{"id":13382,"date":"2024-06-15T09:31:01","date_gmt":"2024-06-15T12:31:01","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13382"},"modified":"2024-06-15T09:31:06","modified_gmt":"2024-06-15T12:31:06","slug":"o-caos-atual-destrutivo-e-o-caos-generativo-como-saida-salvadora-por-leonardo-boff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-caos-atual-destrutivo-e-o-caos-generativo-como-saida-salvadora-por-leonardo-boff\/","title":{"rendered":"O caos atual destrutivo e o caos generativo como sa\u00edda\u00a0salvadora \u2013 Por Leonardo Boff"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O caos atual destrutivo e o caos generativo como sa\u00edda\u00a0salvadora \u2013 Por Leonardo Boff<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/images-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13383\" width=\"776\" height=\"516\"\/><figcaption>Leonardo Boff<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Inegavelmente vivemos uma conjun\u00e7\u00e3o de crises de toda ordem. S\u00e3o tantas que nem precisamos cit\u00e1-las. Numa palavra, estamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o de grande caos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 h\u00e1 muitos anos, cientistas vindos das ci\u00eancias da vida e do&nbsp;universo come\u00e7aram a trabalhar com a categoria do caos. Este se apresenta como destrutivo de uma ordem dada e como generativo de uma nova ordem escondida dentro da destrutiva que forceja por nascer.<\/p>\n\n\n\n<p>Realizemos este percurso: inicialmente pensava-se que o universo era est\u00e1tico e regulado por leis determin\u00edsticas. At\u00e9 o pr\u00f3prio Einstein comungava inicialmente desta vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tudo come\u00e7ou a mudar quando um cosm\u00f3logo amador Hubble em 1924 comprovou que o universo n\u00e3o era est\u00e1tico, mas se encontrava em expans\u00e3o e em rota de fuga, para uma dire\u00e7\u00e3o por nos indecifr\u00e1vel. Mais tarde, cientistas perceberam uma onda de baix\u00edssima intensidade e permanente, vindo de todas as partes. Seria o \u00faltimo eco do&nbsp;<em>big ban<\/em>g ocorrido por&nbsp;volta de 13,7 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Aqui estaria a origem do universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto da evolu\u00e7\u00e3o que se mostra n\u00e3o linear, mas que d\u00e1 saltos para frente e para cima, ganhou centralidade o conceito de caos. O&nbsp;<em>big bang<\/em>&nbsp;representaria um incomensur\u00e1vel caos. A evolu\u00e7\u00e3o teria surgido para p\u00f4r ordem nesse caos origin\u00e1rio, criando ordens novas: a mir\u00edade de corpos celestes, as gal\u00e1xias, as estrelas e os planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno do caos resultou da observa\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos aleat\u00f3rios como a forma\u00e7\u00e3o das nuvens e particularmente o que se veio chamar de&nbsp;<em>efeito borboleta.<\/em>&nbsp;Quer dizer: pequenas modifica\u00e7\u00f5es iniciais, como farfalhar das asas de uma borboleta no Brasil, podem provocar, no final um efeito totalmente diferente como uma tempestade sobre Nova York.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque todos os elementos est\u00e3o interligados, tudo est\u00e1 relacionado com tudo e podem complexificar-se de forma surpreendente. Fez-se a constata\u00e7\u00e3o da crescente complexidade de todos os fatores que est\u00e3o na raiz da emerg\u00eancia da vida e em ordens de vida cada vez mais altas (cf. J.Gleick<em>&nbsp;Caos: cria\u00e7\u00e3o de uma nova ci\u00eancia,<\/em>1989).<\/p>\n\n\n\n<p>O sentido \u00e9 este: dentro do caos se escondem virtualidades de um outro tipo de ordem. E vice-versa, por detr\u00e1s da ordem se escondem dimens\u00f5es de caos. Ilya Prigogine (1917-1993), pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica em 1977, estudou particularmente as condi\u00e7\u00f5es que permitem a emerg\u00eancia da vida a partir do caos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo este grande cientista,&nbsp; sempre que existir um sistema aberto, sempre que houver uma situa\u00e7\u00e3o de caos (portanto, fora &nbsp;do equil\u00edbrio) e se constatar a conectividade entre as partes, gera-se uma nova ordem (cf.