arrega\u00e7adas pelo pr\u00f3prio Estado brasileiro nos \u00faltimos 50 anos, para abrir as portas aos extrativismos que se renovam a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados destas pol\u00edticas coloniais e racistas de&nbsp;des-envolvimento, que se imp\u00f5em como se ali fosse um vazio demogr\u00e1fico, fizeram do Cerrado uma verdadeira&nbsp;zona de sacrif\u00edcio&nbsp;no pa\u00eds: 46.889.008 hectares do bioma j\u00e1 estavam desmatados e ocupados para a produ\u00e7\u00e3o de soja, milho, cana-de-a\u00e7\u00facar e algod\u00e3o em 2018 \u2013 concentrando 75% da \u00e1rea plantada com estas&nbsp;commodities&nbsp;no Brasil -, al\u00e9m das extensas \u00e1reas destinadas ao eucalipto, arroz e frutas. A isto se somam os 63.847.127 hectares de pastagens, nos quais se encontravam 117.199.138 cabe\u00e7as de gado, representando 54,9% de todo rebanho bovino no Brasil<a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn2\">[2]<\/a>, com severas implica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m sobre as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa por este sistema agroalimentar hegem\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Modelo produtivo do agroneg\u00f3cio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O modelo produtivo do agroneg\u00f3cio, baseado na moderniza\u00e7\u00e3o conservadora da agricultura e focado na produtividade a qualquer custo, envolve diferentes formas de desterritorializa\u00e7\u00e3o \u2013 da grilagem \u00e0 financeiriza\u00e7\u00e3o; o desmatamento, que j\u00e1 atinge mais da metade do bioma, e a consequente ruptura das complexas e delicadas rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas que sustentam sua imensa biodiversidade; a implanta\u00e7\u00e3o de extensos monocultivos, muitas vezes com sementes transg\u00eanicas, especialmente nas chapadas, para facilitar a mecaniza\u00e7\u00e3o e reduzir a demanda de for\u00e7a de trabalho; o consumo de enormes volumes de \u00e1gua, restringindo seus usos pelas comunidades locais; al\u00e9m do uso intensivo de agrot\u00f3xicos e fertilizantes qu\u00edmicos, dos quais s\u00e3o absolutamente dependentes \u2013 como se v\u00ea agora, na cena da guerra R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, o desespero em torno da importa\u00e7\u00e3o de seus componentes, como o pot\u00e1ssio, porque n\u00e3o sabem cuidar da vida do solo como o fazem secularmente os povos do Cerrado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"467\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11258\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro1.jpg 700w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro1-300x200.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro1-420x280.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Monocultivo de soja em Dourados (MS). (Cr\u00e9ditos Thomas Bauer)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ainda em 2018, 607.408.086 de litros de agrot\u00f3xicos foram despejados nos cultivos de soja, cana-de-a\u00e7\u00facar, milho e algod\u00e3o no Cerrado, fazendo desta zona de sacrif\u00edcio o alvo de 73,5% do total de agrot\u00f3xicos consumidos no pa\u00eds. Desde sua aplica\u00e7\u00e3o, geram em sua ecotoxicocin\u00e9tica um ciclo de contamina\u00e7\u00e3o de todos os compartimentos ambientais \u2013 ar, solo e \u00e1guas; e tamb\u00e9m da fauna e da flora \u2013 onde as comunidades, com seus saberes e pr\u00e1ticas ancestrais, encontram alimentos e medicamentos; contaminam tamb\u00e9m os seus cultivos e, muito especialmente, atingem os corpos e adoecem trabalhadores\/as e moradores\/as.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00e1tica da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, largamente adotada no Cerrado, agrava sobremaneira a contamina\u00e7\u00e3o do entorno e tamb\u00e9m a remota, na medida em que apenas 30% dos venenos jogados nas lavouras atingem o \u201calvo\u201d, e os 70% restantes se transformam em deriva, dos quais 20% v\u00e3o para o ar e 50% para o solo<a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn3\">[3]<\/a>. Mais que isso, muitas comunidades t\u00eam denunciado essa pr\u00e1tica como arma qu\u00edmica, somada aos inc\u00eandios e tiros e aos tratores que derrubam suas casas e