{"id":13944,"date":"2024-12-28T07:55:05","date_gmt":"2024-12-28T10:55:05","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13944"},"modified":"2024-12-28T07:55:09","modified_gmt":"2024-12-28T10:55:09","slug":"lc-241-52-ano-c-festa-da-sagrada-familia-ou-do-jesus-jovem-rebelde-varios-textos-e-video","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/lc-241-52-ano-c-festa-da-sagrada-familia-ou-do-jesus-jovem-rebelde-varios-textos-e-video\/","title":{"rendered":"Lc 2,41-52 \u2013 Ano C &#8211; FESTA DA SAGRADA FAM\u00cdLIA OU DO JESUS JOVEM REBELDE? V\u00e1rios textos e v\u00eddeo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Lc 2,41-52 \u2013 Ano C &#8211; FESTA DA SAGRADA FAM\u00cdLIA OU DO JESUS JOVEM REBELDE? V\u00e1rios textos<\/strong> <strong>e v\u00eddeo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/600x600bf-60.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13945\" width=\"778\" height=\"778\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/600x600bf-60.jpg 600w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/600x600bf-60-300x300.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/600x600bf-60-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211; <strong>Lc 2,41-52: Evangelho da \u201cSAGRADA FAM\u00cdLIA\u201d OU DE JESUS JOVEM REBELDE? Evangelho pra al\u00e9m dos templos<\/strong> (V\u00eddeo)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_68507\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_vEXoSSsz9A?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>2 &#8211; <strong>SAGRADA FAM\u00cdLIA DE JESUS, MARIA E JOS\u00c9 e Festa da Sagrada Fam\u00edlia <\/strong>\u2013 PorTomas McGrath<\/p>\n\n\n\n<p>O Evangelho da Festa da Sagrada Fam\u00edlia, \u00e9 tirado dos primeiros cap\u00edtulos de Lucas.&nbsp; Mais uma vez, encontramos um tema muito importante para esse Evangelho \u2013 o encontro entre a Antiga e a Nova Alian\u00e7a.&nbsp; Durante Advento, Lucas fazia paralelo entre Isabel, Zacarias e Jo\u00e3o Batista, e Maria, Jos\u00e9 e Jesus.&nbsp; No texto de hoje, os justos da Antiga Alian\u00e7a s\u00e3o representados pelas figuras de Sime\u00e3o e Ana, profeta e profetisa.&nbsp; Outros dois temas de Lucas tamb\u00e9m se destacam nesse relato \u2013 o Esp\u00edrito Santo e a op\u00e7\u00e3o pelos pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas destaca que os pais de Jesus foram ao Templo conforme a Lei (cf. Lv 12,8), para oferecer o sacrif\u00edcio de dois pombinhos pela purifica\u00e7\u00e3o. Na Lei, esse sacrif\u00edcio era permitido aos pobres.&nbsp; Mais uma vez, continuando a li\u00e7\u00e3o da manjedoura e dos pastores, Lucas sublinha o amor especial de Deus pelos pobres. Deixa bem claro que Maria, Jos\u00e9 e Jesus eram contados entre eles como, ali\u00e1s, era toda a popula\u00e7\u00e3o do Nazar\u00e9 de ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sime\u00e3o e Ana representam, quase nos mesmos termos de Zacarias e Isabel, os justos que esperavam a salva\u00e7\u00e3o de Deus \u2013 o grupo conhecido no Antigo Testamento como os anawim, ou \u201cpobres de Jav\u00e9\u201d.&nbsp; \u00c9 de notar que, no seu canto, Sime\u00e3o proclama que ele pode \u201cir em paz\u201d, simbolizando que as esperan\u00e7as dos justos da Antiga Alian\u00e7a agora estavam se realizando em Jesus. Tal como, na visita\u00e7\u00e3o, a idosa Isabel, s\u00edmbolo tamb\u00e9m dos justos, acolhia com alegria a chegada de Maria com Jesus, agora Sime\u00e3o e Ana recebem com a mesma alegria a novidade da Nova Alian\u00e7a, concretizada em Jesus. Mais uma vez, Lucas coloca juntos homem e mulher, um tema comum nos seus escritos (cf. Lc 4,25-28; 4,31-39; 7,1-17; 7,36-50; 23,55\u201324,35; At 16,13-34). Assim, Lucas insiste que mulher e homem se colocam juntos diante de Deus. S\u00e3o iguais em dignidade e gra\u00e7a, recebem os mesmos dons e t\u00eam as mesmas responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 fez em Lc 2,19 e far\u00e1 de novo em Lc 2,50, novamente o evangelista frisa que os seus pais ainda n\u00e3o entenderam plenamente o alcance do mist\u00e9rio de Jesus. O v. 33 insiste que \u201co pai e a m\u00e3e do menino estavam admirados do que se dizia dele\u201d. Mais uma vez, apresenta-nos Jos\u00e9 e, especialmente, Maria como modelos de f\u00e9. Apesar de qualquer revela\u00e7\u00e3o que tivessem, Jos\u00e9 e Maria tamb\u00e9m caminharam na escurid\u00e3o da f\u00e9, descobrindo, passo a passo, o que significava ser disc\u00edpulo de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus \u201ccrescia e se fortalecia, cheio de sabedoria, e o favor de Deus estava com ele\u201d.