{"id":12801,"date":"2023-11-25T14:58:14","date_gmt":"2023-11-25T17:58:14","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=12801"},"modified":"2023-11-25T14:58:15","modified_gmt":"2023-11-25T17:58:15","slug":"cebs-sinodalidade-entre-a-busca-do-consenso-e-da-profecia-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/cebs-sinodalidade-entre-a-busca-do-consenso-e-da-profecia-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Cebs, sinodalidade entre a busca do consenso e da profecia. Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Cebs, sinodalidade entre a busca do consenso e da profecia<\/strong>. Por Marcelo Barros, que<\/p>\n\n\n\n<p>Monge beneditino, te\u00f3logo e assessor das Comunidades Eclesiais de Base e de movimentos sociais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/maxresdefault-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12802\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/maxresdefault-300x169.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/maxresdefault-768x432.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/maxresdefault.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A partir de Roma, a <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/616321\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sinodalidade<\/a> que era apenas episcopal (S\u00ednodo dos Bispos), o papa a tornou dimens\u00e3o eclesial: o jeito normal de toda a Igreja ser. Quando o papa prop\u00f5e que nesse processo sinodal, sejam ouvidas todas as pessoas, mesmo aquelas que n\u00e3o frequentam as comunidades, est\u00e1 indicando essa nova dimens\u00e3o de comunidades que n\u00e3o t\u00eam sua demarca\u00e7\u00e3o definida de modo t\u00e3o estrito.<\/p>\n\n\n\n<p>As&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;seriam esse espa\u00e7o de comunh\u00e3o e de vida na f\u00e9 de pessoas e grupos que querem caminhar juntos, valorizam as bandeiras da caminhada libertadora, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 perten\u00e7a mais estritamente eclesial, n\u00e3o se situam nos grupos paroquiais, nem nas pastorais mais internas das Igrejas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, que pertencemos \u00e0 <strong>Igreja da Caminhada Libertadora<\/strong>, o <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/609568\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">processo sinodal<\/a> proposto e coordenado pelo <strong>papa Francisco<\/strong> nos pede a tarefa de discernir o tipo de&nbsp;<strong>Sinodalidade<\/strong>&nbsp;que seria pr\u00f3prio das <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/630864-15-encontro-intereclesial-das-cebs-pentecostes-de-espiritualidade-etica-e-profetica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cebs<\/a> e da <strong>caminhada de inser\u00e7\u00e3o eclesial<\/strong>. Tamb\u00e9m precisamos aprofundar como viver isso na comunh\u00e3o de toda a Igreja, com as dificuldades que essa tem de ligar <strong>Sinodalidade <\/strong>e a <strong>cultura hier\u00e1rquica<\/strong>&nbsp;que, durante s\u00e9culos, a caracteriza.<\/p>\n\n\n\n<p>Proponho tratarmos isso na linha do <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/627315-ver-julgar-agir\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ver, julgar e agir<\/a>, ou seja,<\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba &#8211; tentar compreender a realidade eclesial cat\u00f3lica, no mundo e no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00ba &#8211; analisar essa realidade a partir da eclesiologia que floresceu entre n\u00f3s a partir do <strong>Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong> e <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/188-noticias-2018\/579723-referencia-imprescindivel-para-a-igreja-atual-medellin-50-anos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Medell\u00edn<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00ba &#8211; Finalmente, buscar pistas e luzes sobre como viver a Sinodalidade que seria pr\u00f3pria das <strong>Cebs <\/strong>e da <strong>Igreja da Caminhada<\/strong> no di\u00e1logo e comunh\u00e3o com o conjunto da&nbsp;<strong>Igreja Cat\u00f3lica<\/strong> e sua hierarquia.<\/p>\n\n\n\n<p>(Publico essas p\u00e1ginas ainda como um texto provocativo e aberto ao di\u00e1logo, a discuss\u00f5es e a qualquer revis\u00e3o que os irm\u00e3os e irm\u00e3s julgarem oportuno fazer).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1 \u2013 A Sinodalidade da Igreja a partir do princ\u00edpio hier\u00e1rquico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cardeais e bispos que suspeitam de que, ao propor a&nbsp;<strong>Sinodalidade<\/strong>&nbsp;como modo normal da Igreja ser, o papa esteja conduzindo a Igreja Cat\u00f3lica por caminho her\u00e9tico e perigoso. Desde o segundo mil\u00eanio, a&nbsp;<strong>Igreja Latina<\/strong>&nbsp;se construiu em torno da autoridade do papa. De acordo com o&nbsp;<strong>Direito Can\u00f4nico<\/strong>, o papa exerce o poder absoluto. Pode contestar a quem quiser e n\u00e3o pode ser contestado por ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que o <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/622940\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conc\u00edlio Vaticano II<\/a>&nbsp;ressaltou a import\u00e2ncia das Igrejas locais, como realiza\u00e7\u00e3o concreta do mist\u00e9rio da Igreja (Cf. <em>Lumen Gentium <\/em>23 e <em>Christus Dominus<\/em>&nbsp;11). No entanto, o <strong>Conc\u00edlio<\/strong>&nbsp;n\u00e3o conseguiu tirar as consequ\u00eancias disso no plano organizacional, que continuou organizada como&nbsp;<strong>Cristandade<\/strong>. Logo depois do&nbsp;<strong>Conc\u00edlio<\/strong>, o papa&nbsp;<strong>Paulo VI<\/strong>&nbsp;instituiu o&nbsp;<strong>S\u00ednodo dos Bispos<\/strong>, mas como \u00f3rg\u00e3o consultivo do papa. Por tr\u00e1s de tudo isso, h\u00e1 a compreens\u00e3o da Catolicidade compreendida como consenso de submiss\u00e3o \u00e0 autoridade do papa e da hierarquia da Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cultura cat\u00f3lica vigente, \u00e9 cat\u00f3lico quem aceita todos os ensinamentos e doutrinas que a hierarquia proclama como sendo o modo de pensar da Igreja. Quando algu\u00e9m critica o papa, ou afirma discordar de alguma norma eclesi\u00e1stica, sempre h\u00e1 quem reaja com afirma\u00e7\u00f5es do tipo: \u201cQuem discorda deveria deixar a Igreja. Se n\u00e3o est\u00e1 satisfeito, se retire\u201d. Isso ocorre por parte de setores conservadores, ao criticar progressistas e, infelizmente, acontece, igualmente, em meios progressistas. Ao verem v\u00eddeos ou lerem pronunciamentos de grupos tradicionalistas que criticam a&nbsp;<strong>CNBB<\/strong>&nbsp;ou se posicionam contra a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/626313-campanha-da-fraternidade-2023-fome-de-pao-e-de-deus-mt-6-1-6-16-18-comunismo-ou-justica-social-artigo-de-frei-jacir-de-freitas-faria\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Campanha da Fraternidade<\/a>, ou contra o&nbsp;<strong>papa Francisco<\/strong>, h\u00e1 pessoas ligadas \u00e0 nossa caminhada que reagem dizendo o mesmo: quem discorda deve sair. O que est\u00e1 por tr\u00e1s disso \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o equivocada de que&nbsp;<strong>Catolicidade<\/strong>&nbsp;significa consenso obrigat\u00f3rio e uniformidade de doutrina e de caminho. Esse \u00e9 o modelo de unidade, praticado na&nbsp;<strong>Igreja-Cristandade<\/strong>, centralizada