{"id":13791,"date":"2024-11-14T11:49:33","date_gmt":"2024-11-14T14:49:33","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13791"},"modified":"2024-11-14T11:49:38","modified_gmt":"2024-11-14T14:49:38","slug":"mc-1324-32-para-onde-vai-a-historia-evangelho-para-alem-dos-templos-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/mc-1324-32-para-onde-vai-a-historia-evangelho-para-alem-dos-templos-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Mc 13,24-32: PARA ONDE VAI A HIST\u00d3RIA? Evangelho para al\u00e9m dos temp(l)os. Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Mc 13,24-32: PARA ONDE VAI A HIST\u00d3RIA? Evangelho para al\u00e9m dos temp(l)os. Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"900\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/unnamed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13792\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/unnamed.jpg 900w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/unnamed-300x300.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/unnamed-150x150.jpg 150w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/unnamed-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>Marcelo Barros, padre e monge beneditino, te\u00f3logo e biblista<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste XXXIII domingo, o pen\u00faltimo do ano comum, escutamos um trecho do cap\u00edtulo 13 do evangelho de Marcos, que \u00e9 trecho de um discurso de Jesus, o segundo e \u00faltimo, que \u00e9 transcrito pelo evangelho de Marcos: Mc 13,24-32.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um discurso feito em estilo apocal\u00edptico. No mundo atual, \u00e9 comum as pessoas falarem em Apocalipse para se referirem a cat\u00e1strofes que amea\u00e7am o mundo. No entanto, na cultura judaica, Apocalipse (em grego: revela\u00e7\u00e3o) \u00e9 um estilo liter\u00e1rio para simbolicamente falar de como podemos superar os problemas que enfrentamos no momento presente. V\u00e1rios textos do Novo Testamento t\u00eam estilo apocal\u00edptico. N\u00e3o podem ser interpretados ao p\u00e9 da letra como se fossem uma cr\u00f4nica do que ir\u00e1 acontecer. Este evangelho foi escrito na d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo I, uns 40 anos ap\u00f3s Jesus ter estado no meio do povo e sido condenado em Jerusal\u00e9m. Mc 13,24-32 \u00e9 evangelho em g\u00eanero liter\u00e1rio apocal\u00edptico, tem o objetivo de animar a esperan\u00e7a no meio de muita tribula\u00e7\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o que envolve repreens\u00e3o (censura), opress\u00e3o (explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica) e repress\u00e3o (viol\u00eancia militar e pol\u00edtica).<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto desse evangelho \u00e9 de conflito entre Jesus e as autoridades religiosas do templo de Jerusal\u00e9m. Nos seus \u00faltimos dias antes da paix\u00e3o, Jesus vai ao Monte das Oliveiras, que, conforme alguns textos prof\u00e9ticos, ser\u00e1 o local a partir do qual o Messias viria para instaurar o seu reinado libertador.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho de Marcos op\u00f5e o Monte das Oliveiras ao templo de Jerusal\u00e9m e \u00e9 ali, fora da cidade e no meio da natureza, sem ser em nenhum santu\u00e1rio que Jesus anuncia a vinda do Filho do Homem (o Humano divino) sobre as nuvens do c\u00e9u e depois compara os tempos que vir\u00e3o com a figueira que d\u00e1 frutos no ver\u00e3o. Atrav\u00e9s destas figuras, Jesus nos ajuda a interpretar os acontecimentos da hist\u00f3ria a partir do seu projeto de amor, justi\u00e7a e paz.<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo de Jesus, era comum comparar os imp\u00e9rios da terra com as constela\u00e7\u00f5es do c\u00e9u, reis e rainhas com astros luminosos no c\u00e9u, como hoje se fala em \u201cestrelas do cinema\u201d, ou \u201castros do esporte\u201d. O profeta Isa\u00edas j\u00e1 tinha escrito que quando as luzes do c\u00e9u ficarem confusas, os reis da terra ser\u00e3o aprisionados (Cf. Is 24,22).