{"id":13231,"date":"2024-04-09T15:34:30","date_gmt":"2024-04-09T18:34:30","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13231"},"modified":"2024-04-09T15:34:35","modified_gmt":"2024-04-09T18:34:35","slug":"jornal-a-verdade-entrevista-frei-gilvander-direitos-so-se-conquistam-com-luta-coletiva-e-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/jornal-a-verdade-entrevista-frei-gilvander-direitos-so-se-conquistam-com-luta-coletiva-e-popular\/","title":{"rendered":"Jornal A VERDADE entrevista Frei Gilvander: \u201cDireitos s\u00f3 se conquistam com luta coletiva e popular\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Jornal A VERDADE entrevista Frei Gilvander: \u201cDireitos s\u00f3 se conquistam com luta coletiva e popular\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Dois-livros-de-Gilvander.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13232\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Dois-livros-de-Gilvander.jpg 960w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Dois-livros-de-Gilvander-300x225.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Dois-livros-de-Gilvander-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em entrevista exclusiva ao Jornal A VERDADE (Jornal A VERDADE, n. 289, abril de 2024, p. 5), Frei Gilvander Moreira fala do momento delicado das lutas populares no Brasil, destacando a luta pelo direito \u00e0 terra e os principais conflitos que envolvem os camponeses, povos ind\u00edgenas e tradicionais amea\u00e7ados pelo agroneg\u00f3cio, pelas mineradoras e pelo latif\u00fandio. Destaca ainda a resist\u00eancia popular, a crescente luta pela Reforma Agr\u00e1ria e a defesa do socialismo como solu\u00e7\u00e3o para a supera\u00e7\u00e3o dos males do sistema capitalista, brutal m\u00e1quina de moer vidas. Fernando Alves, da Reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A VERDADE &#8211; Apesar das centenas de mortes que ocorreram nos \u00faltimos anos, causadas pelas multinacionais que exploram os min\u00e9rios, n\u00e3o houve nenhuma a\u00e7\u00e3o efetiva do governo para acabar com esses crimes. Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frei Gilvander Moreira:<\/strong> \u201cEm uma sociedade capitalista, com idolatria do capital\/mercado, os governos estaduais e federal, que giram a roda do Estado burgu\u00eas, s\u00e3o vassalos desse sistema de morte, com modelo econ\u00f4mico assassino. O m\u00e1ximo que fazem \u00e9 maquiar danos com mitiga\u00e7\u00f5es que n\u00e3o compensam nada, pois n\u00e3o alteram a l\u00f3gica e a estrutura que est\u00e1 nos levando \u00e0 barb\u00e1rie e ao Apocalipse da humanidade e de grande parte da biodiversidade, pois mesmo com os crimes brutais das mineradoras, os \u00f3rg\u00e3os ambientais continuam licenciando novos e brutais projetos de minera\u00e7\u00e3o e do agroneg\u00f3cio. Em Minas Gerais, em 2023, 474 novas licen\u00e7as ambientais foram concedidas para minera\u00e7\u00e3o em um estado j\u00e1 sacrificado impiedosamente pela voracidade das mineradoras. Na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) h\u00e1 mais de 30 grandes barragens de minera\u00e7\u00e3o com s\u00e9rios riscos de rompimento, esperando um evento extremo da Emerg\u00eancia Clim\u00e1tica, que ser\u00e1 o gatilho. Se ocorrerem outros rompimentos de barragens na RMBH, poder\u00e1 ser a morte final do Rio das Velhas e do Rio S\u00e3o Francisco! O poder Judici\u00e1rio continua cuspindo no rosto do povo brasileiro ao deixar impunes as mineradoras Vale S\/A, Samarco e a BHP Billington. A Vale sepultou 272 pessoas vivas, dois anos ap\u00f3s levou tamb\u00e9m o operador de m\u00e1quina J\u00falio C\u00e9sar, na mesma mina de C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho, MG, e tem levado centenas de pessoas ao &#8220;autoexterm\u00ednio\u201d (assassinatos for\u00e7ados) nas bacias dos rios Doce e Paraopeba. Outra quest\u00e3o importante no contexto do Vale do rio Paraopeba s\u00e3o as Retomadas Ind\u00edgenas em Brumadinho, no caso, as&nbsp; Retomadas dos Xucuru Kariri e dos Kamak\u00e3 Mongoi\u00f3. A&nbsp; mineradora Vale tem feito tudo para impedir que as comunidades ind\u00edgenas possam viver em paz nestes