{"id":13401,"date":"2024-06-22T08:54:06","date_gmt":"2024-06-22T11:54:06","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13401"},"modified":"2024-06-22T08:54:10","modified_gmt":"2024-06-22T11:54:10","slug":"o-amor-divino-nas-tempestades-da-vida-nossa-e-do-mundo-mc-4-35-40-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-amor-divino-nas-tempestades-da-vida-nossa-e-do-mundo-mc-4-35-40-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"O Amor Divino nas tempestades da vida (nossa e do mundo) &#8211; Mc 4, 35-40. Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O Amor Divino nas tempestades da vida (nossa e do mundo) &#8211; Mc 4, 35-40. Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"530\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20221226-11986-xk0m6d.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13402\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20221226-11986-xk0m6d.jpeg 800w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-300x199.jpeg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-768x509.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Padre Marcelo Barros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dia 23\/06\/2024, XII Domingo comum, segundo liturgia da igreja cat\u00f3lica. Muitos\/as de n\u00f3s fomos educados e educadas para associar Deus a sil\u00eancio, paz e luz. Comumente n\u00e3o se imagina encontrar Deus no tumulto e na escurid\u00e3o. No entanto, ao se inserir em um mundo violento e tumultuado, Jesus nos revela que Deus tamb\u00e9m pode ser encontrado nas tempestades da vida, nossa e do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No evangelho de Marcos, s\u00f3 existem dois discursos ou fragmentos de discursos de Jesus. No cap\u00edtulo 4, o discurso sobre as par\u00e1bolas do reino de Deus e no cap\u00edtulo 13 sobre o que comumente as pessoas chamam de \u201cfim do mundo\u201d. Ambos os cap\u00edtulos escritos em contexto de crise e sofrimento da comunidade nos anos 70 do primeiro s\u00e9culo, quando o evangelho foi escrito e que trata de crises e sofrimentos de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>No cap\u00edtulo 4, do qual ouvimos alguns trechos nos domingos anteriores, Jesus se defendia de ataques e da rejei\u00e7\u00e3o das pessoas e tinha de explicar porque o reino de Deus parecia tardar.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o texto do evangelho lido neste domingo (Marcos 4, 35 a 40), depois de ter contado as par\u00e1bolas do reinado divino no mundo, Jesus vai com os disc\u00edpulos para \u201co outro lado do lago\u201d , um modo de indicar que \u00e9 preciso \u201cpassar para outro mundo cultural\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O lago da Galileia est\u00e1 localizado em uma depress\u00e3o muito profunda. Fica a mais de 200 metros abaixo do n\u00edvel do mar, sendo cercado por altas montanhas dos contrafortes da cadeia do L\u00edbano e da S\u00edria. Os \u00e1rabes chamam esse lago de <em>Ain Allah<\/em>, o olho de Deus. Em geral, ele \u00e9 calmo e tranquilo. Mas, isso pode mudar. De repente, depois de dias quentes, podem ocorrer correntes de vento que descem quase verticalmente das altas montanhas sobre o lago. Descem como aluvi\u00e3o sobre o espelho das \u00e1guas e&nbsp; levantam ondas altas. Nessa situa\u00e7\u00e3o, torna-se extremamente dif\u00edcil manobrar um barco para alcan\u00e7ar a seguran\u00e7a no meio das ondas que, a cada momento, amea\u00e7am afund\u00e1-lo. \u00c0s vezes, com a mesma rapidez, o lago volta a ficar tranquilo e pac\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, v\u00e1rias vezes, Jesus e os seus disc\u00edpulos devem ter vivido essas situa\u00e7\u00f5es de tempestades no lago. Sobre uma dessas vezes, o evangelho construiu essa par\u00e1bola sobre como a comunidade crist\u00e3 do evangelho enfrentou os conflitos, divis\u00f5es e sofrimentos internos e externos em meio aos tumultos e tormentas da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a travessia que Jesus e os disc\u00edpulos fazem de um a outro lado do lago descreve um itiner\u00e1rio geogr\u00e1fico, mas tamb\u00e9m cont\u00e9m um significado simb\u00f3lico. Em termos de geografia, Marcos situa os dois lados do lago de Genesar\u00e9 (que ele chama de \u201cmar\u201d), assim como as duas margens do rio Jord\u00e3o, como fronteiras entre duas culturas ou entre duas realidades: do lado oeste, entre o Mediterr\u00e2neo e a margem ocidental do lago e do rio, ficava a Judeia, Samaria e Galileia. Era a terra do povo da B\u00edblia. Do outro lado, o lado oriental,&nbsp; ficavam as cidades estrangeiras e as culturas do Imp\u00e9rio Romano que dominava toda aquela regi\u00e3o. (Mateus os chama de pag\u00e3os).