{"id":12486,"date":"2023-08-26T10:50:44","date_gmt":"2023-08-26T13:50:44","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12486"},"modified":"2023-08-26T10:50:46","modified_gmt":"2023-08-26T13:50:46","slug":"quem-e-jesus-para-nos-mt-1613-20-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/quem-e-jesus-para-nos-mt-1613-20-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s? (Mt 16,13- 20). Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s? (Mt 16,13- 20). <\/strong>Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/download-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12487\" width=\"783\" height=\"936\"\/><figcaption>Jesus Cristo nasceu no continente africano. Foto Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste XXI domingo comum do ano (A), o evangelho de Mateus 16,13\u201320 nos faz retomar hoje a mesma pergunta que Jesus fez aos disc\u00edpulos: E voc\u00eas, quem dizem que eu sou?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pergunta deve ressoar hoje para cada um\/uma de n\u00f3s. Ela n\u00e3o pede resposta apenas intelectual, a ser dada de acordo com o Credo recitado nas Igrejas. N\u00e3o basta. \u00c9 um tipo de pergunta que s\u00f3 se responde profundamente com o testemunho de nossas vidas. \u00c9 pelo modo de sermos e de vivermos que as pessoas poder\u00e3o entender quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s, ou seja, o papel e a import\u00e2ncia que Jesus tem na nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 normal que a mesma pessoa possa ser vista a partir de \u00e2ngulos diversos, a depender de quem a v\u00ea e da experi\u00eancia que tem com ela ou ele. Durante s\u00e9culos, nos habituamos a ver Jesus a partir de imagens europeias. Apresentaram sempre um Jesus branco e identificado com t\u00edtulos e fun\u00e7\u00f5es de poder na sociedade ocidental. Foram astutos em trocar a m\u00edstica do reinado divino no mundo (reino de Deus) pela espiritualidade do Cristo Rei, cujo poder \u00e9 exercido atrav\u00e9s da Igreja e de seus leg\u00edtimos representantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em nome de Jesus e trazendo a cruz de Jesus junto da espada que os conquistadores colonizaram nosso continente, escravizaram os seus habitantes originais e estabeleceram uma estrutura que at\u00e9 hoje mant\u00e9m as desigualdades e discrimina\u00e7\u00f5es da coloniza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos esquecer que as fortalezas de guerra que os colonizadores armaram contra os povos origin\u00e1rios se chamavam e alguns se chamam at\u00e9 hoje: Forte do Bom Jesus, Senhor do Bonfim e outros nomes semelhantes. At\u00e9 hoje, vemos crucifixos em c\u00e2maras municipais e assembleias legislativas que fazem leis injustas e discriminat\u00f3rias. E vemos eclesi\u00e1sticos cat\u00f3licos, evang\u00e9licos e pentecostais coniventes com essa estrutura in\u00edqua, sempre e ainda em nome de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 normal, ent\u00e3o, nos perguntarmos que rela\u00e7\u00e3o tem esse Cristo que a Igreja apresenta como rei, como Senhor e como Deus com o Jesus de Nazar\u00e9 que viveu na Palestina &nbsp;21 s\u00e9culos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, com exce\u00e7\u00e3o de duas ou tr\u00eas refer\u00eancias em obras de escritores do final do s\u00e9culo I, o pouco que sabemos sobre Jesus nos vem do testemunho dos evangelhos. E estes j\u00e1 falam de Jesus a partir do olhar de comunidades crist\u00e3s que, mesmo baseadas em testemunhos mais antigos,&nbsp; escreveram seus relatos mais de 40 ou 50 anos depois da sua morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos contempor\u00e2neos comparam relatos e fazem pesquisas arqueol\u00f3gicas sobre as sociedades do Oriente M\u00e9dio no primeiro s\u00e9culo. Em seus escritos, John Crossan mostra Jesus como \u201ccampon\u00eas judeu do Mediterr\u00e2neo\u201d. Reza Aslan descreve o Jesus hist\u00f3rico como zelota, isso \u00e9, como militante que lutava contra o Imp\u00e9rio Romano. Ligando hist\u00f3ria e ades\u00e3o da f\u00e9, Jos\u00e9 Antonio Pagola publicou v\u00e1rios livros para nos ajudar a redescobrir a humanidade de Jesus em seu mundo cultural, suas op\u00e7\u00f5es e sua proposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todos os estudos e pesquisas, Jesus continua desconhecido, n\u00e3o somente para o mundo, mas sobretudo para as pr\u00f3prias Igrejas. Muitos preferem olhar