{"id":13016,"date":"2024-01-27T19:11:05","date_gmt":"2024-01-27T22:11:05","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13016"},"modified":"2024-01-27T19:12:57","modified_gmt":"2024-01-27T22:12:57","slug":"libertacao-supoe-luta-contra-o-mal-onde-ele-estiver-mc-121-28-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/libertacao-supoe-luta-contra-o-mal-onde-ele-estiver-mc-121-28-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"<strong>Liberta\u00e7\u00e3o sup\u00f5e luta contra o mal onde ele estiver (Mc 1,21-28) \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Liberta\u00e7\u00e3o sup\u00f5e luta contra o mal onde ele estiver (Mc 1,21-28) \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/monge-marcelo-barros-03.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13017\" width=\"780\" height=\"808\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste IV Domingo do tempo comum, 28\/01\/2024, o evangelho de Marcos 1,21-28 continua a narrativa que lemos no domingo passado. Depois de reunir a sua comunidade e anunciar que o projeto divino j\u00e1 viria se realizar, Jesus come\u00e7a o seu trabalho na Galileia. Marcos apresenta isso ao retratar como exemplo um dia de atividades de Jesus em Cafarnaum. Ele come\u00e7a por ir \u00e0 sinagoga, como todo bom judeu faz no s\u00e1bado. Sim: Jesus come\u00e7a a sua atividade p\u00fablica no dia que \u00e9 sagrado e no local sagrado: a sinagoga.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali, ele ensina. A primeira observa\u00e7\u00e3o do evangelho \u00e9 que as pessoas ficam admiradas com o ensino de Jesus e com a diferen\u00e7a entre esse e o dos escribas. O texto diz que Jesus ensina como quem tem autoridade e n\u00e3o como os professores da B\u00edblia na sinagoga. Que autoridade seria essa? O texto explica: ali na sinagoga estava algu\u00e9m dominado por uma energia negativa. A tradu\u00e7\u00e3o do padre Andr\u00e9 Chouraqui diz: algu\u00e9m que tem sopro contaminado. As tradu\u00e7\u00f5es comuns falam: um homem possu\u00eddo pelo dem\u00f4nio. Essa \u00e9 a primeira coisa estranha: Jesus come\u00e7a a sua a\u00e7\u00e3o libertadora por entrar em confronto com algu\u00e9m endemoniado e a pessoa possu\u00edda pelo esp\u00edrito mau n\u00e3o est\u00e1 no mercado, ou em local de pecado. Est\u00e1 na sinagoga, isso \u00e9, no espa\u00e7o sagrado de escuta e medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus. O que fazia um dem\u00f4nio em uma sinagoga, lugar sagrado de discuss\u00e3o de textos b\u00edblicos? Pior ainda, o tal homem endemoniado reage a Jesus gritando: &#8211; O que h\u00e1 entre n\u00f3s e ti, Jesus de Nazar\u00e9? Vieste para nos prejudicar. Sei quem tu \u00e9s: o santo de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem \u00e9 este n\u00f3s de quem o tal homem fala? N\u00f3s quem? O dem\u00f4nio e quem mais? Seria o tal dem\u00f4nio um dos escribas? Um dos professores da B\u00edblia, dos quais o evangelho j\u00e1 colocou Jesus em confronto? Seja como for, Jesus o manda se calar. O dem\u00f4nio grita e em seu grito reconhece Jesus como profeta. Santo de Deus tinha sido o mesmo t\u00edtulo dado ao profeta Elizeu. No entanto, Jesus faz o homem se calar. N\u00e3o aceita que o dem\u00f4nio diga quem ele \u00e9. E o expulsa daquele homem. As pessoas ficam admiradas com o ensino de Jesus que tem poder sobre os esp\u00edritos maus.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos dias, podemos falar do homem possu\u00eddo pelo dem\u00f4nio como algu\u00e9m que sofre de histeria, epilepsia ou alguma enfermidade neurol\u00f3gica. Podemos ver a a\u00e7\u00e3o de Jesus como curadora. No entanto, o evangelho sublinha outra coisa: que o ensinamento de Jesus tem autoridade, porque ordena e at\u00e9 as energias negativas lhe obedecem e saem das pessoas. O ensino de Jesus tem autoridade, porque liberta as pessoas de qualquer forma de escravid\u00e3o. O evangelho \u00e9 evangelho, porque faz as pessoas se libertarem de tudo o que as oprime.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, ao ler este evangelho, podemos nos perguntar como fazer com que nossas Igrejas n\u00e3o sejam como aquela sinagoga de Cafarnaum que recitava os textos sagrados, mas era, exatamente ali, no ambiente sagrado que o inimigo se manifestou. E se manifestou diante da palavra de Jesus que veio para libertar a todos e todas. A primeira a\u00e7\u00e3o de Jesus liberta as pessoas da religi\u00e3o que n\u00e3o se compromete com a vida e com a liberta\u00e7\u00e3o integral do ser humano. \u00c9 justamente por isso que a atividade com a qual Jesus testemunha o projeto divino no mundo come\u00e7a no espa\u00e7o sagrado de uma sinagoga.