territ\u00f3rios onde est\u00e3o plantando, fazendo os seus rituais e&nbsp; realizando a recupera\u00e7\u00e3o ambiental das mesmas. A \u00faltima atrocidade da mineradora Vale contra as comunidades ind\u00edgenas foi, se apresentando como propriet\u00e1ria do terreno da Retomada,&nbsp; exigir que a Justi\u00e7a Federal proibisse que o corpo do Cacique Merong, morto no dia 04 de mar\u00e7o de 2024, fosse sepultado na Retomada, conforme era o seu desejo, melhor dizendo, semeado e&nbsp; plantado no Territ\u00f3rio Kamak\u00e3 Mongoi\u00f3 que agora est\u00e1 auto-demarcado com seu pr\u00f3prio sangue e luta aguerrida por terra para o seu povo. Exigimos Demarca\u00e7\u00e3o, J\u00e1, do Territ\u00f3rio Kamak\u00e3 Mongoi\u00f3, em Brumadinho MG.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A VERDADE &#8211; Quais s\u00e3o as principais consequ\u00eancias para o meio ambiente e para a popula\u00e7\u00e3o dessa desenfreada explora\u00e7\u00e3o das mineradoras?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frei Gilvander Moreira:<\/strong> \u201cCom a voracidade das mineradoras e do agroneg\u00f3cio em conluio com o Estado e apoio escancarado da elite dominante o estado de Minas Gerais est\u00e1 se tornando crateras gerais, cemit\u00e9rios gerais e est\u00e1 sendo desertificado. De estado caixa d&#8217;\u00e1gua do Brasil, MG est\u00e1 se tornando um estado desertificado. Continua o \u00eaxodo rural adensando cada vez mais as capitais e agravando a j\u00e1 muito grave injusti\u00e7a urbana. No Brasil, uma n\u00e3o declarada epidemia de c\u00e2ncer e Alzheimer est\u00e1 ceifando a vida de mais 250 mil pessoas por ano, al\u00e9m de impor sofrimento atroz a milh\u00f5es de fam\u00edlias e empobrecimento por investir os poucos recursos que tem tentando salvar a vida de parentes. E a ind\u00fastria da quimioterapia e radioterapia gerando lucros imensos para seus donos. Pior! Sem preserva\u00e7\u00e3o ambiental, a Emerg\u00eancia Clim\u00e1tica s\u00f3 se agrava e os Eventos Extremos cada vez mais frequentes e letais. Adoecimento ps\u00edquico geral da popula\u00e7\u00e3o. Todas estas consequ\u00eancias da minera\u00e7\u00e3o devastadora e do agroneg\u00f3cio, que \u00e9 ogro, antro de devasta\u00e7\u00e3o socioambiental patrocinado pelo Estado que concede isen\u00e7\u00e3o de ICMs \u00e0s commodities para exporta\u00e7\u00e3o e o uso de agrot\u00f3xicos. Nos \u00faltimos 25 anos, s\u00f3 em MG, as mineradoras deixaram de pagar 170 bilh\u00f5es de reais, o que daria para pagar a d\u00edvida de MG com a Uni\u00e3o. Em 2023, o agroneg\u00f3cio da soja deixou de pagar 60 bilh\u00f5es de reais de ICMs. Esse modelo brutal asfixia a agricultura familiar agroecol\u00f3gica, impede a realiza\u00e7\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria j\u00e1 feita inclusive nos pa\u00edses capitalistas. Vociferaram&nbsp; contra a demarca\u00e7\u00e3o dos Territ\u00f3rios dos Povos Origin\u00e1rios, Ind\u00edgenas e Tradicionais acelerando as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que est\u00e3o empurrando a humanidade para o abismo e sua extin\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o cansamos de afirmar que capitalismo \u00e9 barb\u00e1rie e a solu\u00e7\u00e3o para salvar a sociedade passa necessariamente pela constru\u00e7\u00e3o do Socialismo democr\u00e1tico popular.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A VERDADE &#8211; Qual a realidade dos trabalhadores do campo e da luta pela terra hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frei Gilvander Moreira:<\/strong> \u201cEm uma imensa pluralidade, o campesinato brasileiro resiste para existir com cerca de um milh\u00e3o de fam\u00edlias assentadas em 50 anos de luta pela Reforma Agr\u00e1ria, o que tem custado muita luta, suor e sangue de mais de tr\u00eas mil camponeses assassinados na luta pela terra.. Os mais de 300 povos tradicionais resistem tamb\u00e9m nos seus Territ\u00f3rios enfrentando jagun\u00e7os, latifundi\u00e1rios e o agroneg\u00f3cio violento. Os povos ind\u00edgenas, com popula\u00e7\u00e3o acima de 1.650.000 segundo o Censo do IBGE de 2022, n\u00e3o baixam a cabe\u00e7a diante do genoc\u00eddio que lhe \u00e9 imposto h\u00e1 