ro\u00e7ados, tencionando pela expuls\u00e3o dos povos de suas terras. Entre v\u00e1rios outros, pelo menos tr\u00eas ataques&nbsp;em escolas&nbsp;j\u00e1 foram denunciados: na aldeia Guyrarok\u00e1\/MS, pulverizada em maio de 2019; na comunidade Tey Jusu, no munic\u00edpio de Caarap\u00f3\/MS, em 2015; e em Rio Verde\/GO, no Assentamento Pontal do Buriti, no ano de 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>A agricultura irrigada exaure as \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas para alimentar as \u00e1reas equipadas com piv\u00f4s centrais, que se concentram nos Cerrados (91,8%), acirrando os conflitos com as comunidades pelo acesso a esse bem comum. Em \u00e2mbito nacional, a irriga\u00e7\u00e3o realizada pelo agroneg\u00f3cio consumiu 941 mil litros de \u00e1gua por segundo em 2019, o que corresponde a 29,7 trilh\u00f5es de litros ao ano, respondendo assim pelo consumo de 66,1% de todas as \u00e1guas extra\u00eddas de mananciais no Brasil. Se somarmos a isto os 11,6% que se destinam ao consumo animal, temos que o consumo de 77,7% das \u00e1guas do pa\u00eds est\u00e1 concentrado neste setor econ\u00f4mico<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn4\">[4]<\/a>. Da\u00ed se pode compreender, por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o de 49,2% na alimenta\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco pelo fluxo de base do Sistema Aqu\u00edfero Urucuia, em 35 anos, exaurindo-se com os monocultivos no extremo oeste baiano. Isso sem mencionar o extenso obitu\u00e1rio de nascentes e rios, ou o n\u00famero cada vez maior de rios com o balan\u00e7o h\u00eddrico em situa\u00e7\u00e3o muito cr\u00edtica, ou seja, com mais de 40% de sua vaz\u00e3o comprometida.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da a(ex)propria\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, a produ\u00e7\u00e3o de&nbsp;commodities&nbsp;tamb\u00e9m contamina seus fluxos superficiais e subterr\u00e2neos com fertilizantes qu\u00edmicos e agrot\u00f3xicos. Pesquisadores do N\u00facleo de Estudos Ambientais e Sa\u00fade do Trabalhador (Neast\/UFMT) constataram a presen\u00e7a de ingredientes ativos de venenos usados nas lavouras de soja, milho, algod\u00e3o e pastagens em amostras de \u00e1guas dos rios, lagos, na \u00e1gua da chuva, e tamb\u00e9m na \u00e1gua para consumo humano em regi\u00f5es grandes produtoras agr\u00edcolas do Mato Grosso (Rondon\u00f3polis, Sorriso, Sapezal e Canarana). No mesmo estudo, os resultados tamb\u00e9m foram positivos para estes contaminantes em peixes, hortali\u00e7as e at\u00e9 no leite materno, evidenciando mais uma vez como a contiguidade entre a agricultura empresarial e as comunidades compromete seus sistemas alimentares e amea\u00e7a sua sa\u00fade<a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn5\">[5]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m nos estudos realizados nas regi\u00f5es do Pantanal e Parque Ind\u00edgena do Xingu foram detectados v\u00e1rios agrot\u00f3xicos nas amostras de \u00e1gua colhidas at\u00e9 100 km adentro do territ\u00f3rio, nos sedimentos de rio, nos peixes, tartarugas e sapos, j\u00e1 que seus principais rios, o Paraguai e o Xingu, t\u00eam suas nascentes dentro das planta\u00e7\u00f5es de soja, milho, algod\u00e3o, cana e pastagens<a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista do comprometimento direto da sa\u00fade humana pelos agrot\u00f3xicos, \u00e9 importante considerar que estes s\u00e3o&nbsp;biocidas, ou seja, interferem em mecanismos bioqu\u00edmicos e fisiol\u00f3gicos de sustenta\u00e7\u00e3o da vida que s\u00e3o comuns tamb\u00e9m aos seres humanos. N\u00e3o \u00e9 rem\u00e9dio, \u00e9 veneno! A profus\u00e3o de relatos, na Audi\u00eancia do Tribunal, de eventos coletivos de intoxica\u00e7\u00e3o aguda ilustra e alerta para a subnotifica\u00e7\u00e3o de casos nos sistemas oficiais de registro. S\u00e3o narrativas precisas, caracterizando a fonte de contamina\u00e7\u00e3o, as vias de exposi\u00e7\u00e3o, o lapso de tempo para o surgimento dos mesmos sintomas na maioria dos indiv\u00edduos, especialmente os mais vulner\u00e1veis, como crian\u00e7as e idosos. Ou seja, toda a caracteriza\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica dos casos, que n\u00e3o chegam ao sistema de sa\u00fade e, se chegam, muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o adequadamente diagnosticados e\/ou registrados, \u2013 a restrita forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade nestes temas, assim como a pouca disponibilidade de laborat\u00f3rios de an\u00e1lise toxicol\u00f3gica contribui na invisibiliza\u00e7\u00e3o dos impactos do \u201cdesenvolvimento\u201d anunciado. Ainda assim, se a taxa m\u00e9dia nacional de intoxica\u00e7\u00e3o ex\u00f3gena em 2016 e 2017 foi de 6,8 casos para cada 100 mil habitantes, para os munic\u00edpios dos Cerrados ela foi de 8,5\/100.000.