{"id":13927,"date":"2024-12-21T08:31:03","date_gmt":"2024-12-21T11:31:03","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13927"},"modified":"2024-12-21T08:31:08","modified_gmt":"2024-12-21T11:31:08","slug":"alfabetizacao-politica-por-padre-alfredo-j-goncalves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/alfabetizacao-politica-por-padre-alfredo-j-goncalves\/","title":{"rendered":"ALFABETIZA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA \u2013 Por padre Alfredo J. Gon\u00e7alves"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><strong>ALFABETIZA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA<\/strong> <\/strong>\u2013 Por padre Alfredo J. Gon\u00e7alves<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/hqdefault.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13928\" width=\"778\" height=\"584\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/hqdefault.jpg 480w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/hqdefault-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px\" \/><figcaption>Padre Alfredo Gon\u00e7alves<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>D\u00e9cadas atr\u00e1s, praticamente por todo territ\u00f3rio nacional, o que podemos chamar de <em>alfabetiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/em> se disseminava numa ampla e variegada rede capilar. Serviam para isso, entre outras coisas, os encontros das novenas de Natal, os c\u00edrculos b\u00edblicos elaborados para as Campanhas da Fraternidade, os tr\u00edduos e novenas dos santos padroeiros, os subs\u00eddios das Pastorais Sociais, os documentos do CELAM e CNBB \u2013 para n\u00e3o falar de tantas outras tipos e f\u00f3rmulas de material de forma\u00e7\u00e3o. \u00c9 not\u00f3rio, por exemplo, o fato de v\u00e1rias dioceses terem se especializado em produ\u00e7\u00e3o de material popular. N\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil lembrar algumas: S\u00e3o Mateus-ES, Lins-SP, Crate\u00fas-CE, S\u00e3o Miguel Paulista-SP, Nova Igua\u00e7u-RJ, Osasco-SP, S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia!&#8230;&nbsp; Eram pontos referenciais, com centros de produ\u00e7\u00e3o de material popular, o qual acabava sendo requisitado por todo pa\u00eds. Havia, da mesma forma, uma boa rede de centros de divulga\u00e7\u00e3o, tais como o CPV, o 13 de Maio, o Sedes Sapientiae, o CERIS, o IBRADES, a Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz, diversas iniciativas dos padres jesu\u00edtas (Curitiba, Manaus, Salvador, Belo Horizonte, e assim por diante).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios populares n\u00e3o se restringia \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. As demais Igrejas do CONIC estavam engajadas na mesma preocupa\u00e7\u00e3o de trabalhar para a tr\u00edplice conscientiza\u00e7\u00e3o-organiza\u00e7\u00e3o-mobiliza\u00e7\u00e3o dos setores de baixa renda da popula\u00e7\u00e3o brasileira, atrav\u00e9s dos mais variados materiais. Vale o mesmo para os movimentos populares, o movimento estudantil e o sindicalismo combativo, como tamb\u00e9m para setores comprometidos da Academia. Universidades, igrejas, estudantes, sindicatos, r\u00e1dios populares formavam como que verdadeiros igarap\u00e9s, convergindo todos para o rio caudaloso da organiza\u00e7\u00e3o popular. Circulava entre esses agentes e protagonistas uma avalanche di\u00e1ria de jornais, boletins e not\u00edcias, livros e livretos, cartazes e faixas, testemunhos e entrevistas, artigos de reflex\u00e3o \u2013 tudo isso ajudando a fomentar a indispens\u00e1vel <em>an\u00e1lise de conjuntura<\/em>, obrigat\u00f3ria na abertura de cada curso de forma\u00e7\u00e3o, dos semin\u00e1rios, das assembleias e at\u00e9 mesmo das simples reuni\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Semelhante material \u2013 m\u00faltiplo e plural, amplo e local, elaborado a partir das bases \u2013 introduziu-nos no b\u00ea-\u00e1-b\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 da B\u00edblia, da pastoral e dos fundamentos da Doutrina Social da Igreja (no caso cat\u00f3lico), mas sobretudo no b\u00ea-\u00e1-b\u00e1 da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-transformadora. O m\u00e9todo ver-julgar-agir funcionava como coluna vertebral de cada an\u00e1lise, facilitando o aprendizado dos iniciantes. Aprendizado que penetrava nas periferias e nos por\u00f5es da zona urbana, nos grot\u00f5es e florestas da zona rural, sem deixar de lado os povos ind\u00edgenas e as comunidades ribeirinhas ou quilombolas. Na base, por vezes sem nos darmos conta, estava igualmente o m\u00e9todo Paulo Freire, educador brasileiro banido pelos militares. Um meio de alfabetizar que descarta a cl\u00e1ssica abstra\u00e7\u00e3o das palavras m\u00e1gicas, para concentrar-se nas palavras-chaves do vocabul\u00e1rio utilizado cotidianamente pela popula\u00e7\u00e3o, formando dessa forma uma rela\u00e7\u00e3o de uso, causa e efeito das coisas, pessoas e fatos que nos rodeiam. Alfabetiza\u00e7\u00e3o essa que, contemporaneamente, conduzia \u00e0 leitura e \u00e0 escrita, e em particular ao compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o da realidade socioecon\u00f4mica injusta e assim\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de se lamentar que as gera\u00e7\u00f5es mais recentes n\u00e3o tenham passado por esse tipo de alfabetiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A verdade \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 saltos. Ela avan\u00e7a para a frente na medida em que (e s\u00f3 na medida em que) for capaz de construir s\u00f3lidos alicerces. A revolu\u00e7\u00e3o da inform\u00e1tica, de modo particular com o surgimento do computador, da Internet e do telefone celular, traz-nos diariamente tamanha quantidade de informa\u00e7\u00f5es que se torna quase imposs\u00edvel uma digest\u00e3o (leia-se reflex\u00e3o) sadia e saud\u00e1vel, bem como uma s\u00e9ria e profunda sistematiza\u00e7\u00e3o das ideias. Boa parte dos usu\u00e1rios da tecnologia de ponta apreendem as informa\u00e7\u00f5es a toque de caixa. Ligeira e frequentemente, navegam pelas ondas superficiais dos fatos, boatos e imagens, sem a m\u00ednima oportunidade para mergulhos mais ousados nas \u00e1guas profundas. As rela\u00e7\u00f5es ciber-espaciais lhes fornecem asas. Mas, para voar com seguran\u00e7a, al\u00e9m de asas, \u00e9 necess\u00e1rio ter p\u00e9s. Qualquer aeronave que tenha avarias no trem de pouso n\u00e3o se arrisca a levantar voo.<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente o b\u00ea-\u00e1-b\u00e1 da alfabetiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 fundamentado no m\u00e9todo Paulo Freire, no ver-julgar-agir e no trabalho de visita e de formiguinha \u2013 \u00e9 que confere uma base s\u00f3lida e p\u00e9s firmes para lan\u00e7ar-se ao ar sem temor. Sem isso, predominam os 140 toques do twitter (agora 280) ou os chav\u00f5es repetitivos do WhatsApp, onde o processo de racioc\u00ednio se afoga e se asfixia na avalanche de mensagens recebidas a cada instante, como tamb\u00e9m em sua vertiginosa velocidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Assessor do SPM \u2013 S\u00e3o Paulo, 14\/12\/2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALFABETIZA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA \u2013 Por padre Alfredo J. Gon\u00e7alves[1] D\u00e9cadas atr\u00e1s, praticamente por todo territ\u00f3rio nacional, o que podemos chamar de alfabetiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se disseminava numa ampla e variegada rede capilar. 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