{"id":13902,"date":"2024-12-15T10:29:06","date_gmt":"2024-12-15T13:29:06","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13902"},"modified":"2024-12-15T10:29:12","modified_gmt":"2024-12-15T13:29:12","slug":"natal-na-metropole-jesus-vem-dos-lugares-mais-frios-inospitos-e-inesperados-pois-nao-havia-lugar-para-eles-na-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/natal-na-metropole-jesus-vem-dos-lugares-mais-frios-inospitos-e-inesperados-pois-nao-havia-lugar-para-eles-na-casa\/","title":{"rendered":"Natal na metr\u00f3pole: JESUS VEM DOS LUGARES MAIS FRIOS, IN\u00d3SPITOS E INESPERADOS, POIS \u201cN\u00c3O HAVIA LUGAR PARA ELES NA CASA\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Natal na metr\u00f3pole: JESUS VEM DOS LUGARES MAIS FRIOS, IN\u00d3SPITOS E INESPERADOS, POIS \u201cN\u00c3O HAVIA LUGAR PARA ELES NA CASA\u201d. <\/strong>Por padre Alfredo J. Gon\u00e7alves<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/p.alfredo_goncalves-1-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13903\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/p.alfredo_goncalves-1-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/p.alfredo_goncalves-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/p.alfredo_goncalves-1-768x511.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/p.alfredo_goncalves-1-420x280.jpg 420w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/p.alfredo_goncalves-1.jpg 1067w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Padre Alfredo J. Gon\u00e7alves<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo, cidade 24 horas por dia. A correria \u00e9 vertiginosa, a pressa alucinante. Rios de gente e de carros cruzam e recruzam freneticamente as ruas e avenidas. Um ru\u00eddo indefinido abafa as vozes. Em sua grande maioria, os di\u00e1logos se convertem em mon\u00f3logos. Gritos e roncos de motores povoam o espa\u00e7o. No trem, no metr\u00f4 ou nos \u00f4nibus, pouco ou nada se sabe de quem viaja ao lado. Ali\u00e1s, faz-se todo o poss\u00edvel para nada saber. Impera o individualismo mais feroz e exacerbado. Motocicletas de entregadores, com suas \u201cvozes\u201d estridentes, ziguezagueiam por entre o tr\u00e1fico intenso ou bloqueado. Nessa gigantesca mancha urbana de quil\u00f4metros e quil\u00f4metros, ningu\u00e9m tem tempo parara parar e ouvir com aten\u00e7\u00e3o. A cidade n\u00e3o tem ouvidos. Toda e qualquer mensagem acaba sendo cortada por um rumor cont\u00ednuo, rumor de um organismo vivo que respira sem tr\u00e9gua, n\u00e3o raro ensurdecedor. Com suas sirenes escandalosas, ambul\u00e2ncias, carros de pol\u00edcia, bombeiros abrem passagem a qualquer custo. A vida parece caminhar sobre o v\u00e9rtice de um abismo, onde todos\/as e cada um\/a se apressa como que fugindo de si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Metr\u00f3pole de multid\u00f5es, e multid\u00e3o rima com solid\u00e3o! N\u00e3o h\u00e1 nomes, n\u00e3o h\u00e1 rostos, n\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3rias. E se, casualmente, dois pares de olhos se cruzam na rua ou nos meios de transporte, o desvio torna-se imperativo, instintivo e instant\u00e2neo, imediato e quase mec\u00e2nico. Prevalece o medo de invadir a privacidade alheia, ou ser por ela invadido. O anonimato \u00e9 a norma n\u00e3o escrita. Em meio a raros e apressados encontros, predominam os desencontros. Em meio \u00e0 corrente incessante da multid\u00e3o, cada qual procura um ref\u00fagio para se esconder. A multid\u00e3o equivale ao deserto urbano, para onde as pessoas fogem de todo tipo de intimidade, com medo da proximidade comprometedora. Reconhecer algu\u00e9m, olhar, parar, falar, escutar \u2013 eis o perigo que espreita a cada esquina. Importa escapar a qualquer di\u00e1logo que se desdobre em la\u00e7o mais estreito. As rela\u00e7\u00f5es tendem a ser fr\u00e1geis, t\u00eanues, provis\u00f3rias. Nada de tecer