<\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente, por tr\u00e1s deste discurso de Jesus, est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o conflitiva das comunidades crist\u00e3s dos anos 70 do s\u00e9culo I, que assistiam a rebeli\u00e3o judaica contra as tropas romanas e se sentiam tentadas a colaborar com o movimento de liberta\u00e7\u00e3o. Diante da destrui\u00e7\u00e3o do templo e da cidade de Jerusal\u00e9m pelo ex\u00e9rcito do imp\u00e9rio romano, muita gente pensava que tudo tinha chegado ao fim. At\u00e9 hoje, h\u00e1 pessoas que, diante de tantos problemas atuais da sociedade, dizem: \u00e9 o fim do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto em que viveram as comunidades crist\u00e3s durante a guerra entre romanos e judeus, Marcos garante para Jesus isso que hoje se chama \u201clugar de fala\u201d. No seu discurso, Jesus prop\u00f5e aos disc\u00edpulos e \u00e0s disc\u00edpulas como interpretar a realidade, discernir se \u00e9 mesmo o fim ou ainda n\u00e3o e como suportar a crise inerente \u00e0queles dias. O objetivo \u00e9 animar a resist\u00eancia e ajudar as comunidades a superar a crise, a tribula\u00e7\u00e3o experimentada. No come\u00e7o do discurso, Jesus insiste v\u00e1rias vezes: vigiem. E no final, acrescenta: acordem!<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem, hoje, l\u00ea essas imagens de Jesus sobre os astros do c\u00e9u que caem, a tradu\u00e7\u00e3o atual \u00e9 que \u00e9 urgente n\u00e3o acreditar no dogma do neoliberalismo que prega que as coisas t\u00eam de ser assim mesmo e que n\u00e3o h\u00e1 outra alternativa. N\u00e3o. O evangelho nos diz que essa ordem brutalmente injusta que reina no mundo, que parece celeste e une terra e c\u00e9u, tem de ser rompida. E o Humano-divino que aparece sobre as nuvens \u00e9 a imagem de uma nova humanidade que vem de Deus (aparece do alto sobre as nuvens) e que re\u00fane as pessoas eleitas de um extremo da terra a outro. Hoje n\u00f3s dir\u00edamos: organiza os movimentos sociais, as diversas iniciativas da sociedade humana e inaugura o reino de Deus nesta terra, reino de amor, justi\u00e7a e paz, o que inclui a supera\u00e7\u00e3o do sistema do capital, que idolatra um mercado que pisa, violenta e mata a dignidade humana e a dignidade de todos os seres vivos da nossa Casa Comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, crist\u00e3os e crist\u00e3s, Jesus ressuscitado \u00e9 imagem desta humanidade nova. Encarna na sua pessoa este Filho do Homem, ou Humano que se torna meta da hist\u00f3ria e do cosmos. O ensinamento e o testeminho de Jesus \u00e9 nossa garantia de que a hist\u00f3ria tem sentido, a humanidade tem salva\u00e7\u00e3o e a vida triunfa da morte, assim como o amor vence o desamor e o caos.<\/p>\n\n\n\n<p>A par\u00e1bola da figueira \u00e9 uma imagem que vem dos profetas e o pr\u00f3prio Jesus j\u00e1 tinha usado nos cap\u00edtulos anteriores (11) como sinal do templo e do Israel preso \u00e0 lei. Jesus tinha revelado que a figueira n\u00e3o tem fruto e s\u00f3 d\u00e1 folhas. Agora ele diz que o pr\u00f3prio fato de aparecer folhas, sinaliza que o ver\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3ximo. Assim tamb\u00e9m, \u00e9 preciso sabermos ler e interpretar os sinais da hist\u00f3ria que s\u00e3o como sinais do ver\u00e3o de Deus. Toda crise d\u00f3i, mas \u00e9 f\u00e9rtil.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios anos em que o papa Francisco instituiu que neste XXXIII domingo do ano, o pen\u00faltimo do ano lit\u00fargico, se celebrasse nas Igrejas o \u201cdia mundial do pobre\u201d. N\u00e3o se trata apenas de refletir sobre a pobreza e sim intensificar os sinais de comunh\u00e3o e de partilha com as pessoas e comunidades pobres. \u00c9 preciso acreditarmos que \u00e9 a partir dos\/das pobres que vivem segundo a l\u00f3gica do amor e da partilha de vida que a hist\u00f3ria se renovar\u00e1 e poder\u00e1 haver salva\u00e7\u00e3o para toda a humanidade e para a m\u00e3e-Terra.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cMuito maior que a morte \u00e9 a vida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Um poeta sem orgulho \u00e9 um homem de dores,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>muito mais \u00e9 de alegrias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A seu cripto modo anuncia,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00e0s vezes, quase inaud\u00edvel<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>em delicado c\u00f3digo:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00b4Cuidado, entre as gretas do muro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>est\u00e1 nascendo a erva&#8230;\u00b4<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que a fonte da vida \u00e9 Deus<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>h\u00e1 infinitas maneiras de entender\u201d(Ad\u00e9lia Prado).<\/em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mc 13,24-32: PARA ONDE VAI A HIST\u00d3RIA? 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