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em nossos dias, h\u00e1 um tipo de culto e de atividade religiosa que consiste em gritar e proclamar o nome de Deus e de Jesus, mas n\u00e3o vai al\u00e9m disso. Mesmo se o que o homem possu\u00eddo pelo mal diz \u00e9 verdade e \u00e9 bom: Tu \u00e9s o santo de Deus, Jesus ordena que se cale. O evangelho n\u00e3o consiste em gritar louvores a Deus. Consiste em realizar a liberta\u00e7\u00e3o que Jesus veio trazer em nome de Deus. Como em um coment\u00e1rio, exprime o padre Francisco Corn\u00e9lio Freire Rodrigues:&nbsp; \u201c<em>Jesus nos convida a ser junto com ele pessoas que gerem vida, sem permitir que os diferentes tipos de escravid\u00e3o continuem oprimindo as pessoas que caminham ao nosso lado. Participar de sua convic\u00e7\u00e3o de ter uma miss\u00e3o e ser respons\u00e1vel de uma causa que \u00e9 a causa do Pai\u201d<\/em><a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu era crian\u00e7a, antes do Conc\u00edlio Vaticano II, em frente \u00e0 minha casa, havia um convento de religiosas que eram muito amigas de minha m\u00e3e. E ela me levava \u00e0s novenas, horas santas, via-sacras e b\u00ean\u00e7\u00e3os do Sant\u00edssimo Sacramento que, na Igreja Cat\u00f3lica daquela \u00e9poca, eram as devo\u00e7\u00f5es nossas de cada dia. Com o Conc\u00edlio Vaticano II isso mudou. Nas par\u00f3quias e conventos, nos anos seguintes ao Conc\u00edlio, o centro de toda a vida comunit\u00e1ria era a eucaristia e em torno da eucaristia, os grupos b\u00edblicos e medita\u00e7\u00e3o da Palavra, assim como partilha de vida e abertura amorosa aos problemas da humanidade. Desde os anos 1990, o devocionalismo de antes do Conc\u00edlio voltou e hoje as par\u00f3quias s\u00e3o de novo dominadas pelo tipo de Catolicismo devocional da \u00e9poca de nossas av\u00f3s. S\u00f3 que naquela \u00e9poca aquele tipo de religi\u00e3o de devo\u00e7\u00f5es era inocente. Hoje, n\u00e3o \u00e9. \u00c9 arma de resist\u00eancia e combate \u00e0s propostas de renova\u00e7\u00e3o da Igreja feitas pelo papa Francisco. E tanto os grupos de Igrejas pentecostais que sustentam no Congresso bancadas do boi, da bala e da B\u00edblia, esse tipo de Catolicismo, mesmo se de forma mais disfar\u00e7ada, abre as portas para as mesmas energias negativas, ou como diz o evangelho de hoje, os mesmos dem\u00f4nios se apossarem do homem e da mulher que hoje v\u00e3o aos templos para viver o sagrado.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a a\u00e7\u00e3o de Jesus ao libertar a pessoa humana das energias negativas pede de n\u00f3s hoje o compromisso de atualizar a a\u00e7\u00e3o curadora e transformadora de Jesus em nossa a\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria. Quanto mais vivemos na contempla\u00e7\u00e3o de Deus como Amor e nos identificamos com o Cristo vencedor do maligno nas sinagogas e Igrejas de hoje, mais mergulhamos no compromisso de nos transformar a n\u00f3s mesmos em pessoas mais humanizadas e amorosas e de transformar esse mundo cada vez mais desigual e injusto em uma terra na qual todos os humanos sejamos irm\u00e3os e irm\u00e3s e cuidadores\/as amorosos da Terra, nossa casa comum.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> &#8211; Cf. https:\/\/www.fiquefirme.com.br\/reflexao-para-o-4-domingo-do-tempo-comum-mc-121-28<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Liberta\u00e7\u00e3o sup\u00f5e luta contra o mal onde ele estiver (Mc 1,21-28) \u2013 Por Marcelo Barros Neste IV Domingo do tempo comum, 28\/01\/2024, o evangelho de Marcos 1,21-28 continua a narrativa que lemos no domingo passado.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13017,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,38,49,48,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13016","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-das-mulheres","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13016","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13016"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13016\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13020,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13016\/revisions\/13020"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13017"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}