{"id":13933,"date":"2024-12-21T11:32:07","date_gmt":"2024-12-21T14:32:07","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13933"},"modified":"2024-12-21T11:32:12","modified_gmt":"2024-12-21T14:32:12","slug":"ainda-ha-lugar-para-a-esperanca-por-leonardo-boff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/ainda-ha-lugar-para-a-esperanca-por-leonardo-boff\/","title":{"rendered":"AINDA H\u00c1 LUGAR PARA A ESPERAN\u00c7A? &#8211; Por Leonardo Boff \u00a0"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image_processing20220104-17965-1uvjsty.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13934\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image_processing20220104-17965-1uvjsty.jpeg 800w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image_processing20220104-17965-1uvjsty-300x200.jpeg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image_processing20220104-17965-1uvjsty-768x512.jpeg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image_processing20220104-17965-1uvjsty-420x280.jpeg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Leonardo Boff<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong><a href=\"https:\/\/public-api.wordpress.com\/bar\/?stat=groovemails-events&amp;bin=wpcom_email_click&amp;redirect_to=http%3A%2F%2Fleonardoboff.org%2F2024%2F12%2F16%2Fainda-ha-lugar-para-a-esperanca%2F&amp;sr=0&amp;signature=12a1cdc8a29f283f87b0a24d0044233d&amp;blog_id=19705473&amp;user=55c9bec7be927290ad6444350142f2f7&amp;_e=eyJlcnJvciI6bnVsbCwiYmxvZ19pZCI6MTk3MDU0NzMsImJsb2dfbGFuZyI6InB0LUJSIiwic2l0ZV9pZF9sYWJlbCI6IndwY29tIiwiaGFzX2ZlYXR1cmVkX2ltYWdlIjoiMCIsInN1YnNjcmliZXJfaWQiOiI0ODM3MTc5NjYiLCJfdWkiOiI1NWM5YmVjN2JlOTI3MjkwYWQ2NDQ0MzUwMTQyZjJmNyIsIl91dCI6ImFub24iLCJlbWFpbF9kb21haW4iOiJ0ZXJyYS5jb20uYnIiLCJwb3N0X2lkIjoxNDI0NywidXNlcl9lbWFpbCI6ImJmZXJyYXJvQHRlcnJhLmNvbS5iciIsImRhdGVfc2VudCI6IjIwMjQtMTItMTciLCJlbWFpbF9pZCI6ImQxMTNlNjI1NmJhZDQ4Mjc3M2Y5YjNhMzA4NGVjNmUzIiwiZW1haWxfbmFtZSI6Im5ldy1wb3N0IiwidGVtcGxhdGUiOiJuZXctcG9zdCIsImxpbmtfZGVzYyI6InBvc3QtdXJsIiwiYW5jaG9yX3RleHQiOiJBaW5kYSBoXHUwMGUxIGx1Z2FyIHBhcmEgYVx1MDBhMGVzcGVyYW5cdTAwZTdhPyIsIl9kciI6bnVsbCwiX2RsIjoiXC93cFwvdjJcL3NpdGVzXC8xOTcwNTQ3M1wvcG9zdHNcLzE0MjQ3P19lbnZlbG9wZT0xJmVudmlyb25tZW50LWlkPXByb2R1Y3Rpb24mX2d1dGVuYmVyZ19ub25jZT01ZWNmZmVlMjNhJl9sb2NhbGU9dXNlciIsIl9lbiI6IndwY29tX2VtYWlsX2NsaWNrIiwiX3RzIjoxNzM0NDAxMjgyODM5LCJicm93c2VyX3R5cGUiOiJwaHAtYWdlbnQiLCJfYXVhIjoid3Bjb20tdHJhY2tzLWNsaWVudC12MC4zIiwiX3VsIjpudWxsLCJibG9nX3R6IjoiLTMiLCJ1c2VyX2xhbmciOm51bGx9&amp;_z=z\">AINDA H\u00c1 LUGAR PARA A ESPERAN\u00c7A?<\/a> &#8211; Por<\/strong> <strong>Leonardo Boff<\/strong> \u00a0 <br>Considerando os pronunciamentos do Secret\u00e1rio Geral da ONU, Ant\u00f3nio Gut\u00e9rrez, percebemos que em todos os grandes encontros com autoridades estatais e empres\u00e1rios, est\u00e1 mais e mais agravando os tons sombrios de suas advert\u00eancias: chama aten\u00e7\u00e3o de que ou assumimos todos a nossa responsabilidade comum, face \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica do planeta ou ent\u00e3o conheceremos um suic\u00eddio coletivo. Suas palavras carregam especial peso pois, por sua fun\u00e7\u00e3o diante de um organismo mundial, acompanha o dia a dia do curso do mundo e a gravidade dos problemas. D\u00e1-se conta, com clara consci\u00eancia, de que n\u00e3o estamos, como coletividade, fazendo o suficiente e o necess\u00e1rio para enfrentarmos as mudan\u00e7as que est\u00e3o ocorrendo no planeta Terra. Como nunca antes na hist\u00f3ria, o destino est\u00e1 em nossas m\u00e3os. N\u00e3o que a Terra vai acabar. Poder\u00e1 acabar ou ser letalmente afetado o milagre\u00a0maior da evolu\u00e7\u00e3o, a vida em sua imensa diversidade, a nossa inclu\u00edda. A vida vis\u00edvel, assim como a conhecemos, corre risco de desaparecer, \u00e0 