&nbsp; Como acontece com todos n\u00f3s, esse crescimento foi gradual, e a sua fam\u00edlia tinha um papel important\u00edssimo no seu crescimento. Se, como adulto, ele podia revelar-nos a imagem de Deus como o amoroso Pai \u2013 tema t\u00e3o caro a Lucas \u2013 era porque tamb\u00e9m aprendeu isso atrav\u00e9s da experi\u00eancia com Jos\u00e9. Se cresceu na espiritualidade dos anawim, era porque aprendeu isso desde o ber\u00e7o, junto com os seus pais. Se foi fiel na busca da vontade de Deus, era porque assim aprendeu no ambiente familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa sociedade desvaloriza a vida familiar, especialmente por seu consumismo desenfreado e seu materialismo. Diante disso o texto de hoje anima-nos e desafia-nos, tal como Maria e Jos\u00e9, na claridade ou na escurid\u00e3o da caminhada, a que criemos um ambiente onde o amor possa florescer e onde a nossa juventude possa aprender a import\u00e2ncia do amor nutrido em uma f\u00e9 viva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m ignora que hoje a fam\u00edlia tradicional enfrenta enormes dificuldades.&nbsp; Diante dos problemas, respostas f\u00e1ceis n\u00e3o servem. Nem sempre \u00e9 \u00f3bvio o caminho a seguir.&nbsp; Novas dificuldades e novas perguntas exigem um novo olhar da parte das Igrejas. Nesse sentido, h\u00e1 pouco, presenciamos algo in\u00e9dito na Igreja Cat\u00f3lica em Roma: a realiza\u00e7\u00e3o de um s\u00ednodo sobre a fam\u00edlia onde todos os participantes foram convidados pelo Papa a expressarem as suas opini\u00f5es abertamente e sem medo. Houve diverg\u00eancias, obviamente, pois nem tudo est\u00e1 claro. H\u00e1 quem prefere ignorar a realidade, fechar os olhos diante de problemas reais que causam, muitas vezes, sofrimento no seio das fam\u00edlias, e refugiar-se em chav\u00f5es legalistas em lugar de procurar descobrir o que Jesus faria em tais situa\u00e7\u00f5es. O Esp\u00edrito Santo ilumina as Igrejas e as fam\u00edlias que realmente buscam juntas as maneiras evang\u00e9licas de como responder aos novos desafios.<\/p>\n\n\n\n<p>Rezemos pelas fam\u00edlias, pelas que est\u00e3o bem firmes e pelas desestruturadas. Rezemos tamb\u00e9m pelas lideran\u00e7as de nossas Igrejas, para que tenham for\u00e7a e sa\u00fade, a fim de testemunharem, nos nossos tempos, a miss\u00e3o de Jesus compassivo e misericordioso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>= = = =<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>3 &#8211; <strong>FAM\u00cdLIA DE NAZAR\u00c9: O AMBIENTE DE HUMANIZA\u00c7\u00c3O DE JESUS. <\/strong>Por<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/615331-advento-deus-dancando-em-nosso-interior\" target=\"_blank\">Adroaldo Palaoro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u201cE Jesus crescia em sabedoria, estatura e gra\u00e7a, diante de Deus e diante dos homens\u201d&nbsp;<\/em><\/strong><strong>(Lc 2,52),<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Toda fam\u00edlia \u00e9 raiz, escola, mestra, origem, destino, refer\u00eancia, ref\u00fagio, desafio, criatividade&#8230; A <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/538636-francisco-comeca-a-catequese-sobre-a-familia-de-nazare-periferia-mal-falada\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fam\u00edlia tem a miss\u00e3o de proteger e ativar a semente de grandeza<\/a>&nbsp;que pulsa no interior de todo ser humano: o amor, os valores, o conhecimento, a liberdade, os sonhos&#8230; Quando a semente humana n\u00e3o recebe os nutrientes emocionais, intelectuais e espirituais que necessita, a vida se torna est\u00e9ril, <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/sobre-o-ihu\/185-noticias\/noticias-2016\/556638-vivemos-uma-era-de-ansiedade-irracional\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o sentido se esvazia e a felicidade perde o vigor<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>Cada fam\u00edlia \u00e9 um mundo<\/strong>\u201d e dentro desse pequeno \u201cmundo\u201d a vida se expande em diferentes dire\u00e7\u00f5es, fazendo emergir os tra\u00e7os originais de cada um, os gestos, os pensamentos, as atitudes, a personalidade, a cultura&#8230; Mas, \u00e9 ali, entre os mais pr\u00f3ximos e \u00edntimos, que cada pessoa se faz mais humana; \u00e9 ali onde cada um \u00e9 reconhecido em sua identidade. Por isso,&nbsp;<strong>ser-estar-pertencer<\/strong>&nbsp;a uma fam\u00edlia s\u00e3o dimens\u00f5es que n\u00e3o podem estar separadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus fez a experi\u00eancia de pertencer a uma fam\u00edlia concreta; Ele teve uma fam\u00edlia e, apaixonado e profundo como era, viveu intensamente neste ambiente instigante e humanizador. Tal ambiente vai determinar sua futura miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua perman\u00eancia em Nazar\u00e9 foi um longo aprendizado. Jesus foi um aprendiz da vida e foi no espa\u00e7o familiar que Ele encontrou o terreno prop\u00edcio para ativar os seus recursos internos, sua imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil, sua