Jesus como mito do que levar a s\u00e9rio sua humanidade e segui-lo como mestre de vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, o amigo espanhol Jos\u00e9 Maria Castillo (96 anos), te\u00f3logo formado na tradi\u00e7\u00e3o jesu\u00edta, publicou o livro: <em>O Evangelho marginalizado<\/em> (Ed. Vozes). Ali, o autor mostra que o evangelho foi e \u00e9 marginalizado, em primeiro lugar, pelas pr\u00f3prias Igrejas crist\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando, a partir do s\u00e9culo IV, o Cristianismo foi absorvido pelo Imp\u00e9rio Romano, os crist\u00e3os come\u00e7aram a falar de Jesus como \u201cCristo Pantocrator\u201d, isto \u00e9, como imperador no trono. Este \u201cSenhor de tudo\u201d tinha como vig\u00e1rios na terra os reis e imperadores. Pouco a pouco, se ensinou que esse vig\u00e1rio de Cristo seria o bispo de Roma, o papa.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XIII, S\u00e3o Francisco de Assis insistiu na contempla\u00e7\u00e3o do Cristo pobre e nu, na Cruz. E inventou como espiritualidade a adora\u00e7\u00e3o do pres\u00e9pio de Natal e a devo\u00e7\u00e3o ao Caminho da Cruz (a chamada Via Sacra).<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XVI, diante das heresias e das divis\u00f5es da Igreja, Santo In\u00e1cio de Loyola e a hierarquia, a partir do Conc\u00edlio de Trento, preferiu mais ver Jesus como mestre da doutrina correta e da moral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 mais de 50 anos, as comunidades latino-americanas veem Jesus como o Cristo Libertador e recebem dele for\u00e7a e inspira\u00e7\u00e3o para a resist\u00eancia em um mundo desigual e para testemunhar o projeto divino como justi\u00e7a, paz, liberta\u00e7\u00e3o para todos\/as e comunh\u00e3o com a Terra e toda a natureza.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para as pessoas comprometidas com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo, o que mais atrai na pessoa de Jesus libertador \u00e9 que Ele assume essa fun\u00e7\u00e3o a partir da inser\u00e7\u00e3o no mundo como pobre, testemunhando o amor de Deus pelos pequeninos e vulner\u00e1veis do mundo e se identificando com eles nos diversos tipos de cruz em que at\u00e9 hoje a sociedade dominante os crucifica.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma dessas imagens esgota a realidade de Jesus. Nenhuma nos exime de procurar sempre e de aprofundar cada vez mais o mist\u00e9rio de sua pessoa e de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio para as Igrejas e religi\u00f5es estabelecidas \u00e9 que Jesus se identifica e se une n\u00e3o apenas \u00e0s v\u00edtimas da explora\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica. O que mais escandaliza os religiosos \u00e9 que Jesus convive e \u201ccome com as prostitutas e com as pessoas consideradas de m\u00e1 vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda hoje, mesmo eclesi\u00e1sticos abertos ao social t\u00eam dificuldade de alargar essa abertura \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, \u00e0 luta contra o colonialismo n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4mico e social, mas tamb\u00e9m cultural e religioso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Religiosos estranharam que, h\u00e1 poucos anos, na festa de Natal, um grupo de humor c\u00e1ustico e agressivo apresentasse a figura de um Jesus gay. Ficaram escandalizados com o fato de que, no Rio de Janeiro, no desfile de Carnaval de 2020, a Escola de Samba Mangueira tomasse como enredo o Jesus da Gente. Isso \u00e9 triste quando sabemos que Jesus sempre se op\u00f4s ao poder religioso, quando esse pretende&nbsp; aprisionar Deus em sua gaiola sagrada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a identidade de Jesus, h\u00e1 quem o veja como africano. Estudos mais atentos \u00e0 Hist\u00f3ria nos lembram que at\u00e9 a abertura do Canal de Suez, em 1864, a regi\u00e3o da atual Palestina era considerada como pertencente \u00e0 \u00c1frica. Portanto, <strong>Jesus nasceu, viveu e morreu como africano.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jesus se revela nas v\u00edtimas e exclu\u00eddos do mundo. O testemunho que ele pede de n\u00f3s \u00e9 claro: \u201cTudo o que fizerem a um desses pequeninos, \u00e9 a mim que fazem\u201d (Mt 25,31ss).&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s? (Mt 16,13- 20). 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