liga\u00e7\u00f5es que venham a tomar o tempo de cada um\/a. A verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 tempo, ou melhor, s\u00f3 h\u00e1 tempo para os desejos, buscas e interesses individuais. Por isso \u00e9 que a imensa maioria usa o celular ou o fone de ouvido para se proteger de aproxima\u00e7\u00f5es indevidas. A palavra de ordem \u00e9 \u201cn\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m, nem quero que ningu\u00e9m me conhe\u00e7a\u201d. E, assim, os passos v\u00e3o nos levando pelo brilho das luzes e das lojas, pelo af\u00e3 do movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo, na contram\u00e3o dessa velocidade fren\u00e9tica e dessa agita\u00e7\u00e3o febril, ser\u00e1 poss\u00edvel entrever sinais divinos no tecido esgar\u00e7ado da hist\u00f3ria humana e urbana. <strong>Nos becos, por\u00f5es e periferias da metr\u00f3pole, por mais s\u00f3rdidos e solit\u00e1rios que sejam, o Menino Deus renasce em gestos imprevistos de entrega, de dedica\u00e7\u00e3o e de solidariedade. Como outrora na cidade de Bel\u00e9m, Ele n\u00e3o vem dos tronos, pal\u00e1cios e mans\u00f5es luxuosas; vem dos lugares mais frios, in\u00f3spitos e inesperados, pois \u201cn\u00e3o havia lugar para eles na casa\u201d, como nos relata o evangelista Lucas (Lc 2, 7).<\/strong> Por outro lado, os sinais humano-divinos do encontro, da partilha e do di\u00e1logo tamb\u00e9m nos revelam que \u201cDeus habita esta cidade\u201d, para usar a express\u00e3o do salmista (Sl 47, 9). S\u00e3o poucos, s\u00e3o raros, s\u00e3o extraordin\u00e1rios, mas sempre haver\u00e1 algu\u00e9m capaz de sair de si mesmo e ir ao encontro daquele que sofre maior abandono e vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante toda sorte de barulhos que, sonoramente, poluem a cidade (para n\u00e3o falar do lixo que produz a polui\u00e7\u00e3o visual), ainda somos capazes de ouvir o canto dos p\u00e1ssaros, a algazarra v\u00edvida das crian\u00e7as, <em>o rumor de anjos<\/em>, t\u00edtulo do livro de Peter L. Berger. Anjos e sonhos seguem sendo os protagonistas fundamentais do nascimento de Jesus de Nazar\u00e9. <strong>Da\u00ed a necessidade de saber interpretar os \u00faltimos, e atender para a mensagem dos primeiros. Nos livros b\u00edblicos, ambos os dons denotam profunda sabedoria. <em>Ouvir os anjos<\/em>, n\u00e3o aqueles revestidos de asas, esvoa\u00e7antes, e sim os que caminham ao nosso lado, que possuem pernas e bra\u00e7os, p\u00e9s e m\u00e3os, dispostos a gestos de socorro quando a cruz se torna mais pesada. <em>Interpretar os sonhos<\/em>, n\u00e3o tanto os sonhos noturnos do repouso, mas os sonhos diurnos que se levantam do ch\u00e3o, tais como terra, trabalho e teto; alimento e vestu\u00e1rio; justi\u00e7a, equidade e paz; educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade; direitos humanos inalien\u00e1veis e respeitados; preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e cuidado com \u201cnossa casa comum\u201d; enfim, vida digna para todos e todas, ao lado de uma cidadania onde ningu\u00e9m se sinta fora do banquete, ou fora da casa\/p\u00e1tria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, podemos repetir que \u201cDeus habita esta cidade\u201d, porque em meio a tamanha pressa e tanta indiferen\u00e7a, tanto individualismo e tantos desencontros, nos lugares mais desertos e desconhecidos, Ele irrompe de novo para reorientar os rumos da hist\u00f3ria humano-divina. A\u00ed est\u00e1 a mensagem do Natal!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Assessor do SPM \u2013 S\u00e3o Paulo, 09\/12\/2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Natal na metr\u00f3pole: JESUS VEM DOS LUGARES MAIS FRIOS, IN\u00d3SPITOS E INESPERADOS, POIS \u201cN\u00c3O HAVIA LUGAR PARA ELES NA CASA\u201d. Por padre Alfredo J. Gon\u00e7alves[1] S\u00e3o Paulo, cidade 24 horas por dia. 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