{"id":13953,"date":"2024-12-31T09:43:44","date_gmt":"2024-12-31T12:43:44","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13953"},"modified":"2024-12-31T09:43:49","modified_gmt":"2024-12-31T12:43:49","slug":"festa-da-epifania-de-jesus-mt-21-12-somos-todos-magos-e-magas-no-caminho-do-amor-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/festa-da-epifania-de-jesus-mt-21-12-somos-todos-magos-e-magas-no-caminho-do-amor-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"FESTA DA EPIFANIA DE JESUS (Mt 2,1-12): SOMOS TODOS MAGOS E MAGAS NO CAMINHO DO AMOR \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>FESTA DA EPIFANIA DE JESUS (Mt 2,1-12): SOMOS TODOS MAGOS E MAGAS NO CAMINHO DO AMOR<\/strong> \u2013 Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/folia-de-reis-de-paracatu-de-baixo-foto-wigde-arcangelo-798x450-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13954\" width=\"780\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/folia-de-reis-de-paracatu-de-baixo-foto-wigde-arcangelo-798x450-1.png 798w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/folia-de-reis-de-paracatu-de-baixo-foto-wigde-arcangelo-798x450-1-300x169.png 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/folia-de-reis-de-paracatu-de-baixo-foto-wigde-arcangelo-798x450-1-768x433.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><figcaption>Folia de Reis de Paracatu de Baixo, Arquidiocese de Mariana, MG. Foto: Wigde Arcangelo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A Epifania, ou como algumas Igrejas ortodoxas chamam Teofania (a manifesta\u00e7\u00e3o humana de Deus), ou Diafania (brilho divino que permeia, perpassa e envolve toda a cria\u00e7\u00e3o) \u00e9 a mais antiga celebra\u00e7\u00e3o do Natal. Celebra que Jesus Cristo, nascido em Bel\u00e9m e anunciado aos pastores, se manifesta como testemunho de Salva\u00e7\u00e3o para toda a humanidade e todos os seres vivos. Por isso, nessa festa lemos como evangelho Mateus 2, 1- 12.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme esse evangelho, magos, s\u00e1bios sacerdotes da antiga religi\u00e3o persa, foram render homenagens a Jesus e s\u00e3o acolhidos por Deus em sua busca. Os magos eram como pais\/m\u00e3es de santo daquela \u00e9poca. A tradi\u00e7\u00e3o popular os chamou de reis e os considerou s\u00e1bios &#8211; intelectuais. Ao contr\u00e1rio, no tempo dos evangelhos, o termo &#8220;magos&#8221; era usado no sentido de que hoje usamos o termo &#8220;bruxos&#8221;. Na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, eram vistos com maus olhos e tidos como gente n\u00e3o recomend\u00e1vel (nada de santos).<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho de Mateus conta que os magos foram os primeiros a encontrar Jesus. O evangelho n\u00e3o diz quantos eram. A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 os coloca como tr\u00eas e at\u00e9 d\u00e1 nome a cada um. Pinta um deles como negro. Uma tradi\u00e7\u00e3o oriental da Idade M\u00e9dia estampava um deles como jovem mulher, para, assim, simbolizar a universalidade desse encontro macroecum\u00eanico: Jesus menino e os magos e magas do mundo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Comumente, os padres e pastores dizem: \u201c<em>Os magos v\u00eam de longe para adorar a Jesus, portanto para ser crist\u00e3os\u201d<\/em>. Essa forma de compreender o evangelho \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 novidade que o evangelho quis anunciar. O texto de hoje se conclui dizendo que depois de encontrar Jesus, eles voltaram para os seus pa\u00edses, isto \u00e9, para a sua cultura, seus territ\u00f3rios e sua realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Mateus conta a hist\u00f3ria dos magos como coment\u00e1rio do belo poema do profeta Isa\u00edas 60 que serve de primeira leitura nas celebra\u00e7\u00f5es de hoje. A comunidade de disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Isa\u00edas escreveu esse poema, provavelmente no tempo da reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, depois do cativeiro e ex\u00edlio da Babil\u00f4nia. Dizia que reis e sacerdotes viriam de longe para adorar o Senhor em Jerusal\u00e9m. O evangelho de Mateus toma esse texto prof\u00e9tico como pano de fundo da sua narrativa. Assim, o