{"id":12734,"date":"2023-11-13T18:43:03","date_gmt":"2023-11-13T21:43:03","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12734"},"modified":"2023-11-13T18:43:05","modified_gmt":"2023-11-13T21:43:05","slug":"o-que-fazer-quando-a-libertacao-tarda-mt-251-13-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-que-fazer-quando-a-libertacao-tarda-mt-251-13-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"O que fazer quando a liberta\u00e7\u00e3o tarda (Mt \u00a025,1-13). Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O que fazer quando a liberta\u00e7\u00e3o tarda (Mt \u00a025,1-13)<\/strong>. Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/sddefault.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12735\" width=\"784\" height=\"588\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/sddefault.jpg 640w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/sddefault-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 784px) 100vw, 784px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No evangelho do 32\u00ba domingo comum do ano, de 12\/11\/23, \u2013 Mateus 25,1\u201313, a comunidade de Mateus coloca na boca de Jesus uma palavra sobre como animar as comunidades, quando elas se d\u00e3o conta de que o reino de Deus n\u00e3o chega imediatamente, como mudan\u00e7a imediata que irrompe no mundo. Parece que as pessoas lutam, lutam e nada muda.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, as primeiras gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s pensavam que o reino de Deus viria imediatamente para mudar a hist\u00f3ria. No Pai Nosso, diariamente, as pessoas oram: Venha a n\u00f3s o teu reino. Jesus tinha prometido: <em>Essa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o passar\u00e1 sem que venha o Filho do Homem <\/em>(Mt 24,34).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando os evangelhos foram escritos j\u00e1 tinham passado duas gera\u00e7\u00f5es e nada do reino chegar visivelmente. Jerusal\u00e9m tinha sido destru\u00edda pelos romanos e os judeus obrigados a viver como migrantes estrangeiros nas na\u00e7\u00f5es pag\u00e3s. E nada da vinda do Filho do Homem.&nbsp; Era preciso buscar nas palavras de Jesus alguma resposta para isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A maioria das par\u00e1bolas de Jesus eram tiradas da vida comum. Provavelmente, a par\u00e1bola contada neste evangelho reproduz um fato ocorrido naquele tempo. O eixo principal da hist\u00f3ria \u00e9 uma festa de casamento, na qual o noivo atrasa. Nos casamentos atuais da sociedade, quem costuma atrasar \u00e9 a mo\u00e7a. Naquele caso, foi o noivo. Jesus conta essa hist\u00f3ria para dizer que o reino de Deus \u00e9 como o tal noivo que atrasou. O povo antigo tinha um ditado que dizia: Deus tarda, mas n\u00e3o falha. A par\u00e1bola quer nos ensinar como lidar com o atraso da vinda de Deus no mundo. Hoje, h\u00e1 pessoas desencantadas com a Pol\u00edtica. E h\u00e1 muitos decepcionados com a Igreja como institui\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, parece que o pr\u00f3prio Deus e&nbsp; Jesus provocam decep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando hoje vemos um Estado fortemente armado e apoiado pelas grandes pot\u00eancias massacrar um povo indefeso e vemos nas m\u00eddias que Israel mata uma crian\u00e7a palestina em cada dez minutos, podemos nos perguntar: Onde est\u00e1 Deus?<\/p>\n\n\n\n<p>Na Alemanha nazista, milh\u00f5es de judeus foram mortos em campos de concentra\u00e7\u00e3o. Muitos se perguntaram onde ficaram as promessas de Deus a respeito do povo eleito na B\u00edblia. Os evangelhos t\u00eam de buscar alguma resposta para essa pergunta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O trecho do evangelho de hoje faz refer\u00eancia a um costume para n\u00f3s&nbsp; estranho. Naquela \u00e9poca, o noivo ia buscar a noiva na casa dela. Ali, o esperava um cortejo de amigas da mo\u00e7a e esse cortejo acompanhava o casal at\u00e9 a nova casa onde iam morar. Essas mo\u00e7as iluminavam a festa com tochas acesas, alimentadas com azeite de oliva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O evangelho de hoje conta que, naquele caso, cinco mo\u00e7as tinham garantido uma reserva de azeite nas suas vasilhas e outras cinco n\u00e3o. Como o noivo atrasou, algumas ficaram sem azeite.