524 anos. Nossos parentes ind\u00edgenas seguem preservando as florestas e garantindo condi\u00e7\u00f5es de vida para si e para a humanidade. A agricultura familiar produz mais de 70 % do alimento que chega na mesa do povo&nbsp; brasileiro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A VERDADE &#8211; Recentemente o Padre J\u00falio Lancellotti foi v\u00edtima de uma grande campanha de difama\u00e7\u00e3o. Como analisa as fake news lan\u00e7adas na internet por grupos fascistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frei Gilvander Moreira<\/strong>: &#8220;A verdade liberta e a mentira mata, alerta o quarto evangelho da B\u00edblia. Precisamos com urg\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9tica e justa da internet e das redes virtuais no Brasil, pois como &#8220;terra sem lei&#8221;, a internet est\u00e1 via fake news disseminando \u00f3dio, intoler\u00e2ncia, discrimina\u00e7\u00e3o e &#8220;jogando ratos do esgoto&#8221; no tecido social. Os crimes causados pelas fake news precisam ser julgados e condenados exemplarmente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A VERDADE &#8211; Em 2022, o senhor fez um trabalho acad\u00eamico e esse processo de pesquisas e viv\u00eancias pr\u00e1ticas resultou em dois livros: \u201cA CPT e o MST e a (In) justi\u00e7a Agr\u00e1ria\u201d E \u201cLuta pela terra, pedagogia emancipat\u00f3ria\u201d, da Ed. Dial\u00e9tica. Pode falar dessa experi\u00eancia e desse trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frei Gilvander Moreira<\/strong>: &#8220;Em quatro anos de doutorado na FAE\/UFMG. pesquisei a Luta pela terra como Pedagogia de emancipa\u00e7\u00e3o humana. Demonstramos que a brutal concentra\u00e7\u00e3o da terra no Brasil em propriedade privada capitalista, por meio de latif\u00fandio, agroneg\u00f3cio e o Estado deixando grandes empresas grilarem quase 30% do Territ\u00f3rio brasileiro que s\u00e3o terras p\u00fablicas\/devolutas \u00e9 a coluna mestra que garante a reprodu\u00e7\u00e3o do capitalismo com expropria\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o do campesinato h\u00e1 524 anos.&nbsp; Enquanto n\u00e3o conquistarmos Justi\u00e7a Agr\u00e1ria, o que passa necessariamente por Reforma Agr\u00e1ria Popular e por demarca\u00e7\u00e3o de todos os territ\u00f3rios dos povos ind\u00edgenas e Tradicionais, n\u00e3o teremos justi\u00e7a urbana e nem justi\u00e7a ambiental. S\u00f3 em MG h\u00e1 22,6% do Territ\u00f3rio mineiro, cerca de 14 milh\u00f5es de hectares de terras devolutas, que segundo a Constitui\u00e7\u00e3o de MG deveriam ser destinadas para reforma agr\u00e1ria e preserva\u00e7\u00e3o ambiental, mas est\u00e3o griladas por empresas eucaliptadoras, sendo que mais de 50% da monocultura de eucalipto do Brasil est\u00e1 em MG. Os \u00edndices de produtividade usados pelo INCRA para aferir se as propriedades rurais s\u00e3o produtivas s\u00e3o de 1976, ou seja, est\u00e3o defasados h\u00e1 48 anos. Se fossem atualizados &#8211; devem ser! &#8211; milh\u00f5es de hectares&nbsp; de terras poderiam ser repassadas para a Reforma Agr\u00e1ria. Mas n\u00e3o basta constatar, \u00e9 preciso transformar e s\u00f3 se transforma na luta coletiva popular. Direitos s\u00f3 se conquistam com luta coletiva e popular.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornal A VERDADE entrevista Frei Gilvander: \u201cDireitos s\u00f3 se conquistam com luta coletiva e popular\u201d Em entrevista exclusiva ao Jornal A VERDADE (Jornal A VERDADE, n. 289, abril de 2024, p. 5), Frei Gilvander Moreira<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13232,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,38,49,35,27,58,25,43,57,26],"tags":[],"class_list":["post-13231","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-dos-quilombolas","category-direitos-humanos","category-entrevista","category-luta-pela-terra-e-reforma-agraria","category-pedagogia-emancipatoria","category-podcast","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13231"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13233,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13231\/revisions\/13233"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}