{"id":13271,"date":"2024-05-10T15:17:59","date_gmt":"2024-05-10T18:17:59","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13271"},"modified":"2024-05-10T15:18:04","modified_gmt":"2024-05-10T18:18:04","slug":"a-conta-chegou-a-tragedia-climatica-no-rio-grande-do-sul-artigo-de-leonardo-boff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-conta-chegou-a-tragedia-climatica-no-rio-grande-do-sul-artigo-de-leonardo-boff\/","title":{"rendered":"A conta chegou: a trag\u00e9dia clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul. Artigo de Leonardo Boff"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A conta chegou: a trag\u00e9dia clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul. Artigo de Leonardo Boff<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/image_processing20200706-26197-jxc56o.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13272\" width=\"782\" height=\"522\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/image_processing20200706-26197-jxc56o.jpeg 512w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/image_processing20200706-26197-jxc56o-300x200.jpeg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/image_processing20200706-26197-jxc56o-420x280.jpeg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 782px) 100vw, 782px\" \/><figcaption>Leonardo Boff<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;O que estamos assistindo no Rio Grande do Sul&nbsp;\u00e9 apenas o come\u00e7o de um processo que, mantido o tipo atual de civiliza\u00e7\u00e3o dilapidadora da natureza, tende a piorar. Os pr\u00f3prios climat\u00f3logos alertam: a ci\u00eancia e a t\u00e9cnica despertaram tarde demais para essa&nbsp;mudan\u00e7a clim\u00e1tica&#8221;, escreve Leonardo Boff, te\u00f3logo, fil\u00f3sofo e escritor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eis o artigo.<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Interrompo minha reflex\u00e3o sobre os vetores da crise sist\u00eamica atual&nbsp;e as eventuais sa\u00eddas da crise, em raz\u00e3o da trag\u00e9dia ambiental ocorrida no Rio Grande do Sul. As intensas chuvas e as catastr\u00f3ficas enchentes, com as \u00e1guas invadindo cidades inteiras, destruindo-as em parte, deslocando centenas de fam\u00edlias, causando milhares de refugiados ou de desaparecidos e mortos, nos fazem pensar.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de mais nada, nossa profunda solidariedade \u00e0s popula\u00e7\u00f5es atingidas por esta calamidade de propor\u00e7\u00f5es b\u00edblicas. Expressamos nossa compaix\u00e3o, pois como ensinava&nbsp;Santo Tom\u00e1s&nbsp;na&nbsp;Suma Teol\u00f3gica&nbsp;\u201ca compaix\u00e3o em si \u00e9 a virtude maior. Pois faz parte da compaix\u00e3o derramar-se sobre os outros \u2013 e o que \u00e9 mais ainda &#8211; ajudar a fraqueza e a dor dos outros\u201d. Todo o pa\u00eds se mobilizou. O povo brasileiro mostrou o melhor de si, sua capacidade de solidariedade e disposi\u00e7\u00e3o de ajuda, a despeito dos perversos que exploram a desgra\u00e7a para fins particulares e por mentiras e cal\u00fanias.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria err\u00f4neo pensar que se trata apenas de uma cat\u00e1strofe natural, pois de tempos em tempos ocorrem fen\u00f4menos semelhantes. Desta vez a natureza da trag\u00e9dia possui outra origem. Temos a ver com a nova fase em que entrou o&nbsp;planeta Terra: a instala\u00e7\u00e3o de um novo est\u00e1gio, caracterizado pelo aumento do aquecimento global. Tudo isso de origem antropog\u00eanica, quer dizer, produzida pelos seres humanos mas mais especificamente pelo capitalismo anglo-sax\u00e3o, devastador dos equil\u00edbrios naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1&nbsp;negacionistas&nbsp;em todas as esferas, especialmente entre os CEOS das grandes empresas e naqueles que se sentem bem na situa\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio, assentados sobre uma situa\u00e7\u00e3o de conforto. Mas a avalanche de transtornos nos climas, a irrup\u00e7\u00e3o de eventos extremos, as ondas de calor intenso e de secas severas, os grandes inc\u00eandios, os tornados e as enchentes apavorantes, constituem fen\u00f4menos ineg\u00e1veis. Est\u00e1 tocando a pele dos mais resistentes. Come\u00e7aram tamb\u00e9m eles a pensar.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a hist\u00f3ria do planeta que j\u00e1 existe h\u00e1 mais de 4 bilh\u00f5es de anos, constatamos que&nbsp;aquecimento global&nbsp;participa da evolu\u00e7\u00e3o e do dinamismo do universo; este est\u00e1 sempre em movimento e se&nbsp;adaptando \u00e0s circunvolu\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas que ocorrem no decorrer do processo cosmog\u00eanico. Assim o&nbsp;planeta Terra&nbsp;conheceu muitas fases, algumas de extremo frio, outras de extremo calor como h\u00e1 14 milh\u00f5es de anos. Nesta \u00e9poca de calor extremo n\u00e3o existia ainda o ser humano que somente irrompeu na&nbsp;\u00c1frica&nbsp;h\u00e1 7-8 milh\u00f5es de anos e o&nbsp;homo sapiens&nbsp;atual h\u00e1 apenas 200 mil anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio ser humano percorreu v\u00e1rias etapas em seu di\u00e1logo com a natureza: inicialmente predominava uma intera\u00e7\u00e3o pac\u00edfica com ela; depois passou a uma