{"id":13941,"date":"2024-12-24T16:42:28","date_gmt":"2024-12-24T19:42:28","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13941"},"modified":"2024-12-24T16:44:42","modified_gmt":"2024-12-24T19:44:42","slug":"lc-216-21-1o-de-janeiro-2025-oitava-do-natal-a-palavra-divina-se-faz-carne-em-nossas-coletividades-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/lc-216-21-1o-de-janeiro-2025-oitava-do-natal-a-palavra-divina-se-faz-carne-em-nossas-coletividades-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Lc 2,16-21 &#8211; 1\u00ba DE JANEIRO\/2025: OITAVA DO NATAL &#8211; A PALAVRA DIVINA SE FAZ CARNE EM NOSSAS COLETIVIDADES \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Lc 2,16-21 &#8211; 1\u00ba DE JANEIRO\/2025: OITAVA DO NATAL &#8211; A PALAVRA DIVINA SE FAZ CARNE EM NOSSAS COLETIVIDADES<\/strong> \u2013 <strong>Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/images-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13942\" width=\"779\" height=\"655\"\/><figcaption>Marcelo Barros, monge, biblista e te\u00f3logo da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste primeiro dia do ano, as Igrejas antigas celebram o oitavo dia da festa do Natal. Lembram a circuncis\u00e3o de Jesus, rito que, conforme o evangelho, teria ocorrido oito dias depois do nascimento e, atrav\u00e9s do qual o menino recebia o seu nome. Por isso, antigamente, hoje era tamb\u00e9m a festa do nome de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de uma tradi\u00e7\u00e3o antiga, a Igreja Cat\u00f3lica dedica esse dia a Maria, m\u00e3e de Jesus. Os papas mais recentes consagram o 1\u00ba de janeiro como \u201cdia mundial da paz\u201d, assim como a ONU fala em \u201cdia da irmandade universal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho lido \u00e9 Lucas 2, 16- 21. Come\u00e7a pelas palavras \u201c<em>Quando os anjos se afastaram, os pastores disseram uns aos outros: Vamos a Bel\u00e9m para ver o que aconteceu<\/em>\u201d. Parece mesmo final de festa. O extraordin\u00e1rio parece ter passado e agora se trata de ver a realidade. Os pastores ouviram uma palavra maravilhosa de promessa de salva\u00e7\u00e3o. Foram a Bel\u00e9m, mas o que encontraram ali foi uma realidade muito simples, pobre e, de certo modo, decepcionante. O desafio foi ver aquela fam\u00edlia de migrantes sem-teto e, naquele quadro, contemplarem o come\u00e7o da realiza\u00e7\u00e3o de um projeto maravilhoso de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossas vidas, muitas vezes, \u00e9 preciso que tamb\u00e9m os anjos se afastem. \u00c0s vezes, ao ver e ouvir pessoas religiosas, temos a impress\u00e3o de que ainda se imaginam na presen\u00e7a de anjos. N\u00e3o se d\u00e3o conta de que os anjos foram-se embora. A miss\u00e3o nos envia \u00e0 inser\u00e7\u00e3o no meio do povo, sem anjos nem sinais do c\u00e9u. S\u00f3 deve permanecer mesmo a abertura para ver a presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o do amor divino no meio da vida como ela \u00e9&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse evangelho \u00e9 praticamente o mesmo lido na missa da aurora do dia 25, tendo apenas acrescentado o verso 21: \u201c<em>Quando se completaram os oito dias para a circuncis\u00e3o do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo, antes de ser concebido<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser sinal de uma sociedade patriarcal que a humanidade precisa superar, a circuncis\u00e3o nos lembra que a sexualidade deve ser vivida a partir do projeto de vida que a fam\u00edlia e o povo t\u00eam. Todos e todas s\u00e3o e podem ser consagrados\/as ao Amor Divino: meninos e meninas de ambos os sexos, dos mais diferentes g\u00eaneros e orienta\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>A circuncis\u00e3o de Jesus, em seu oitavo dia de vida, confirma que Deus assume a cultura humana de um povo, mesmo em seus aspectos culturais critic\u00e1veis, como s\u00e3o o patriarcalismo e o machismo que, em v\u00e1rios momentos da vida, o pr\u00f3prio Jesus criticou. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao dizer que aos oito dias de nascido, Jesus foi circuncidado, o Evangelho mostra que ele se inseriu plenamente na cultura do seu povo. Ao assumir sua ra\u00e7a e sua perten\u00e7a ao povo judeu, ele assume seus valores e tamb\u00e9m suas limita\u00e7\u00f5es e lacunas. \u00c9 nesse processo de inser\u00e7\u00e3o cultural e hist\u00f3rica que ele recebe o nome de Jesus. Ieoshu\u00e1 significa \u201cDeus \u00e9 Salva\u00e7\u00e3o\u201d. Hoje podemos traduzir o nome de Jesus como \u201cDeus Amor \u00e9 Liberta\u00e7\u00e3o e Bem-viver\u201d. E a pr\u00f3pria vida de Jesus tornou sempre verdadeiro o nome que lhe foi dado como miss\u00e3o. Se cremos em Jesus, n\u00e3o podemos aceitar que Deus possa ser fonte de \u00f3dio, intoler\u00e2ncia e exclusivismo. O irm\u00e3o Roger Schutz dizia: <em>Deus s\u00f3 pode ama<\/em>r. De acordo com o evangelho, essa foi a miss\u00e3o de Jesus. Testemunhar isso seja a nossa miss\u00e3o neste ano novo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, ao contemplarmos em Maria, a m\u00e3e de Jesus, vemos nela a imagem de toda comunidade de f\u00e9 que gera Cristo em n\u00f3s. O evangelho diz que \u201cMaria guardava essas coisas e as revolvia em seu \u00edntimo\u201d. Depois de ter dado Jesus \u00e0 luz, ela precisa ainda engravidar da palavra de Deus em seu cora\u00e7\u00e3o e fazer com que ela se torne vida em sua vida. &nbsp;Se n\u00e3o fosse Maria, n\u00e3o ter\u00edamos Jesus que nasceu de Maria. Se n\u00e3o fosse a comunidade de f\u00e9 (a nossa comunidade), o mesmo Jesus n\u00e3o seria gerado em n\u00f3s, em nossas vidas e nossa miss\u00e3o. Assim como este evangelho diz a respeito a Maria, tamb\u00e9m n\u00f3s, como Maria, \u201cguardemos todas essas coisas, meditando-as no cora\u00e7\u00e3o\u201d(v. 19).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cPelo esfor\u00e7o que nos guia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>nessa estrada da ilumina\u00e7\u00e3o,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>que todos os seres vivos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>sejam impregnados de paz.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que as pessoas sofredoras<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>sejam libertadas da dor,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>as mulheres gr\u00e1vidas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>deem a luz sem sofrer<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>e quem est\u00e1 com frio seja aquecido.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que os animais sejam livres do medo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>e da crueldade humana<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>e toda a natureza, em paz,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;seja a tua voz e tua for\u00e7a de paz\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;(Ora\u00e7\u00e3o budista do s\u00e9culo VIII)<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> &#8211; Cf. OFICIO DIVINO DAS COMUNIDADES, Paulus, 14\u00aa ed., 2007, p. 652.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lc 2,16-21 &#8211; 1\u00ba DE JANEIRO\/2025: OITAVA DO NATAL &#8211; A PALAVRA DIVINA SE FAZ CARNE EM NOSSAS COLETIVIDADES \u2013 Por Marcelo Barros Neste primeiro dia do ano, as Igrejas antigas celebram o oitavo dia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13942,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,17,44,38,49,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13941","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-destaque","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13941"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13941\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13943,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13941\/revisions\/13943"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}