criatividade encantadora, suas&nbsp;<strong>rela\u00e7\u00f5es oblativas<\/strong>. Foi no pequeno mundo em Nazar\u00e9 que Jesus aprendeu a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/610079-as-montanhas-ardem-para-o-sagrado-coracao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ter um cora\u00e7\u00e3o universal<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando falamos da inf\u00e2ncia de Jesus, muitas vezes nos limitamos a afirmar que temos pouqu\u00edssimo relatos sobre ela nos evangelhos. Mas, sob outra perspectiva, podemos afirmar que temos muit\u00edssimos elementos, revelados pelo pr\u00f3prio Jesus; de fato, quem modelou a natureza humana de Jesus, foi a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/42-noticias\/comentario-do-evangelho\/585724-uma-familia-diferente\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fam\u00edlia de Nazar\u00e9<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Lendo o Evangelho como um todo podemos encontrar, com facilidade, uma descri\u00e7\u00e3o muito aproximada de quem era Jesus no seu espa\u00e7o familiar. Quem, sen\u00e3o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/607123-jose-o-homem-que-mostrou-a-jesus-o-coracao-do-pai\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jos\u00e9<\/a>, poderia ensinar a Jesus tudo o que conhecia sobre o trabalho, o campo, as colheitas, o tempo, as aves e o mundo que os rodeava? Quem, sen\u00e3o Maria, poderia ensinar Jesus a tratar as pessoas, a servir o seu pr\u00f3ximo, a olhar, a falar, a sorrir&#8230;? Ela, certamente, lhe ensinou muitas coisas da vida dom\u00e9stica, conforme percebemos os exemplos que o Mestre usou em seus ensinamentos: a imagem do candil, do fermento na massa, do remendo novo em roupa velha&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Em cada&nbsp;<strong>gesto de Jesus<\/strong>, revelou-se um ensinamento do Pai e de seus pais; em cada par\u00e1bola havia uma express\u00e3o da natureza e da terra com o selo de Jos\u00e9, e uma mensagem espiritual inspirada a partir do alto. Em cada cura que Jesus realizou havia um modo e uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/555910-em-nossas-cidades-os-idosos-e-enfermos-sao-negligenciados-podemos-ignora-los-pergunta-o-papa-francisco-em-video\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sensibilidade de tratar o enfermo, o desvalido<\/a>, herdados da sensibilidade feminina de Maria; e, \u00e0 hora de orar havia um h\u00e1bito alimentado na casa de seus pais, fi\u00e9is cumpridores da lei mosaica e abertos \u00e0 novidade e ao mist\u00e9rio que seu filho Jesus deixou transparecer. Enfim, Jesus recebeu de sua fam\u00edlia um modo de ser e de viver, de acordo com a sociedade de seu tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE Jesus crescia em sabedoria&#8230;\u201d&nbsp;<strong>Sabedoria<\/strong>&nbsp;\u00e9 conhecimento global, por meio do cora\u00e7\u00e3o e de todos os sentidos,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/612087-deus-escondido-entre-as-dobras-da-vida-artigo-de-gianfranco-ravasi\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">que permite \u201csaborear\u201d tudo em profundidade<\/a>; \u00e9 experi\u00eancia constante, n\u00e3o ocasional, que abrange a vida inteira, de uma nova identidade, escondida no interior, mais rica e mais verdadeira, mais est\u00e1vel e positiva; \u00e9 contempla\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria das coisas que permanecem,&nbsp;<strong>gosto pela beleza e olhar po\u00e9tico<\/strong>,&nbsp;<strong>convers\u00e3o<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednuas<\/strong>, harmonia de significados e de viv\u00eancias existenciais, humorismo e otimismo, sentido do mist\u00e9rio e do eterno, sabor do divino e simpatia pelo humano&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sabedoria, sobretudo, \u00e9 unidade de vida e s\u00edntese; significa&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/608069-ele-vos-precede-na-galileia-mistura-de-medo-e-alegria-a-mensagem-do-papa-francisco\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ter chegado ao cora\u00e7\u00e3o da vida<\/a>, onde est\u00e1 o tesouro de cada ser humano e onde se concentra o que \u00e9 mais nobre e original de cada um.