{"id":13255,"date":"2024-04-30T21:11:12","date_gmt":"2024-05-01T00:11:12","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13255"},"modified":"2024-04-30T21:11:18","modified_gmt":"2024-05-01T00:11:18","slug":"querida-amazonia-e-povos-belezas-e-clamores-por-frei-gilvander","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/querida-amazonia-e-povos-belezas-e-clamores-por-frei-gilvander\/","title":{"rendered":"Querida Amaz\u00f4nia e Povos: belezas e clamores! Por frei Gilvander"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Querida Amaz\u00f4nia e Povos: belezas e clamores!<\/strong> Por frei Gilvander Moreira<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/humaita-br-319-fernando-martinho.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13256\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/humaita-br-319-fernando-martinho.jpg 960w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/humaita-br-319-fernando-martinho-300x200.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/humaita-br-319-fernando-martinho-768x512.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/humaita-br-319-fernando-martinho-420x280.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption>Avan\u00e7o da extra\u00e7\u00e3o de madeira e da pecu\u00e1ria impulsiona desmatamento no sul do Amazonas. (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>\u201cDo ventre da Amaz\u00f4nia, clamores por vida!\u201d \u201cTudo est\u00e1 interligado com se f\u00f4ssemos um, tudo est\u00e1 interligado nesta Casa Comum&#8230;\u201d<\/em> Atra\u00eddo pelas belezas e pelos clamores da Amaz\u00f4nia, de 25 a 27 de abril (2024), realizamos em Humait\u00e1, sede da Diocese de Humait\u00e1, na beira do imponente e gigante Rio Madeira, um Encontro de Forma\u00e7\u00e3o B\u00edblica e Ecologia Integral com Comunidades Tradicionais Ribeirinhas da regi\u00e3o do Beirad\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chegar ao aeroporto de Porto Velho, por volta de 1 hora da madrugada, na noite de 24 para 25 de abril de 2024, ao descer a escada do avi\u00e3o, comecei a ver dezenas de policiais federais, com uniforme preto e todos com armas na m\u00e3o. Um furg\u00e3o do Sistema Penitenci\u00e1rio Federal e muitas viaturas da PF. Na sa\u00edda do aeroporto tamb\u00e9m muitas viaturas policiais. Sinal de que algum grande criminoso estaria sendo preso ali. \u201cEst\u00e3o pegando peixe grande\u201d, v\u00e1rios passageiros comentavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela BR 319, de Porto Velho a Manaus, ap\u00f3s 206 Km \u2013 \u00fanica parte da BR que j\u00e1 est\u00e1 asfaltada -, com um percurso de quase 3 horas de viagem, se chega \u00e0 cidade de Humait\u00e1. Este munic\u00edpio sul-amazonense est\u00e1 situado estrategicamente entre as rodovias BR-319 (Manaus-Porto Velho) e a BR-230 (Transamaz\u00f4nica) e \u00e0s margens do rio Madeira. A monocultura da soja, assim como muito gado e sedes de fazendas com muitos currais podem ser observadas entre o trecho Porto Velho e Humait\u00e1. Al\u00e9m do tr\u00e1fego de carretas carregadas de gr\u00e3os e grandes toras de madeira da querida Amaz\u00f4nia. Dom Moacyr Grechi dizia: \u201cA Amaz\u00f4nia tem sido um grande quintal do Brasil e do mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do Encontro, na apresenta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 aparecia a identidade ancestral das Comunidades Tradicionais Ribeirinhas: \u201c<em>Somos ribeirinhos beiradeiros, agricultores, pes<\/em><em>cadores, extrativistas, porque vivemos nos lagos, igarap\u00e9s e paran\u00e1s do Beirad\u00e3o no Rio Madeira e convivemos com a Floresta Amaz\u00f4nica desde tempos ancestrais<\/em>\u201d. \u201c<em>Somos Povos e Comunidades Tradicionais, guardi\u00e3es da Floresta Amaz\u00f4nica<\/em>.\u201d \u201c<em>Nossa principal aliada \u00e9 a igreja em sa\u00edda que n\u00e3o fica escondida, mas nos ouve, conhece as belezas da nossa cultura tradicional ribeirinha de beiradeiros e se faz solid\u00e1ria com a luta pelos nossos direitos<\/em>.