{"id":13280,"date":"2024-05-11T11:08:28","date_gmt":"2024-05-11T14:08:28","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13280"},"modified":"2024-05-11T11:08:33","modified_gmt":"2024-05-11T14:08:33","slug":"tragedia-anunciada-mais-uma-chuva-demais-inteligencia-e-responsabilidade-de-menos-por-elio-gasda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/tragedia-anunciada-mais-uma-chuva-demais-inteligencia-e-responsabilidade-de-menos-por-elio-gasda\/","title":{"rendered":"Trag\u00e9dia anunciada (mais uma)! Chuva demais, intelig\u00eancia e responsabilidade de menos \u2013 Por \u00c9lio Gasda"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Trag\u00e9dia anunciada (mais uma)! Chuva demais, intelig\u00eancia e responsabilidade de menos \u2013 Por \u00c9lio Gasda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/elio_estanislau_gasda1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13281\" width=\"781\" height=\"781\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/elio_estanislau_gasda1.jpg 680w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/elio_estanislau_gasda1-300x300.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/elio_estanislau_gasda1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 781px) 100vw, 781px\" \/><figcaption>\u00c9lio Gasda, jesu\u00edta professora de \u00c9tica&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Ser\u00e1 que desta vez vamos aceitar que a amea\u00e7a \u00e9 real?<\/strong>&nbsp;Entraremos em p\u00e2nico ao perceber que o que est\u00e1 ruim pode piorar? O futuro ser\u00e1 pior que o presente.&nbsp;<strong>O aquecimento global est\u00e1 apenas em seu come\u00e7o.<\/strong>&nbsp;Poucos meses ap\u00f3s a passagem de um ciclone extratropical que trouxe devasta\u00e7\u00e3o e morte ao Rio Grande do Sul, enchentes ainda maiores est\u00e3o castigando os ga\u00fachos. 80% dos munic\u00edpios devastados, milhares de desabrigados e desalojados, centenas de feridos, mortos e desaparecidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A trag\u00e9dia \u00e9 mais um sinal grav\u00edssimo da crise ambiental.&nbsp;<\/strong>Desmatamento, minera\u00e7\u00e3o ilegal, queimadas, destrui\u00e7\u00e3o dos biomas, desertifica\u00e7\u00e3o. Enxurrada, enchentes, inunda\u00e7\u00f5es, causando desmoronamentos, destruindo casas, matando gente e arruinando meios de subsist\u00eancia.<strong>&nbsp;O ambiente mudou tanto que o que antes era uma possibilidade, agora \u00e9 um fen\u00f4meno real.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eventos extremos se tornaram frequentes.<\/strong>&nbsp;<strong>Embora esteja acontecendo no Sul, impacta diretamente todo o Brasil. N\u00e3o s\u00e3o fatalidades naturais, mas um fen\u00f4meno resultante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/strong>&nbsp;H\u00e1 muito a ci\u00eancia alerta sobre o agravamento do aquecimento global. Um crescimento econ\u00f4mico continuado num planeta finito e sobrecarregado s\u00f3 pode terminar em trag\u00e9dia. Uma cat\u00e1strofe ambiental \u00e9 pren\u00fancio de flagelo social: migra\u00e7\u00e3o, desemprego, fome, doen\u00e7as, pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Fingir surpresa diante dos fatos \u00e9 cinismo e canalhice.&nbsp;<strong>O negacionismo das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas foi fomentado por muitos anos. A falta de bom senso e o desprezo pela ci\u00eancia \u00e9 pren\u00fancio de desastre. N\u00e3o faltam alertas cient\u00edficos!<\/strong>&nbsp;O \u00faltimo relat\u00f3rio do IPCC de 2023, ap\u00f3s 15 anos de pesquisas realizadas por centenas de cientistas, apontou a Am\u00e9rica do Sul como \u00e1rea de eventos clim\u00e1ticos extremos, como inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"266\" height=\"199\" src=\"\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o: Vista a\u00e9rea de uma cidade\n\nDescri\u00e7\u00e3o gerada automaticamente\">Em 2015, o relat\u00f3rio \u201cBrasil 2040\u201d, da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, indicou o aumento de chuvas acentuadas no Sul em decorr\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O documento apresentava medidas para minimizar os impactos das mudan\u00e7as inevit\u00e1veis.&nbsp;<strong>O estudo foi arquivado. Previs\u00f5es ignoradas.