{"id":12210,"date":"2023-07-02T10:22:37","date_gmt":"2023-07-02T13:22:37","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12210"},"modified":"2023-07-02T10:22:39","modified_gmt":"2023-07-02T13:22:39","slug":"a-justa-medida-pode-salvar-a-vida-e-o-planeta-terra-por-leonardo-boff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-justa-medida-pode-salvar-a-vida-e-o-planeta-terra-por-leonardo-boff\/","title":{"rendered":"A justa medida pode salvar a vida e o planeta\u00a0Terra \u2013 Por Leonardo Boff"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A justa medida pode salvar a vida e o planeta\u00a0Terra \u2013 Por Leonardo Boff<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ff9f03fe6740bdca06593ef5c23cdab4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12211\" width=\"782\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ff9f03fe6740bdca06593ef5c23cdab4.jpg 600w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/ff9f03fe6740bdca06593ef5c23cdab4-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 782px) 100vw, 782px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A justa medida constitui um valor universal, presente em todas as culturas e representa um dos pontos mais importantes de todos os caminhos \u00e9ticos. Encontrava-se inscrita nos p\u00f3rticos dos templos ou nos edif\u00edcios p\u00fablicos, seja do Egito, da Gr\u00e9cia e do Imp\u00e9rio romano e alhures. A virtude da justa medida significa o caminho do meio, o nem demais e o nem de menos e a dose certa. Ela se op\u00f5e a todo excesso e a toda ambi\u00e7\u00e3o exagerada (<em>hybris<\/em>&nbsp;em grego). Ela recomenda o autocontrole, a capacidade de desprendimento e de ren\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos convencidos de que uma das causas principais do caos atual, com o desiquil\u00edbrio do planeta Terra, com a devasta\u00e7\u00e3o de quase todos os ecossistemas, com o aquecimento global que introduziu, de forma irrevers\u00edvel, um novo regime clim\u00e1tico mais quente, que se mostra pelos eventos extremos a n\u00edvel mundial, com a intrus\u00e3o de v\u00e1rios v\u00edrus, o pior deles at\u00e9 agora, o coronav\u00edrus, dizimando milh\u00f5es de vidas, com a&nbsp; explos\u00e3o de guerras em 18 lugares diferentes na Terra, particularmente a letal guerra entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia (atr\u00e1s da qual est\u00e1 a NATO e os USA) \u00e9 consequ\u00eancia da falta da justa medida.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta falta da justa medida \u00e9 intr\u00ednseca ao paradigma da modernidade, formulado nos s\u00e9culos XVII\/XVIII pelos pais fundadores como Galileu Galilei, Newton, Francis Bacon e outros. Para esses, o eixo estruturador do novo mundo a ser constru\u00eddo, se baseava na&nbsp;vontade de pot\u00eancia ou de poder&nbsp;como foi identificado j\u00e1 por Nietzsche e por toda a Escola de Frankfurt. Segundo este paradigma novo, o ser humano se entende como&nbsp;mestre e dono da natureza&nbsp;na express\u00e3o de Descartes. Ele n\u00e3o se sente parte do todo natural. Este n\u00e3o tem sentido em si, nem prop\u00f3sito, somente na medida que se ordena ao ser humano que o trata segundo o seu bel-prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nome deste paradigma, rompeu-se totalmente a justa medida. Os pa\u00edses europeus exerceram a vontade de poder, dominando povos inteiros como na Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e, em parte, a \u00c1sia. Dominaram a natureza, extraindo dela&nbsp;de forma ilimitada seus bens e servi\u00e7os. Dominaram a mat\u00e9ria at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas part\u00edculas. Dominaram o segredo da vida, o c\u00f3digo gen\u00e9tico e os genes. Tudo levado a efeito com furor sem qualquer sentido de justa medida.<\/p>\n\n\n\n<p>Trouxeram inumer\u00e1veis e ineg\u00e1veis vantagens para a vida humana. Mas ao mesmo tempo, por haverem mandado para o limbo a justa medida, criaram para si o princ\u00edpio de autodestrui\u00e7\u00e3o com todo tipo de armas, a ponto de que, se forem usadas, n\u00e3o restar\u00e1 uma alma viva para contar a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00e3o ficar apenas em conceitualiza\u00e7\u00f5es, demos um exemplo concreto: a intrus\u00e3o do Covid-19 que afetou somente a humanidade e n\u00e3o os demais seres vivos. Ela \u00e9 consequ\u00eancia direta da vontade de poder, da sistem\u00e1tica agress\u00e3o de nosso modo de habitar o planeta Terra, destruindo os&nbsp;habitats&nbsp;dos v\u00edrus. Sem seus nichos vitais, eles avan\u00e7aram sobre os seres humanos provocando a morte de milh\u00f5es de pessoas. Portanto, faltou-nos a justa medida entre a interven\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria na natureza para garantir nossos meios de vida e a ambi\u00e7\u00e3o exagerada de super-explorar os bens e servi\u00e7os naturais, mais do que precis\u00e1vamos, em vista da acumula\u00e7\u00e3o e do enriquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, a Terra viva perdeu seu