{"id":13410,"date":"2024-06-23T10:07:21","date_gmt":"2024-06-23T13:07:21","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13410"},"modified":"2024-06-23T10:09:36","modified_gmt":"2024-06-23T13:09:36","slug":"13410-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/13410-2\/","title":{"rendered":"Carta Aberta dos Povos Ribeirinhos, Agricultores, Pescadores, Extrativistas que vivem nos lagos, igarap\u00e9s e paran\u00e1s do Beirad\u00e3o do rio Madeira, de Humait\u00e1 e Manicor\u00e9, sul do Amazonas"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Carta Aberta dos Povos Ribeirinhos, Agricultores, Pescadores, Extrativistas que vivem nos lagos, igarap\u00e9s e paran\u00e1s do Beirad\u00e3o do rio Madeira, de Humait\u00e1 e Manicor\u00e9, sul do Amazonas.<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/images-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13412\" width=\"780\" height=\"437\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, Povos Origin\u00e1rios e Comunidades Tradicionais, Guardi\u00f5es da Floresta Amaz\u00f4nica, que vivemos nos lagos, igarap\u00e9s, paran\u00e1s do Beirad\u00e3o no Rio Madeira em \u00e1reas de v\u00e1rzea e terra firme, do munic\u00edpio de Humait\u00e1 e Manicor\u00e9, sul do Amazonas, estivemos reunidos no curso de forma\u00e7\u00e3o B\u00edblia e Ecologia, da \u00c1rea Mission\u00e1ria da Diocese de Humait\u00e1, durante os dias 25 a 27 de abril de 2024, com a presen\u00e7a das lideran\u00e7as comunit\u00e1rias dos setores (nomes XXXXXX), das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e n\u00facleos de pesquisa: CPT<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> de Rond\u00f4nia, CEBs<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e CPT de Minas Gerais, C\u00e1ritas da Diocese de Humait\u00e1 e N\u00facleo de Estudos de Pol\u00edticas Territoriais na Amaz\u00f4nia da UFAM<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Queremos denunciar que nosso modo de vida, nossa cultura tradicional ribeirinha desde tempos ancestrais, al\u00e9m de nossos direitos \u00e0 terra e ao territ\u00f3rio, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente saud\u00e1vel est\u00e3o sendo amea\u00e7ados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a implementa\u00e7\u00e3o dos grandes projetos governamentais como o Usina Hidrel\u00e9trica (UHE) Santo Ant\u00f4nio e Jirau, o rio Madeira piorou muito. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o nos atingindo diretamente, com eventos extremos nunca vistos antes. Em 2014 enfrentamos uma grande enchente que destruiu muitas comunidades ribeirinhas em todo o Beirad\u00e3o; em 2023 tivemos uma grande seca que impediu a comercializa\u00e7\u00e3o de nossos produtos e aumentou ainda mais as dificuldades de viver, de estudar, de nos deslocarmos das comunidades para a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o rio Madeira amea\u00e7ado, nossa vida tamb\u00e9m est\u00e1 amea\u00e7ada, pois \u00e9 do rio Madeira que tiramos nosso sustento, mata nossa fome e nossa sede.&nbsp; \u00c9 o nosso caminho! \u00c9 nossa estrada! Toda mudan\u00e7a nos atinge. Secando o rio, seca nossos territ\u00f3rios, mata os peixes, impede os peixes de procriarem, mata nossos povos de fome, prejudica nossa cultura de vazante, prejudica nosso solo. Essa situa\u00e7\u00e3o tem obrigado muitas fam\u00edlias a se sentirem inseguras e abandonarem suas terras, tentando sobreviver com muitas dificuldades nas periferias da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa juventude est\u00e1 com a continuidade de seus estudos prejudicada, pois o ensino m\u00e9dio, que \u00e9 realizado via media\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica em alguns locais ainda n\u00e3o come\u00e7ou neste ano de 2024. Por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es, como a falta de transporte dos jovens para as comunidades polos, falta de merenda, mas a principal \u00e9 a falta de professores que residam nas comunidades. Essa situa\u00e7\u00e3o tem contribu\u00eddo para a evas\u00e3o escolar e deslocamento for\u00e7ado das fam\u00edlias para cidade em busca de escola para seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta disso, nos preocupamos com essa realidade, pois coloca em risco a nossa exist\u00eancia enquanto comunidades tradicionais ribeirinhas do Beirad\u00e3o, lagos e igarap\u00e9s