evangelho de hoje afirma que acolhe Jesus quem se abre \u00e0s pessoas diferentes, ao outro e \u00e0 outra. Portanto, Bel\u00e9m e o pres\u00e9pio simbolizam um encontro de culturas e de religi\u00f5es em busca do divino que nos humaniza. De modo algum, se trata apenas de ver o outro que consegue entrar na nossa cultura e se inserir na nossa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho diz que os magos seguem uma estrela. S\u00e3o astr\u00f3logos ou astr\u00f4nomos e o evangelho n\u00e3o critica isso. Conta que se prostraram diante do Menino como, na \u00e9poca, se prostravam diante de qualquer soberano oriental. Oferecem ouro, incenso e mirra, O or\u00e1culo de Isa\u00edas 60 e o salmo 72 se referem a reis que v\u00eam de longe trazendo seus tesouros como tributos ao rei Messias. O evangelho diz que s\u00e3o presentes e n\u00e3o tributos. Ouro, incenso e mirra eram usados em cultos de religi\u00f5es e cultos de mist\u00e9rio no Oriente.&nbsp; Hoje, lemos nas B\u00edblias: <em>abrindo os seus tesouros, ofereceram ouro, incenso e mirra. <\/em>Alguns manuscritos antigos trazem um termo grego que, no lugar de tesouros, falam em <em>sacos de viagem, <\/em>bagagem de andarilhos, quase de mendigos&#8230;. Essa tradu\u00e7\u00e3o fala dos magos como, hoje, s\u00e3o os moradores e moradoras da rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada um, cada uma de n\u00f3s vive uma busca interior. H\u00e1 quem viva isso com mais intensidade e coragem. Outras pessoas se acomodam e deixam sua busca meio adormecida. H\u00e1 quem nem percebam mais essa busca interior. No entanto, ela \u00e9 que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses dias, em algumas regi\u00f5es do Brasil, comunidades pobres fazem novenas e folias de Reis. Assim, nos lembram a todos e todas que temos de retomar, permanentemente, nossa peregrina\u00e7\u00e3o. No s\u00e9culo XVI, o m\u00edstico S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz denominou a nossa peregrina\u00e7\u00e3o, simbolizada pelos magos, como &#8220;<em>caminho na noite escura da f\u00e9&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, muitas vezes, as Igrejas fazem de si mesmas n\u00e3o mais a casa de Bel\u00e9m, onde as pessoas que v\u00eam de longe podem encontrar o Menino e sim um centro religioso que atrai as pessoas para si.<\/p>\n\n\n\n<p>Manter-se na estrada sup\u00f5e aceitar ser algu\u00e9m pequenino, desprotegido e quase sempre marginal&#8230; Nem todo mundo topa isso. Conforme os evangelhos, a Igreja n\u00e3o deveria ser a pousada e sim o grupo que caminha juntos. Por isso, \u00e9 assembleia (Igreja) e n\u00e3o templo ou religi\u00e3o. Antes de serem compreendidos como crist\u00e3os pelo povo de Antioquia, o povo das primeiras comunidades crist\u00e3s eram compreendidos como \u201cpessoas do caminho\u201d, caminheiros\/as. O caminho \u00e9 guiado pela estrela e n\u00e3o pela pousada. A estrela simboliza o mais profundo de n\u00f3s que desperta o divino que est\u00e1 em n\u00f3s e que n\u00e3o pode ficar adormecido. Seguir a \u201cestrela de Bel\u00e9m\u201d implica olhar profundo e longe, sem preconceitos, sem moralismos, sem fundamentalismos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A hist\u00f3ria dos magos \u00e9 uma par\u00e1bola. Conforme esse conto, n\u00e3o foi f\u00e1cil para aqueles bruxos do Oriente reconhecer um chamado divino, atrav\u00e9s da luz da estrela.&nbsp; O Amor Divino os chamou para caminhar, n\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de algum centro de peregrina\u00e7\u00e3o importante, mas de uma aldeiazinha perdida nas montanhas da Jud\u00e9ia chamada Bel\u00e9m. Sem entender isso, os magos ou magas foram a Jerusal\u00e9m, centro do poder religioso e pol\u00edtico opressor e repressor e entraram em contato com o rei Herodes, que tentou coopt\u00e1-los. Esse contato dos magos com Herodes e com os sacerdotes s\u00f3 deu problema. Involuntariamente, acabaram provocando o massacre das crian\u00e7as inocentes e a persegui\u00e7\u00e3o de Herodes ao menino Jesus. Os professores da B\u00edblia, sacerdotes do Juda\u00edsmo, a religi\u00e3o tida como correta, sabiam a verdade &#8211; interpretaram corretamente a profecia de Miqueias na B\u00edblia &#8211; mas isso n\u00e3o os levou a Deus. J\u00e1 os Xam\u00e3s vindos do Oriente, que n\u00e3o tinham B\u00edblia, nem conheciam a verdadeira f\u00e9, foram adorar e reconheceram na periferia de Bel\u00e9m, no por\u00e3o de uma casa, em uma crian\u00e7a pobre a presen\u00e7a divina.