{"id":13286,"date":"2024-05-14T15:43:25","date_gmt":"2024-05-14T18:43:25","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13286"},"modified":"2024-05-14T15:43:31","modified_gmt":"2024-05-14T18:43:31","slug":"revolta-de-carrancas-no-sul-de-mg-foi-a-maior-rebeliao-escrava-do-sudeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/revolta-de-carrancas-no-sul-de-mg-foi-a-maior-rebeliao-escrava-do-sudeste\/","title":{"rendered":"Revolta de Carrancas, no sul de MG, foi a maior rebeli\u00e3o escrava do Sudeste"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Revolta de Carrancas, no sul de MG, foi a maior rebeli\u00e3o escrava do Sudeste<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caguetagem, not\u00edcias falsas, insurrei\u00e7\u00e3o e mortes comp\u00f5em a trama sangrenta de escravizados que lutaram por liberdade<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Fonte<\/strong>: Gabriela Moncau Belo Horizonte (MG) | Brasil de Fato MG |\u00a013 de maio de 2024<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/a04c9303e103fd72d2ae63b0c70cfadf.webp\" alt=\"\"\/><figcaption>A insurrei\u00e7\u00e3o aconteceu em 1833 na \u00e1rea rural do sul de Minas Gerais &#8211; Arte: Nazura<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Cinquenta e cinco\u00a0anos antes de, em 1888, o 13 de maio entrar para a hist\u00f3ria como o dia em que a princesa Isabel assinou formalmente a\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/13\/entenda-como-abolicao-mal-feita-da-escravidao-perpetua-as-desigualdades-e-a-falta-de-direitos#:~:text=Lei%20%C3%81urea%20completa%20135%20anos,n%C3%A3o%20conseguiu%20romper%20racismo%20estrutural&amp;text=Possivelmente%20um%20dos%20atos%20mais,anos%20neste%20s%C3%A1bado%20(13).\" target=\"_blank\">aboli\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0da escravid\u00e3o (tornando o Brasil o \u00faltimo pa\u00eds latino-americano a faz\u00ea-lo), outro epis\u00f3dio marcaria a data como um dia que abalou a estrutura escravista do Imp\u00e9rio. A Revolta de Carrancas foi a maior e mais sangrenta rebeli\u00e3o escrava do Sudeste. \u00a0<br><br>O epis\u00f3dio &#8220;foi singular porque o confronto dos escravos foi diretamente contra a fam\u00edlia senhorial\u201d, destaca Marcos Ferreira de Andrade, professor da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (UFSJ) e historiador que se dedica ao tema h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas. Foi tamb\u00e9m o que teve a maior condena\u00e7\u00e3o coletiva \u00e0 pena m\u00e1xima da hist\u00f3ria da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2022\/02\/21\/a-escravidao-nunca-foi-vista-de-modo-consequente-como-o-berco-formador-do-brasil\" target=\"_blank\">escravid\u00e3o<\/a>\u00a0brasileira. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A insurrei\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O 13 de maio de 1833 caiu numa segunda-feira e, aparentemente, seria mais uma tarde rotineira na fazenda Campo Alegre, da influente fam\u00edlia Junqueira no sul de Minas Gerais. Suas propriedades&nbsp;se espalhavam por onde hoje s\u00e3o os munic\u00edpios de Carrancas, Cruz\u00edlia, Lumin\u00e1rias e S\u00e3o Tom\u00e9 das Letras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o patriarca Gabriel Junqueira de viagem no Rio de Janeiro cumprindo fun\u00e7\u00f5es de deputado, a administra\u00e7\u00e3o da fazenda, cujo lucro era extra\u00eddo do trabalho for\u00e7ado de cerca de 100 escravizados,&nbsp;estava a cargo de seu filho, de mesmo nome. Apelidado de \u201csenhor mo\u00e7o\u201d pelos escravizados, Gabriel era juiz de paz, uma esp\u00e9cie de delegado de pol\u00edcia. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Era quase meio-dia quando ele foi a cavalo at\u00e9 a lavoura supervisionar o trabalho. De surpresa, foi derrubado do seu animal pelo escravizado Domingos Crioulo e morto a pauladas e foi\u00e7adas por outros dois, Juli\u00e3o Congo e Ventura Mina. Este \u00faltimo foi o principal articulador&nbsp;do levante. