{"id":12686,"date":"2023-10-28T14:31:57","date_gmt":"2023-10-28T17:31:57","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12686"},"modified":"2023-10-28T14:31:59","modified_gmt":"2023-10-28T17:31:59","slug":"o-amor-que-cura-a-terra-e-a-humanidade-mt-2234-40-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-amor-que-cura-a-terra-e-a-humanidade-mt-2234-40-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"O amor que cura a Terra e a humanidade (Mt 22,34-40) \u2013 Por Marcelo Barros\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O amor que cura a Terra e a humanidade <\/strong>(Mt 22,34-40) \u2013 Por Marcelo Barros\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/635befce6111b.marcelo-barros-foto-livro.default.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12687\" width=\"779\" height=\"779\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/635befce6111b.marcelo-barros-foto-livro.default.jpg 320w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/635befce6111b.marcelo-barros-foto-livro.default-300x300.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/635befce6111b.marcelo-barros-foto-livro.default-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 779px) 100vw, 779px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Neste 30\u00ba domingo comum do ano, dia 29\/10\/2023, lemos o evangelho de Mateus 22,34-40 que nos situa no \u00e2mbito das pol\u00eamicas de Jesus com os religiosos do templo e tamb\u00e9m no contexto das comunidades que escreveram esse evangelho nos anos 80 do s\u00e9culo I com os fariseus, chefes&nbsp; do Juda\u00edsmo Rab\u00ednico, que tentavam reconstruir o Juda\u00edsmo, depois que, nos anos 70, os romanos destru\u00edram o templo de Jerusal\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sem d\u00favida, na \u00e9poca de Jesus, os religiosos de Jerusal\u00e9m que se consagravam \u00e0 Lei de Deus se sentiam incomodados pela interpreta\u00e7\u00e3o que Jesus fazia da lei e queriam provar que ele estava errado. Antes mandaram disc\u00edpulos para peg\u00e1-lo em uma armadilha (sobre o tributo do censo pago a C\u00e9sar). Agora eles mesmos v\u00e3o discutir diretamente com Jesus. E o tema da discuss\u00e3o se centra na quest\u00e3o de qual \u00e9 o maior ou mais importante mandamento de Deus. O objetivo da pergunta n\u00e3o era aprender algo que eles n\u00e3o sabiam. Nem era descobrir o que Jesus pensava. Isso, eles j\u00e1 sabiam. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, Jesus j\u00e1 tinha revelado que ele s\u00f3 acreditava no amor a Deus que se expressasse no amor solid\u00e1rio \u00e0s outras pessoas. Portanto, o verdadeiro objetivo da pergunta daqueles religiosos era peg\u00e1-lo em alguma contradi\u00e7\u00e3o e provar que ele estava fora da observ\u00e2ncia religiosa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jesus sabe que a pergunta \u00e9 uma cilada. Para a B\u00edblia o primeiro e maior mandamento de Deus \u00e9 o Amor. Para n\u00f3s, \u00e9 estranho que amar possa ser objeto de mandamento. Como se pode obrigar algu\u00e9m a amar? De fato, na B\u00edblia, o sentido mais profundo do termo mandamento \u00e9 orienta\u00e7\u00e3o, proposta de vida e indica\u00e7\u00e3o de caminho. N\u00e3o \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ou legal, no sentido que hoje \u00e9 o mais comum. Quem \u00e9 de Deus e cr\u00ea em Deus aceita de Deus a proposta de viver o amor como princ\u00edpio e crit\u00e9rio de toda a sua forma de viver e de agir no mundo. \u00c9 como em uma rela\u00e7\u00e3o de amor, quem ama quer saber aquilo do qual o outro gosta para poder agrad\u00e1-lo. Na alian\u00e7a com Deus que \u00e9 rela\u00e7\u00e3o amorosa, o mandamento \u00e9 o termo usado para dizer o que Deus gosta que n\u00f3s fa\u00e7amos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No caso da discuss\u00e3o trazida pelo evangelho deste domingo, aparentemente o assunto \u00e9 apenas religioso. Na realidade, n\u00e3o \u00e9 assim. Seria como se hoje em dia fiz\u00e9ssemos um debate teol\u00f3gico ou espiritual entre pessoas como um destes padres cantores da Can\u00e7\u00e3o Nova e um assessor de Pastoral Popular. Tanto na discuss\u00e3o de Jesus com os fariseus, como tamb\u00e9m nessa quase imposs\u00edvel conversa entre irm\u00e3os que, na mesma Igreja, vivem modos divergentes de viver a f\u00e9, o que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 o compromisso social e pol\u00edtico de quem se declara como sendo de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Todos concordam com a import\u00e2ncia primeira do amor a Deus. A diverg\u00eancia \u00e9 sobre a import\u00e2ncia e como se concretiza o amor ao pr\u00f3ximo. Portanto, o importante mesmo \u00e9 saber como a preocupa\u00e7\u00e3o social entra na espiritualidade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os tr\u00eas evangelhos sin\u00f3ticos contam que um rico tinha perguntado a Jesus como poderia ter a vida eterna. Jesus lhe respondeu: Observe os mandamentos. O rapaz perguntou: Quais? Estranhamente, Jesus n\u00e3o responde com o mandamento de <em>amar a Deus<\/em>. Nem manda observar o s\u00e1bado. S\u00f3 cita os mandamentos sociais em rela\u00e7\u00e3o aos outros (Mt 19,18).