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 ainda um outro universo de impactos ainda mais invisibilizados: s\u00e3o os efeitos cr\u00f4nicos dos agrot\u00f3xicos. Farta literatura cient\u00edfica e tamb\u00e9m normativas j\u00e1 afirmam a correla\u00e7\u00e3o entre diferentes ingredientes ativos com os c\u00e2nceres (leucemias e linfomas n\u00e3o-Hodgkin; c\u00e2nceres de mama, ov\u00e1rio, pr\u00f3stata, test\u00edculo e es\u00f4fago, entre outros); altera\u00e7\u00f5es do sistema reprodutor (como infertilidade, abortos, baixo peso ao nascer, parto prematuro, m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas); neuropatias (surdez, diminui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a muscular, paralisias e Doen\u00e7a de Parkinson); transtornos psiqui\u00e1tricos (depress\u00e3o, dist\u00farbios cognitivos, autismo, suic\u00eddio). Mas, como s\u00e3o patologias de etiologia m\u00faltipla, e pode haver um longo per\u00edodo de lat\u00eancia entre a exposi\u00e7\u00e3o e a manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, raramente se chega a diagnosticar e registrar estes casos como decorrentes da contamina\u00e7\u00e3o pelos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Correla\u00e7\u00f5es positivas foram encontradas entre os volumes de agrot\u00f3xicos utilizados nos cultivos de soja, milho, cana, algod\u00e3o, arroz, feij\u00e3o, fumo e caf\u00e9 nas regi\u00f5es de maior produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola dos estados brasileiros de MT, MS, GO, PR, RS, SP e TO e as incid\u00eancias dos seguintes agravos: intoxica\u00e7\u00f5es agudas, mortes por intoxica\u00e7\u00f5es, c\u00e2nceres infanto-juvenis, malforma\u00e7\u00f5es fetais, abortos e suic\u00eddios<a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn7\">[7]<\/a>. Para os casos de c\u00e2ncer infanto-juvenil, um estudo demonstrou que eles s\u00e3o mais frequentes nos Cerrados (45,2 casos\/1 milh\u00e3o de habitantes) que no pa\u00eds como um todo (43\/1 milh\u00e3o de habitantes)<a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn8\">[8]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 talvez a forma mais perversa em que a decantada vertente \u201cagro\u201d do desenvolvimento neo extrativista chega aos corpos e \u00e0s diferentes formas de vida humana e n\u00e3o-humana nos Cerrados brasileiros nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Esta hist\u00f3ria come\u00e7a quando acaba a Segunda Guerra Mundial: a ind\u00fastria qu\u00edmica se viu sem mercado para os parques industriais que havia instalado para atender \u00e0s demandas de armas qu\u00edmicas. Para quem vender ent\u00e3o? No contexto de fome, constr\u00f3i-se a narrativa de que aquelas armas tecnol\u00f3gicas poderiam ser utilizadas como \u201cdefensivos\u201d agr\u00edcolas, que \u201ccombateriam\u201d o \u201cinimigo\u201d da produtividade agr\u00edcola \u2013 prosseguindo em sua linguagem b\u00e9lica. \u00c0s primeiras evid\u00eancias dos danos ambientais e sanit\u00e1rios, no final dos anos 1960, eles atribu\u00edram os perigos e acidentes ao \u201cuso incorreto\u201d e sobrepuseram a narrativa do \u201cuso seguro\u201d dos agrot\u00f3xicos, empurrando a responsabilidade para os agricultores. Envolvendo a&nbsp;Food and Agriculture Organization&nbsp;(FAO),&nbsp;o&nbsp;International Group of National Associations of Agrochemical Manufacturers (GIFAP) \u2013 hoje&nbsp;Croplife International&nbsp;\u2013 definiram o \u201cC\u00f3digo Internacional de Conduta para a Distribui\u00e7\u00e3o e Uso de Agrot\u00f3xicos\u201d, criando normas para as empresas e os governos fazerem o \u201cuso seguro\u201d de agrot\u00f3xicos<a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"467\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11259\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro3.jpg 700w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro3-300x200.