interven\u00e7\u00e3o ativa nos seus ritmos, desviando cursos de rios para a irriga\u00e7\u00e3o, cortando territ\u00f3rios para estradas; passou para uma verdadeira agress\u00e3o da natureza, precisamente a partir do processo industrialista que se aproveitou dos recursos naturais para a riqueza de alguns \u00e0 custa da&nbsp;pobreza das grandes maiorias; esta agress\u00e3o foi levada por tecnologias eficientes a uma verdadeira destrui\u00e7\u00e3o da natureza, ao devastar inteiros ecossistemas, pelo desflorestamento em fun\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de commodities, pelo mau uso do solo impregnando-o de agrot\u00f3xicos, contaminando as \u00e1guas e os ares. Estamos em plena fase de&nbsp;destrui\u00e7\u00e3o das bases naturais&nbsp;que sustentam nossa vida. Digamos o nome: \u00e9 o modo de produ\u00e7\u00e3o\/devasta\u00e7\u00e3o do sistema capitalista anglo-sax\u00e3o hoje globalizado, com seus mantras: maximiza\u00e7\u00e3o do lucro atrav\u00e9s da superexplora\u00e7\u00e3o dos bens e servi\u00e7os naturais, no quadro de severa competi\u00e7\u00e3o sem qualquer laivo de colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este processo teve um pesado custo, sequer tomado em conta pelos operadores deste sistema. Os&nbsp;danos naturais e sociais&nbsp;eram considerados como efeitos colaterais que n\u00e3o entravam na contabilidade das empresas. Ao estado e n\u00e3o a eles cabia enfrentar tais taxas de iniquidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;Terra viva&nbsp;come\u00e7ou a reagir enviando v\u00edrus, bact\u00e9rias, todo tipo de doen\u00e7as, tuf\u00f5es, tempestades rigorosas e por fim um aumento de sua temperatura natural. Ela entrou em ebuli\u00e7\u00e3o. Iniciamos um caminho sem volta. S\u00e3o os gazes de efeito estufa: o CO2, o metano (28 vezes mais danoso que o&nbsp;CO2), o \u00f3xido nitroso e o enxofre entre outros. S\u00f3 em 2023 foram lan\u00e7ados na atmosfera&nbsp;40,8 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono, com consta no relat\u00f3rio da COP28, realizada no&nbsp;Cairo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos os n\u00edveis de crescimento desse g\u00e1s: em 1950 as emiss\u00f5es eram de 6 bilh\u00f5es de toneladas; em 2000 j\u00e1 eram 25 bilh\u00f5es; em 2015 subiu para 35,6 bilh\u00f5es; em 2022 foram 37,5 bilh\u00f5es e finalmente em 2023,como referimos, foram 40,9 bilh\u00f5es de toneladas anuais. Esse volume de gazes funciona como uma estufa, impedindo que os raios do sol retornem para o universo, criando uma capa quente, ocasionando o aquecimento do inteiro planeta. Acresce dizer que o&nbsp;di\u00f3xido de carbono,&nbsp;CO2, permanece na atmosfera por cerca de 100 a 110 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a&nbsp;Terra&nbsp;pode digerir semelhante polui\u00e7\u00e3o? O&nbsp;Acordo de Paris&nbsp;na COP de 2015 estabelecia cotas de redu\u00e7\u00e3o desses gazes com a cria\u00e7\u00e3o de energias alternativas (e\u00f3lica, solar, das mar\u00e9s). Nada de substancial foi feito. Agora chegou a conta a ser paga por toda a humanidade: um&nbsp;aquecimento irrevers\u00edvel&nbsp;que tornar\u00e1 algumas regi\u00f5es do planeta na \u00c1frica, na \u00c1sia e tamb\u00e9m entre n\u00f3s, inabit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O que estamos assistindo no Rio Grande do Sul&nbsp;\u00e9 apenas o come\u00e7o de um processo que, mantido o tipo atual de civiliza\u00e7\u00e3o dilapidadora da natureza, tende a piorar. Os pr\u00f3prios climat\u00f3logos alertam: a ci\u00eancia e a t\u00e9cnica despertaram tarde demais para essa&nbsp;mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Agora n\u00e3o poder\u00e3o evit\u00e1-la, apenas advertir da chegada de&nbsp;eventos extremos&nbsp;e de mitigar seus efeitos danosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Terra e Humanidade dever\u00e3o adaptar-se a essa mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Idosos e crian\u00e7as e muitos organismos vivos ter\u00e3o dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o e ir\u00e3o sofrer muito e at\u00e9 morrer. A&nbsp;M\u00e3e Terra&nbsp;daqui por diante conhecer\u00e1 transforma\u00e7\u00f5es nunca dantes havidas. Algumas podem dizimar as vidas de milhares de pessoas. Se n\u00e3o cuidarmos, o planeta inteiro poder\u00e1 ser hostil \u00e0 vida da natureza e \u00e0 nossa vida. No seu termo, poderemos at\u00e9 desaparecer. Seria o pre\u00e7o de nossa irresponsabilidade, desumanidade e descuido da natureza que tudo nos d\u00e1 para viver. N\u00e3o conseguimos pagar a conta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte<\/strong>: <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/639230-a-conta-chegou-a-tragedia-climatica-no-rio-grande-do-sul-artigo-de-leonardo-boff#:~:text=Se%20n%C3%A3o%20cuidarmos%2C%20o%20planeta,N%C3%A3o%20conseguimos%20pagar%20a%20conta\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/639230-a-conta-chegou-a-tragedia-climatica-no-rio-grande-do-sul-artigo-de-leonardo-boff#:~:text=Se%20n%C3%A3o%20cuidarmos%2C%20o%20planeta,N%C3%A3o%20conseguimos%20pagar%20a%20conta<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conta chegou: a trag\u00e9dia clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul. 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