{"id":13447,"date":"2024-07-06T07:35:00","date_gmt":"2024-07-06T10:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13447"},"modified":"2024-07-06T07:35:05","modified_gmt":"2024-07-06T10:35:05","slug":"a-profecia-que-incomoda-e-parece-fracassar-mc-61-6-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-profecia-que-incomoda-e-parece-fracassar-mc-61-6-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"A profecia que incomoda e parece fracassar (Mc 6,1-6) \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A profecia que incomoda e parece fracassar (Mc 6,1-6) \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"900\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13448\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed.jpg 900w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-300x300.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-150x150.jpg 150w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>Padre e monge Marcelo Barros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste XIV Domingo comum, 07\/07\/2024, devemos refletir. Atualmente, vivemos em um mundo no qual not\u00edcias falsas (fake-news) parecem fazer mais sucesso do que a verdade. A publicidade que se repete exaustivamente convence mais do que qualquer argumento racional.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da f\u00e9, o Mist\u00e9rio Divino s\u00f3 \u00e9 percept\u00edvel pelo amor e n\u00e3o d\u00e1 provas de si mesmo. D\u00e1 apenas sinais que podem ser acolhidos ou ser rejeitados. Muitas vezes, a profecia aparece como a palavra ou atitude de algu\u00e9m ou de uma comunidade que age na contram\u00e3o da expectativa geral ou do senso comum. Nessa perspectiva, a profecia \u00e9 fr\u00e1gil. Carlos Mesters a comparava com uma flor sem defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho de Marcos j\u00e1 tinha mostrado no cap\u00edtulo 3 que os religiosos da sinagoga tinham rejeitado a profecia de Jesus (Mc 3,6) e depois ele foi rejeitado pelos pr\u00f3prios parentes (Mc 3,20&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, no texto lido neste XIV domingo comum, (Marcos 6,1-6), o evangelho mostra que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a fam\u00edlia mais pr\u00f3xima. S\u00e3o os pr\u00f3prios conterr\u00e2neos de Jesus em sua cidade de origem que o rejeitam. Mateus e Lucas dizem claramente que se tratava de Nazar\u00e9. Marcos n\u00e3o d\u00e1 o nome da cidade. Mostra Jesus de volta \u00e0 sua terra e sendo objeto de rejei\u00e7\u00e3o e descren\u00e7a por parte de parentes e conterr\u00e2neos. Conforme o relato de Marcos, \u00e9 a \u00faltima vez que Jesus vai \u00e0 sinagoga. E sua miss\u00e3o \u00e9 um fracasso. Lucas conta a mesma coisa, quando diz que Jesus se apresentou na sinagoga de Nazar\u00e9 (Cap\u00edtulo 4,16 ss). Em seu in\u00edcio, o quarto Evangelho diz: &#8220;Ele veio para o que era seu e os seus n\u00e3o o receberam&#8221; (Jo 1,11).<\/p>\n\n\n\n<p>Marcos n\u00e3o diz a raz\u00e3o pela qual Jesus foi rejeitado. Lucas afirma que na sinagoga de Nazar\u00e9, Jesus anunciou que a salva\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 para todas as pessoas e n\u00e3o apenas para as religiosas. Afirmou que, apesar de que, na \u00e9poca, havia muitas vi\u00favas em Israel, Deus tinha enviado o profeta Elias para socorrer uma vi\u00fava de Sarepta no estrangeiro. Havia em Israel muitos leprosos e Deus mandou Elias curar Naaman, o s\u00edrio. Foi essa insist\u00eancia de Jesus sobre a rela\u00e7\u00e3o com as pessoas de fora que tinha provocado a ira e a rejei\u00e7\u00e3o da sinagoga (Cf Lc 4,26-28).<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento ou pretexto usado para n\u00e3o acreditar nele foi o fato de que ele era uma pessoa comum. Diziam: \u201cn\u00f3s sabemos tudo sobre ele &#8211; N\u00e3o \u00e9 o carpinteiro, filho de Maria? Por acaso, n\u00e3o conhecemos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s? &#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cultura daquele tempo, denominar algu\u00e9m como filho de uma mulher e n\u00e3o mencionar seu pai significava que essa pessoa n\u00e3o era filho leg\u00edtimo. Era, como se diz no meio do povo, um \u201cfilho da m\u00e3e\u201d. Talvez at\u00e9, ao mencionar apenas a sua m\u00e3e, o pessoal