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/agro3-420x280.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Embalagens de agrot\u00f3xico armazenadas de forma inadequada na beira da estrada Pimenteiras do Oeste (RO). (Cr\u00e9ditos: Thomas Bauer)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 este o paradigma que embasa a Lei n\u02da 7.802\/1989, conhecida como Lei dos Agrot\u00f3xicos, e o Decreto 4.074\/2002 que a regulamenta e que, neste momento, j\u00e1 correm o risco de serem substitu\u00eddos pelo Pacote do Veneno, mais frouxo e insalubre ainda. Ocorre que o Estado brasileiro, na maior parte das situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o executa adequadamente as muitas pol\u00edticas p\u00fablicas protetoras que movimentos da sociedade labutaram para conquistar \u2013 como as de monitoramento e fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e trabalhista, as Vigil\u00e2ncias, ou a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral dos Povos do Campo e das Florestas. E muito menos faz valer seu poder para impor limites \u00e0s viola\u00e7\u00f5es cometidas pelo setor econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, o Estado alimenta o agroneg\u00f3cio com infraestruturas de transporte e de energia, com outorgas pouco transparentes e pouco controladas, financiamentos com recursos p\u00fablicos, perd\u00e3o de d\u00edvidas e flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o. Inconstitucionais s\u00e3o as isen\u00e7\u00f5es de ICMS, IPI, Cofins, PIS\/Pasep concedidas aos agrot\u00f3xicos, como defende a A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade n\u00ba 5553, em julgamento no STF. Apenas entre 2016 e 2021, 2647 novos produtos agrot\u00f3xicos foram registrados, entre ingredientes banidos em seus pa\u00edses de origem. S\u00e3o principalmente os povos do campo, da floresta e das \u00e1guas que pagam, em seus corpos, o pre\u00e7o desse projeto de morte. As mulheres, com todas as responsabilidades de cuidado das fam\u00edlias que sobre elas recaem, se&nbsp;entristecem e deprimem&nbsp;por ver o quintal e o ro\u00e7ado prejudicados pelos venenos, e s\u00e3o sobrecarregadas com a aten\u00e7\u00e3o aos adoecidos por eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem vive nas cidades n\u00e3o est\u00e1 livre dos agrot\u00f3xicos: eles chegam pelos alimentos e pela torneira. Nas amostragens realizadas pelo Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos em Alimentos em 2017\/2018, apenas 49% dos resultados n\u00e3o apresentaram res\u00edduos dos agrot\u00f3xicos pesquisados<a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftn10\">[10]<\/a>. Entre os munic\u00edpios brasileiros que cumpriram a obriga\u00e7\u00e3o de dosar venenos na \u00e1gua dos sistemas de abastecimento entre 2014 e 2017 (e foram apenas 25% deles), 75% apresentaram contamina\u00e7\u00e3o. De fato, o veneno est\u00e1 na mesa\u2026 chamando a cidade para conversar com o campo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso barrar a expans\u00e3o do ecoc\u00eddio e do genoc\u00eddio cultural em curso, conquistando Territ\u00f3rios Livres do Agroneg\u00f3cio, com seus agrot\u00f3xicos e transg\u00eanicos. Os povos do Cerrado, em sua longa trajet\u00f3ria hist\u00f3rica de co-evolu\u00e7\u00e3o com a natureza do bioma, de aprendizados cotidianos no cuidado com ela, de resist\u00eancia \u00e0s constantes investidas contra seus modos de viver, t\u00eam em sua mem\u00f3ria coletiva os saberes ancestrais que delineiam&nbsp;alternativas ao desenvolvimento. Respeitado seu direito de existir, eles sabem fazer do Cerrado um lugar de bem viver e deixar viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos de colapso socioambiental, urge olhar e ver, atrav\u00e9s do drama do Cerrado, que estamos indo na dire\u00e7\u00e3o inversa \u00e0 da almejada sobreviv\u00eancia no Planeta Terra. Urge escutar e aprender, com os povos do Cerrado, os s\u00e1bios caminhos da conviv\u00eancia humana na natureza e, junto com