do rio Madeira. Nossos direitos est\u00e3o sendo violados, sobretudo, porque a educa\u00e7\u00e3o escolar \u00e9 direito constitucional, que est\u00e1 nos sendo negado. Vivemos ainda uma generalizada falta de informa\u00e7\u00f5es, temos conhecimento de nossos direitos, mas estamos em &nbsp;inseguran\u00e7a jur\u00eddica em nossos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguimos ter acesso a nenhum tipo de financiamento. Muitas fam\u00edlias, sem alternativas, s\u00e3o obrigadas a irem para garimpo e lamentam profundamente os modos como o governo federal tem agido, inclusive causando danos ambientais muito perverso quando explodem as pequenas balsas das fam\u00edlias, cobertas de palha e lona, locais onde muitos residem com suas fam\u00edlias, e com o ateamento de fogo nelas tiveram seus destro\u00e7os jogados no rio, lagos e igarap\u00e9s. Pol\u00edtica de repress\u00e3o para quest\u00e3o social \u00e9 injusti\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Destacamos que muitas fam\u00edlias vivem perto do rio e n\u00e3o t\u00eam acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel, pois o rio Madeira j\u00e1 apresenta \u00edndices graves de contamina\u00e7\u00e3o de merc\u00fario, conforme dados das Universidades P\u00fablicas e Institutos de pesquisa. Al\u00e9m da exist\u00eancia de comunidades que n\u00e3o tem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel;<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de mais presen\u00e7a do governo com pol\u00edticas p\u00fablicas que levem em considera\u00e7\u00e3o nossas realidades, como:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Apoio \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos da agricultura familiar;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Apoio \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es nas comunidades ribeirinhas;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Saneamento b\u00e1sico nas comunidades \u00e0 beira do rio;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Dragagem (limpeza do rio) na \u00e9poca da seca;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Projetos de reflorestamento;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Constru\u00e7\u00e3o de po\u00e7os artesianos;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Recupera\u00e7\u00e3o da mata ciliar;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Campanha para utiliza\u00e7\u00e3o racional do uso da \u00e1gua;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Incentivo da agricultura org\u00e2nica e a uso de produtos florestais, n\u00e3o madeireiros, como \u00f3leos essenciais, castanha, a\u00e7a\u00ed, copa\u00edba, andiroba.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Remunera\u00e7\u00e3o dos ribeirinhos pelo trabalho de preserva\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Humait\u00e1, AM, 10 de maio de 2024.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Comiss\u00e3o Pastoral da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Comunidades Eclesiais de Base.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Universidade Federal do Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obs<\/strong>.: Abaixo, a Carta Aberta dos Povos Ribeirinhos, em pdf, com timbre da Diocese de Humait\u00e1. <\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Carta-Aberta-dos-Povos-Ribeirinhos-do-rio-Madeira-maio-de-2024.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:600px\" aria-label=\"Incorporado de Incorporado de Carta-Aberta-dos-Povos-Ribeirinhos-do-rio-Madeira-maio-de-2024..\"><\/object><a id=\"wp-block-file--media-091f6de3-7177-4dbd-bf97-ef664a554e4c\" href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Carta-Aberta-dos-Povos-Ribeirinhos-do-rio-Madeira-maio-de-2024.pdf\">Carta-Aberta-dos-Povos-Ribeirinhos-do-rio-Madeira-maio-de-2024<\/a><a href=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Carta-Aberta-dos-Povos-Ribeirinhos-do-rio-Madeira-maio-de-2024.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-091f6de3-7177-4dbd-bf97-ef664a554e4c\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Aberta dos Povos Ribeirinhos, Agricultores, Pescadores, Extrativistas que vivem nos lagos, igarap\u00e9s e paran\u00e1s do Beirad\u00e3o do rio Madeira, de Humait\u00e1 e Manicor\u00e9, sul do Amazonas. 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