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto diz que a estrela que em Jerusal\u00e9m tinha desaparecido do c\u00e9u, s\u00f3 reaparece quando eles deixam a cidade e seu templo. A estrela os conduz a Bel\u00e9m. Deus se encontra na casa da periferia, na gruta que n\u00e3o tem portas nem muros. Adorar \u00e9 admirar-se, \u00e9 reconhecer o divino no humano, em todo ser humano, mas especialmente no mais pequenino e pobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Os presentes dos magos s\u00e3o simb\u00f3licos dos presentes que devemos dar a todo ser humano, como sendo dados a Jesus. Ao oferecer a Jesus ouro, os magos profetizam o reconhecimento da dignidade e do valor inestim\u00e1vel de todo ser humano, ali representado no menino de Bel\u00e9m. Toda crian\u00e7a merece que se ponham a seus p\u00e9s toda o maior reconhecimento do mundo. O incenso significa o desejo de que a vida dessa crian\u00e7a desabroche e se eleve at\u00e9 Deus. Todo ser humano deve ser visto como sagrado. A mirra \u00e9 medicamento para aliviar os sofrimentos. Significa que todo ser humano \u00e9 fr\u00e1gil e merece cuidado. Atrav\u00e9s de Jesus, Deus introduz no mundo uma nova magia: fazer hist\u00f3ria a partir dos pequeninos. \u00c9 esse caminho que devemos retomar e reacender como luz da estrela nas estradas da vida. \u201cVoltar por outro caminho\u201d significa recriar jeito de viver, de conviver e de lutar, no qual sejamos luz e for\u00e7a divina irradiando no mundo e tecendo rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais que aponte para a constru\u00e7\u00e3o de sociedade com Justi\u00e7a, Paz e Amor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Folia De Rei<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>(Can\u00e7\u00e3o de Baiano e os Novos Caetanos)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ai, andar andei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ai, como eu andei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E aprendi a nova lei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAlegria em nome da rainha<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E folia em nome de rei\u201d (bis).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ai, mar marujei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ai, eu naveguei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E aprendi a nova lei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se \u00e9 de terra que fique na areia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O mar bravo s\u00f3 respeita rei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ai, voar voei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ai, como eu voei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E aprendi a nova lei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Alegria em nome das estrelas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E folia em nome de rei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ai, eu partirei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ai, eu voltarei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Vou confirmar a nova lei<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Alegria em nome de Cristo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Porque Cristo foi o Rei dos reis<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FESTA DA EPIFANIA DE JESUS (Mt 2,1-12): SOMOS TODOS MAGOS E MAGAS NO CAMINHO DO AMOR \u2013 Por Marcelo Barros A Epifania, ou como algumas Igrejas ortodoxas chamam Teofania (a manifesta\u00e7\u00e3o humana de Deus), ou<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13954,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13953","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13953"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13953\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13955,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13953\/revisions\/13955"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13954"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}