em Roma e sob a autoridade inquestion\u00e1vel e absoluta do papa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa compreens\u00e3o que faz com que o&nbsp;<strong>processo sinodal<\/strong>&nbsp;avance mais lentamente e possa dar a impress\u00e3o de que, no di\u00e1logo no Esp\u00edrito, ao menos at\u00e9 aqui, tenham se evitado tratar os problemas mais candentes e desafiadores que, hoje, dividem a Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 normal e compreens\u00edvel que a busca da&nbsp;<strong>Sinodalidade<\/strong>, atrav\u00e9s do di\u00e1logo no&nbsp;<strong>Esp\u00edrito<\/strong>, tenha como objetivo buscar o consenso poss\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o aos desafios novos da pastoral e da organiza\u00e7\u00e3o eclesial. No entanto, se essa busca for prof\u00e9tica, ou seja, se fundamentar realmente na escuta do Esp\u00edrito, n\u00e3o pode ser simples acomodamento \u00e0s inst\u00e2ncias da hierarquia como poder constitu\u00eddo. Se a Sinodalidade como&nbsp;<strong>caminhar juntos<\/strong>&nbsp;n\u00e3o puder se realizar na diversidade e mesmo em meio ao dissenso, nada mudar\u00e1 substancialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 velha cultura cat\u00f3lica colonial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Se a Sinodalidade&nbsp;como&nbsp;caminhar juntos&nbsp;n\u00e3o puder se realizar na diversidade e mesmo em meio ao dissenso, nada mudar\u00e1 substancialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 velha cultura cat\u00f3lica colonial &#8211; Marcelo Barros<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2 \u2013 A natureza hier\u00e1rquica da Igreja, elemento da Cristandade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na assembleia sinodal que ocorreu em Roma e em todo o processo sinodal, os respons\u00e1veis t\u00eam deixado claro que a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/633077-a-sinodalidade-e-o-tempo-de-sela-na-historia-da-igreja-artigo-de-massimo-faggioli\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sinodalidade<\/a>&nbsp;proposta n\u00e3o p\u00f5e em risco a fun\u00e7\u00e3o da hierarquia e a autoridade dos bispos e ministros ordenados (por exemplo, ver no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/633579-documento-sintese-uma-semente-que-%20dara-frutos-se-for-cuidada-e-fertilizada\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Documento de S\u00edntese<\/a>, o n\u00famero 11). No entanto, fica o desafio de aprofundar que tipo de sinodalidade pode se realizar a partir do princ\u00edpio hier\u00e1rquico compreendido como poder sagrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, ainda se confunde&nbsp;<strong>minist\u00e9rios<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>hierarquia<\/strong>. Em alguns de seus livros, o te\u00f3logo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/606764-o-teologo-yves-congar-das-sombras-a%20-luz-do-vaticano-ii-entrevista-com-etienne-fouilloux\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Yves Congar<\/a>&nbsp;afirmava que, na Igreja Cat\u00f3lica, antes do&nbsp;<strong>Conc\u00edlio Vaticano<\/strong>&nbsp;II, n\u00e3o havia&nbsp;<strong>Eclesiologia<\/strong>&nbsp;e sim uma&nbsp;<strong>hierarcologia<\/strong>, a teoria de uma Igreja \u201csociedade perfeita, por ess\u00eancia desigual e hier\u00e1rquica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, se identifica \u201cnatureza hier\u00e1rquica da Igreja\u201d com sua dimens\u00e3o ministerial, como se minist\u00e9rio e hierarquia fossem a mesma coisa. Para grande parte da hierarquia, do clero e de grupos cat\u00f3licos, o car\u00e1ter hier\u00e1rquico da Igreja \u00e9 dimens\u00e3o essencial do seu modo de ser e n\u00e3o pode ser colocado em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Medard Kehl<\/strong>&nbsp;(1942- 2021), te\u00f3logo alem\u00e3o que aprofundou a&nbsp;<strong>Eclesiologia<\/strong>, ensinava que o termo hierarquia, (poder sagrado) \u00e9 conceito neoplat\u00f4nico \u2013 e foi introduzido na linguagem eclesial pelo pseudo-<strong>Dion\u00edsio<\/strong>, no s\u00e9culo VI. O modelo piramidal de Igreja, no qual a escada desce do papa que est\u00e1 no pico da pir\u00e2mide at\u00e9 os leigos e leigas que est\u00e3o em baixo, n\u00e3o existia nos primeiros s\u00e9culos do&nbsp;<strong>Cristianismo<\/strong>&nbsp;e, dificilmente, se harmoniza com a igualdade fundamental de todos os fi\u00e9is, proposta pelo&nbsp;<strong>Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong>. E esse te\u00f3logo n\u00e3o tem d\u00favida em afirmar que esse&nbsp;<strong>modelo de Igreja<\/strong>&nbsp;merece a den\u00fancia que Jesus fez contra os religiosos do templo e contra os governantes dos povos e seus m\u00e9todos\u201f (Mt 20, 25ss) [2].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Minist\u00e9rio e hierarquia<\/strong>&nbsp;se tornaram praticamente sin\u00f4nimos a partir da inser\u00e7\u00e3o da Igreja no imp\u00e9rio romano e, a partir da\u00ed, a experi\u00eancia hist\u00f3rica do modelo de Igreja que, comumente, chamamos de Cristandade.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o querido e saudoso <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/613016-faleceu-um-dos-mais-ilustres-biblistas-%20chilenos-o-teologo-pablo-richard\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pablo Richard<\/a>, \u201c<strong>Cristandade<\/strong>&nbsp;\u00e9 uma forma determinada de rela\u00e7\u00e3o entre Igreja e a sociedade civil, rela\u00e7\u00e3o cuja media\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 o Estado\u201d. Para ele, \u201cem um regime de Cristandade, a Igreja procura assegurar sua presen\u00e7a e expandir seu poder na sociedade civil, utilizando antes de tudo a media\u00e7\u00e3o do Estado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente, o modo como esse casamento entre <strong>Igreja <\/strong>e o <strong>poder do Estado<\/strong> se desenvolveu mudou bastante desde o s\u00e9culo IV, quando o imperador <strong>Constantino<\/strong>&nbsp;acolheu o <strong>Cristianismo<\/strong> no <strong>Imp\u00e9rio<\/strong>. Desde ent\u00e3o, se criou uma \u201creligi\u00e3o civil\u201d e uma sociedade dita crist\u00e3, em formas diferenciadas, mas cujo n\u00facleo \u00e9 o mesmo. Gira em torno do poder e, at\u00e9 nossos dias, mant\u00e9m elementos ainda fortes na sociedade dominante e no modo de ser Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>papa Francisco<\/strong>&nbsp;tem proposto a imagem da pir\u00e2mide invertida e denuncia o <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/188-noticias-2018\/582578-o-papa-aos-bispos-nao-ao-clericalismo-ele-provoca-abusos-sexuais-e-de-poder\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clericalismo<\/a>, como abuso do minist\u00e9rio. No entanto, o que caracteriza o clericalismo \u00e9 mais do que o abuso de usar o minist\u00e9rio ordenado para buscar privil\u00e9gios. Enquanto se mantiver como essencial a diferen\u00e7a entre pessoas batizadas, quem \u00e9 ordenado e quem n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 como superar o clericalismo. <strong>Uma Igreja hier\u00e1rquica \u00e9, necessariamente, clerical. N\u00e3o h\u00e1 como dissociar clericalismo e hierarquia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Enquanto se mantiver como essencial a diferen\u00e7a entre pessoas batizadas, quem \u00e9 ordenado e quem n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 como superar