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em outro momento, o evangelho de Lucas conta que em uma discuss\u00e3o de Jesus com um doutor da lei, (professor de B\u00edblia), este lhe faz a mesma pergunta: Qual \u00e9 o maior mandamento? Jesus responde do mesmo modo como conta o evangelho de hoje e a discuss\u00e3o com o escriba n\u00e3o se d\u00e1 sobre como viver o amor de Deus. O debate se d\u00e1 sobre quem \u00e9 o pr\u00f3ximo. Jesus conta a par\u00e1bola do samaritano (Lucas 10,30).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para os fariseus, Jesus reduzia a f\u00e9 ao social e isso era um esc\u00e2ndalo e uma heresia contra a Lei de Deus. Tamb\u00e9m em nossa Igreja, pastores como Dom Helder C\u00e2mara, Pedro Casald\u00e1liga e mesmo Oscar Romero foram acusados de reduzirem a f\u00e9 ao social. Muitos irm\u00e3os os julgavam mais l\u00edderes sociais do que pastores religiosos. \u00c9 neste clima emocional de posturas contr\u00e1rias em termos de f\u00e9 que os fariseus resolvem armar a cilada da qual Jesus n\u00e3o teria como escapar: <em>Qual \u00e9 o maior mandamento da lei?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N\u00e3o esperavam que Jesus respondesse como respondeu. Na pr\u00e1tica, ele disse que sem o amor efetivo aos irm\u00e3os e irm\u00e3s n\u00e3o existe realmente amor a Deus. O amor a Deus tem de se traduzir no amor aos outros.&nbsp; Dos dois mandamentos juntos, um ligado ao outro, o amor a Deus e o amor ao pr\u00f3ximo, <em>dependem a lei e os profetas. <\/em>Os fariseus n\u00e3o estavam interessados nos textos dos profetas. Para eles, o importante \u00e9 a Lei, o mandamento religioso. Jesus responde equiparando a profecia \u00e0 religi\u00e3o. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Todos os profetas e profetizas da B\u00edblia insistem justamente no fato de que o amor a Deus se expressa no modo de viver a rela\u00e7\u00e3o com os outros. Conforme os evangelhos, ao manifestar o cuidado amoroso com os mais vulner\u00e1veis, Jesus os olha como pessoas concretas, mas tamb\u00e9m como categorias. Jesus sabia que leprosos e deficientes f\u00edsicos eram exclu\u00eddos do culto no templo. Ao cur\u00e1-los, os reintegra na comunidade. Os samaritanos eram rejeitados como ra\u00e7a pelos judeus. Ele faz os disc\u00edpulos se abrirem e entre as primeiras comunidades crist\u00e3s, havia v\u00e1rias comunidades de samaritanos. As mulheres eram consideradas inferiores e Jesus as integrou no discipulado de iguais. Assim por diante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Hoje, o amor ao pr\u00f3ximo, sem perder sua dimens\u00e3o subjetiva e de rela\u00e7\u00e3o interpessoal, tem de assumir cada vez mais um car\u00e1ter social e pol\u00edtico. O amor se concretiza na inser\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0s lutas concretas das categorias oprimidas e dos movimentos sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na enc\u00edclica <em>Fratelli Tutti, <\/em>Somos todos irm\u00e3os e irm\u00e3s, o papa Francisco prop\u00f5e o que ele chama de amor social, base de uma unidade de toda a fam\u00edlia humana. Esta \u00e9 a nossa voca\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da qual vivemos o amor como o pr\u00f3prio amor divino, que, em n\u00f3s, toma a nossa forma de amar.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amor que cura a Terra e a humanidade (Mt 22,34-40) \u2013 Por Marcelo Barros\u00a0 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Neste 30\u00ba domingo comum do ano, dia 29\/10\/2023, lemos o evangelho de Mateus 22,34-40 que nos situa no \u00e2mbito das<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12687,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,38,49,48,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-12686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-das-mulheres","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12686"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12686\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12688,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12686\/revisions\/12688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}