{"id":12448,"date":"2023-08-13T11:08:17","date_gmt":"2023-08-13T14:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12448"},"modified":"2023-08-15T10:56:19","modified_gmt":"2023-08-15T13:56:19","slug":"comecou-a-era-da-ebulicao-global-do-planeta-por-leonardo-boff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/comecou-a-era-da-ebulicao-global-do-planeta-por-leonardo-boff\/","title":{"rendered":"Come\u00e7ou a era da ebuli\u00e7\u00e3o global do\u00a0planeta? Por Leonardo Boff"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Come\u00e7ou a era da ebuli\u00e7\u00e3o global do&nbsp;planeta?<\/strong> Por Leonardo Boff<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/images.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12449\" width=\"782\" height=\"782\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/images.jpeg 200w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/images-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 782px) 100vw, 782px\" \/><figcaption>Leonardo Boff. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 minha, mas do Secret\u00e1rio Geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterrez, proferida no dia 27 de julho de 2023, ao tomar conhecimento da acelera\u00e7\u00e3o inesperada do aquecimento global. Este chegou ao ponto de o planeta entrar num processo de ebuli\u00e7\u00e3o, dada a inc\u00faria dos processos humanos, especialmente do industrialismo e produtivismo capitalista (inclu\u00edda a China) que usam abusivamente de energia f\u00f3ssil, carv\u00e3o e outros elementos produtores de efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p>O clima normal m\u00e9dio da Terra \u00e9 de 15 graus cent\u00edgrados. Mas esta m\u00e9dia come\u00e7ou a subir tanto que ultrapassou em julho de 2023&nbsp;a mais de 17 graus cent\u00edgrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso tudo se deve ao fato de por ano serem lan\u00e7adas na atmosfera cerca de 40 bilh\u00f5es de toneladas de CO2 que permanece na atmosfera por mais de 100 anos, acrescido ainda do \u00e1cido nitroso e do metano que \u00e9 28 vezes mais danoso que o CO2, embora fique na atmosfera por uns 9-10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias deste aumento se mostram por secas prolongadas, por inunda\u00e7\u00f5es de inteiras regi\u00f5es e cidades, furac\u00f5es, ciclones extratropicais como no Sul do pa\u00eds, queimadas em quase todo o planeta. A inflex\u00e3o sobre as vidas humanas s\u00e3o de grande monta. A conhecida revista&nbsp;<em>Nature Medicine&nbsp;<\/em>calculou que o alto calor de 2022 provocou s\u00f3 na Europa 61 mil mortes. Nem falemos de \u00c1frica e da \u00c1sia ou de pa\u00edses mais pobres que vitimaram milhares de crian\u00e7as e de pessoas idosas, particularmente na parte central da \u00cdndia, onde a temperatura chegou a 50 graus cent\u00edgrados.<\/p>\n\n\n\n<p>A observar o pouco que as grandes corpora\u00e7\u00f5es e os pa\u00edses fazem para deter essa lenta mas permanente ascens\u00e3o da temperatura, tudo indica que j\u00e1 atingimos o ponto de n\u00e3o retorno. A ci\u00eancia e a&nbsp;t\u00e9cnica chegaram atrasadas, n\u00e3o conseguem deter o aumento, apenas ajudam a minorar os efeitos danosos que ser\u00e3o inevit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem tudo \u00e9 fatal. Cabe lembrar que o improv\u00e1vel pode acontecer: os seres humanos sob a percep\u00e7\u00e3o do risco de desaparecer, deem um salto de consci\u00eancia, rumo \u00e0&nbsp;<em>noosfera<\/em>&nbsp;como projetava Teilhard de Chardin ainda em 1933, vale dizer, unindo cora\u00e7\u00e3o e mente (noosefera) para mudar a forma de produzir, de consumir e particularmente de se relacionar com a natureza, sentindo-se parte, n\u00e3o seus senhores e cuidando dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Se observarmos a biografia da Terra, constatamos que o aquecimento pertence \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o de nosso planeta. Quando ainda n\u00e3o exist\u00edamos como esp\u00e9cie sobre a Terra, h\u00e1 250 milh\u00f5es de anos, o clima chegou e permaneceu por milhares e milhares de anos a 32 graus cent\u00edgrados. Ocorreu uma massiva extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de seres vivos. Mais tarde, h\u00e1 50 milh\u00f5es de anos a Terra chegou a 21 graus