o clericalismo. Uma Igreja hier\u00e1rquica \u00e9, necessariamente, clerical &#8211; Marcelo Barros<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Querendo ou n\u00e3o, todos n\u00f3s somos condicionados a identificar&nbsp;<strong>Igreja Universal<\/strong>&nbsp;com&nbsp;<strong>Cristandade cat\u00f3lico-romana<\/strong>, em seu modelo de Cristandade. Mesmo pensadores abertos e de op\u00e7\u00e3o libertadora defendem que a perten\u00e7a \u00e0 Igreja exige obedi\u00eancia e submiss\u00e3o aos bispos e ao papa. Fomos formados e habituados a conviver com a Cristandade explicitamente colonial. Atualmente, convivemos com um contexto novo: uma Igreja tradicional e agarrada aos valores da&nbsp;<strong>Cristandade constantiniana<\/strong>, embora coordenada por um papa aberto ao mundo e em di\u00e1logo com a humanidade. Para isso, ele se mant\u00e9m chefe de Estado e l\u00edder de uma institui\u00e7\u00e3o que continua com todo o aparato da&nbsp;<strong>Cristandade tridentina<\/strong>, mesmo se j\u00e1 usa terminologia de comunh\u00e3o de Igrejas locais e de sinodalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente, isso n\u00e3o poderia ser de outro modo e damos gra\u00e7as a Deus pelo caminho percorrido. No entanto, \u00e9 importante nos dar conta de que mesmo os avan\u00e7os conquistados se situam dentro desse modelo que est\u00e1 estruturalmente esgotado e que espiritual e teologicamente n\u00e3o tem mais sentido. Mudar isso \u00e9 dif\u00edcil porque pede convers\u00e3o e senso cr\u00edtico, em primeiro lugar dos pr\u00f3prios setores mais abertos que, ainda, muitas vezes, advogam uma esp\u00e9cie de&nbsp;<strong>Cristandade de esquerda<\/strong>, mas Cristandade.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mudan\u00e7a exige aprofundamento teol\u00f3gico e espiritual. Sup\u00f5e coragem, despojamento e abertura interior para caminhar no escuro e n\u00e3o ter respostas j\u00e1 prontas para todos os desafios. \u00c9 como caminho no deserto, sem mapas pr\u00e9-fabricados, sem roteiros tur\u00edsticos pr\u00e9-definidos e sem certeza do amanh\u00e3, a n\u00e3o ser a confian\u00e7a no Esp\u00edrito que sopra hoje essa mudan\u00e7a fundamental e urgente. Estrutural e n\u00e3o apenas cosm\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3 \u2013 A eclesiogia do Vaticano II para al\u00e9m da Cristandade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O padre&nbsp;<strong>Yves Congar<\/strong>, estudioso da&nbsp;<strong>Eclesiologia<\/strong>, na sua hist\u00f3ria foi um dos te\u00f3logos que mais contribu\u00edram para a mudan\u00e7a teol\u00f3gica sobre a Igreja realizada pelo&nbsp;<strong>Conc\u00edlio Vaticano<\/strong>&nbsp;<strong>II<\/strong>. Ele considerava que a defini\u00e7\u00e3o de Igreja como sociedade era leg\u00edtima como conceito sociol\u00f3gico e evidente na observa\u00e7\u00e3o da realidade material da institui\u00e7\u00e3o eclesial romana atual. No entanto, ver a Igreja como sociedade n\u00e3o ajuda como caminho pastoral, nem para conceituar teologicamente a Igreja. Conforme&nbsp;<strong>Congar<\/strong>, enquanto se olhar a Igreja preponderantemente como \u201csociedade\u201d, n\u00e3o se vai al\u00e9m da categoria de Igreja hier\u00e1rquica, consagrada pelo&nbsp;<strong>Conc\u00edlio de Trento<\/strong>&nbsp;(1545).<\/p>\n\n\n\n<p>No ensaio&nbsp;<strong>Pode-se definir a Igreja?<\/strong>&nbsp;(1961), ele se interroga sobre o conceito mais apropriado para definir a Igreja. Conclui que a realidade e o mist\u00e9rio da Igreja podem ser compreendidos a partir de quatro categorias: as no\u00e7\u00f5es de<strong>&nbsp;Povo de Deus<\/strong>,&nbsp;<strong>Corpo de Cristo<\/strong>,&nbsp;<strong>Sociedade<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Comunh\u00e3o<\/strong>. No fim, conclui que a categoria fundamental \u00e9 a de Povo de Deus, enriquecida com a imagem de \u201c<strong>Corpo de Cristo<\/strong>\u201d [4]. E foi essa a vis\u00e3o aceita e adotada pelo&nbsp;<strong>Conc\u00edlio<\/strong>&nbsp;na constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja (<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2023\/07\/Constituio_Lumen_Gentium.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Lumen Gentium<\/em><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Por v\u00e1rios motivos, o&nbsp;<strong>Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong>&nbsp;n\u00e3o pode tirar todas as consequ\u00eancias do seu ensinamento sobre a Igreja como Povo de Deus, encarnado, concretamente, em cada Igreja local. Prop\u00f4s conceitos como comunh\u00e3o das Igrejas,&nbsp;<strong>colegialidade<\/strong>&nbsp;dos bispos e a compreens\u00e3o da f\u00e9 que o conjunto do&nbsp;<strong>povo de Deus<\/strong>&nbsp;tem (<em>sensus fidelium<\/em>) como categorias fundamentais e crit\u00e9rios de f\u00e9. No entanto, um elemento como a&nbsp;<strong>Sinodalidade<\/strong>&nbsp;decorre da&nbsp;<strong>teologia conciliar<\/strong>, mas s\u00f3 est\u00e1 podendo ser desenvolvida 60 anos depois. Isso mesmo em parte, em processo gradual.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1999, no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/627239-documento-de-bangkok-discerne-novos-caminhos-para-a-igreja-na-asia-apos-o-sinodo-continental\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">documento preparat\u00f3rio para o S\u00ednodo sobre a \u00c1sia<\/a>, a&nbsp;<strong>Federa\u00e7\u00e3o das confer\u00eancias episcopais da \u00c1sia<\/strong>&nbsp;afirmou: \u201cA compreens\u00e3o que a Igreja tem de si mesma \u00e9 a de ser verdadeiramente e sempre Igreja local, encarnada em um povo, aut\u00f3ctona e inculturada \u00e9 o corpo do Cristo feito real e encarnado em um povo particular, no tempo e no espa\u00e7o\u201d (Doc dos bispos asi\u00e1ticos, n. 1[5] ).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa perspectiva de uma organiza\u00e7\u00e3o eclesial que parta realmente das Igrejas locais \u00e9 a \u00fanica perspectiva de supera\u00e7\u00e3o da velha&nbsp;<strong>Cristandade latina<\/strong>&nbsp;e abre portas para uma real&nbsp;<strong>Sinodalidade<\/strong>. Na realidade, enquanto a Igreja Cat\u00f3lica e outras Igrejas ainda se moverem dentro das velhas estruturas de Cristandade, o tipo de Sinodalidade poss\u00edvel \u00e9 muito limitado. <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/593403\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedro Casald\u00e1liga<\/a>&nbsp;afirmava: \u201c<em>a Igreja de Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica, n\u00e3o porque seja indiferente \u00e0 Democracia e sim porque, para a Igreja, ser democr\u00e1tica \u00e9 pouco. Ela deve ser mais do que democr\u00e1tica. Deve ser comunh\u00e3o<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4 \u2013 A profecia entre o consenso e a novidade que o Esp\u00edrito inspira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A tens\u00e3o entre&nbsp;<strong>institui\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>profecia<\/strong>&nbsp;se d\u00e1 pelo fato de que, enquanto a institui\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica se legitima e se fortalece a partir de uma ideologia de consenso, a profecia n\u00e3o busca o consenso a qualquer pre\u00e7o. Os\/as profetas sabem que a unidade \u00e9 dom divino e \u00e9 o que h\u00e1 de mais sagrado para manter vivo o corpo da Igreja. No entanto, a unidade n\u00e3o pode ser pretexto para a uniformidade institucional que mant\u00e9m a apar\u00eancia