{"id":12759,"date":"2023-11-18T08:25:32","date_gmt":"2023-11-18T11:25:32","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12759"},"modified":"2023-11-18T08:25:34","modified_gmt":"2023-11-18T11:25:34","slug":"as-diversas-diasporas-da-exclusao-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/as-diversas-diasporas-da-exclusao-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"As diversas di\u00e1sporas da exclus\u00e3o \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>As diversas di\u00e1sporas da exclus\u00e3o \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/download-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12760\" width=\"780\" height=\"519\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No Brasil, novembro \u00e9 o m\u00eas da consci\u00eancia negra. A mem\u00f3ria de Zumbi dos Palmares nos faz retomar a causa da popula\u00e7\u00e3o negra, ainda hoje, v\u00edtima do racismo estrutural da sociedade dominante e de todas as suas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde anos, as comunidades negras falam do sequestro que, durante s\u00e9culos, milh\u00f5es de ancestrais negros\/as sofreram da \u00c1frica para a Am\u00e9rica Latina e Caribe, como uma grande e longa di\u00e1spora. Esse termo grego corresponde ao hebraico <em>gol\u00e1<\/em> que se traduz por ex\u00edlio, expuls\u00e3o ou desterro. Em seu sentido mais restrito, referia-se \u00e0 dispers\u00e3o que o imp\u00e9rio romano for\u00e7ou o povo judeu a viver no s\u00e9culo I da nossa era. Hoje, pode ser aplicado ao povo palestino, obrigado \u00e0 di\u00e1spora em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, pelo governo de Israel que se diz herdeiro dos judeus b\u00edblicos e faz, em nossos dias, com os palestinos o que no s\u00e9culo XVI, europeus fizeram com os povos origin\u00e1rios da Abya Yala que eles passaram a chamar Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, di\u00e1spora n\u00e3o foi apenas o tr\u00e1fico e hoje a migra\u00e7\u00e3o. Expressa a realidade de quem se sente v\u00edtima do racismo estrutural ainda dominante na sociedade e da exclus\u00e3o social, gerada pelos preconceitos contra as minorias e quaisquer categorias sociais exclu\u00eddas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, uma das mais importantes rea\u00e7\u00f5es de defesa da popula\u00e7\u00e3o escravizada foi o movimento dos quilombos, ou seja, a forma\u00e7\u00e3o de comunidades que serviam como ref\u00fagio das pessoas que fugiam da escravid\u00e3o e juntas passavam a enfrentar a luta de liberta\u00e7\u00e3o. Embora com nomes e em formas diferentes, de norte a sul do continente, desde o s\u00e9culo XVII at\u00e9 quase os nossos dias, se organizaram comunidades livres.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa caminhada de resist\u00eancia comunit\u00e1ria e manuten\u00e7\u00e3o das culturas origin\u00e1rias, o elemento que deu mais for\u00e7a foi a espiritualidade que cada povo trouxe da \u00c1frica e soube traduzir no Brasil. Essa espiritualidade se expressa nas religi\u00f5es de matriz africana que souberam se inserir e se adaptar \u00e0s realidades locais. Elas foram a base para que as popula\u00e7\u00f5es negras pudessem manter a consci\u00eancia da sua dignidade humana e a consci\u00eancia de que o Esp\u00edrito Divino as acompanhava e lhes dava for\u00e7a em suas lutas e &nbsp;sofrimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as religi\u00f5es negras, florescem at\u00e9 hoje, em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil e em outros pa\u00edses, cultos afrodescendentes. Entre n\u00f3s, o mais conhecido \u00e9 o Candombl\u00e9, em suas v\u00e1rias vers\u00f5es culturais. Em outros pa\u00edses, com outros nomes como a Santer\u00eda em Cuba, o Vodu no Haiti, em todos os casos, as comunidades unem na dan\u00e7a as energias do c\u00e9u e da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses dias, celebramos o anivers\u00e1rio de 115 anos da cria\u00e7\u00e3o da Umbanda, uma religi\u00e3o propriamente brasileira. No dia 15 de novembro de 1908, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, periferia do Rio de Janeiro, o m\u00e9dium Z\u00e9lio Fernandino de Moraes fundou a Umbanda, que se baseia em tr\u00eas conceitos fundamentais: Luz, Caridade e Amor. O termo \u201cUmbanda\u201d vem de Angola e quer dizer \u201carte de curar\u201d. A Umbanda sintetiza elementos do Candombl\u00e9 banto, do Espiritismo kardecista e do Catolicismo popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, at\u00e9 hoje, h\u00e1 grupos crist\u00e3os fundamentalistas que combatem e perseguem as religi\u00f5es afrodescentes. \u00c9 mais triste ainda constatar que fazem isso em nome de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o evangelho, Jesus afirmou que pelos frutos se conhece a \u00e1rvore. No Brasil e em todo o continente, os frutos das religi\u00f5es negras t\u00eam sido preservar as culturas origin\u00e1rias, manter a unidade das comunidades e, em nossos dias, testemunhar a toda a humanidade uma espiritualidade que liga o amor social ao cuidado afetuoso com a m\u00e3e-Terra e toda a natureza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As diversas di\u00e1sporas da exclus\u00e3o \u2013 Por Marcelo Barros No Brasil, novembro \u00e9 o m\u00eas da consci\u00eancia negra. 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