{"id":13349,"date":"2024-06-01T15:58:14","date_gmt":"2024-06-01T18:58:14","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13349"},"modified":"2024-06-01T15:58:18","modified_gmt":"2024-06-01T18:58:18","slug":"40-anos-de-mst-por-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/40-anos-de-mst-por-frei-betto\/","title":{"rendered":"40 ANOS DE MST\u00a0 &#8211; Por Frei Betto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>40 ANOS DE MST\u00a0 &#8211; Por Frei Betto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20200201-29235-x5nooa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13350\" width=\"700\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20200201-29235-x5nooa.jpg 800w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20200201-29235-x5nooa-300x168.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20200201-29235-x5nooa-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Frei Betto<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) teve origem em 1982, quando 30 trabalhadores rurais e 22 agentes pastorais vinculados \u00e0 CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra) se reuniram em Goi\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A ditadura militar entrava em decl\u00ednio devido ao fracasso econ\u00f4mico e o crescente aumento da mobiliza\u00e7\u00e3o de movimentos populares, como as greves metal\u00fargicas do ABC paulista. O sindicalismo combativo renascia, o PT havia sido fundado dois anos antes, os exilados retornavam, a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds batia \u00e0 porta.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As lutas camponesas pelo acesso \u00e0 terra ressurgiam e a quest\u00e3o agr\u00e1ria ganhava nova configura\u00e7\u00e3o com a mecaniza\u00e7\u00e3o do campo, o uso excessivo de agrot\u00f3xicos, subs\u00eddios estatais e desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias para a expans\u00e3o do latif\u00fandio centrado na monocultura.&nbsp;&nbsp;Em algumas regi\u00f5es, desde 1979 ocorriam ocupa\u00e7\u00f5es de terra, apoiadas pela CPT. Constatou-se a import\u00e2ncia de um movimento aut\u00f4nomo, desvinculado das estruturas da Igreja Cat\u00f3lica, articular as lutas pela terra. Veio a acontecer dois anos depois, em 1984, quando 92 l\u00edderes camponeses decidiram criar o MST.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Doze anos depois, em 1996, o MST j\u00e1 organizado em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, conquistava terras para milhares de fam\u00edlias, e seus acampamentos e assentamentos recebiam apoios de dentro e de fora do Brasil. Naquele ano, se tornou realmente conhecido ao organizar uma marcha camponesa no Par\u00e1, rumo a Bel\u00e9m, para exigir uma audi\u00eancia com o governador Almir Gabriel (PSDB). Em Eldorado dos Caraj\u00e1s a manifesta\u00e7\u00e3o foi cercada por policiais e pistoleiros contratados por grandes empresas agropecu\u00e1rias respons\u00e1veis por grilagem, desmatamento, explora\u00e7\u00e3o mineral e contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas. Um jovem de 19 anos, Oziel Alves, que gritava palavras de ordem para animar seus companheiros, se viu cercado pelos agressores que o obrigaram a ficar de joelhos e o desafiaram a repetir o que dissera ao microfone. Ao gritar \u201cViva o MST\u201d tombou morto pela fuzilaria que ceifou a vida de outros 20 manifestantes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O massacre, em registro fotogr\u00e1fico de Sebasti\u00e3o Salgado, ganhou repercuss\u00e3o internacional. As fotos, exibidas em v\u00e1rios pa\u00edses pela exposi\u00e7\u00e3o Terra, mereceram trilha sonora de Chico Buarque e texto de Jos\u00e9 Saramago.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em resposta, o MST promoveu uma marcha nacional rumo a Bras\u00edlia que mobilizou, de in\u00edcio, 1.300 manifestantes. O governo FHC declarou que eles jamais chegariam \u00e0 Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes. Em 17 de abril de 1997, ao completar um ano do massacre, os sem-terra entraram na capital federal acompanhados por 100 mil pessoas! Desde ent\u00e3o o movimento se tornou importante protagonista na conjuntura brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A segunda grande marcha nacional ocorreu em 2005, no primeiro mandato do governo Lula, para reivindicar um Plano Nacional de Reforma Agr\u00e1ria. Quinze mil manifestantes caminharam 230 km ao longo de 15 dias, de Goi\u00e2nia a Bras\u00edlia, abrigados \u00e0 noite em barracas, utilizando seus pr\u00f3prios banheiros, recebendo alimenta\u00e7\u00e3o de suas cozinhas comunit\u00e1rias. Havia at\u00e9 estruturas para assegurar escolas e lazer \u00e0s crian\u00e7as que acompanhavam seus pais. O coronel Jarbas Passarinho chegou a declarar que no Brasil apenas duas institui\u00e7\u00f5es eram capazes de t\u00e3o admir\u00e1vel organiza\u00e7\u00e3o, o Ex\u00e9rcito e o MST. A Escola Superior de Guerra convidou l\u00edderes do movimento para, em palestra, explicar como obtiveram aquele grau de organiza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao longo dessas quatro d\u00e9cadas o MST criou o espa\u00e7o pr\u00f3prio de forma\u00e7\u00e3o de sua milit\u00e2ncia, a Escola Florestan Fernandes, em Guararema (SP); assentou 450 mil fam\u00edlias que conquistaram terras; organizou 185 cooperativas de produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, al\u00e9m de 120 agroind\u00fastrias pr\u00f3prias; e fez surgir 1.900 associa\u00e7\u00f5es de camponeses. Hoje, o movimento se destaca pela produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica e h\u00e1 mais de dez anos \u00e9 o maior produtor de arroz org\u00e2nico da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do vigor do MST, o Brasil ainda ostenta o vergonhoso t\u00edtulo de abrigar a segunda maior concentra\u00e7\u00e3o de terras do planeta, com 42,5% das propriedades sob controle de menos de 1% dos propriet\u00e1rios (DIEESE, 2011). E mais de 90 mil trabalhadores sem-terra continuam acampados, muitos h\u00e1 anos, vivendo debaixo de lonas pretas, pr\u00f3ximos a grandes latif\u00fandios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, no artigo 184, estabelece que as propriedades agr\u00edcolas precisam cumprir fun\u00e7\u00e3o social \u2013 devem ser produtivas e respeitar direitos trabalhistas e ambientais. Caso n\u00e3o cumpram esses crit\u00e9rios, podem ser desapropriadas para a reforma agr\u00e1ria pelo Estado, respons\u00e1vel por indenizar o propriet\u00e1rio e assentar as fam\u00edlias sem-terra naquelas \u00e1reas, que passam a ser propriedade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O movimento j\u00e1 faz a sua parte. Resta ao governo agilizar a dele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>40 ANOS DE MST\u00a0 &#8211; Por Frei Betto O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) teve origem em 1982, quando 30 trabalhadores rurais e 22 agentes pastorais vinculados \u00e0 CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra) se<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13350,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,38,49,27,30,25,56,29,43,57,26,18],"tags":[],"class_list":["post-13349","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-luta-pela-terra-e-reforma-agraria","category-meio-ambiente","category-movimentos-sociais-populares","category-pedagogia-emancipatoria","category-podcast","category-teologia-da-libertacao","category-videos-de-frei-gilvander"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13349"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13349\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13351,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13349\/revisions\/13351"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}