\u201d Est\u00e3o no novo arco do desmatamento da Amaz\u00f4nia. Ap\u00f3s devastarem brutalmente os estados do Mato Grosso e Rond\u00f4nia, agora est\u00e3o invadindo os territ\u00f3rios no sul do estado do Amazonas. <em>\u201cNo sul e sudeste do Brasil tem gente ganhando muito dinheiro com o que produzimos e colhemos aqui na Floresta: a\u00e7a\u00ed, castanha, \u00f3leos&#8230;, mas n\u00f3s os pequenos que moramos aqui, trabalhamos e protegemos a floresta continuamos empobrecidos, sem apoio do Estado brasileiro\u201d. <\/em>O sul amazonense faz parte da regi\u00e3o da AMACRO, um plano de desenvolvimento que junta as fronteiras dos estados do Amazonas, Acre e Rond\u00f4nia, renomeado de Zona de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Abun\u00e3-Madeira, onde 2022 obtiveram 7.055 alertas de inc\u00eandios e 231.955 hectares desmatados, somando 11.3% da \u00e1rea desmatada no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Durante o Encontro, as ribeirinhas e os ribeirinhos questionaram a pol\u00edtica do governo federal de repress\u00e3o aos garimpeiros sem pol\u00edticas p\u00fablicas pr\u00e9vias que garantam o sustento das fam\u00edlias garimpeiras e denunciaram com veem\u00eancia a brutal devasta\u00e7\u00e3o que as grandes barragens de Santo Ant\u00f4nio e Jirau, no Rio Madeira, causaram e seguem causando. Disseram: <em>\u201cEm 2014, ap\u00f3s inaugurarem as hidrel\u00e9tricas de Santo Ant\u00f4nio e Jirau, em Porto Velho, em duas grandes barragens no Rio Madeira, tem acontecido com frequ\u00eancia mortandade de peixes, pois as \u00e1guas est\u00e3o sempre polu\u00eddas. N\u00e3o podemos mais plantar nas vazantes, pois n\u00e3o sabemos quando v\u00e3o liberar grande quantidade de \u00e1gua. J\u00e1 perdemos muitas colheitas com a libera\u00e7\u00e3o de \u00e1gua que causam enchentes inesperadas. Pescar e ca\u00e7ar est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil. Os dias est\u00e3o quente demais. Temos que ficar debaixo das \u00e1rvores. Muito dif\u00edcil trabalhar de 9 \u00e0s 16 horas da tarde por causa do calor excessivo. A \u00e1gua do rio Madeira est\u00e1 preta e adoecendo peixes, animais e n\u00f3s ribeirinhos.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Estado e os grandes empres\u00e1rios, com seus grandes projetos de desenvolvimento tem provocado muitas transforma\u00e7\u00f5es socioculturais, econ\u00f4micas e territoriais para todas as comunidades tradicionais ribeirinhas do Rio Madeira nos seus mais de 1.000 Km, pois afetaram de forma permanente o meio ambiente do ecossistema aqu\u00e1tico e o modo de vida dos Povos e Comunidades dos Ribeirinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 1980 as fam\u00edlias ribeirinhas viviam sem garimpo, com a intensidade que est\u00e1 atualmente, mas sem o apoio dos governos e com a chegada de nordestinos que viram no garimpo uma oportunidade de ganhar dinheiro, grande parte dos ribeirinhos aprenderam a trabalhar com garimpo como um meio de sustentar a fam\u00edlia. No garimpo existem os pequenos garimpeiros, os m\u00e9dios e os grandes. <em>\u201cN\u00f3s pequenos compramos balsas pequenas, geralmente cobertas de p<\/em><em>alha e lona, sem condi\u00e7\u00f5es de pagar \u00e0 vista, pagamos em muitas presta\u00e7\u00f5es. Com o garimpo ganhamos para sobreviver, mas quando vem o Governo Federal, com IBAMA e Pol\u00edcia Federal e explodem as balsas com bombas causando para n\u00f3s um grande preju\u00edzo. Perdemos nosso meio de sustento, ficamos endividados e pior, com os inc\u00eandios das balsas s\u00e3o toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico jogadas no ar e nas \u00e1guas do Rio Madeira s\u00e3o jogados merc\u00fario, \u00f3leo diesel, gasolina e lixo. Tudo isso causa mortandade de peixes e arru\u00edna nossa vida.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 injusto querer resolver o problema do garimpo s\u00f3 com pol\u00edtica de repress\u00e3o. Antes da repress\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que o Estado brasileiro busque apresentar pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam vida digna para os milhares de ribeirinhos que s\u00e3o os verdadeiros guardi\u00f5es da Floresta Amaz\u00f4nica. <em>\u201cPrecisamos de financiamento para plantarmos e colhermos. Grande parte da produ\u00e7\u00e3o da Floresta se perde, porque n\u00e3o temos meios de transporte para recolher e levar para vender na cidade.\u201d \u201cPor que o Governo n\u00e3o nos paga pelo trabalho de preservar a floresta?