{"id":13139,"date":"2024-02-29T22:01:06","date_gmt":"2024-03-01T01:01:06","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13139"},"modified":"2024-02-29T22:01:08","modified_gmt":"2024-03-01T01:01:08","slug":"escola-xukuru-kariri-da-retomada-indigena-xukuru-kariri-na-aldia-arapowa-kakya-em-brumadinho-mg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/escola-xukuru-kariri-da-retomada-indigena-xukuru-kariri-na-aldia-arapowa-kakya-em-brumadinho-mg\/","title":{"rendered":"ESCOLA XUKURU-KARIRI, DA RETOMADA IND\u00cdGENA XUKURU-KARIRI, na ALDIA ARAPOW\u00c3 KAKY\u00c1, em BRUMADINHO, MG"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>ESCOLA XUKURU-KARIRI, DA RETOMADA IND\u00cdGENA XUKURU-KARIRI, na ALDIA ARAPOW\u00c3 KAKY\u00c1, em BRUMADINHO, MG<\/strong>. Por Jos\u00e9 Almir, diretor pedag\u00f3gico da Escola<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG-20220423-WA0201-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13140\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG-20220423-WA0201-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG-20220423-WA0201-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG-20220423-WA0201-768x576.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/IMG-20220423-WA0201.jpg 1032w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto: Alenice Baeta<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dias 24 e 25 de fevereiro de 2024 celebramos com j\u00fabilo os dois primeiros anos da Retomada Xukuru-kariri, na aldeia Arapow\u00e3 Kaky\u00e1, em Brumadinho, MG. Dezenas de apoiadores participaram junto com os Xukuru-Kariri de jogos, divers\u00f5es diversas, momentos de m\u00edstica ind\u00edgenas, roda de conversa com a Rede de Apoio que s\u00f3 cresce. Muitas conquistas, entre ais quais, 19 casas constru\u00eddas, uma Escola Ind\u00edgena com cinco salas, horta comunit\u00e1ria, planta\u00e7\u00f5es de mandioca e outros alimentos, planta\u00e7\u00e3o de mais de 3 mil mudas de \u00e1rvores do cerrado e da Mata Atl\u00e2ntica e frut\u00edferas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos destaques tem sido a Escola Ind\u00edgena Xukuru-Kariri, na aldeia Arapow\u00e3 Kaky\u00e1, em Brumadinho, MG, formalizada oito meses ap\u00f3s o in\u00edcio da retomada, num latif\u00fandio abandonado e improdutivo, comprado, entre muitos, pela Mineradora Vale no Munic\u00edpio de Brumadinho ap\u00f3s o terr\u00edvel rompimento de sua barragem de rejeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;No princ\u00edpio era o caos. O terreno abandonado tinha lixo espalhado pra todo lado, com muito rato e cobra. As velhas moradias da antiga fazenda estavam todas em ru\u00ednas, destelhadas, sem portas&nbsp; nem janelas, completamente insalubres, infestadas de mosquitos, moscas, baratas, percevejos e escorpi\u00f5es, imposs\u00edveis para uso humano. Diante de tal situa\u00e7\u00e3o, o Conselho Tribal, junto com a comunidade, discutiram sem tr\u00e9guas dois dias e duas noites seguidos, em volta da fogueira, onde seria o melhor lugar para erguer a escola da Aldeia. Na madrugada bem cedinho da segunda noite o cacique anunciou que a escola seria em pau a pique e barro amassado, num local do territ\u00f3rio sugerido pelas entidades espirituais protetoras da linhagem Xukuru-Kariri. O an\u00fancio do cacique trouxe grande entusiasmo e alegria para toda a comunidade. Imediatamente equipes firam formadas para a execu\u00e7\u00e3o da obra. Toda a comunidade se envolveu na tarefa em j\u00fabilo coletivo. Uma energia maravilhosa permeava tudo. Em menos de uma semana a primeira sala de aula estava pronta e decorada com s\u00edmbolos fundamentais da tradi\u00e7\u00e3o Xucuru Kariri. Da\u00ed em diante, rapidamente mais tr\u00eas salas de aula foram erguidas com a mesma tecnologia, pau a pique e barro amassado. Agora as crian\u00e7as, jovens e os adultos j\u00e1 poderiam ter suas aulas. Os educadores foram escolhidos pelo cacique junto com a comunidade. Seriam os pr\u00f3prios ind\u00edgenas, segundo a escolaridade e o saber ancestral de cada um.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Combinamos, eu na fun\u00e7\u00e3o de pedagogo, junto com o corpo docente, a comunidade escolar, o cacique e o paj\u00e9, desenvolvermos um projeto pedag\u00f3gico libertador, de acordo com as necessidades e os desejos da pr\u00f3pria comunidade, segundo a realidade hist\u00f3rica presente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A formaliza\u00e7\u00e3o da escola aconteceu no final de outubro de 2022 como anexo da Escola Estadual Paulo Neto Alkimim sediada em Brumadinho, com a qual mantemos \u00f3tima rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Agora em 2024 a Escola Xukuru funciona em tr\u00eas turnos com turmas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, Fundamental I e II, Ensino M\u00e9dio regular e EJA anos iniciais e finais, al\u00e9m de classes de diversos saberes ancestrais. Com \u00eanfase na forma\u00e7\u00e3o de uma pessoa humana consciente de seu lugar s\u00f3cio pol\u00edtico, assuntos como ecologia, sustentabilidade, educa\u00e7\u00e3o ambiental, pol\u00edtica, artes e criatividade perpassam todas as disciplinas, sempre com o aval e a participa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Aldeia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u00c9 impressionante ver que mesmo em condi\u00e7\u00f5es materiais de extrema car\u00eancia, a Escola Xukuru revela riquezas incomensur\u00e1veis na grandeza das pessoas humanas que a fazem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Acreditamos estar no caminho certo, ainda que sempre dispostos a mudar o rumo de acordo com vontade da comunidade. E que depois de n\u00f3s, outros possam continuar a miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Viva Tup\u00e3 e seus encantados!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ESCOLA XUKURU-KARIRI, DA RETOMADA IND\u00cdGENA XUKURU-KARIRI, na ALDIA ARAPOW\u00c3 KAKY\u00c1, em BRUMADINHO, MG. Por Jos\u00e9 Almir, diretor pedag\u00f3gico da Escola Dias 24 e 25 de fevereiro de 2024 celebramos com j\u00fabilo os dois primeiros anos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13140,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,46,44,49,39,27,30,56,29,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13139","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direito-a-terra","category-direitos-dos-povos-indigenas","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-meio-ambiente","category-movimentos-sociais-populares","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13139"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13139\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13141,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13139\/revisions\/13141"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}