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o que disse Juli\u00e3o Congo mais tarde no interrogat\u00f3rio, neste momento \u201co cavalo fugiu e um moleque fiel o cavalgou\u201d para contar correndo \u00e0 fam\u00edlia do senhor o que estava acontecendo. O nome do jovem, escravizado como os companheiros que delatou, era Francisco.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta disso, quando se aproximaram da sede da fazenda, os insurgentes&nbsp;perceberam que dois cavaleiros armados j\u00e1 os esperavam. Foram ent\u00e3o para a vizinha Fazenda Bela Cruz, de Jos\u00e9 Francisco Junqueira, irm\u00e3o do deputado. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na ro\u00e7a, os rebeldes liderados por Ventura Mina se encontraram com Joaquim Mina, refer\u00eancia entre os trabalhadores negros da Fazenda Bela Cruz. O grupo de sete pessoas saltou para cerca de 35. O ataque \u00e0 sede da propriedade resultou na morte, com extrema viol\u00eancia, de todos os sete brancos da fam\u00edlia Junqueira que estavam ali, inclusive tr\u00eas crian\u00e7as, sendo uma delas rec\u00e9m-nascida. No in\u00edcio da noite, o genro do fazendeiro foi assassinado em uma emboscada quando cruzou a porteira. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parte dos rebelados seguiu para a Fazenda do Jardim. Ali, o propriet\u00e1rio Jo\u00e3o C\u00e2ndido da Costa tinha trancado todos os escravizados na senzala, com exce\u00e7\u00e3o de dois. Eram de sua confian\u00e7a e, armados, se juntaram aos homens brancos que receberam \u00e0 bala os insurgentes. No confronto morreram Ventura Mina, In\u00e1cio, Matias, Firmino e Ant\u00f4nio Cigano. Outros se refugiaram no mato. Alguns levaram dias para serem capturados.&nbsp;&nbsp;<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rea\u00e7\u00e3o escravista&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No artigo&nbsp;<a href=\"https:\/\/periodicos.fgv.br\/reh\/article\/view\/83733\/80196\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>\u201cContam que houve uma por\u00e7\u00e3o de enforcadas. E as caveiras espetadas nos postes\u201d: literatura e oralidade na Revolta dos Escravos de Carrancas<\/em><\/a>&nbsp;(Estudos Hist\u00f3ricos), Marcos de Andrade relata que a lideran\u00e7a de Ventura Mina foi destaque nos depoimentos e processos do caso. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo libelo acusat\u00f3rio, ele foi descrito como um escravo que tinha um \u2018g\u00eanio fogoso e ardente, era empreendedor, ativo, laborioso, tinha uma grande influ\u00eancia sobre os r\u00e9us e estranhos de quem era amado, respeitado e obedecido\u2019\u201d, diz o artigo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos seus 31 companheiros de cativeiro que foram presos alegaram ter participado do levante por medo de Ventura \u2014 n\u00e3o se sabe se em relato ver\u00eddico ou porque, afinal de contas, ele j\u00e1 estava morto. Fato \u00e9 que a justificativa n\u00e3o aliviou: 17 pessoas foram condenadas \u00e0 forca. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles, Jos\u00e9 Mina, disse em depoimento que a insurrei\u00e7\u00e3o estava sendo planejada havia dois anos. Dami\u00e3o \u2014 que assim como Joaquim Mina, Jer\u00f4nimo e Roque Crioulos, foi apontado como organizador da revolta ao lado de Ventura Mina \u2014 n\u00e3o deu o prazer aos escravistas mineiros de verem seu assassinato. Enforcou a si pr\u00f3prio antes disso. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico condenado que conseguiu evitar a pena de morte foi Ant\u00f4nio Resende. \u201cMas com a condi\u00e7\u00e3o de enforcar os demais companheiros de luta, al\u00e9m de ter exercido a fun\u00e7\u00e3o de carrasco pelo resto de sua vida. Era mantido preso na cadeia de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei\u201d, contou Andrade ao&nbsp;<strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A Revolta de Carrancas deixou 30 mortos: 21 pessoas negras e nove brancas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma investiga\u00e7\u00e3o sobre \u201ca mem\u00f3ria do cativeiro\u201d que persiste at\u00e9 hoje na regi\u00e3o, Marcos de Andrade soube de um lugar em Cruz\u00edlia (MG) chamado de Cabe\u00e7a Branca. Ali teriam sido colocadas as cabe\u00e7as dos insurgentes em estacas. Com o tempo, s\u00f3 se viam os cr\u00e2nios brancos, da\u00ed o nome. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador encontrou anota\u00e7\u00f5es da genealogista Mariana de Andrade Bueno, trineta de Jos\u00e9 Francisco Junqueira, mencionando que uma das cabe\u00e7as teria sido enviada \u201cde lembran\u00e7a\u201d para uma das filhas do fazendeiro, Ana Francisca Junqueira. Ela a teria deixado espetada na entrada da fazenda do Chapad\u00e3o, de sua propriedade. &nbsp;<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A lei de revide&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Menos de um m\u00eas depois daquele 13 de maio de 1833, o temor e a revanche das elites escravocratas tomaram forma de Projeto de Lei (PL). Apresentado no Parlamento nacional pelo ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, o texto propunha a agilidade, sem recurso, do julgamento de escravizados insurretos e que atentassem contra a vida de seus senhores. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A lei que estabeleceu um rito sum\u00e1rio para condenar pessoas negras \u00e0 pena de morte no Brasil durou at\u00e9 1891. Foi aprovada em 10 de junho de 1835,&nbsp;meses depois da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/05\/15\/lideranca-da-revolta-dos-males-luiza-mahin-e-a-mulher-cabulosa-da-semana\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Revolta dos Mal\u00eas<\/a>, em Salvador (BA). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O historiador Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis, estudioso das rebeli\u00f5es negras da Bahia na primeira metade do s\u00e9culo 19, destaca que o levante&nbsp;mineiro&nbsp;\u201cteve uma influ\u00eancia sobre a repress\u00e3o que se seguiu \u00e0 dos mal\u00eas porque apressou a implementa\u00e7\u00e3o da lei, criada depois de Carrancas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maior rebeli\u00e3o escrava da prov\u00edncia de Minas Gerais, que amedrontou a elite escravista do Sudeste, contou com a participa\u00e7\u00e3o de cativos de origens diversas: minas, angolas, benguelas, congos, cassanges e mo\u00e7ambiques. Escravos falantes de bantu tamb\u00e9m tiveram presen\u00e7a significativa\u201d, descreve Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE al\u00e9m dos escravos de origem africana, os crioulos \u2013 nativos e\/ou filhos de escravas com brancos \u2013 tamb\u00e9m tiveram um envolvimento significativo\u201d, completa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Revolta dos Mal\u00eas teve outra caracter\u00edstica. \u201cOs envolvidos eram todos africanos natos e concentrados em torno de alguns grupos \u00e9tnicos &#8211; ou na\u00e7\u00f5es africanas -, em particular os nag\u00f4s (falantes do iorub\u00e1), e a religi\u00e3o (Isl\u00e3) teve um papel central na sua concep\u00e7\u00e3o e encaminhamento\u201d, explica Reis. &nbsp;<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel de uma&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;na Revolta de Carrancas&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00e9cada de 1830 no Brasil foi conturbada. Quando Dom Pedro I abdicou do trono em 1831, seu filho tinha cinco anos. Assim, o pa\u00eds foi governado por regentes e duas grandes correntes das elites pol\u00edticas disputavam o poder: os&nbsp;liberais moderados (monarquistas que consideravam D. Pedro I absolutista) e os caramurus (ou restauradores, que defendiam a volta de D. Pedro I ao poder). Os Junqueira se filiavam \u00e0 primeira. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 22 de mar\u00e7o de 1833, poucos meses antes de a Revolta de Carrancas eclodir,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/09\/10\/filme-mostra-historia-de-distrito-de-ouro-preto-mg-abandonado-pela-mineracao-assista\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ouro Preto<\/a>&nbsp;(que era a capital mineira) foi tomada pelos caramurus. Composto principalmente por comerciantes portugueses e militares, o grupo dep\u00f4s o governador e assumiu, durante dois meses, o poder da prov\u00edncia de Minas Gerais. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os fatos e boatos envolvendo o evento&nbsp;\u2014 que ficou conhecido como Sedi\u00e7\u00e3o Militar ou Revolta do Ano da Fuma\u00e7a \u2014 se espalharam e chegaram aos escravizados do sul de Minas. Uma<em>&nbsp;fake news<\/em>&nbsp;teria tido impacto de peso: a de que os caramurus estariam libertando os escravizados em Ouro Preto.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os documentos analisados por Marcos de Andrade, uma figura aparece como principal propagadora do boato. \u201cFrancisco Silv\u00e9rio era fazendeiro e negociante, circulava por v\u00e1rias fazendas da regi\u00e3o e dependia do acesso aos caminhos e \u00e0s estradas que passavam por v\u00e1rias propriedades\u201d, descreve no artigo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/tem\/a\/x9hZ6bdRFyNxwVQTXHf3hHc\/?format=pdf&amp;lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>A pena de morte e a revolta dos escravos de Carrancas: a origem da \u201clei nefanda\u201d<\/em><\/a>&nbsp;(Revista Tempo).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Silv\u00e9rio, conta Andrade, se tornou inimigo da fam\u00edlia Junqueira e aliado dos militares que tinham tomado a prov\u00edncia. \u201cComo era negociante e precisava circular pelas entradas da regi\u00e3o, tinha uma demanda antiga contra alguns propriet\u00e1rios da freguesia de Carrancas e consegue a libera\u00e7\u00e3o de uma estrada justamente durante a Sedi\u00e7\u00e3o\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o historiador, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que o rumor teve \u201cum papel crucial na Revolta\u201d por conta \u201cda expectativa de liberdade\u201d: \u201cO boato veiculado por Francisco Silv\u00e9rio de que os caramurus aboliram a escravid\u00e3o em Ouro Preto caiu como um rastilho de p\u00f3lvora nas senzalas, na medida em que foi difundido por Ventura Mina\u201d. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs escravos de fato acreditaram\u201d, afirma Andrade, \u201cque ali na regi\u00e3o de Carrancas os liberais moderados os escravizavam ilegalmente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDo ponto de vista hist\u00f3rico sabemos que os caramurus pertenciam \u00e0 elite escravista. Inclusive o Francisco Silv\u00e9rio Teixeira possu\u00eda 19 escravos. No caso dele, parece que foi mais uma estrat\u00e9gia para p\u00f4r fim ao dom\u00ednio da fam\u00edlia Junqueira e seus aliados na regi\u00e3o\u201d, ressalta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura pol\u00edtica feita pelos escravizados, Andrade avalia&nbsp;que \u201cali mesmo nas propriedades da fam\u00edlia Junqueira eles perceberam n\u00e3o s\u00f3 a ascens\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica de seus senhores, mas tamb\u00e9m as desaven\u00e7as e as inimizades que se instauram. Portanto, se ser caramuru era sin\u00f4nimo de lutar pela liberdade, mesmo que de forma t\u00e3o violenta, eles se tornaram caramurus\u201d.&nbsp;<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que esse 13 de maio \u00e9 pouco conhecido?&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o da Reg\u00eancia \u00e0 Revolta de Carrancas teve uma dupla estrat\u00e9gia, diz Andrade. Por um lado, a puni\u00e7\u00e3o mortal e exemplar. Por outro, o quase silenciamento sobre o tema na imprensa e nos discursos parlamentares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas este n\u00e3o \u00e9 \u00fanico motivo que, na opini\u00e3o do historiador, explica que a rebeli\u00e3o seja t\u00e3o pouco conhecida. Tem a ver, aponta, com o \u201cpercurso da historiografia brasileira\u201d. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Revolta de Carrancas ocorreu numa \u00e1rea rural e a documenta\u00e7\u00e3o mais importante sobre ela, os autos-crime, encontrava-se \u2018adormecida\u2019 no arquivo do Museu Regional de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei&#8221;, explica. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi s\u00f3 em 1992 que um projeto feito por uma institui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica p\u00fablica e pela ent\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o de Ensino Superior de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei&nbsp;(atual UFSJ) mapeou o acervo. Marcos Ferreira de Andrade era bolsista deste projeto. O material \u201ctrazia uma hist\u00f3ria in\u00e9dita e completamente desconhecida da historiografia\u201d, salienta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje descobertas s\u00e3o feitas sobre o epis\u00f3dio. Recentemente, por meio da &#8220;mem\u00f3ria oral&#8221; a respeito &#8220;de um justi\u00e7amento dos escravos mortos em confronto&#8221;, conta Andrade, ao anunciar que em breve ser\u00e3o lan\u00e7adas duas novas produ\u00e7\u00f5es sobre o tema: um livro e um document\u00e1rio. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 exatos 191 anos atr\u00e1s, em 13 de maio de 1833, aconteceu a Revolta de Carrancas. Dois anos depois, em 13 de maio de 1835, quatro insurgentes da Revolta dos Mal\u00eas foram executados. Mais de meio s\u00e9culo depois, em 13 de maio de 1888, \u00e9 assinada a Lei \u00c1urea. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe tratam apenas de coincid\u00eancias de datas de eventos muitos distintos e distantes entre si\u201d, comenta Marcos Ferreira de Andrade. Mas est\u00e3o &#8220;intimamente relacionados \u00e0 vig\u00eancia da escravid\u00e3o no Brasil, em um contexto de sua intensifica\u00e7\u00e3o e de posterior desagrega\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de reportarem ao calend\u00e1rio das revoltas escravas mais emblem\u00e1ticas que ocorreram na d\u00e9cada de 1830&#8221;. Assim, completa,&nbsp;&#8220;n\u00e3o deixam de representar uma daquelas ironias da hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Matheus Alves de Almeida<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte<\/strong>: https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2024\/05\/13\/descubra-o-outro-13-de-maio-revolta-de-carrancas-mg-foi-a-maior-rebeliao-escrava-do-sudeste <\/p>\n\n\n\n<p><strong>O outro 13 de Maio &#8211; Revolta de Carrancas (1833)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_69675\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9m97EeRGR1M?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revolta de Carrancas, no sul de MG, foi a maior rebeli\u00e3o escrava do Sudeste Caguetagem, not\u00edcias falsas, insurrei\u00e7\u00e3o e mortes comp\u00f5em a trama sangrenta de escravizados que lutaram por liberdade Fonte: Gabriela Moncau Belo Horizonte<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13287,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,44,49,35,27,25,29,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13286","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-direito-a-memoria","category-direito-a-terra","category-direitos-dos-quilombolas","category-direitos-humanos","category-luta-pela-terra-e-reforma-agraria","category-movimentos-sociais-populares","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13286"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13286\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13288,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13286\/revisions\/13288"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13287"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}