&nbsp;<em>Order out of Chaos,1984)<\/em>. No caso, a nova ordem emergente seria a vida ou uma forma nova de organizar a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo Ilya Prigogine, existem no seio da vida estruturas dissipativas, num duplo sentido: elas demandam muita energia e assim dissipam esta energia em forma de rejeitos; por outro lado estas estruturas dissipam a entropia e fazem dos rejeitos, base para outras formas de vida. Nada se perde. Tudo se recomp\u00f5e e gera a possibilidade de novas formas de vida e eventualmente de sociedades. Isso indefinidamente, como processo da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentemos aplicar esta compreens\u00e3o ao destrutivo caos atual. Ningu\u00e9m pode dizer que ordem pode surgir, escondida dentro desse caos. &nbsp;Apenas sabemos que uma ordem diferente, dadas certas condi\u00e7\u00f5es socio-hist\u00f3ricas, pode irromper. Quem vai desentranh\u00e1-la e assim&nbsp;superar o caos destrutivo?<\/p>\n\n\n\n<p>O que de certo podemos dizer \u00e9 que a atual ordem ca\u00f3tica imperante no mundo n\u00e3o oferece nenhum subs\u00eddio para superar o caos. Ao contr\u00e1rio, ao lev\u00e1-lo avante, pode nos conduzir a um caminho sem retorno. O resultado final seria o abismo. Bem notava Albert Einstein: \u201ca ideia que criou crise (dir\u00edamos o caos), n\u00e3o ser\u00e1 a mesma que nos tirar\u00e1 dela; temos que mudar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a humanidade se confronta com fundamentais situa\u00e7\u00f5es ca\u00f3ticas que podem amea\u00e7ar sua exist\u00eancia \u2013 creio que estamos dentro delas \u2013 n\u00e3o lhe resta outro caminho&nbsp;sen\u00e3o mudar. Estimo que para esta mudan\u00e7a n\u00e3o nos resta outro caminho melhor sen\u00e3o consultar a nossa pr\u00f3pria natureza humana. Embora contradit\u00f3ria (sapiente e demente) ela se caracteriza por ser um projeto infinito, carregado de potencialidades. Dentro destas potencialidades podem se identificar elementos de uma ordem diferente e melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta se fundar\u00e1, necessariamente, numa nova rela\u00e7\u00e3o para com a natureza, afetiva e respeitosa, sentindo-se parte dela; no amor que pertence ao nosso DNA; na solidariedade que permitiu o salto da animalidade para a humanidade; na fraternidade universal, baseada no mesmo c\u00f3digo gen\u00e9tico, presente em todos os seres vivos; no cultivo do mundo do esp\u00edrito que tamb\u00e9m pertence \u00e0 ess\u00eancia do ser humano. Este nos torna cooperativos e compassivos e nos revela que somos um n\u00f3 de rela\u00e7\u00f5es voltadas em todas as dire\u00e7\u00f5es at\u00e9 para com Aquele Ser que faz ser todos os seres. Assim sair\u00edamos do caos destrutivo rumo ao caos generativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses seriam alguns elementos, entre muitos outros aqui n\u00e3o referidos, que poderiam fundar uma nova ordem e forma de habitar amigavelmente o planeta Terra, tido como Casa Comum, a natureza inclu\u00edda. E assim estar\u00edamos salvos&nbsp;por ter superado o caos destrutivo rumo um caos generativo com um outro horizonte de vida e de futuro civilizat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Leonardo Boff \u00e9 ecote\u00f3logo e fil\u00f3sofo e escreveu&nbsp;<em>Cuidar da Casa Comum:<\/em>&nbsp;pistas para protelar o fim do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caos atual destrutivo e o caos generativo como sa\u00edda\u00a0salvadora \u2013 Por Leonardo Boff[1] Inegavelmente vivemos uma conjun\u00e7\u00e3o de crises de toda ordem. S\u00e3o tantas que nem precisamos cit\u00e1-las. 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