{"id":13805,"date":"2024-11-18T07:27:54","date_gmt":"2024-11-18T10:27:54","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13805"},"modified":"2024-11-18T21:27:47","modified_gmt":"2024-11-19T00:27:47","slug":"jo-1833b-37-jesus-cristo-pastor-do-universo-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/jo-1833b-37-jesus-cristo-pastor-do-universo-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Jo 18,33b-37: FESTA DE CRISTO-REI? JESUS CRISTO, PASTOR DO UNIVERSO \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Jo 18,33b-37: <strong>FESTA DE CRISTO-REI?<\/strong><\/strong> <strong><strong>JESUS CRISTO, PASTOR DO UNIVERSO<\/strong><\/strong> \u2013 Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<p><em>No olhar da gente, a certeza do irm\u00e3o: reinado do povo!<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/hqdefault.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13806\" width=\"778\" height=\"584\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/hqdefault.jpg 480w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/hqdefault-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px\" \/><figcaption>Marcelo Barros, irm\u00e3o monge beneditino, padre, biblista e te\u00f3logo da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste ano, no XXXIV Domingo do Tempo Comum, o evangelho lido pelas comunidades \u00e9 o antigo evangelho desta festa: Jo\u00e3o 18,33b-37. Mostra a cena na qual Jesus est\u00e1 preso no pal\u00e1cio do governador romano. Ele j\u00e1 tinha sido condenado pelo tribunal religioso judaico, o sin\u00e9drio. Depois disso, o torturaram e o levaram ao governador P\u00f4ncio Pilatos para que esse o interrogasse e o condenasse \u00e0 morte. O governador Pilatos inicia o interrogat\u00f3rio, justamente pela pergunta: \u201cTu \u00e9s rei?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, um governador romano da prov\u00edncia da Palestina jamais se envolveria pessoalmente em uma briga de judeus que ele considerava b\u00e1rbaros e selvagens, se n\u00e3o tivesse por motivo a acusa\u00e7\u00e3o de que o condenado fosse um subversivo e estivesse diretamente atentando contra o dom\u00ednio romano. Se n\u00e3o fosse por subvers\u00e3o pol\u00edtica clara, que tomasse propor\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, jamais Jesus teria ido diretamente at\u00e9 o tribunal do governador. E o letreiro que colocaram na cruz deixa claro o motivo da sua condena\u00e7\u00e3o: Rei dos Judeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que Jesus assumiu ter como miss\u00e3o ser Messias libertador do povo, embora ele se propusesse a cumprir essa miss\u00e3o de forma muito nova e surpreendente. Nesse sentido, ele respondeu a Pilatos: \u201cTu mesmo est\u00e1s reconhecendo isso. Sim, eu sou rei. Para isso, nasci e para isso, vim ao mundo, para dar testemunho da verdade e quem \u00e9 da verdade, escuta a minha voz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que Jesus veio ao mundo para testemunhar de que Deus n\u00e3o \u00e9 velhaco ou caloteiro, ou seja, algu\u00e9m que promete e n\u00e3o cumpre. Jesus veio para testemunhar com a sua vida que as promessas divinas s\u00e3o verdadeiras, se cumprem e que, portanto, ele n\u00e3o \u00e9 profeta falso. <strong>O reinado divino, de fato, acontecer\u00e1 no mundo<\/strong>. Ele ensinou os disc\u00edpulos a orar: \u201cVenha a n\u00f3s (para este mundo) o teu reino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algum tempo, um grupo de teatro encenou uma pe\u00e7a que retratava a chegada de romeiros do Padre C\u00edcero a Juazeiro do Norte. E aquele grupo, para criticar a aparente aliena\u00e7\u00e3o dos devotos, os mostrava como uma prociss\u00e3o de gente faminta, estropiada, que, entretanto, cantava o salmo 23: \u201cO Senhor \u00e9 o meu Pastor. Nada me pode faltar\u201d. Cantavam isso n\u00e3o como protesto para denunciar que aquela profecia n\u00e3o se cumpria e sim como se, de fato, sentissem na sua vida essa prote\u00e7\u00e3o. Depois, emendaram com o c\u00e2ntico atribu\u00eddo a Maria: \u201cO Senhor fez em mim maravilhas. Santo \u00e9 o seu nome\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, a contradi\u00e7\u00e3o entre a promessa divina e a realidade da vida \u00e9 o desafio maior para a nossa f\u00e9. At\u00e9 hoje, h\u00e1 pessoas e grupos crist\u00e3os que dividem o natural e o sobrenatural, o material e o espiritual. Continuam pregando a mesma coisa que, desde o tempo da col\u00f4nia, a Igreja pregava aos escravos: se conformem com a trag\u00e9dia social em que vivem. Assim, quando voc\u00eas morrerem, v\u00e3o para o c\u00e9u. Hoje, todos sabemos que Jesus n\u00e3o quis isso, n\u00e3o pensou assim e morreu para que isso n\u00e3o fosse assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Celebrar, hoje, a festa