o estivesse abandonando a pr\u00f3pria m\u00e3e-vi\u00fava, j\u00e1 que, como filho mais velho, ele deveria se responsabilizar por ela. O fato \u00e9 que, visto de perto e assim a partir da sua realidade de parentesco, a profecia de Jesus \u00e9 rejeitada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas se perguntam: De onde vem essa sabedoria? Para o tipo de f\u00e9 que aquelas pessoas tinham, a imagem de Deus e do profeta n\u00e3o poderia ser assim t\u00e3o simples e t\u00e3o da vida comum. Eles imaginavam Deus presente nas coisas extraordin\u00e1rias, mas n\u00e3o no dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquela rea\u00e7\u00e3o dos conterr\u00e2neos de Nazar\u00e9 na Galileia a Jesus continua ocorrendo at\u00e9 hoje em quest\u00f5es. H\u00e1 pessoas que rejeitam um pol\u00edtico por ele n\u00e3o ter diploma de curso superior e criticam negativamente um pastor por esse n\u00e3o usar linguagem de doutor. At\u00e9 hoje, h\u00e1 pessoas que distinguem religi\u00f5es de primeira classe e religi\u00f5es populares ou primitivas que n\u00e3o teriam a mesma dignidade de outras.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio da caminhada das comunidades, muitas vezes, pais e m\u00e3es de santo, Xam\u00e3s e profetas de tradi\u00e7\u00f5es espirituais vivem uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que os obriga a viver do seu minist\u00e9rio. Isso gera desconfian\u00e7as e problemas. Nada tem a ver com uma religi\u00e3o de resultados ou a teologia da prosperidade\/dom\u00ednio que faz de Deus instrumento de neg\u00f3cios a servi\u00e7o do pastor. \u00c9 simplesmente a realidade humana que toma fisionomia concreta no plano econ\u00f4mico e social.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme os evangelhos, ao se sentir em crise e sem credibilidade assegurada, Jesus se compara ao profeta Jonas. Assim como Deus falou e conduziu Jonas, mesmo se este era um profeta contradit\u00f3rio e fr\u00e1gil, tamb\u00e9m Jesus nos diz que se n\u00e3o aceitarmos os profetas e profetizas do povo, por causa de suas fragilidades, n\u00e3o teremos palavra de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O fracasso da profecia na institui\u00e7\u00e3o religiosa oficial n\u00e3o fez Jesus desistir da sua profecia. Em um mundo que parece se inclinar cada vez mais para a direita e para uma organiza\u00e7\u00e3o desumana da sociedade, a profecia da justi\u00e7a ecossocial, da inclus\u00e3o de todas as pessoas e culturas e da transforma\u00e7\u00e3o do mundo parece irrelevante. Nas Igrejas, muitos setores do clero e da hierarquia parecem tamb\u00e9m apegados ao modelo eclesial da Cristandade. N\u00e3o pode haver profecia se a perspectiva \u00e9 manter uma Cristandade colonizadora, exclusivista e no fundo baseada no poder como sagrado e n\u00e3o no amor. N\u00e3o adianta substituir as formas ainda vigentes de Cristandade de direita por uma nova Cristandade de esquerda. Ao substituir um autoritarismo clerical fechado e \u201cde direita\u201d por um autoritarismo igualmente clerical s\u00f3 que de esquerda, estar\u00edamos de todo modo rejeitando a profecia de Jesus que pede transforma\u00e7\u00e3o de modelo e n\u00e3o apenas trocar os m\u00f3veis de lugar na mesma sala.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Jonas, s\u00e3o fr\u00e1geis as comunidades que nos trazem a profecia de Deus. S\u00e3o movimentos populares, s\u00e3o comunidades de base e s\u00e3o os seus e suas representantes. Os Jonas de hoje somos n\u00f3s mesmos, eu e voc\u00eas. Isso n\u00e3o pode ser dito para justificar nossas incoer\u00eancias e defeitos, mas reafirma que Deus se serve do que \u00e9 humano e mesmo do que \u00e9 amb\u00edguo para nos dar a sua palavra e nos alimentar com a sua profecia. <strong>A profecia tem a for\u00e7a do Esp\u00edrito, mas em um corpo de barro, f\u00e1cil de quebrar.<\/strong> Seja como for, para n\u00f3s, n\u00e3o h\u00e1 outro caminho de busca da intimidade divina, a n\u00e3o ser na profecia. Vamos acolh\u00ea-la e viv\u00ea-la, mesmo em sua fragilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A profecia que incomoda e parece fracassar (Mc 6,1-6) \u2013 Por Marcelo Barros Neste XIV Domingo comum, 07\/07\/2024, devemos refletir. 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