de unidade, garantida atrav\u00e9s do autoritarismo de quem det\u00e9m o poder e n\u00e3o quer perd\u00ea-lo. Se o contexto \u00e9 de&nbsp;<strong>Cristandade<\/strong>, facilmente, a busca do consenso pelo consenso legitima o autoritarismo da maioria dominante e facilita a desresponsabiliza\u00e7\u00e3o de quem diverge. Esse tipo de unidade n\u00e3o vem do Esp\u00edrito e nada tem de sadio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na&nbsp;<strong>B\u00edblia<\/strong>, de acordo com a tradi\u00e7\u00e3o deuteron\u00f4mica, quando o poder do&nbsp;<strong>rei de Jud\u00e1<\/strong>&nbsp;se tornou desp\u00f3tico sobre as tribos do norte, Deus inspirou n\u00e3o a unidade, mas a divis\u00e3o, ou seja, o cisma. Quando o rei Robo\u00e3o quis lutar para recuperar a unidade e trazer de volta ao seu reino as tribos do norte, de acordo com o texto b\u00edblico, a palavra do Senhor foi dirigida ao profeta&nbsp;<strong>Semei<\/strong>: \u201c<em>Fala a&nbsp;<strong>Robo\u00e3o<\/strong>: &nbsp;volta para casa e n\u00e3o tenta recuperar a unidade com Israel. Essa divis\u00e3o fui eu que fiz<\/em>\u201d (1 Reis 12, 22- 24).<\/p>\n\n\n\n<p>Na B\u00edblia, muitas vezes, os profetas se colocaram contra os&nbsp;<strong>sacerdotes do templo<\/strong>&nbsp;que se colocavam como se fossem propriet\u00e1rios de Deus, os \u00fanicos a poderem falar em nome dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao denunciar a religi\u00e3o ritual como sendo mera busca de seguran\u00e7a humana, os profetas se colocavam contra a cultura popular que gosta da religi\u00e3o e contra o consenso da unidade formada a partir do poder sacerdotal. Alguns profetas foram amea\u00e7ados de morte por sacerdotes. Basta lembrar o caso de&nbsp;<strong>Am\u00f3s<\/strong>&nbsp;e de&nbsp;<strong>Jeremias<\/strong>. Os profetas e profetizas proclamaram que a alian\u00e7a que Deus fez com o povo hebreu no&nbsp;<strong>Sinai<\/strong>&nbsp;tinha como base que todo povo se tornasse sacerdotal, isso \u00e9, mediador do Amor Divino em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 humanidade e ao universo: \u201c<em>V\u00f3s sereis para mim, um reino de sacerdotes, uma na\u00e7\u00e3o toda santa<\/em>\u201d (Ex 19,6).<\/p>\n\n\n\n<p>No&nbsp;<strong>Novo Testamento<\/strong>, as&nbsp;<strong>comunidades paulinas se<\/strong>&nbsp;organizavam dentro das sinagogas. Paulo e sua equipe mission\u00e1ria viveram como membros do&nbsp;<strong>Juda\u00edsmo<\/strong>, mas em dissenso e como contraponto ao Juda\u00edsmo rab\u00ednico do primeiro s\u00e9culo. S\u00f3 nos anos 80, as comunidades crist\u00e3s tiveram de sair do Juda\u00edsmo e ao que parece pelo fato de terem sido expulsas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A Igreja deve aceitar ser sempre desafiada pelo esp\u00edrito da novidade da profecia &#8211; Marcelo Barros<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a Igreja que quer ser de Jesus Cristo, a unidade \u00e9 sempre meta fundamental. Para a constru\u00e7\u00e3o da unidade, \u00e9 importante que se busquem consensos e unanimidades, mas n\u00e3o a qualquer pre\u00e7o. A busca do consenso tem de ser libertada do compromisso de acomoda\u00e7\u00e3o ao poder. A Igreja deve aceitar ser sempre desafiada pelo esp\u00edrito da novidade da profecia. N\u00e3o por acaso, na primeira gera\u00e7\u00e3o crist\u00e3, n\u00e3o se falava em sacerdotes ordenados nem clero. Havia comunidades apost\u00f3licas, como aparecem nos&nbsp;<strong>evangelhos sin\u00f3ticos<\/strong>&nbsp;(<strong>Mateus<\/strong>,&nbsp;<strong>Marcos<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Lucas<\/strong>), mas h\u00e1 tamb\u00e9m comunidades como a do Disc\u00edpulo Amado, a qual temos acesso atrav\u00e9s do 4\u00ba evangelho. Esta s\u00f3 conhece disc\u00edpulos e em nenhum momento faz distin\u00e7\u00e3o entre quem \u00e9 ministro e quem n\u00e3o o \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante toda a hist\u00f3ria da Igreja, a profecia foi exercida por grupos que se colocavam dentro da Igreja, sem romper, mas tamb\u00e9m sem se acomodar simplesmente \u00e0s regras do poder eclesi\u00e1stico. Isso foi assim com o movimento mon\u00e1stico do s\u00e9culo IV, com o franciscanismo do s\u00e9culo XIII, com as beguinas e beguinos dos \u00faltimos s\u00e9culos medievais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/514\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Reforma<\/a>, isso n\u00e3o foi poss\u00edvel, porque o papa e a hierarquia eclesi\u00e1stica romana excomungaram&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/280\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lutero<\/a>&nbsp;e os\/as reformadores\/as. E esses tamb\u00e9m se moviam dentro do mesmo universo da&nbsp;<strong>Cristandade<\/strong>.&nbsp;<strong>Lutero<\/strong>&nbsp;precisou buscar apoio junto a pr\u00edncipes alem\u00e3es e acabou por se colocar do lado dos pr\u00edncipes na luta contra&nbsp;<strong>Thomas Munzer<\/strong>&nbsp;e os camponeses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos tempos, a experi\u00eancia de bispos como Dom&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/587043\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Helder C\u00e2mara<\/a>&nbsp;ou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/601798\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedro Casald\u00e1liga<\/a>&nbsp;revela a sabedoria de viver a profecia no dissenso que consegue evitar rupturas, mas n\u00e3o se deixa incorporar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos, tanto Dom&nbsp;<strong>Helder Camara<\/strong>, como&nbsp;<strong>Pedro Casald\u00e1liga<\/strong>&nbsp;n\u00e3o conseguiram mudar institui\u00e7\u00f5es. A&nbsp;<strong>arquidiocese de Olinda e Recife<\/strong>, mesmo no tempo do pastoreio de Dom Helder, continuou sendo uma Igreja conservadora, embora com grupos da caminhada libertadora e com a miss\u00e3o prof\u00e9tica animada pelo Dom H\u00e9lder e por seu pequeno grupo de colaboradores\/as (sobre isso, vale a pena reler o belo livro de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/625616\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Eduardo Hoornaert<\/a>:<em>&nbsp;Helder C\u00e2mara: quando a vida se faz dom<\/em>. Paulus, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>A prelazia de&nbsp;<strong>S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia<\/strong>&nbsp;nunca foi totalmente transformada pela experi\u00eancia pastoral que&nbsp;<strong>Pedro Casald\u00e1liga<\/strong>&nbsp;e a sua equipe animaram. Eles irradiaram para o Brasil e para o mundo a profecia de um novo jeito de ser Igreja. No entanto, na pr\u00f3pria prelazia, tinham base pequena e minorit\u00e1ria. N\u00e3o trabalharam com a busca do consenso, nem com a ideia de uma&nbsp;<strong>Igreja Cristandade<\/strong>, acomodada \u00e0 realidade tradicional dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do&nbsp;<strong>Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong>, durante quase dez anos,&nbsp;<strong>Dom Helder C\u00e2mara<\/strong>&nbsp;ainda buscou o consenso e a aprova\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es romanas para o seu projeto de um&nbsp;<strong>Cristianismo prof\u00e9tico<\/strong>&nbsp;como fermento de um mundo fundamentado na Justi\u00e7a e na Paz. No come\u00e7o dos anos 1970, o Dom se d\u00e1 conta de que tal projeto s\u00f3 avan\u00e7a at\u00e9 certo ponto. Os compromissos necess\u00e1rios e a busca do equil\u00edbrio interno faz com que as institui\u00e7\u00f5es nunca se abram totalmente \u00e0 profecia.