\u201d \u201cSe implementassem pol\u00edticas p\u00fablicas para os ribeirinhos, <\/em><em>tais como pagar pelo trabalho de prote\u00e7\u00e3o da floresta, saneamento b\u00e1sico, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade, ao sistema de sa\u00fade p\u00fablico, ao transporte&#8230;, <\/em><em>os jovens n\u00e3o optariam por trabalhar no garimpo, pois \u201cquebra-galho\u201d, mas envenena as \u00e1guas e acaba com nosso futuro.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por que o Governo Federal n\u00e3o reprime de forma exemplar os madeireiros, os desmatadores da floresta e os grileiros? Estes s\u00e3o os grandes inimigos dos povos e da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cRibeirinho beiradeiro n\u00e3o polui as \u00e1guas e nem desmata. Cuidamos da floresta, que \u00e9 nossa m\u00e3e. N\u00f3s n\u00e3o somos bois para comer capim\u201d.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os ribeirinhos est\u00e3o cientes das pesquisas da Universidade Federal do Amazonas que comprovaram que os n\u00edveis de metais pesados nas \u00e1guas dos rios da Amaz\u00f4nia &#8211; merc\u00fario, ars\u00eanio, c\u00e1dmio, cobre, estanho, chumbo, merc\u00fario&#8230; &#8211; est\u00e3o muito acima dos n\u00edveis toler\u00e1veis pelo corpo humano. <em>\u201cN\u00e3o queremos insistir com garimpo, <\/em><em>mas exigimos pol\u00edticas p\u00fablicas que nos garantam viver com dignidade\u201d,<\/em> isso os ribeirinhos beiradeiros reivindicam dos governos federal, estadual e municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>A floresta n\u00e3o \u00e9 um quintal, \u00e9 a casa das Comunidades e dos Povos Ribeirinhos, \u00e9 casa e lar das irm\u00e3s \u00e1rvores, dos irm\u00e3os p\u00e1ssaros e uma infinidade de seres vivos que t\u00eam o direito de viver. A natureza tem direitos. Os rios n\u00e3o s\u00e3o apenas para servir a n\u00f3s, os humanos, e para matar a sede dos animais. O rio \u00e9 a casa dos peixes. Os rios s\u00e3o as nossas estradas. Os peixes s\u00e3o nossos alimentos e precisam procriar, viver, ser cuidados. <em>\u201cNa floresta podemos \u201cgarimpar\u201d sem ter que usar merc\u00fario em safras infinitas, preservando a floresta. N\u00f3s podemos viver sem ouro, mas sem a floresta n\u00e3o podemos continuar vivendo.\u201d<\/em> A Amaz\u00f4nia \u00e9 jardim, farm\u00e1cia, pulm\u00e3o, rins, cora\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Terminamos o Encontro de Ribeirinhos beiradeiros com a certeza de que os ribeirinhos t\u00eam muitos direitos, que est\u00e3o sendo violados pelo Estado, por madeireiros, por grileiros e invasores de terras. Afirmamos que a terra \u00e9 de quem nela mora e trabalha, de quem est\u00e1 na posse. Com Deus, invocado sob tantos nomes, e com as b\u00ean\u00e7\u00e3os da m\u00e3e de Jesus, seguiremos defendendo o modo ancestral de viver dos Ribeirinhos\/as, que cuidam da nossa querida Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>30\/04\/2024<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obs<\/strong>.: A videorreportagem no link, abaixo, versa sobre o assunto tratado, acima.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Barragens do Rio Madeira devastam vida dos Povos e Floresta. E os Madeireiros? Ou\u00e7a os Ribeirinhos!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_54194\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nXDt2xCWpk8?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP\/SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico, em Roma, It\u00e1lia; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupa\u00e7\u00f5es Urbanas; prof. de \u201cMovimentos Sociais Populares e Direitos Humanos\u201d no IDH, em Belo Horizonte, MG. Autor de livros e artigos. E \u201ccineasta amador\u201d (videotuber) com mais de 6.000 v\u00eddeos de luta por direitos no youtube, canal \u201cFrei Gilvander luta pela terra e por direitos\u201d. E-mail:&nbsp;<a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\/\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/gilvanderluis\">www.twitter.com\/gilvanderluis<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;Facebook: Gilvander Moreira III<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Querida Amaz\u00f4nia e Povos: belezas e clamores! 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