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Nazar\u00e9, Jesus n\u00e3o fez coisas extraordin\u00e1rias; era um lugar onde todos se conheciam e foi ali, nos costumes e na vida di\u00e1ria deste lugar, onde Ele descobriu a presen\u00e7a do Pai: ali o menino crescia em idade, em sabedoria e em experi\u00eancia de Deus. Nazar\u00e9 \u00e9 o tempo do crescimento e da matura\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus pregou o que viveu no espa\u00e7o familiar. Se pregou o&nbsp;<strong>amor<\/strong>, a&nbsp;<strong>entrega<\/strong>, o&nbsp;<strong>servi\u00e7o<\/strong>, a&nbsp;<strong>solicitude pelo outro<\/strong>, quer dizer que primeiramente Ele viveu isso. O espa\u00e7o familiar foi o seu primeiro campo de aprendizagem como todo ser humano. Com a presen\u00e7a inspiradora e ajuda de seus pais, Jesus foi alargando seus horizontes e discernindo seu caminho e sua miss\u00e3o. Seu lar em Nazar\u00e9 foi rampa de lan\u00e7amento para sua vida p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Como aprendiz da vida, foi ali, na casa e na oficina de Nazar\u00e9 que Jesus se exercitou na Reden\u00e7\u00e3o. N\u00e3o lhe foi dif\u00edcil passar de \u201cartes\u00e3o de coisas\u201d a \u201cartes\u00e3o da humanidade\u201d, passar da \u201coficina de Nazar\u00e9\u201d \u00e0 \u201coficina do Evangelho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/600491-uma-espiritualidade-do-viver\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Custa-nos muito descobrir a \u201c<strong>espiritualidade da vida cotidiana<\/strong>\u201d<\/a>, a vida de cada dia nos parece sem sentido, sem muito destaque e sem muitos fatos extraordin\u00e1rios; temos ainda muito que aprender da vida cotidiana do artes\u00e3o de Nazar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Na fam\u00edlia de Nazar\u00e9 nos inspiramos para viver tamb\u00e9m uma presen\u00e7a inspiradora em nossa exist\u00eancia cotidiana. Nazar\u00e9 se revela tamb\u00e9m como espa\u00e7o e tempo do \u201c<strong>cora\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d. Por isso, Maria \u201c<strong>conservava no cora\u00e7\u00e3o todas estas coisas<\/strong>\u201d. \u201cMaria guardava tudo isto e meditava-o em seu&nbsp;<strong>cora\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d (Lc. 2,19).<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um contemplar e meditar vivencial, realizado no centro afetivo-emocional de sua personalidade, simbolizado no termo \u201c<strong>cora\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d. Na l\u00edngua portuguesa a palavra \u201c<strong>cora\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d designa a sede da afetividade, dos sentimentos&#8230; Ao passo que na cultura oriental e b\u00edblica,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/42-noticias\/comentario-do-evangelho\/568955-evangelizar-nossa-interioridade\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o \u201c<strong>cora\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d \u00e9 o lugar da interioridade<\/a>, ou seja, designa uma faculdade espiritual pela qual o ser humano pode entrar em contato com Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<strong>\u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>&nbsp;representa o n\u00facleo mais \u00edntimo e mais secreto do nosso ser; ali \u00e9 o lugar das \u201c<strong>manifesta\u00e7\u00f5es vitais<\/strong>\u201d; trata-se de um \u201clugar\u201d e um princ\u00edpio de dire\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cessa de nos impulsionar, a partir do nosso interior, para nossa realiza\u00e7\u00e3o pessoal e transpessoal. Podemos consider\u00e1-lo tamb\u00e9m a raiz e o \u00e1pice da nossa exist\u00eancia onde se elaboram as concep\u00e7\u00f5es mais finas do nosso esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Meditar um assunto em nosso cora\u00e7\u00e3o significa \u201causcultar\u201d as \u201c<strong>mo\u00e7\u00f5es interiores<\/strong>\u201d, significa ouvir o que o cora\u00e7\u00e3o nos tem a dizer. Quando auscultamos nosso cora\u00e7\u00e3o nos deparamos com algo decisivo que far\u00e1 toda diferen\u00e7a para nossa exist\u00eancia. Pois, por \u201c<strong>cora\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d entendemos o n\u00facleo central da nossa personalidade humana, o ponto exato onde se encontram e se re\u00fanem a intelig\u00eancia e todas as potencialidades din\u00e2micas e vitais, as energias inconscientes e simb\u00f3licas do nosso ser profundo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Para meditar na ora\u00e7\u00e3o:<\/h3>\n\n\n\n<p>Contemplar seu espa\u00e7o familiar: \u00e9 ambiente instigante, provocativo, inspirador&#8230; Onde todos se sentem livres para expressar sua identidade e originalidade? Ali educa-se para viver uma consci\u00eancia moral respons\u00e1vel, sadia, coerente com a f\u00e9 crist\u00e3? Ou favorece um estilo de vida superficial, consumista, sem metas nem ideais, sem crit\u00e9rios e valores evang\u00e9licos?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Em que dimens\u00f5es voc\u00ea sente que sua fam\u00edlia pode e deve crescer mais, tendo como refer\u00eancia a&nbsp;<strong>Fam\u00edlia de Nazar\u00e9<\/strong>?