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da experi\u00eancia de ter fracassado ao propor a profecia a partir do consenso,&nbsp;<strong>Dom Helder<\/strong>&nbsp;faz uma mudan\u00e7a importante em seu projeto de miss\u00e3o. Toma consci\u00eancia de que, na Igreja, o princ\u00edpio do consenso sempre acaba legitimando a autoridade da hierarquia e a manuten\u00e7\u00e3o de um status quo, contr\u00e1rio ao projeto divino.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do come\u00e7o dos anos 1970,&nbsp;<strong>Helder Camara<\/strong>&nbsp;come\u00e7a a reler a B\u00edblia a partir do resto de&nbsp;<strong>Israel<\/strong>, dos pobres de&nbsp;<strong>Jav\u00e9<\/strong>&nbsp;e lan\u00e7a o apelo a grupos minorit\u00e1rios e mesmo marginalizados pelas estruturas. Esses grupos que ele chama de \u201c<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/159-entrevistas\/618152-o-futuro-do-cristianismo-sera-o-mesmo-do-passado-de-minorias-abraamicas-entrevista-especial-com-eduardo-hoornaert\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">minorias abra\u00e2micas<\/a>\u201d, gente sem poder e marginalizada, mas com a energia do Esp\u00edrito \u00e9 que ser\u00e3o convidados a ser sinais e instrumentos de um mundo novo poss\u00edvel. Ser\u00e3o comunidades e pequenos grupos que n\u00e3o se identificam com a institui\u00e7\u00e3o, em alguns casos n\u00e3o a obedecem, mas n\u00e3o rompem com ela.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XIII,&nbsp;<strong>Santa Clara de Assis<\/strong>&nbsp;foi a Roma pedir ao papa&nbsp;<strong>Inoc\u00eancio III<\/strong>&nbsp;a aprova\u00e7\u00e3o de sua regra (para as clarissas). O papa a recebeu e lhe disse: &#8211; Minha filha, aprovamos a sua regra, mas decidimos dispensar voc\u00eas de viverem uma pobreza t\u00e3o rigorosa como a proposta nessa regra.<\/p>\n\n\n\n<p>Clara lhe respondeu, cara a cara:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Santo Padre, eu lhe pe\u00e7o que perdoe os meus pecados, mas n\u00e3o que nos dispense de viver o&nbsp;<strong>evangelho de Jesus<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5 \u2013 O modelo de Sinodalidade das Cebs e da Igreja da Caminhada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem se pergunte se ainda h\u00e1 verdadeiramente&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/614388-cebs-uma-igreja-que-vive-a-espiritualidade-da-libertacao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cebs<\/a>&nbsp;nas nossas Igrejas locais. Documentos recentes do episcopado identificam Cebs com \u201cpequenas comunidades\u201d, como se qualquer capela do interior ou grupo de novena na par\u00f3quia pudesse ser visto como Comunidade Eclesial de Base.<\/p>\n\n\n\n<p>Os esfor\u00e7os de&nbsp;<strong>Jo\u00e3o Paulo II<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Bento XVI<\/strong>&nbsp;em reavivar a velha&nbsp;<strong>Cristandade ocidental<\/strong>&nbsp;concentrou toda a vida e a miss\u00e3o da Igreja na paroquializa\u00e7\u00e3o e muitas das&nbsp;<strong>comunidades eclesiais de base<\/strong>&nbsp;que eram o rosto da Igreja no mundo foram cooptadas e se tornaram um grupo paroquial entre outros, sem as caracter\u00edsticas para que foram criadas em d\u00e9cadas anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, al\u00e9m desse fen\u00f4meno da&nbsp;<strong>paroquializa\u00e7\u00e3o das Cebs<\/strong>, se assiste tamb\u00e9m e talvez mais ainda a certo processo de desaparecimento ou invisibilidade. Essa invisibilidade das Cebs se explica pela desagrega\u00e7\u00e3o de muitas comunidades rurais, levadas a uma urbaniza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada na dire\u00e7\u00e3o das periferias. Deve-se ao agravamento da crise econ\u00f4mica e do trabalho e \u00e0s novas faces da pobreza bem menos \u201cbonitas e limpas\u201d do que se apresentavam nos anos 1980 e mesmo 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, menos do que em outros tempos, \u00e9 imposs\u00edvel elaborar uma carteira de identidade \u00fanica das&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;e querer enquadrar as comunidades concretas no modelo pr\u00e9-confecionado em textos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se olhamos para a realidade muito diferenciada existente nas diversas regi\u00f5es, encontramos, principalmente, no&nbsp;<strong>Nordeste<\/strong>&nbsp;e no&nbsp;<strong>Centro-oeste<\/strong>, comunidades de f\u00e9 e de caminhada que resistem no estilo dos anos 1980 e 1990: grupos que se re\u00fanem semanalmente em torno da Palavra de Deus e nos quais as pessoas se ajudam, se apoiam e, muitas vezes, mant\u00eam um servi\u00e7o de solidariedade organizada aos mais empobrecidos ou carentes.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m grupos nos quais a base n\u00e3o \u00e9 mais a vizinhan\u00e7a f\u00edsica. Alguns se re\u00fanem como categoria social, oper\u00e1rios\/as, lavradores\/as, grupos de&nbsp;<strong>PJ<\/strong>, grupos animados pela&nbsp;<strong>C\u00e1ritas<\/strong>&nbsp;e outros. Esses vivem a eclesialidade na luta social e pol\u00edtica assumida como caminho de f\u00e9. Podem ser considerados como sendo da linha das&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/631043-onde-estao-as-cebs-artigo-de-flavio-lazzarin\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cebs<\/a>. E h\u00e1 grupos que nem se situam exatamente dentro da Igreja institucional. S\u00e3o crist\u00e3os e crist\u00e3s desigrejados, mas que se sentem membros da caminhada e se identificam com a cara das Cebs e dos grupos de pastorais sociais. (Nas diversas regi\u00f5es, qual a rela\u00e7\u00e3o entre as equipes de Caritas e de movimentos como o&nbsp;<strong>Movimento de Trabalhadores Crist\u00e3os<\/strong>&nbsp;(antiga ACO \u2013 A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Oper\u00e1ria e a Igreja hier\u00e1rquica?).<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/618218-papa-francisco-e-a-igreja-sinodal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sinodalidade proposta pelo papa Francisco<\/a>&nbsp;representa um passo novo e importante na retomada da eclesiologia do&nbsp;<strong>Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong>&nbsp;e resgata, para n\u00f3s, da&nbsp;<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>, o melhor do que representou a 2\u00aa confer\u00eancia do episcopado latino-americano em&nbsp;<strong>Medell\u00edn<\/strong>&nbsp;(1968); experi\u00eancia prof\u00e9tica que teve pouca continuidade nas assembleias posteriores do episcopado latino-americano e caribenho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao afirmar que a&nbsp;<strong>Sinodalidade<\/strong>&nbsp;\u00e9 um modo normal da Igreja ser, o&nbsp;<strong>papa Francisco<\/strong>&nbsp;confirma a experi\u00eancia que, desde a d\u00e9cada de 1960, no nosso continente, os chamados grupos do evangelho, comunidades da Palavra e&nbsp;<strong>comunidades eclesiais de base<\/strong>&nbsp;(<strong>Cebs<\/strong>) viveram na busca de inser\u00e7\u00e3o entre as camadas mais empobrecidas e sofredoras da popula\u00e7\u00e3o e em di\u00e1logo com os movimentos populares que lutam por transformar o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de d\u00e9cadas de marginaliza\u00e7\u00e3o e de ex\u00edlio dentro da sua pr\u00f3pria Igreja, finalmente se faz justi\u00e7a a tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s que foram objeto de persegui\u00e7\u00f5es e incompreens\u00f5es de todo tipo, por parte dos pastores que deveriam apoi\u00e1-los e confirm\u00e1-los na f\u00e9. Sofreram e deram a vida pela causa do reino de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Francisco<\/strong>&nbsp;retoma o di\u00e1logo amoroso e evang\u00e9lico com a humanidade, interrompido desde os tempos do papa&nbsp;<strong>Jo\u00e3o XXIII<\/strong>&nbsp;e suscita nos pr\u00f3prios ambientes internos da Igreja uma cultura do di\u00e1logo que n\u00e3o existia. No entanto, os desafios s\u00e3o muitos para que esse caminho prof\u00e9tico da Igreja nas bases n\u00e3o seja interrompido.