<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos hist\u00f3ricos, essa distin\u00e7\u00e3o nem teria sido muito real. No entanto, o evangelho o usa como recurso pedag\u00f3gico. Assim, para atravessar o lago (que o Evangelho chama &#8220;mar&#8221;), de fato, Jesus vai de um mundo cultural e religioso a outro. Al\u00e9m disso, no caso da cultura dominante na \u00e9poca de Jesus e dos evangelhos,&nbsp; \u201cpassar para o outro lado\u201d, al\u00e9m de significar a abertura para outra cultura, tinha tamb\u00e9m um conte\u00fado antirracista. Para a cultura dominante, todo estrangeiro era considerado como algu\u00e9m inferior. N\u00f3s que vivemos em uma sociedade estruturalmente racista, precisamos retomar essa profecia antirracista do evangelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Este fala de diferentes travessias, mas Marcos d\u00e1 mais import\u00e2ncia a duas hist\u00f3rias que ele conta em cap\u00edtulos diferentes (Marcos 4, 35- 40 e 6, 45- 52).<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira travessia teria ocorrido logo depois do discurso sobre o reino de Deus. Na B\u00edblia, a noite tem um sentido simb\u00f3lico de trevas e escurid\u00e3o. Provavelmente, o texto diz que chegou a noite para destacar que&nbsp; os disc\u00edpulos n\u00e3o acreditaram naquilo que Jesus tinha proposto.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m podemos fazer dessas passagens uma leitura simb\u00f3lica das tempestades interiores e ps\u00edquicas que, muitas vezes, vivemos. Somos como os disc\u00edpulos aterrorizados com as ondas. Enquanto afundamos, Jesus parece estar dormindo tranquilamente. Alguns salmos da B\u00edblia t\u00eam essa express\u00e3o: &#8220;Acorda, Senhor, porque tu dormes?&#8221; (Sl 44).<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que no Evangelho, essas cenas de tempestade no lago s\u00e3o contadas com as mesmas express\u00f5es usadas nas cenas de exorcismos (expuls\u00e3o de esp\u00edritos malignos). Por exemplo, quando o texto diz que Jesus repreendeu (em grego: exsorcizz\u00f3) o vento e disse ao mar: Cala-te!. Para o evangelho, isso quer dizer que energias impuras que muitas vezes podem tomar posse do interior das pessoas, tamb\u00e9m podem controlar a natureza. Hoje, muitos falam em libertar a terra, livrando a natureza dos dem\u00f4nios do capitalismo e da ambi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Marcos, a comunidade enfrenta a tempestade ao decidir \u201cpassar para o outro lado&#8221;. \u00c9 uma viagem para o desconhecido. Uma travessia na dire\u00e7\u00e3o das pessoas de fora, um encontro com as outras pessoas, as diferentes das que encontramos sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a Igreja Cat\u00f3lica e de certa forma as Igrejas hist\u00f3ricas est\u00e3o em crise. Na Igreja Cat\u00f3lica, grupos tradicionalistas culpam o Conc\u00edlio Vaticano II pela crise. Nas Igrejas evang\u00e9licas hist\u00f3ricas, alguns responsabilizam o ecumenismo ou o Conselho Mundial de Igrejas que, por abrir as Igrejas ao mundo, teriam provocado a crise.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, o papa Francisco tem acentuado a urg\u00eancia das Igrejas se abrirem \u00e0 humanidade atual, acolherem todos os tipos e categorias de pessoas, se solidarizarem aos migrantes e \u00e0s v\u00edtimas do Capitalismo no mundo. Ele revela que o que faz mal \u00e0 Igreja \u00e9 o clericalismo, como tamb\u00e9m a cumplicidade com o poder e o que chama de \u201cmundanismo lit\u00fargico\u201d, a superficialidade de um culto que se contenta com a formalidade externa e a idolatria do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>A renova\u00e7\u00e3o das Igrejas, provocada pelo Movimento Ecum\u00eanico, assim como pelo Conc\u00edlio Vaticano II na Igreja Cat\u00f3lica provocam uma crise ben\u00e9fica porque revelam os problemas e doen\u00e7as j\u00e1 existentes e, ao contr\u00e1rio, conseguem, ao menos em parte, redimension\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>No texto do evangelho que escutamos, hoje, no meio da tempestade, os disc\u00edpulos na barca, percebem que Jesus est\u00e1 ali, junto com eles, mas dorme.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria bom que reflitamos sobre situa\u00e7\u00f5es de tempestade e inseguran\u00e7a que j\u00e1 vivemos. Em situa\u00e7\u00f5es assim, como a f\u00e9 nos ajudou? Foi poss\u00edvel sentir a comunh\u00e3o com Deus durante o enfrentamento dos problemas ou n\u00e3o? Que possamos, no meio das tempestades nossas e do mundo, escutarmos a Palavra de Jesus que nos traz Paz e Confian\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Amor Divino nas tempestades da vida (nossa e do mundo) &#8211; Mc 4, 35-40. Por Marcelo Barros Dia 23\/06\/2024, XII Domingo comum, segundo liturgia da igreja cat\u00f3lica. 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