<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>4 &#8211; <strong>UMA FAM\u00cdLIA DIFERENTE \u2013 <\/strong>Por Ana Maria Casarotti<\/p>\n\n\n\n<p>No domingo seguinte ao Natal, a Igreja nos convida a celebrar a Festa da Sagrada Fam\u00edlia. Por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>Esta festa \u00e9 a prolonga\u00e7\u00e3o da festa do Natal, celebrada na semana passada. Quando o Filho de Deus se fez homem, nasceu como filho de Maria, se fez&nbsp;<strong>irm\u00e3o de toda a humanidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contemplar hoje a Sagrada Fam\u00edlia, podemos &#8220;incluir&#8221; nela todos os homens, todas as mulheres de todos os tempos, ra\u00e7as e l\u00ednguas. Como disse&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/575664-jesus-de-nazare-fascina-ainda-hoje-artigo-de-enzo-bianchi\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enzo Bianchi<\/a>: &#8220;Jesus nascera de uma fam\u00edlia comum: um pai artes\u00e3o e uma m\u00e3e dona de casa como todas as mulheres da \u00e9poca. A sua fam\u00edlia tinha irm\u00e3os e irm\u00e3s, isto \u00e9, parentes, primos, uma fam\u00edlia numerosa e ligada por fortes la\u00e7os de sangue, como ocorria no Oriente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a&nbsp;<strong>festa da fam\u00edlia humana<\/strong>&nbsp;que pela encarna\u00e7\u00e3o, vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 adotada como fam\u00edlia de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao olhar hoje o menino Jesus, rodeado por Maria e Jos\u00e9, somos convidados a sentir-nos filhos e filhas do Pai e da M\u00e3e celestes e irm\u00e3os e irm\u00e3s uns dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A<strong>&nbsp;fam\u00edlia de Nazar\u00e9<\/strong>&nbsp;nos desafia a viver o mandamento do amor, que leva a exercitar valores essenciais que foram esquecidos ou abafados na l\u00f3gica do mercado que vigora em nosso tempo, como os valores da hospitalidade, da acolhida, da solidariedade, da cortesia e do respeito \u00e0 alteridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando agora para a nossa fam\u00edlia, a nossa comunidade, perguntamo-nos em que precisamos crescer para nos assemelharmos \u00e0 fam\u00edlia de Nazar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho de hoje nos revela, em primeiro lugar, a simplicidade e a historicidade da&nbsp;<strong>fam\u00edlia de Nazar\u00e9<\/strong>, que vivia sua religiosidade como toda a fam\u00edlia judia daquele tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/583003-a-noite-sinto-me-sozinho-e-sofro-entrevista-com-enzo-bianchi\">Enzo Bianchi<\/a>, &#8220;Sim, Jesus era um homem como os outros, apresentava-se sem tra\u00e7os extraordin\u00e1rios, parecia fr\u00e1gil como todo ser humano. T\u00e3o cotidiano, t\u00e3o modesto, sem qualquer coisa que, na sua forma humana, proclamasse a sua gl\u00f3ria e a sua singularidade, sem um \u201ccerimonial\u201d composto de pessoas que o acompanhassem e o tornassem solene e munido de poder ao aparecer no meio dos outros. N\u00e3o, demasiadamente humano! Mas se n\u00e3o h\u00e1 nada de \u201cextraordin\u00e1rio\u201d nele, por que acolher a sua mensagem? (Texto completo:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/580618-jesus-demasiadamente-humano\">Jesus, demasiadamente humano)&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No evangelho lemos que:&nbsp;<em>&#8220;Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusal\u00e9m, para a festa da P\u00e1scoa&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa P\u00e1scoa \u00e9 especial porque Jesus tem doze anos. Ent\u00e3o seguindo a&nbsp;<strong>lei de Mois\u00e9s<\/strong>&nbsp;\u00e9 a idade para realizar a cerim\u00f4nia&nbsp;<em>bar mitzvah<\/em>. Por meio desse rito, o menino entra no mundo adulto. Alcan\u00e7ou sua maturidade religiosa e civil.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelista situa Jesus no in\u00edcio da sua maturidade no templo, falando com os doutores da lei, e &#8220;todos que ouviam o menino estavam maravilhados com a intelig\u00eancia de suas respostas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No final da vida de Jesus encontramos uma cena semelhante:&nbsp;<em>&#8220;Ao amanhecer, os anci\u00e3os do povo, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei se reuniram em conselho e levaram Jesus para o Sin\u00e9drio&#8221;<\/em>&nbsp;(Lc 22,66).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a admira\u00e7\u00e3o inicial j\u00e1 n\u00e3o existe na maioria dos ouvintes, ao contr\u00e1rio, as palavras que pronuncia Jesus, em conson\u00e2ncia com sua vida, s\u00e3o as que o condenam \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso,&nbsp;<strong>Maria&nbsp;<\/strong>e<strong>&nbsp;Jos\u00e9<\/strong>&nbsp;buscam angustiados seu Filho, at\u00e9 que, depois de tr\u00eas dias de incessante busca, o acham no templo.