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os v\u00e1rios desafios que, em nossos dias, as Cebs enfrentam, sem d\u00favida alguma, um dos mais importantes \u00e9 como se relacionar com os padres e bispos em muitas dioceses. No&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/630864\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">XV Encontro intereclesial de Cebs em Rondon\u00f3polis<\/a>&nbsp;(julho de 2023), todos os grupos de trabalho trouxeram esse desafio: a dificuldade de muitos padres nas par\u00f3quias e mesmo muitos bispos aceitarem as&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;e respeitarem a caminhada pr\u00f3pria das comunidades. Sem d\u00favida, o&nbsp;<strong>processo sinodal proposto pelo papa Francisco<\/strong>&nbsp;traz um elemento novo para essa quest\u00e3o e \u00e9 poss\u00edvel que a solu\u00e7\u00e3o esteja em clarear o tipo de eclesialidade, e portanto, de sinodalidade que seria adequado e pr\u00f3prio para as&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sinodalidade<\/strong>&nbsp;\u00e9 sin\u00f4nimo de Caminhada e para o Cristianismo da Liberta\u00e7\u00e3o se traduz por \u201ccaminhada de inser\u00e7\u00e3o libertadora\u201d. \u00c9 a partir da caminhada concreta de cada comunidade que se pratica a sinodalidade como propunha o&nbsp;<strong>papa Francisco<\/strong>, como \u201cmodo normal de ser Igreja\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhar juntos sup\u00f5e que cada um tenha o direito de caminhar com seus pr\u00f3prios p\u00e9s e no caminho que lhe \u00e9 pr\u00f3prio. Na&nbsp;<strong>Igreja Cristandade<\/strong>, isso \u00e9 imposs\u00edvel. Aparentemente, s\u00f3 existe o velho modelo hier\u00e1rquico e a comunh\u00e3o com a Igreja s\u00f3 se d\u00e1 na submiss\u00e3o ao bispo e aos padres. No entanto, \u00e9 preciso lembrar que, mesmo dentro desse modelo dominante e sem precisar romper com a Igreja local, ou com os bispos, sempre existiram casos especiais e situa\u00e7\u00f5es em que o&nbsp;<strong>Direito Can\u00f4nico<\/strong>&nbsp;abriu exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da&nbsp;<strong>Idade M\u00e9dia<\/strong>, as ordens religiosas s\u00e3o consideradas isentas. N\u00e3o dependem diretamente dos bispos locais e sim de Roma, atrav\u00e9s dos superiores\/as da ordem. Em nossos dias, o papa&nbsp;<strong>Jo\u00e3o Paulo II<\/strong>&nbsp;alargou esse \u201cdireito pontif\u00edcio\u201d para novos movimentos eclesiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, \u00e0 luz de uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/611337-a-igreja-e-sinodal-porque-e-uma-comunhao-entrevista-com-mario-grech-cardeal-secretario-do-sinodo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">eclesiologia de comunh\u00e3o<\/a>, centrada nas Igrejas locais, n\u00e3o h\u00e1 sentido em falar de isen\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao poder do bispo local. O que se torna poss\u00edvel na linha da&nbsp;<strong>Sinodalidade<\/strong>&nbsp;\u00e9 propor nova forma de rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja de submiss\u00e3o e depend\u00eancia e sim de comunh\u00e3o em um caminho comum. \u00c9 poss\u00edvel pensar um estatuto jur\u00eddico no qual as&nbsp;<strong>CEBs<\/strong>&nbsp;e as pastorais sociais vivam um tipo de perten\u00e7a eclesial, que possibilite a profecia e, ao mesmo tempo, n\u00e3o seja paralelismo her\u00e9tico ou deser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No&nbsp;<strong>Brasil<\/strong>, em d\u00e9cadas recentes, em v\u00e1rias dioceses engajadas e com trabalhos prof\u00e9ticos, quando o bispo foi substitu\u00eddo, dentro de pouco tempo, o sucessor fechou tudo e extinguiu as pastorais sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para reagir a esse tipo de arbitrariedade, em Recife, quando&nbsp;<strong>Dom Helder Camara<\/strong>&nbsp;renunciou ao cargo de arcebispo, as pastorais sociais se reuniram e fundaram dois centros, um de documenta\u00e7\u00e3o (<strong>CEDOC<\/strong>) e outro de educa\u00e7\u00e3o (<strong>CENDHEC<\/strong>) que abrigaram as pastorais sociais e puderam lhes dar certa autonomia e garantir a continuidade de trabalhos eclesiais que a nova administra\u00e7\u00e3o da arquidiocese n\u00e3o aceitava.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o dos anos 1970, ficou definido que, na&nbsp;<strong>CNBB<\/strong>, h\u00e1 organismos que pertencem ao quadro da pastoral oficial, como \u00e9 o caso do&nbsp;<strong>CIMI<\/strong>,&nbsp;<strong>Conselho Indigenista Mission\u00e1rio<\/strong>&nbsp;e h\u00e1 organismos ligados \u00e0 CNBB, mas com autonomia, como \u00e9 o caso da&nbsp;<strong>CPT<\/strong>,&nbsp;<strong>Comiss\u00e3o Pastoral da Terra<\/strong>. Nos organismos que pertencem \u00e0 CNBB s\u00e3o os bispos que definem quem coordena. Nos organismos anexos, a assembleia \u00e9 aut\u00f4noma para eleger a coordena\u00e7\u00e3o. Tanto o CIMI como a CPT s\u00e3o organismos de Igreja, embora a responsabilidade do episcopado em rela\u00e7\u00e3o a uma e a outra seja diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos dias, de forma diferente, vivemos um quadro que se parece a esse aqui recordado. Quando, para manter a unidade, h\u00e1 o risco de diminuir a profecia e, \u00e0s vezes, at\u00e9 impedi-la, \u00e9 sinal de que chegou o momento de definir novo estatuto jur\u00eddico das comunidades eclesiais de base, das pastorais sociais e movimentos populares ligados \u00e0 Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tempos, as&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;convivem com o debate se devem ser mais estruturadas na linha de movimento ou se continuam como s\u00e3o. \u00c0 medida que se organizam confer\u00eancias eclesiais como a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/160-cepat\/611861-ceama-conversao-e-caminhada-sinodal-com-a-igreja-ministerial-amazonica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CEAMA<\/a>&nbsp;(<strong>Confer\u00eancia Eclesial da Amaz\u00f4nia<\/strong>), talvez as Cebs possam se ligar mais \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o de um organismo laical e ecum\u00eanico como devem ser as confer\u00eancias eclesiais e n\u00e3o especificamente \u00e0 confer\u00eancia dos bispos. Talvez o mais importante n\u00e3o seja apenas definir a liberdade da caminhada, mas em que esta exatamente consiste. Concretamente, isso significa ver claro o que, hoje, constitui uma comunidade que pretenda manter a identidade de Cebs.