de Cristo como rei \u00e9 retomar as palavras dele a Pilatos. Ali ele estava pobre e quase nu, torturado e despojado de tudo, como aqueles devotos da prociss\u00e3o da pe\u00e7a de Juazeiro. No entanto, mesmo vivendo aquela situa\u00e7\u00e3o de cruz, ele reafirma que o reinado divino acontece e que ele e n\u00f3s (todas as pessoas que escutam a sua palavra) damos a vida para tornar essa Palavra de Deus e a suas promessas verdades no mundo atual. N\u00e3o atrav\u00e9s da luta pelo poder. E Jesus diz a Pilatos: O meu reinado n\u00e3o \u00e9 vivido do modo ou nos m\u00e9todos deste mundo. Ele nos pede a <strong>a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta ativa<\/strong>, mas que seja firme como a\u00e7\u00e3o pela Justi\u00e7a como condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a Paz e seja transformadora do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, as monarquias s\u00f3 s\u00e3o valorizadas por grupos nost\u00e1lgicos e conservadores, al\u00e9m das Igrejas crist\u00e3s que se sentem mais poderosas, ao proclamarem que Jesus \u00e9 rei do universo. Quando em 1925, o papa Pio XI instituiu essa festa de Cristo Rei, muitos suspeitaram que ao insistir em dar esse t\u00edtulo a Jesus, o papa que tinha perdido os territ\u00f3rios pontif\u00edcios, estava defendendo o direito da Igreja, como leg\u00edtima herdeira de Cristo, ter propriedades e poderes sobre o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s que vivemos a caminhada do Cristianismo da liberta\u00e7\u00e3o, essa celebra\u00e7\u00e3o se tornou ocasi\u00e3o para acentuarmos a m\u00edstica do reino de Deus, que nem sempre as Igrejas fomentam. <strong>Essa festa deve nos ajudar a aprofundarmos a dimens\u00e3o social e pol\u00edtica da f\u00e9 \u2013 ou seja, a realiza\u00e7\u00e3o do projeto divino no mundo atual.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando o papa Francisco instituiu \u201co dia mundial dos pobres\u201d, na Am\u00e9rica Latina, alguns pensaram que a festa lit\u00fargica mais adequada para essa comemora\u00e7\u00e3o seria justamente a festa de hoje: <strong>Cristo servidor e pobre, irm\u00e3o e libertador de todas as pessoas e comunidades empobrecidas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na celebra\u00e7\u00e3o da festa de Cristo-Rei em 1970, Dom Helder Camara encerra assim a sua medita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo entendo Teilhard, nas Ladainhas que gostava de inventar!<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJesus, Cora\u00e7\u00e3o do Mundo<\/p>\n\n\n\n<p>Ess\u00eancia, Motor da Evolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Cora\u00e7\u00e3o do Cora\u00e7\u00e3o do Mundo<\/p>\n\n\n\n<p>Ess\u00eancia de toda energia<\/p>\n\n\n\n<p>Curvatura c\u00f3smica<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00edda da cosmog\u00eanese<\/p>\n\n\n\n<p>Fluxo de converg\u00eancia c\u00f3smica<\/p>\n\n\n\n<p>Deus da evolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>O Universal Jesus<\/p>\n\n\n\n<p>Cora\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Lareira da energia<\/p>\n\n\n\n<p>\u00faltima e universal<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 uni-nos a V\u00f3s\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p>(142\u00aa Circular \u2013 21\/22. 11. 1970) )<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano seguinte, na festa de Cristo-rei, escreveu o seguinte poema:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cCada vez menos\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cTe imagino Rei,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>a n\u00e3o ser com manto de estopa,<br>coroa de espinhos e cetro de zombaria&#8230;<br>Vejo-Te Oper\u00e1rio, Astronauta,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Escafandrista, Enfermeiro&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>mas, acima de tudo,<br>\u2013 temo que n\u00e3o me entendam,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>como tenho certeza<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>de teu entendimento total \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Vejo-Te Palha\u00e7o,<br>espantando a tristeza,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>acendendo alegria,<br>ajudando a salvar a Crian\u00e7a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>que n\u00e3o deve morrer em n\u00f3s&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Recife, 20\/21.11.1971 (324\u00aa<\/em> Circular).<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> &#8211; DOM HELDER CAMARA, <strong>Circulares A\u00e7\u00e3o Justi\u00e7a e Paz, <\/strong>Volume V, Tomo II, CEPA, Recife, p. 208.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo 18,33b-37: FESTA DE CRISTO-REI? 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