eles, gritar e produzir vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Dra. Raquel Maria Rigotto\u00a0\u00e9 m\u00e9dica (UFMG), especialista em Medicina do Trabalho (Fundacentro), mestre em Educa\u00e7\u00e3o (UFMG), doutora em Sociologia (UFC) e p\u00f3s-doutora em Sociologia (UFMA). Professora titular aposentada do Departamento de Sa\u00fade Comunit\u00e1ria da Faculdade de Medicina, da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Coletiva e da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Cear\u00e1 Coordenadora do N\u00facleo Trabalho, Ambiente e Sa\u00fade (Tramas\/UFC). Membro da Rede Brasileira de Justi\u00e7a Ambiental e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;Carta do 8 de Mar\u00e7o das Mulheres do Cerrado (2022), dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3HPzVga\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/bit.ly\/3HPzVga<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;EGGER, DS; RIGOTTO, RM; LIMA, FANS; COSTA, AM; AGUIAR, ACP. Ecoc\u00eddio nos Cerrados: agroneg\u00f3cio, espolia\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos. Desenvolvimento e Meio Ambiente. Vol. 57, p. 16-54, jun. 2021. DOI: 10.5380\/dma.v56i0.76212. e-ISSN 2176-9109<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;CARNEIRO, FF; RIGOTTO, RM; AUGUSTO, LGS; FRIEDRICH, K; BURIGO, A.C . DOSSI\u00ca ABRASCO Um alerta sobre os impactos dos Agrot\u00f3xicos na Sa\u00fade. 1. ed. Rio de Janeiro: EPSJV, 2015, p. 394.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref4\">[4]<\/a>ANA. Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (Brasil). Conjuntura dos recursos h\u00eddricos no Brasil 2019: informe anual. 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/conjuntura.ana.gov.br\/static\/media\/conjuntura-completo.bb39ac07.pdf&gt; Acesso em: set. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref5\">[5]<\/a>&nbsp;PIGNATI, WA; CORR\u00caA, MLM; LE\u00c3O, LHC; PIGNATTI, MG; MACHADO, JMH (org). Desastres s\u00f3cio-sanit\u00e1rio-ambientais do agroneg\u00f3cio e resist\u00eancias agroecol\u00f3gicas no Brasil. S\u00e3o Paulo, Outras Express\u00f5es, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref6\">[6]<\/a>&nbsp;Idem<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref7\">[7]<\/a>&nbsp;PIGNATI et al\u2026&nbsp;idem<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref8\">[8]<\/a>&nbsp;EGGER et al\u2026&nbsp;idem<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref9\">[9]<\/a>&nbsp;ABREU PHB, ALONZO HGA. Trabalho rural e riscos \u00e0 sa\u00fade: uma revis\u00e3o sobre o \u201cuso seguro\u201d de agrot\u00f3xicos no Brasil. Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva, 19(10):4197-4208, 2014. DOI: 10.1590\/1413-812320141910.09342014.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/#_ftnref10\">[10]<\/a>&nbsp;BOMBARDI, LM. Geografia do Uso de Agrot\u00f3xicos no Brasil e Conex\u00f5es com a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo: FFLCH \u2013 USP, 2017. 296 p. ISBN: 978-85-7506-310-1<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte<\/strong>: https:\/\/diplomatique.org.br\/o-cerrado-como-zona-de-sacrificio-imposta-pelo-agronegocio\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AGROT\u00d3XICOS CONTRA OS POVOS: O Cerrado como zona de sacrif\u00edcio imposta pelo agroneg\u00f3cio. Por\u00a0Raquel Maria Rigotto O vasto e rico Cerrado, ocupado h\u00e1 pelo menos 11 mil anos por povos origin\u00e1rios, enriquecido a partir do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11257,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,47,38,49,48,27,25,56,29,43],"tags":[],"class_list":["post-11256","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-direito-a-agua","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-das-mulheres","category-direitos-humanos","category-luta-pela-terra-e-reforma-agraria","category-meio-ambiente","category-movimentos-sociais-populares","category-pedagogia-emancipatoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11256"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11256\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11261,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11256\/revisions\/11261"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}