equil\u00edbrio din\u00e2mico e nos enviou atrav\u00e9s do coronav\u00edrus um apelo \u00e0 justa medida, uma mensagem de cuidado, de autocontrole e de supera\u00e7\u00e3o de todo o excesso. Esse foi o sentido do confinamento social, do uso de m\u00e1scaras e da urg\u00eancia de usarmos as devidas vacinas. Tudo parece indicar que n\u00e3o aprendemos a li\u00e7\u00e3o, pois a grande maioria voltou ao antigo normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem dizia o pensador italiano Ant\u00f4nio Gramsci: \u201ca hist\u00f3ria \u00e9 mestra, mas praticamente n\u00e3o tem alunos\u201d. De todas as formas, restou-nos a li\u00e7\u00e3o de que devemos incluir em tudo a justa medida, alimentar rela\u00e7\u00e3o amistosa e justa em todas as coisas, se quisermos garantir um futuro para a vida humana e para a nossa civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicidade<\/p>\n\n\n\n<p>Indo direto \u00e0 quest\u00e3o fundamental: causa mais imediata e vis\u00edvel da ruptura da justa medida reside no capitalismo como modo de produ\u00e7\u00e3o e no neoliberalismo como sua express\u00e3o pol\u00edtica. Conhecidos s\u00e3o os mantras de ambos: o lucro acima de tudo, a concorr\u00eancia como seu motor, a explora\u00e7\u00e3o ilimitada dos recursos naturais, o individualismo, a flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis para, desimpedidamente, poder realizar seu intento de domina\u00e7\u00e3o\/enriquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tiv\u00e9ssemos seguido tais mantras, grande parte da humanidade teria sido gravemente afetada ou at\u00e9 desaparecido. O que nos salvou, foi, dar centralidade \u00e0 vida, a interdepend\u00eancia entre todos, a solidariedade de uns para com os outros, o cuidado para com a natureza e as leis e normas que limitam os oligop\u00f3lios, geradores de pobreza de grande parte da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Preocupado com esta quest\u00e3o m\u00e1xima, de vida e de morte, escrevemos dois livros, fruto de vasta pesquisa mundial, mas elaborados numa linguagem a mais acess\u00edvel poss\u00edvel para que todos possam dar-se conta da gravidade que significa a aus\u00eancia da justa medida para a vida pessoal, para as comunidades, para a sociedade, para os governos, para a economia, para a cultura e para nossa rela\u00e7\u00e3o com a natureza, em \u00faltimo termo, para com a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro foi publicado em 2022:&nbsp;O pescador ambicioso e o peixe encantado: a busca pela justa medida.&nbsp;Nele preferimos o g\u00eanero narrativo com o uso de contos e de mitos ligados \u00e0 justa medida. No segundo que continua o primeiro,&nbsp;A busca da justa medida: como equilibrar o planeta Terra,&nbsp;procurei de uma forma mais reflexiva ir \u00e0s causas que nos levam a perder a justa medida ou o \u00f3timo relativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos os livros colocam a pergunta angustiante:&nbsp;\u00e9 poss\u00edvel viver a justa medida dentro deste sistema capitalista e neoliberal, hoje globalizado? Respondemos, com certa esperan\u00e7a, que \u00e9 poss\u00edvel, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de passarmos da cultura do excesso, para uma cultura da justa medida, desenvolvendo um novo modo de habitar a Terra, sentindo-nos parte dela e irm\u00e3os e irm\u00e3s de todos os demais seres. Na linguagem do Papa Francisco na enc\u00edclica&nbsp;Fratelli tutii&nbsp;operando a travessia do&nbsp;dominus&nbsp;(dono) da natureza para o&nbsp;frater&nbsp;(o irm\u00e3o e a irm\u00e3) entre n\u00f3s e entre todos os seres da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Para isso importa uma \u00e9tica da justa medida no n\u00edvel pessoal e comunit\u00e1rio, na pol\u00edtica e na economia, na educa\u00e7\u00e3o e na espiritualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou organizamos nossas sociedades dentro dos limites do planeta Terra, vivendo em tudo a justa medida, ou estaremos colocando em risco o futuro de nossa vida e de toda a vida sobre a Terra.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ecote\u00f3logo, fil\u00f3sofo e escritor com v\u00e1rios textos sobre a ecologia integral e os riscos que pesam sobre a humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A justa medida pode salvar a vida e o planeta\u00a0Terra \u2013 Por Leonardo Boff[1] A justa medida constitui um valor universal, presente em todas as culturas e representa um dos pontos mais importantes de todos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12211,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,47,46,44,38,49,27,30,56,43,26],"tags":[],"class_list":["post-12210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-direito-a-agua","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-meio-ambiente","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12210"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12212,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12210\/revisions\/12212"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}