cent\u00edgrados; os crocodilos e as palmeiras adaptaram-se a esse aquecimento,&nbsp;mas houve tamb\u00e9m&nbsp;grande extin\u00e7\u00e3o de organismos vivos. Mais perto de n\u00f3s, h\u00e1 130 mil anos, a Terra alcan\u00e7ou a temperatura que neste momento estamos verificando, de 17 graus cent\u00edgrados. Muitos seres desapareceram e o mar subiu entre 6-9 metros, o que teria encoberto toda a Holanda e as partes baixas do norte europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse aumento do clima terrestre pertence \u00e0 geoevolu\u00e7\u00e3o. Mas o atual \u00e9 causado pelos pr\u00f3prios seres humanos, n\u00e3o tanto pelas grandes maiorias pobres, mas pelas popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses opulentos, sem a justa medida em suas a\u00e7\u00f5es seja no assalto sobre a natureza seja nas formas de consumo suntuoso e nada solid\u00e1rio. Fala-se que inauguramos uma nova era geol\u00f3gica,&nbsp;<em>o antropoceno<\/em>. Por este conceito se quer identificar que a grande amea\u00e7a \u00e0 vida do planeta e ao futuro da natureza depende dos seres humanos. Estes, na express\u00e3o do bi\u00f3logo da biodiversidade Edward Wilson, se comportaram como o Sat\u00e3 da Terra e transformaram o Jardim do \u00c9den num matadouro. Alguns v\u00e3o mais longe ainda e referem-se ao&nbsp;<em>necroceno<\/em>, dado o crescente processo de morte (necro) de esp\u00e9cies de seres vivos na ordem de 70-100 mil por ano. Ultimamente se tem falado do&nbsp;<em>piroceno<\/em>, quer dizer, da era do fogo. Este \u00e9 causado tamb\u00e9m pelos seres humanos, mas particularmente porque o solo ficou mais seco, as pedras terem aquecido; basta folhas secas e gravetos sobre elas para produzirem grandes e devastadores inc\u00eandios por quase todo o planeta, mesmo na \u00famida Sib\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Que cen\u00e1rios poderemos enfrentar? S\u00e3o todos sombrios, caso n\u00e3o ocorrer um salto qu\u00e2ntico que defina outro caminho e outro destino para o sistema-vida e o sistema-Terra. N\u00e3o se pode negar que o planeta, dia ap\u00f3s dia, est\u00e1 se aquecendo. Os \u00f3rg\u00e3os da ONU que acompanham a evolu\u00e7\u00e3o deste evento desastroso nos alertam que entre os anos 2025-2027 teremos ultrapassado os 1,5 graus cent\u00edgrados, previstos para 2030 pelo acordo de Paris em 2015. Tudo se antecipou e nesta data, entre 2025-2027, chegaremos ao que est\u00e1 ocorrendo atualmente, um clima que poder\u00e1 se estabilizar acima de 35 graus, chegando a 38-40 graus em algumas regi\u00f5es do planeta. Milh\u00f5es dever\u00e3o emigrar por n\u00e3o poderem mais viver em suas p\u00e1trias queridas e safras ser\u00e3o totalmente perdidas. O Brasil, atualmente, um dos maiores exportadores de alimentos, ver\u00e1 sua produ\u00e7\u00e3o profundamente reduzida. Segundo James Lovelock, (Veja, P\u00e1ginas Amarelas de 25 de outubro de 2006), o Brasil, por causa de sua vasta extens\u00e3o ensolarada, ser\u00e1 um dos mais atingidos pelo aquecimento global e pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Os do agroneg\u00f3cio deveriam estar atentos a estas advert\u00eancias, pois como escreveu o Papa Francisco na enc\u00edclica \u201c<em>Laudato Si: como cuidar da Casa Comum<\/em>\u201c, dirigida a toda a humanidade e n\u00e3o apenas aos crist\u00e3os: \u201cAs previs\u00f5es catastr\u00f3ficas j\u00e1 n\u00e3o se podem olhar com desprezo e ironia; deixar\u00edamos para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es demasiadas ru\u00ednas, desertos e lixo\u201d(n.161).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que ningu\u00e9m quer para seus filhos e netos. Mas para isso devemos nos munir de coragem e de ousadia para mudar de rumo. S\u00f3 uma radical mudan\u00e7a ecol\u00f3gica nos poder\u00e1 salvar.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Leonardo Boff \u00e9 eco-te\u00f3logo e escreveu:&nbsp;<em>A dignidade da Terra: o grito do pobre e o grito da Terra<\/em>, Vozes, v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es;<em>&nbsp;Habitar a Terra, Vozes 2022;<\/em>&nbsp;membro da Iniciativa Internacional da&nbsp;<em>Carta da Terra.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7ou a era da ebuli\u00e7\u00e3o global do&nbsp;planeta? 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