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta serena que d\u00e1 Jesus \u00e0 pergunta de sua m\u00e3e:&nbsp;<em>&#8220;Por que me procuravam? N\u00e3o sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?&#8221;,<\/em>&nbsp;nos transporta ao dia da sua Ressurrei\u00e7\u00e3o,&nbsp;<em>&#8220;por que voc\u00eas est\u00e3o procurando entre os mortos aquele que est\u00e1 vivo?&#8221;<\/em>(Lc 24, 5b).<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo qual as primeiras palavras que Lucas coloca na boca de Jesus j\u00e1 revelam o sentido e o fim de sua vida e miss\u00e3o, estar no Pai, viver para Ele e suas coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>A maturidade dos 12 anos deste menino judeu continuar\u00e1 crescendo ao longo de sua vida, atingindo seu auge em outra P\u00e1scoa, a de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, Jesus revela a toda a fam\u00edlia humana o caminho para viver e crescer na casa do Pai e M\u00e3e comum, at\u00e9 chegar aos seus firmes e ternos bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Na entrevista&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/3360-francisco-orofino-2\">Jesus: um apaixonado por Deus e pelas pessoas<\/a>, concedida \u00e0&nbsp;revista&nbsp;<strong>IHU On-Line<\/strong>&nbsp;n\u00ba 336, o te\u00f3logo biblista&nbsp;<strong>Francisco Orofino<\/strong>&nbsp;disse que &#8220;temos que entender que a forma\u00e7\u00e3o de Jesus come\u00e7a em casa, e sob forte influ\u00eancia materna. Jesus viveu muito tempo neste ambiente familiar e comunit\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivendo deste jeito estaremos contribuindo com a recria\u00e7\u00e3o permanente da fam\u00edlia humana e divina!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ora\u00e7\u00e3o pela fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c\u00d3 Deus Trindade, comunh\u00e3o perfeita no amor. Nossas fam\u00edlias vos louvam e agradecem,&nbsp;<\/em><br><em>por serem chamadas a realizar as maravilhas do vosso amor, no aconchego de seus lares.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que nelas aconte\u00e7a a desejada paz e a constante reconcilia\u00e7\u00e3o, mesmo em meio a tantos limites humanos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Vos pedimos, Trindade Sant\u00edssima, que a<strong>&nbsp;fam\u00edlia<\/strong>&nbsp;seja reconhecida como&nbsp;<strong>patrim\u00f4nio da humanidade,<\/strong>&nbsp;<\/em><br><em>um dos tesouros mais preciosos dos nossos povos, lugar e escola de comunh\u00e3o,&nbsp;<\/em><br><em>fonte de valores humanos e c\u00edvicos, lar onde a vida humana nasce e se acolhe, generosa e responsavelmente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Torne-se&nbsp;<strong>escola de f\u00e9<\/strong>, fazendo dos pais os primeiros catequistas de seus filhos,&nbsp;<\/em><br><em>come\u00e7ando em casa o processo da inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Possa a fam\u00edlia ser considerada santu\u00e1rio da vida e&nbsp;<strong>Igreja dom\u00e9stica.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Livrai a fam\u00edlia do ego\u00edsmo<\/em><\/strong><em>, que fere de morte o amor e o compromisso com a vida,&nbsp;<\/em><br><em>destruindo o lar e causando consequ\u00eancias indel\u00e9veis para os filhos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00d3 Deus Trindade, por intercess\u00e3o da Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, santu\u00e1rio da vida divina,&nbsp;<\/em><br><strong><em>aben\u00e7oai cada lar<\/em><\/strong><em>&nbsp;para que possa tornar-se, \u00e0 vossa imagem, novo sacr\u00e1rio de amor. Am\u00e9m\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dom Alo\u00edsio A. Dilli<\/strong><br>Bispo de Santa Cruz do Sul<\/p>\n\n\n\n<p>= = = =<\/p>\n\n\n\n<p>5 &#8211; <a><strong>FESTA DA SAGRADA FAM\u00cdLIA <\/strong><\/a>\u2013 Por\u00a0Tomaz Hughes<\/p>\n\n\n\n<p>Na Igreja Cat\u00f3lica, hoje \u00e9 celebrada a festa da&nbsp;<strong>Sagrada Fam\u00edlia<\/strong>. Portanto, o trecho de Lucas p\u00f5e em relevo os tr\u00eas membros da fam\u00edlia de Nazar\u00e9, embora o seu tema principal seja um ensinamento sobre quem \u00e9 Jesus, a sua rela\u00e7\u00e3o com o Pai e com a sua fam\u00edlia humana.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7a enfatizando a identidade da fam\u00edlia humana de Jesus como judeus piedosos. Os regulamentos sobre as peregrina\u00e7\u00f5es ao&nbsp;<strong>Templo de Jerusal\u00e9m<\/strong>, para a festa de P\u00e1scoa, se encontram em \u00caxodo 23,17; 34,23 e em Lev\u00edtico 23,4-14. Como consequ\u00eancia, entendemos que o ambiente em que Jesus cresceu, e em que descobriu a sua voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, \u00e9 aquele dos \u201cpobres de Jav\u00e9\u201d, os devotos que esperavam a liberta\u00e7\u00e3o de Israel, atrav\u00e9s da vinda do Messias dav\u00eddico prometido. Esta viagem prefigura a grande viagem de Jesus a Jerusal\u00e9m em Lucas 9,51 a 19,27, que ele far\u00e1 com os seus disc\u00edpulos, e onde ele revelar\u00e1, por palavras e a\u00e7\u00f5es, o seu relacionamento com o Pai, prefigurado no vers\u00edculo 49 de nosso texto.