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6 \u2013 Cebs, novo modo de ser Igreja<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(laborat\u00f3rio para uma eclesialidade prof\u00e9tica e ecum\u00eanica)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando, na segunda metade dos anos 1960 e come\u00e7o da d\u00e9cada de 1970, as&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;surgiram, a partir da experi\u00eancia dos c\u00edrculos b\u00edblicos e das comunidades da Palavra, o desafio era o di\u00e1logo e a inser\u00e7\u00e3o com os&nbsp;<strong>movimentos de liberta\u00e7\u00e3o<\/strong>. A novidade era que muitos crist\u00e3os e crist\u00e3s participavam dos movimentos populares como cidad\u00e3os e queriam aprofundar a rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 crist\u00e3 e revolu\u00e7\u00e3o social. Ainda hoje, muitos crist\u00e3os e crist\u00e3os vivem a sua f\u00e9 na inser\u00e7\u00e3o em movimentos populares da cidade e do campo. Em nossos dias, diferentemente de como era h\u00e1 50 anos, a realidade da f\u00e9 \u00e9 vivida em situa\u00e7\u00e3o de di\u00e1spora.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros livros da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/214\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;falavam ainda a uma&nbsp;<strong>Igreja de Cristandade<\/strong>&nbsp;que se abria ao mundo dos pobres. A caminhada libertadora dialogou e se inseriu em express\u00f5es do Catolicismo popular como romarias em santu\u00e1rios populares e outras express\u00f5es da devo\u00e7\u00e3o. As&nbsp;<strong>Romarias da Terra<\/strong>, ainda vigentes em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil e muito estimadas pelos lavradores e pelos agentes de Pastoral ainda mant\u00eam muito da cultura de Cristandade, mesmo uma Cristandade mais inserida e popular.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 nossos dias, algumas dessas manifesta\u00e7\u00f5es continuam, mas cada vez mais sentimos que precisam ser revistas e atualizadas, no contexto de um mundo secularizado e de uma f\u00e9 vivida na di\u00e1spora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja e ao mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>50 anos atr\u00e1s, as<strong>&nbsp;Cebs<\/strong>&nbsp;eram a presen\u00e7a viva da Igreja no di\u00e1logo com os movimentos revolucion\u00e1rios e na inser\u00e7\u00e3o no mundo dos empobrecidos organizados. Hoje, o quadro no qual as Cebs vivem sua miss\u00e3o \u00e9 o mundo urbano secularizado. \u00c9 a nova visibilidade das culturas origin\u00e1rias e negras. \u00c9 a emerg\u00eancia dos movimentos ligados \u00e0 liberdade corporal, aos direitos da mulher e das minorias sexuais e outras pautas identit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abertura distingue as Cebs de outros grupos eclesiais que ficam apenas no ambiente religioso. Por isso, mesmo sem se chamar de Cebs, grupos ligados ao&nbsp;<strong>Movimento de Trabalhadores Crist\u00e3os<\/strong>&nbsp;(<strong>MTC<\/strong>&nbsp;\u2013 antiga&nbsp;<strong>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Oper\u00e1ria<\/strong>), aos&nbsp;<strong>movimentos populares<\/strong>, a&nbsp;<strong>movimentos feministas<\/strong>&nbsp;e \u00e0&nbsp;<strong>popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+<\/strong>&nbsp;e a grupos que buscam um mundo novo poss\u00edvel constituem novos rostos das&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o do Cristianismo,&nbsp;o ap\u00f3stolo <a href=\"https:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/175\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Paulo<\/a>&nbsp;chamou os grupos de disc\u00edpulos e disc\u00edpulos de Jesus de&nbsp;<em>ekklesia<\/em>. No seu mundo,&nbsp;<strong>Igreja<\/strong>&nbsp;era o nome dos conselhos municipais de cidad\u00e3os das cidades do mundo greco-romano. Era um termo pol\u00edtico e foi usado para deixar claro que o projeto divino \u00e9 social e pol\u00edtico e n\u00e3o apenas religioso: \u00e9 o projeto do reino de Deus que deve transformar todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez, ao ler essas p\u00e1ginas, algu\u00e9m pense que a proposta seja as&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;sa\u00edrem da Igreja ou fazerem uma Igreja popular alternativa, ou nova Igreja ou algum tipo de organiza\u00e7\u00e3o civil, fora do ambiente eclesial. N\u00e3o se trata disso. Estamos falando em levar a s\u00e9rio a proposta do papa de \u201c<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/597075\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Igreja em sa\u00edda<\/a>\u201d e pensar na viv\u00eancia comunit\u00e1ria da f\u00e9, mas em di\u00e1spora em rela\u00e7\u00e3o ao mundo, mas tamb\u00e9m \u00e0s pr\u00f3prias Igrejas muito institu\u00eddas. Esse foi o caminho dos monges e monjas que, no s\u00e9culo IV, ao verem a Igreja institucional casar com o imp\u00e9rio, foram para o deserto. N\u00e3o para deixar de ser crist\u00e3os, ou romper com a&nbsp;<strong>Igreja hier\u00e1rquica<\/strong>&nbsp;e sim para serem sinais prof\u00e9ticos de um modo de viver a f\u00e9 martirial e prof\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>eclesialidade das Cebs<\/strong>&nbsp;e das&nbsp;<strong>pastorais sociais<\/strong>&nbsp;n\u00e3o se restringe \u00e0 perten\u00e7a institucional aos quadros eclesi\u00e1sticos. Atualmente, no&nbsp;<strong>Brasil<\/strong>&nbsp;e em outros pa\u00edses, grupos cat\u00f3licos, dioceses e par\u00f3quias que rejeitam a renova\u00e7\u00e3o da Igreja proposta pelo&nbsp;<strong>papa Francisco<\/strong>&nbsp;n\u00e3o podem refazer a&nbsp;<strong>velha Cristandade<\/strong>&nbsp;atrav\u00e9s do poder civil. Ent\u00e3o, buscam ressuscitar as formas superadas do Catolicismo devocional barroco de antes do&nbsp;<strong>Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong>. N\u00e3o precisam aprofundar teologia. Basta valorizarem s\u00edmbolos de outros tempos e desenterrarem devo\u00e7\u00f5es, as mais estranhas poss\u00edveis, sejam correntes de servos e servas de Maria, sejam devo\u00e7\u00f5es medievais retocadas para nossos dias. Por toda parte se criam santu\u00e1rios novos. 70 ou 80 anos atr\u00e1s, esse tipo de Catolicismo era limitado, mas inocente. Hoje, se tornou arma de combate contra a proposta eclesial do&nbsp;<strong>papa Francisco<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, para quem quer viver a f\u00e9 na caminhada libertadora e, portanto, para as&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;que resistem, n\u00e3o h\u00e1 outra alternativa que viver a f\u00e9 na di\u00e1spora, dispers\u00e3o do mundo n\u00e3o religioso. E nessa di\u00e1spora, retomar as caracter\u00edsticas que garantem a eclesialidade, ou seja,&nbsp;<strong>ser Igreja no mundo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradicionalmente, sempre se afirmou que as caracter\u00edsticas da Igreja s\u00e3o a unidade, a sua&nbsp;<strong>dimens\u00e3o universal<\/strong>&nbsp;(catolicidade) e o seu&nbsp;<strong>car\u00e1ter apost\u00f3lico<\/strong>&nbsp;(apostolicidade). Desde os anos 1980, a&nbsp;<strong>eclesiologia latino-americana<\/strong>&nbsp;destacava que a caracter\u00edstica mais importante de uma Igreja crist\u00e3 \u00e9 se parecer com Jesus no seguimento do seu caminho e no testemunho do reino de Deus. \u00c9 a partir dessa base que se pode valorizar o car\u00e1ter eclesial das&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;no sentido da eclesialidade aberta, defendida por&nbsp;<strong>Yves Congar<\/strong>&nbsp;e pelo Cardeal&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/529148\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Walter Kasper<\/a>.