{"id":12489,"date":"2023-08-26T11:26:01","date_gmt":"2023-08-26T14:26:01","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12489"},"modified":"2023-08-26T11:26:03","modified_gmt":"2023-08-26T14:26:03","slug":"o-consumismo-poe-em-risco-a-vida-na-terra-por-leonardo-boff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-consumismo-poe-em-risco-a-vida-na-terra-por-leonardo-boff\/","title":{"rendered":"O consumismo p\u00f5e em risco a vida na Terra. Por Leonardo Boff"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O consumismo p\u00f5e em risco a vida na Terra.<\/strong> Por Leonardo Boff<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/35666242.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12490\" width=\"778\" height=\"518\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/35666242.jpg 700w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/35666242-300x200.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/35666242-420x280.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px\" \/><figcaption>Leonardo Boff. Foto Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Considerando a hist\u00f3ria humana constatamos que a fome foi, por s\u00e9culos, um problema permanente. Por n\u00e3o termos, \u00e0 diferen\u00e7a dos animais, nenhum \u00f3rg\u00e3o especializado que garantisse nossa subsist\u00eancia, logo no in\u00edcio surgiu a urg\u00eancia de buscar o necess\u00e1rio para matar a fome, seja extraindo o alimento diretamente da natureza, seja conquistando-o pelo trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande virada se deu por volta de 10 mil anos atr\u00e1s com a introdu\u00e7\u00e3o da agricultura de irriga\u00e7\u00e3o. Ao longo dos grandes rios do Oriente M\u00e9dio, do Egito, da \u00cdndia e da China come\u00e7ou-se a usar a irriga\u00e7\u00e3o para produzir mais produtos a par de domesticar animais como a galinha, o porco, a ovelha e a cabra.<\/p>\n\n\n\n<p>Produziu-se o excedente que eliminava a fome. Simultaneamente, \u00e9 preciso dizer, surgiu a guerra, pois os ex\u00e9rcitos levavam comida suficiente para enfrentar o inimigo, como por exemplo, entre os imp\u00e9rios mesopot\u00e2micos e o Egito, as pot\u00eancias pol\u00edticas da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo mudou com o advento da era industrial nos s\u00e9culos XVII e XVIII em diante at\u00e9 os dias de hoje. Come\u00e7ou a produ\u00e7\u00e3o em massa com a possibilidade de atender as demandas humanas. Ocorre que esse desenvolvimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico se operou no quadro do capitalismo. Nele desde seu in\u00edcio se estabeleceu a divis\u00e3o entre o propriet\u00e1rio, possuidor de terras e meios de produ\u00e7\u00e3o e o trabalhador apenas detentor de sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cis\u00e3o foi ao longo do tempo se exacerbando a ponto de nos dias atuais os donos das riquezas naturais e tecnol\u00f3gicas controlarem o sistema econ\u00f4mico globalizado com imensa desvantagem para os assalariados, deixando milh\u00f5es e milh\u00f5es sem acesso aos bens fundamentais da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o se agravou com a assim chamada \u201cGrande Transforma\u00e7\u00e3o\u201d pela qual uma economia de mercado se transformou numa sociedade s\u00f3 de mercado. Tudo virou mercadoria desde \u00f3rg\u00e3os humanos, saberes, a verdade, a not\u00edcia etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00f3gica capitalista \u00e9 de fazer lucro com tudo, mediante a explora\u00e7\u00e3o ilimitada dos bens e servi\u00e7os da natureza, atrav\u00e9s de uma feroz competi\u00e7\u00e3o entre todos os que est\u00e3o do mercado, supostamente livre e uma acumula\u00e7\u00e3o individual ou corporativa que compete com o estado na gest\u00e3o da coisa p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o procura obviamente atender demandas humanas de alimenta\u00e7\u00e3o e subsist\u00eancia, desde que tal processo seja lucrativo. A pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o \u00e9 levada ao mercado e ganha seu pre\u00e7o no jogo da concorr\u00eancia, sem o cuidado para com os recursos naturais e a contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente (considerada uma <em>externalidad<\/em>e a ser resolvida pelo Estado). Como se trata de gerar riqueza ilimitada come\u00e7ou-se produzir produtos n\u00e3o necess\u00e1rios para a vida, mas importantes para fazer dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim junto com o consumo necess\u00e1rio, surgiu o consumismo. O consumismo se caracteriza pela aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os sup\u00e9rfluos, n\u00e3o necess\u00e1rios