<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa salienta certas atitudes de Jesus. \u00c9 bom prestar bem aten\u00e7\u00e3o aos verbos. Lucas diz que Jesus estava no templo entre os doutores, \u201cescutando e fazendo perguntas\u201d (v. 46). A atitude de Jesus \u00e9 a de um disc\u00edpulo muito inteligente e n\u00e3o de um mestre. Ele n\u00e3o est\u00e1 \u201censinando no Templo\u201d, como muitas vezes dizemos em nossas tradi\u00e7\u00f5es. Aqui, Lucas antecipa para os doze anos de Jesus o que realmente ocorrer\u00e1 mais tarde, quando Jesus realmente ensina no Templo e sofre a rejei\u00e7\u00e3o e a persegui\u00e7\u00e3o por parte de doutores da Lei e Sumos Sacerdotes (Lucas 19,47-48; 21,37-38; 22,53).<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos o ponto central do texto no vers\u00edculo 49: \u201cPorque me procuravam? N\u00e3o sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, Lucas relata as primeiras palavras de&nbsp;<strong>Jesus no seu Evangelho<\/strong>. Agora, n\u00e3o \u00e9 Gabriel, nem Zacarias, nem Maria quem diz quem \u00e9 Jesus, mas ele mesmo. A palavra que n\u00f3s traduzimos como \u201cdevo\u201d, em grego dei, transmite o tema de \u201cnecessidade\u201d, que aparece no Evangelho 18 vezes e nos Atos dos Ap\u00f3stolos 22 vezes. Essa palavra \u201cexpressa um senso de compuls\u00e3o divina, frequentemente visto como obedi\u00eancia a uma ordem da escritura ou profecia, ou na conformidade de eventos com a vontade de Deus. Aqui, a necessidade consiste no relacionamento inerente de Jesus em rela\u00e7\u00e3o a Deus, que exige obedi\u00eancia.\u201d (Marshall, \u201cThe Gospel of Luke\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>No vers\u00edculo 50, fica claro que os seus pais n\u00e3o entenderam que o seu relacionamento com o Pai celeste tomava preced\u00eancia sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com eles: \u201cEles n\u00e3o compreenderam o que o menino acabava de lhes dizer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201cespada\u201d sinaliza a dor de sentir este distanciamento sem poder compreend\u00ea-lo e que j\u00e1 come\u00e7a a aparecer. Tamb\u00e9m o velho Sime\u00e3o a ela se refere em Lucas 2,35. Maria n\u00e3o compreende plenamente, retomando o tema de v. 19, e continua a sua caminhada de f\u00e9, meditando sobre o sentido da miss\u00e3o e da identidade de seu filho. Essa experi\u00eancia de Maria \u00e9 encorajadora para n\u00f3s. Quantas vezes acontecem coisas nas nossas vidas que n\u00e3o compreendemos e nelas n\u00e3o conseguimos ver a vontade de Deus? A exemplo de Maria e Jos\u00e9, com atitude orante e contemplativa, aceitemos esta escurid\u00e3o, continuemos a caminhada. Nunca, por\u00e9m, deixemos de \u201cconservar no nosso cora\u00e7\u00e3o todas essas coisas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>= = = =<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>6 &#8211; <a><strong>Lc 2,41-52 \u2013 <\/strong><\/a>Por Irm\u00e3 Zuleica Aparecida Silvano, religiosa paulina,<\/p>\n\n\n\n<p>O autor, no v. 41, apresenta uma informa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica importante, por se tratar do Evangelho segundo Lucas: o deslocamento da fam\u00edlia de Jesus de Nazar\u00e9 (ou da Galileia) para Jerusal\u00e9m. Esse movimento perpassar\u00e1 todo esse evangelho e ser\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o tomada por Jesus durante seu minist\u00e9rio p\u00fablico, at\u00e9 sua morte em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>A peregrina\u00e7\u00e3o anual a Jerusal\u00e9m fazia parte dos costumes judaicos. A Lei prescrevia que cada judeu deveria peregrinar tr\u00eas vezes ao ano a Jerusal\u00e9m para celebrar as grandes festas: da P\u00e1scoa, das Cabanas e das Semanas (Pentecostes). No entanto, aqueles que morassem longe (a dist\u00e2ncia de um dia) eram dispensados dessa lei. A fam\u00edlia de Jesus peregrina a Jerusal\u00e9m para ter a oportunidade de estar no Templo e cumprir algumas prescri\u00e7\u00f5es religiosas, pelo menos uma vez por ano, ainda que morasse distante, como nos informa o relato.<\/p>\n\n\n\n<p>No juda\u00edsmo, o jovem, a partir dos 13 anos, adquiria a maturidade religiosa e tinha o direito de ler a Tor\u00e1 na sinagoga. N\u00e3o temos, por\u00e9m, dados para saber se realmente isso era realizado no tempo de Jesus, apesar de esse ritual nos ajudar a compreender a perman\u00eancia de Jesus no Templo entre os mestres da Lei e a ver nele n\u00e3o somente algu\u00e9m pleno de sabedoria, mas tamb\u00e9m aquele que revela a sabedoria do Pai. Jesus tamb\u00e9m \u00e9 identificado como Mestre, como aquele que fala com autoridade (cf. Lc 4,32).