<\/strong>&nbsp;Essa \u00e9 a quarta ocorr\u00eancia de fortes chuvas em terras ga\u00fachas em menos de um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Registro da trag\u00e9dia do Ciclone extratropical no Rio Grande do Sul em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como negar tantas evid\u00eancias cient\u00edficas, mas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Eduardo Leite (PSDB), governador desde 2018, e Sebasti\u00e3o Melo (MDB), prefeito de Porto Alegre desde 2020, n\u00e3o s\u00f3 desprezaram as advert\u00eancias, como tamb\u00e9m destru\u00edram o Estado, privatizaram a infraestrutura e sucatearam a secretaria de meio ambiente. A prefeitura de Porto Alegre n\u00e3o investiu um centavo em preven\u00e7\u00e3o contra enchentes em 2023. Tudo em nome da austeridade fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo estadual aumentou o or\u00e7amento da defesa civil em apenas 50 mil reais, alterou 480 artigos do C\u00f3digo do Meio Ambiente, mudou o conceito de \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP) favorecendo a interven\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio em \u00e1reas sem autoriza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o ambiental, retirou os artigos que versavam sobre Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e sua prote\u00e7\u00e3o. Menos de um m\u00eas atr\u00e1s, o governador sancionou uma lei que flexibiliza regras ambientais para constru\u00e7\u00e3o de barragens em APPs. \u201c<em>A crise j\u00e1 chegou, ela n\u00e3o \u00e9 no futuro.&nbsp;N\u00e3o h\u00e1 mais como evitar os eventos extremos\u201d, diz <strong>Suely Ara\u00fajo<\/strong>,&nbsp;coordenadora do Observat\u00f3rio do Clima.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 uma realidade, mas a legisla\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas p\u00fablicas ainda s\u00e3o pensadas como se ela n\u00e3o existisse.&nbsp;<strong>A flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental pode gerar muitas outras trag\u00e9dias. Tramita no Congresso um \u201cpacote da destrui\u00e7\u00e3o\u201d: mais de 20 projetos de lei que fragilizam a legisla\u00e7\u00e3o ambiental. Em meio ao desastre clim\u00e1tico, a bancada ruralista quer reduzir reservas na Amaz\u00f4nia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cat\u00e1strofes causadas pela crise clim\u00e1tica podem ser evitadas? Quem poder\u00e1 frear a gan\u00e2ncia predat\u00f3ria dos poderosos que sacrificam um pa\u00eds inteiro em benef\u00edcio pr\u00f3prio? \u00c9 um desastre ap\u00f3s outro. \u00c9 preciso p\u00f4r fim \u00e0 tamanha insanidade. \u201c<em>Continuaremos son\u00e2mbulos para as cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas?<\/em>\u201d (Ant\u00f3nio Guterres, secret\u00e1rio-geral da ONU).<\/p>\n\n\n\n<p>As vidas perdidas logo ser\u00e3o esquecidas? Continuaremos elegendo governantes e pol\u00edticos negacionistas patrocinados por empresas e seus interesses escusos? Uma hora a conta chega. A fatura chegou ao Rio Grande do Sul!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o basta maquiar mudan\u00e7as na economia. Sem vis\u00e3o de futuro, pode ser tarde demais. A crise clim\u00e1tica \u00e9 express\u00e3o de uma crise muito maior: a crise civilizat\u00f3ria. S\u00e3o urgentes mudan\u00e7as \u201c<em>nos estilos de vida, nos modelos de produ\u00e7\u00e3o e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder que hoje regem as sociedades<\/em>\u201d (Laudato Si\u2019, 5).<\/p>\n\n\n\n<p>A crise clim\u00e1tica-humanit\u00e1ria revela um profundo abandono dos mais pobres. Diante desse desamparo, o povo se enche de compaix\u00e3o e se organiza por meio de doa\u00e7\u00f5es e voluntariado. A a\u00e7\u00e3o coletiva mostra que pode fazer a diferen\u00e7a na reconstru\u00e7\u00e3o de uma sociedade. Solidariedade \u00e9 essencial, mas a mobiliza\u00e7\u00e3o por justi\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 urgente.<strong>&nbsp;N\u00e3o se pode enfrentar um problema t\u00e3o grave apenas com medidas pontuais. Respostas emergenciais e provis\u00f3rias s\u00e3o insuficientes. <\/strong>Eventos extremos como esse n\u00e3o podem ser tratados como imprevistos.&nbsp;<strong>Um problema sist\u00eamico gerador de trag\u00e9dias humano-ambientais s\u00f3 ser\u00e1 realmente enfrentado com a mudan\u00e7a do modelo socioecon\u00f4mico<\/strong>. Prevenir \u00e9 melhor que remediar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trag\u00e9dia anunciada (mais uma)! 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