semelhan\u00e7a das grandes dizima\u00e7\u00f5es do passado quando entre 75-90% da carga bi\u00f3tica desapareceu. Mas n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos l\u00e1. Somente milh\u00f5es de anos ap\u00f3s entramos no cen\u00e1rio da hist\u00f3ria evolutiva. Agora a crise \u00e9 planet\u00e1ria. Estamos profundamente metidos na extin\u00e7\u00e3o em massa de organismos vivos, n\u00f3s inclu\u00eddos. Fala-se de uma nova era geol\u00f3gica, a do antropoceno, do necroceno e, por fim, do piroceno. A mim impressionam os testemunhos de duas figuras da maior seriedade cient\u00edfica. O primeiro \u00e9 de <em>Max Webe<\/em> (1864-1920) pouco tempo antes de sua morte. Ex\u00edmio conhecedor de como funcionam as sociedades, por fim, ao confrontar-se com o conjunto de sua obra e com algumas intui\u00e7\u00f5es do marxismo (<em>em fim<\/em>), nos advertiu: <em>\u201cO que nos aguarda n\u00e3o \u00e9 o florescimento do outono, nos aguarda uma noite polar, g\u00e9lida, sombria e \u00e1rdua<\/em> (<em>Le Savant et le Politique<\/em>, Paris 1990, p. 194). Ele cunhou a express\u00e3o forte que atinge o cora\u00e7\u00e3o do capitalismo: ele est\u00e1 encerrado numa \u201c<em>jaula de ferro<\/em>\u201d (<em>Stahlhartes Geh\u00e4use<\/em>) que ele mesmo n\u00e3o consegue romper e, por isso, nos pode levar a uma grande cat\u00e1strofe (cf. a pertinente an\u00e1lise de M.L\u00f6wy, <em>La jaula de hierro: Max Weber y el marxismo weberiana<\/em>, M\u00e9xico 2017). O outro testemunho nos vem de um dos maiores historiadores do s\u00e9culo XX, Eric Hobsbawn (1917-2012) em seu conhecido livro-s\u00edntese \u201c<em>A Era dos Extremos<\/em>\u201d(1994). Concluindo suas reflex\u00f5es pondera: \u201c<em>O futuro n\u00e3o pode ser a continua\u00e7\u00e3o do passado&#8230;Nosso mundo corre o risco de explos\u00e3o e implos\u00e3o&#8230;N\u00e3o sabemos para onde estamos indo. Contudo uma coisa \u00e9 clara. Se a humanidade quer ter um futuro que vale a pena, n\u00e3o pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro mil\u00eanio sobre esta base, vamos fracassar. E o pre\u00e7o do fracasso, ou seja, a alternativa para a mudan\u00e7a da sociedade \u00e9 a escurid\u00e3o<\/em>\u201d (p.562). N\u00e3o estamos operando nenhuma mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica da sociedade. Para onde vamos? Convenhamos: tais ju\u00edzos de pessoas altamente respons\u00e1veis devem ser ouvidas. Com acerto asseverou Papa Francisco em sua enc\u00edclica dirigida a toda a humanidade e n\u00e3o s\u00f3 aos crist\u00e3os, <em>Sobre o cuidado \u00a0da Casa Comum (<\/em>2015): \u201c<em>As previs\u00f5es catastr\u00f3ficas j\u00e1 n\u00e3o se podem olhar com desprezo e ironia. \u00c0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, poderemos deixar demasiadas ru\u00ednas, desertos e lixo&#8230;nosso estilo de vida atual, por ser insustent\u00e1vel, pode desembocar em cat\u00e1strofes\u201d (n.161). <\/em>Na enc\u00edclica <em>Fratelli tutti (2020) <\/em>radicaliza sua advert\u00eancia ao afirmar: \u201c<em>estamos todos no mesmo barco; ou nos salvamos todos ou ningu\u00e9m se salva\u201d(n.34).<\/em> E n\u00e3o h\u00e1 um barco paralelo para o qual pular e nos salvar. Neste contexto sinistro foram elaborados, entre outros menores, tr\u00eas documentos que procuram, no meio da obscuridade, nos infundir uma luz de esperan\u00e7a: a <em>Carta da Terra<\/em> (2000), as enc\u00edclicas do Papa Francisco <em>Sobre o cuidado da Casa Comum<\/em> (2015) e a outra <em>Fratelli tutti <\/em>\u00a0(2020). A <em>Carta da Terra, <\/em>fruto de uma ampla consulta mundial, sobre valores e princ\u00edpios, capazes de nos garantir a vida no futuro, afirma com esperan\u00e7a: \u201cNossos desafios ambientais, econ\u00f4micos, pol\u00edticos, sociais e espirituais