para a vida, em vista do ganho econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte da produ\u00e7\u00e3o se destina na produ\u00e7\u00e3o de tais sup\u00e9rfluos gestando o consumismo principalmente das classes ricas mas tamb\u00e9m da pr\u00f3pria sociedade. Para estimul\u00e1-lo usa-se a propaganda, as imagens falantes, os quadros sedutores, as m\u00fasicas, os YouTubers, os filmes bem orientados, para levar as pessoas a consumirem tal e tal produto. N\u00e3o interessam os cidad\u00e3os nem seu n\u00edvel de consci\u00eancia, menos ainda seus problemas existenciais. Interessa que sejam consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que se criou a cultura do capital. Grande parte dos produtos (tv, carros, eletrodom\u00e9sticos, roupas, t\u00eanis e infinitos outros itens) caem sob a obsolesc\u00eancia, feitos para durar por determinado tempo, obrigando o consumidor a substitu\u00ed-los, comprar e consumir.<\/p>\n\n\n\n<p>Praticamente todos somos ref\u00e9ns da cultura do capital, obrigando-nos a trocar de tempos em tempos os produtos, ou porque ficaram obsoletos como um computador ou pela obsolesc\u00eancia geral. Sabemos da for\u00e7a intr\u00ednseca de uma cultura que nos entra por todos os poros e naturaliza o estilo de vida. Como \u00e9 dif\u00edcil e longo o processo de sua supera\u00e7\u00e3o por outra. \u00c9 a cultura consumista que continuamente renova e prolonga a perpetuidade do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, nos \u00faltimos anos nos temos confrontado com os limites da Terra. Um planeta limitado n\u00e3o tolera um consumismo ilimitado. J\u00e1 agora necessitamos de mais de uma Terra para atender o consumo de 8 bilh\u00f5es de pessoas e o consumismo de fausto e de luxo das classes opulentas.<\/p>\n\n\n\n<p>Demo-nos conta do assim chamado&nbsp;<em>Dia da Sobrecarga da Terra <\/em>(em ingl\u00eas&nbsp;<em>The Earth Overshoot Day<\/em>). Cada ano os organismos que estudam a sustentabilidade do planeta, nos oferecem os dados. Neste no de 2023 foi identificado no dia 2 de agosto. Isto significa que neste dia, os bens e servi\u00e7os naturais, essenciais e renov\u00e1veis para a nossa exist\u00eancia, conheceram o fundo do po\u00e7o. Logicamente, as \u00e1rvores, o ar, os solos e as \u00e1guas est\u00e3o ai. Mas todos eles cada vez mais minguados, polu\u00eddos e insustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A Terra, um Super Ente sist\u00eamico e vivo, ao n\u00e3o nos dar o que lhe exigimos, responde com mais aquecimento, com mais eventos extremos, com mais dizima\u00e7\u00e3o da biodiversidade e mais v\u00edrus danosos e at\u00e9 letais. A rela\u00e7\u00e3o toda se define na articula\u00e7\u00e3o entre&nbsp;<em>biocapacidade<\/em>&nbsp;e a&nbsp;<em>pegada ecol\u00f3gica<\/em>. A biocapacidade significa a capacidade da natureza de ter resili\u00eancia e de se autorregenerar. A pegada ecol\u00f3gica nos indica o quanto de biocapacidade aquenta aquela regi\u00e3o ou pa\u00eds. Quanto mais complexa \u00e9 a regi\u00e3o, com cidades, popula\u00e7\u00e3o e ind\u00fastrias tanto mais recursos naturais demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento, t\u00e3o grave quanto o aumento do aquecimento global, \u00e9 a r\u00e1pida Sobrecarga da Terra. Nosso estilo de vida est\u00e1 esgotando o estoque de bens e servi\u00e7os necess\u00e1rios para a vida, Urge mudar nosso estilo de consumo sendo s\u00f3brio, solid\u00e1rio e autolimitado. XI Jinping prop\u00f4s para toda a China o ideal de uma \u201csociedade suficientemente abastecida\u201d. Devemos aprender a viver com o suficiente e o decente, diminuir o consumo de energia e buscar meios de transporte alternativos e menos poluentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o fizermos este acordo entre todos, nossa exist\u00eancia nesse planeta ser\u00e1 miser\u00e1vel e at\u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Leonardo Boff escreveu: <em>Sustentabilidade: o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9,<\/em> Ed. Vozes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O consumismo p\u00f5e em risco a vida na Terra. Por Leonardo Boff[1] Considerando a hist\u00f3ria humana constatamos que a fome foi, por s\u00e9culos, um problema permanente. Por n\u00e3o termos, \u00e0 diferen\u00e7a dos animais, nenhum \u00f3rg\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-12489","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12489"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12489\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12491,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12489\/revisions\/12491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}