&nbsp;<strong>Yves Congar<\/strong>&nbsp;rejeitou que a regra da f\u00e9 na Igreja fosse sempre definida pela hierarquia romana. Para ele, a regra da f\u00e9 passa pelo sensus fidelium (compreens\u00e3o comum que os fi\u00e9is t\u00eam da f\u00e9). Esse&nbsp;<em>sensus fidelium<\/em>&nbsp;deve ser o comum a todas as Igrejas, portanto, de car\u00e1ter ecum\u00eanico, porque as Igrejas podem ser divididas, mas o Cristo \u00e9 um s\u00f3 e s\u00f3 tem um corpo e a esse corpo pertencem visivelmente todas as pessoas batizadas. Portanto, a unidade da Igreja n\u00e3o depende apenas da ades\u00e3o \u00e0 f\u00e9 de Roma e sim a do povo de Deus em caminhada [6]. Nessa perspectiva, o consenso que a Igreja deve buscar \u2013 n\u00e3o deveria ser a dos dogmas, nem a do&nbsp;<strong>Direito Can\u00f4nico<\/strong>&nbsp;e sim a compreens\u00e3o do Evangelho de Jesus para a comunidade eclesial [7].<\/p>\n\n\n\n<p>A apostolicidade \u00e9 muitas vezes entendida como liga\u00e7\u00e3o com o passado no sentido de fidelidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos. Sim, \u00e9 isso, mas n\u00e3o no sentido de submiss\u00e3o aos bispos e sim de movimento de volta ao evangelho de Jesus. Segundo Salvador Pi\u00e9-Ninot, no decorrer da hist\u00f3ria, a Apostolicidade foi reduzida \u00e0 cren\u00e7a na sucess\u00e3o apost\u00f3lica (que os bispos s\u00e3o sucessores dos ap\u00f3stolos). De fato, todo crist\u00e3o e crist\u00e3 \u00e9 sucessor\/a dos ap\u00f3stolos, pois estes constitu\u00edam a comunidade inicial da f\u00e9 crist\u00e3 [8].<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos tempos, alguns autores compreendem a&nbsp;<strong>Catolicidade<\/strong>&nbsp;no sentido da necess\u00e1ria abertura para uma dimens\u00e3o universal do mist\u00e9rio da Igreja. Concretamente, isso se expressa pelo esfor\u00e7o de&nbsp;<strong>desocidentalizar o Cristianismo<\/strong>&nbsp;e de lhe dar uma dimens\u00e3o hol\u00edstica, ou seja, \u201cuma catolicidade que conote aus\u00eancia de barreiras, ilimita\u00e7\u00e3o e transcend\u00eancia\u201d [9].<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos dias, as&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>pastorais sociais<\/strong>&nbsp;concretizam essa profecia. A proposta de \u201c<strong>Igreja em sa\u00edda<\/strong>\u201d do&nbsp;<strong>papa Francisco<\/strong>&nbsp;n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0 atividade mission\u00e1ria e sim a uma forma de ser Igreja, em di\u00e1spora no mundo. N\u00e3o por n\u00e3o ter outro jeito e sim por sua voca\u00e7\u00e3o para se inserir no mundo. Da\u00ed que a laicidade e a necess\u00e1ria dessacraliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o elementos inerentes e essenciais do modo de viver a f\u00e9 crist\u00e3 (o mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o). Para as Cebs e pastorais sociais, a consequ\u00eancia disso \u00e9 certa invisibilidade institucional e fragilidade, no sentido de que os grupos s\u00e3o inst\u00e1veis, os momentos juntos s\u00e3o menos frequentes, a perten\u00e7a comunit\u00e1ria mais fluida. As fronteiras entre o religioso e o n\u00e3o religioso menos definidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade pode ser vista nas mais diversas regi\u00f5es do Brasil. N\u00e3o \u00e9 algo ut\u00f3pico. J\u00e1 acontece. No&nbsp;<strong>XV Encontro intereclesial de Cebs em Rondon\u00f3polis<\/strong>, (julho de 2023), a participa\u00e7\u00e3o de centenas de pessoas ligadas \u00e0s pastorais sociais e organismos de solidariedade revelava que isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. L\u00e1 ningu\u00e9m perguntou quem era de&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;e quem n\u00e3o era.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez faltem os c\u00edrculos b\u00edblicos que t\u00ednhamos na d\u00e9cada de 1970, talvez precisemos reorganizar melhor as celebra\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas e de \u00e1gapes eucar\u00edsticos que n\u00e3o dependam apenas de ministros ordenados e possibilitem as comunidades viverem a mem\u00f3ria de Jesus e a partilha da comunh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de Roma, a&nbsp;<strong>Sinodalidade<\/strong>&nbsp;que era apenas episcopal (S\u00ednodo dos Bispos), o papa a tornou dimens\u00e3o eclesial: o jeito normal de toda a Igreja ser. Quando o papa prop\u00f5e que nesse processo sinodal, sejam ouvidas todas as pessoas, mesmo aquelas que n\u00e3o frequentam as comunidades, est\u00e1 indicando essa nova dimens\u00e3o de comunidades que n\u00e3o t\u00eam sua demarca\u00e7\u00e3o definida de modo t\u00e3o estrito.<\/p>\n\n\n\n<p>As&nbsp;<strong>Cebs<\/strong>&nbsp;seriam esse espa\u00e7o de comunh\u00e3o e de vida na f\u00e9 de pessoas e grupos que querem caminhar juntos, valorizam as bandeiras da caminhada libertadora, mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 perten\u00e7a mais estritamente eclesial, n\u00e3o se situam nos grupos paroquiais, nem nas pastorais mais internas das Igrejas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de vinte anos, o mundo viveu um tempo de&nbsp;<strong>f\u00f3runs sociais<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>f\u00f3runs tem\u00e1ticos<\/strong>, como de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e outras \u00e1reas. A&nbsp;<strong>profecia das Cebs<\/strong>&nbsp;\u00e9 contagiar o mundo com a sinodalidade em todas as \u00e1reas, em todas as inst\u00e2ncias e a cada momento. \u00c9 miss\u00e3o prof\u00e9tica das Cebs e das pastorais sociais fazer com que se possa novamente afirmar hoje o que no s\u00e9culo III e IV diziam os pais da nossa f\u00e9: \u201cA Igreja deve ser organizada e deve viver como ensaio de como o mundo deveria ser\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>[1] CONGAR, Yves M.-J. Igreja serva e pobre. Lisboa: Editorial Logos, 1964.&nbsp;CONGAR. A Igreja como Povo de Deus. in Concilium. t.1, fasc. 1, 1965.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] KEHL, Medard. A Igreja: uma eclesiologia cat\u00f3lica. S\u00e3o Paulo, Loyola, 1997, pp. 107- 108.<\/p>\n\n\n\n<p>[3] RICHARD, Pablo. Morte das Cristandades e Nascimento da Igreja. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1982, p. 9.<\/p>\n\n\n\n<p>[4] Essa discuss\u00e3o foi mais aprofundada em CONGAR, Yves: Sainte \u00c9glise &#8211; \u00c9tudes et Approches Eccl\u00e9siologiques, Paris: Les \u00c9ditions du Cerf, 1963.<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Cf. FEDERA\u00c7\u00c3O DAS CONFER\u00caNCIAS EPISCOPAIS DA \u00c1SIA, O que o Esp\u00edrito diz \u00e0s Igrejas, Documento de S\u00edntese, S\u00ednodo sobre a \u00c1sia, publicado pela FABC em 1999. Tradu\u00e7\u00e3o brasileira in SEDOC 281\/ julho-agosto de 2000, p. 39.<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Cf. CONGAR, Yves. Igreja e papado. S\u00e3o Paulo, Loyola, 1997, p. 343.<\/p>\n\n\n\n<p>[7] PASTOR, Felix Alexandre. A Igreja como problema. In: CONVERG\u00caNCIA, no. 129 \u2013 jan.\/fev. \u2013 1980, p. 28.<\/p>\n\n\n\n<p>[8] PIE-NINOT, Salvador. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Eclesiologia. S\u00e3o Paulo, Loyola, 1998, p. 87.<\/p>\n\n\n\n<p>[9] DULLES, Avery. Catholicity and Catholicism. Concordia Theological Quaterly &#8211; CTQ, n. 2, v. 50, april 1986, p. 81-82. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.ctsfw.net\/media\/pdfs\/dullescatholicity.pdf&gt;. Acesso em 11 dez. 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cebs, sinodalidade entre a busca do consenso e da profecia. 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