est\u00e3o interligados e juntos podemos forjar solu\u00e7\u00f5es includentes (<em>Pre\u00e2mbulo<\/em> d).E aponta caminhos e meios de salvamento. A enc\u00edclica <em>Sobre o cuidado da Casa Comum<\/em> o Papa nos lembra que somos Terra (n.2), com o imperativo \u00e9tico de ouvir, simultaneamente, o grito da Terra e o grito do pobre (n.49); nossa obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00a0comprometermo-nos na preserva\u00e7\u00e3o e na regenera\u00e7\u00e3o do planeta, pois \u201ctudo est\u00e1 relacionado e todos n\u00f3s, seres humanos, caminhamos juntos como irm\u00e3os e irm\u00e3s numa peregrina\u00e7\u00e3o maravilhosa que nos une tamb\u00e9m com terna afei\u00e7\u00e3o ao irm\u00e3o sol, \u00e0 irm\u00e3 lua, ao irm\u00e3o rio e \u00e0 M\u00e3e Terra\u201d(n.92). Nossa miss\u00e3o \u00e9 guardar e cuidar desta heran\u00e7a sagrada, hoje amea\u00e7ada. Na enc\u00edclica <em>Fratelli tutti <\/em>confronta dois paradigmas, o do <em>dominus (dono)<\/em> com o do <em>frater (irm\u00e3o\/irm\u00e3). <\/em>Pelo <em>dominus, <\/em>o ser humano, se entende fora e acima da natureza, como senhor e <em>dono<\/em> dela, usando o poder da tecno-ci\u00eancia tornou mais confort\u00e1vel a vida, mas ao mesmo tempo, levou \u00e0 atual crise devastadora dos ecossistemas e ao princ\u00edpio de autodestrui\u00e7\u00e3o com armas, capazes de liquidar a vida na Terra. A este paradigma o Papa apresenta na enc\u00edclica <em>Fratelli tutti<\/em>, o da <em>fraternidade universal<\/em>: com todos os seres da natureza, criados pela M\u00e3e Terra e entre n\u00f3s seres humanos, irm\u00e3os e irm\u00e3s junto com os da natureza e no meio dela, cuidando-a e garantido sua regenera\u00e7\u00e3o e perpetuidade em benef\u00edcio das presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es. Essa fraternidade universal se constr\u00f3i de forma sustent\u00e1vel a partir do territ\u00f3rio (bioregionalismo), portanto, debaixo para cima, garantindo algo novo e alternativo ao sistema dominante que, a partir de cima, imp\u00f5e uma dupla injusti\u00e7a, contra a natureza devastando-a e contra os seres humanos, relegando-os em sua grande maioria na pobreza e na mis\u00e9ria. Isso garante um lugar para a esperan\u00e7a? \u00c9 o que cremos e esperamos. Mas o fato doloroso \u00e9 que, como dizia Hegel (1770-1831), aprendemos da hist\u00f3ria que n\u00e3o aprendemos nada da hist\u00f3ria, mas aprendemos tudo do sofrimento. Prefiro a sabedoria do africano Santo Agostinho (354-430): a vida nos d\u00e1 duas li\u00e7\u00f5es: uma severa, do sofrimento e outra agraciada, do amor que nos leva fazer atos criativos e inusitados. Provavelmente iremos aprender do sofrimento que vir\u00e1, mas muito mais do amor que \u201cmove o c\u00e9u e todas as estrelas\u201d (Dante Alignieri) e nossos cora\u00e7\u00f5es. A esperan\u00e7a n\u00e3o nos defraudar\u00e1, nos prometeu S\u00e3o Paulo (Rom 5,5). <br>Leonardo Boff escreveu <em>Habitar a Terra<\/em>, Vozes 2023; <em>O doloroso parto da M\u00e3e Terra,<\/em> Vozes 2021.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AINDA H\u00c1 LUGAR PARA A ESPERAN\u00c7A? &#8211; Por Leonardo Boff \u00a0 Considerando os pronunciamentos do Secret\u00e1rio Geral da ONU, Ant\u00f3nio Gut\u00e9rrez, percebemos que em todos os grandes encontros com autoridades estatais e empres\u00e1rios, est\u00e1 mais<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13934,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13933","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13933"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13933\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13935,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13933\/revisions\/13935"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}