<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelista n\u00e3o nos oferece nenhum detalhe sobre o que realmente ocorreu ou como foi poss\u00edvel n\u00e3o notar a aus\u00eancia do filho na caravana de volta para Nazar\u00e9 (vv. 43-45), dado que, provavelmente, a inten\u00e7\u00e3o do autor era real\u00e7ar a preocupa\u00e7\u00e3o dos pais ao perceberem a perda do filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos vv. 46-50, o narrador exp\u00f5e a cena do encontro de Maria e Jos\u00e9 com Jesus e enfatiza a resposta deste diante da ang\u00fastia dos pais. A indica\u00e7\u00e3o de tempo, ap\u00f3s \u201ctr\u00eas dias\u201d (v. 46), \u00e9 muitas vezes interpretada como uma alus\u00e3o \u00e0 morte e \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, apesar de isso n\u00e3o ser uma caracter\u00edstica de Lc. No entanto, tal aspecto pode ser considerado quando se sublinham as afinidades existentes entre esse relato e as narrativas da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>No di\u00e1logo, nos vv. 48b-50, Jesus apresenta sua identidade e miss\u00e3o, ao se revelar como Filho de Deus (cf. Lc 4,43) e ao exprimir sua total disponibilidade \u00e0 vontade do Pai. A cena do encontro de Maria com o filho \u00e9 descrita de maneira simples, com um tom semelhante ao daquelas situa\u00e7\u00f5es em que pais aflitos encontram os filhos supostamente perdidos, nas quais h\u00e1 uma mistura de preocupa\u00e7\u00e3o, ang\u00fastia, cuidado, \u201craiva\u201d, como forma de desabafar o desespero que os sufocavam. Percebe-se, por\u00e9m, que se trata de fam\u00edlia que vive as exig\u00eancias de sua voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e, dialogando, tenta discernir a vontade de Deus diante dos acontecimentos cotidianos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da incompreens\u00e3o da atitude de Jesus, Maria n\u00e3o fica indiferente a esse mist\u00e9rio e o guarda no cora\u00e7\u00e3o. Note-se que o Evangelho de Lucas permanece fiel \u00e0 sua finalidade de revelar a verdadeira identidade de Jesus somente depois da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os vv. 51-52 apresentam Jesus novamente submisso aos seus pais, vivendo conforme a Lei de Deus e cumprindo os mandamentos, sobretudo o de \u201chonrar pai e m\u00e3e\u201d (cf. Dt 5,16 e o texto da I leitura). Apesar do contraste com a cena precedente e da consci\u00eancia de Jesus de sua filia\u00e7\u00e3o divina, estes vers\u00edculos nos mostram que realmente o Filho de Deus assume a condi\u00e7\u00e3o humana e o processo normal de crescimento. De fato, Lucas descreve Jesus adolescente, que progride em sua maturidade humana, f\u00edsica e espiritual. Tamb\u00e9m confirma o que \u00e9 dito na I leitura, ou seja: aquele que \u00e9 obediente aos pais e os trata com respeito receber\u00e1 as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus. O termo \u201cgra\u00e7a\u201d pode ser tamb\u00e9m traduzido por \u201camor\u201d, \u201ccaridade\u201d, ou bondade, que, conforme a II leitura, \u00e9 o v\u00ednculo da perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pistas para reflex\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Sagrada Fam\u00edlia, que se desloca para Jerusal\u00e9m, convida-nos a percorrer caminhos novos, a escutar a Palavra de Deus e sua vontade. A escuta da Palavra nos faz romper com nossa mentalidade fechada, nossos esquemas preestabelecidos, nossas convic\u00e7\u00f5es absolutas, nosso modo fechado de viver, e nos insere na aventura de buscar novos horizontes e acolher essas realidades em nosso cora\u00e7\u00e3o, como fez Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os textos b\u00edblicos escolhidos para esta festa da Sagrada Fam\u00edlia tamb\u00e9m nos apontam grandes desafios, a saber: a humaniza\u00e7\u00e3o de nossas rela\u00e7\u00f5es familiares, a sensibilidade para com os pais (I leitura), o discernimento nas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis (evangelho), o acolhimento das diferentes etapas dos membros de nossas fam\u00edlias, o amor m\u00fatuo nas rela\u00e7\u00f5es conjugais (II leitura). Inspirando-se na Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, nossas fam\u00edlias s\u00e3o chamadas a gerar vida, alimentar e sustentar os la\u00e7os humanos e promover a solidariedade, tornando o ambiente familiar num lugar onde prevale\u00e7a a paz, o amor, a fraternidade, o respeito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lc 2,41-52 \u2013 Ano C &#8211; FESTA DA SAGRADA FAM\u00cdLIA OU DO JESUS JOVEM REBELDE? V\u00e1rios textos e v\u00eddeo 1 &#8211; Lc 2,41-52: Evangelho da \u201cSAGRADA FAM\u00cdLIA\u201d OU DE JESUS JOVEM REBELDE? 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