&nbsp;As dez mo\u00e7as representam a comunidade que espera o reino de Deus chegar, assim como o noivo que vem para casar. Essa alegoria quer nos dizer que a comunidade crist\u00e3 deve viver em fun\u00e7\u00e3o do reino e do Esposo que vem e n\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja, que no caso, \u00e9 representada pela esposa. Jesus aproveita o contexto cultural da sociedade patriarcal para dizer que a comunidade tem de ficar atenta aos sinais da vinda do reino de Deus no mundo e n\u00e3o ficar concentrada&nbsp; na pr\u00f3pria Igreja.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria, as mo\u00e7as que tinham reserva de azeite n\u00e3o podiam repartir do seu azeite com as outras. Dizer que elas n\u00e3o podiam dar o azeite uma \u00e0 outra \u00e9 afirmar que ningu\u00e9m pode amar no lugar de ningu\u00e9m. A responsabilidade de se preparar para a vinda do reino \u00e9 pessoal e intransfer\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Jesus contou a hist\u00f3ria, ele n\u00e3o insistiu na vigil\u00e2ncia (at\u00e9 porque todas dormem). O que ele pediu foi que estivessem prontas na hora em que o Esposo vem. O reino n\u00e3o vem logo como se esperava. Mas, \u00e9 preciso vigiar e se manter preparados\/as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, na realidade que vivemos, de vez em quando temos a impress\u00e3o de que novamente a liberta\u00e7\u00e3o prometida est\u00e1 demorando demais. O Esposo atrasou e tarda a chegar. Atrav\u00e9s desse evangelho, a comunidade de Mateus nos responde: mantenham a l\u00e2mpada acesa e sempre com \u00f3leo para o momento que for preciso. \u00c9 como se dissesse: vivam antecipando a utopia que voc\u00eas esperam. Isso se concretiza na palavra que Jesus disse no discurso da montanha: \u201c<em>N\u00e3o s\u00e3o as pessoas que dizem Senhor, Senhor, que entra no reino, mas quem realiza o projeto divino<\/em>\u201d (Mt 7,21-23).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o adianta essa religi\u00e3o centrada em missas, novenas e devo\u00e7\u00f5es. Nessa par\u00e1bola, o&nbsp; esposo da par\u00e1bola fechou a porta do aposento nupcial e disse \u00e0s mo\u00e7as que ficaram de fora: <em>N\u00e3o vos conhe\u00e7o<\/em>! \u00c9 exatamente a mesma palavra de Jesus no discurso da montanha: \u201c<em>Naquele dia, muitos me dir\u00e3o: Senhor, Senhor, n\u00e3o profetizamos n\u00f3s em teu nome? e em teu nome n\u00e3o expulsamos dem\u00f4nios? e em teu nome n\u00e3o fizemos muitas maravilhas? E ent\u00e3o lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, v\u00f3s que praticais a iniquidade<\/em>\u201d (Mt 7,22-23).<\/p>\n\n\n\n<p>No coment\u00e1rio deste evangelho, Sandro Galazzi escreveu:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Quem souber repartir, quem souber distribuir a comida aos que moram na casa, esse poder\u00e1 tomar conta da casa e tomar\u00e1 posse dos bens de seu senhor. Vigiar \u00e9 isso: cuidar da casa e dos seus moradores. Quando o noivo vier, mais ou menos tarde, ele vai faz\u00ea-lo entrar para participar das bodas. Bem-aventurado o servo ou serva que, quando vier, o seu senhor, encontrar fazendo assim<\/em>\u201d (Mt 24,46).&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que fazer quando a liberta\u00e7\u00e3o tarda (Mt \u00a025,1-13). Por Marcelo Barros &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No evangelho do 32\u00ba domingo comum do ano, de 12\/11\/23, \u2013 Mateus 25,1\u201313, a comunidade de Mateus coloca na boca de Jesus uma<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12735,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-12734","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12734","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12734"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12734\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12736,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12734\/revisions\/12736"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12735"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}