{"id":13974,"date":"2025-01-14T16:36:55","date_gmt":"2025-01-14T19:36:55","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13974"},"modified":"2025-01-14T16:37:00","modified_gmt":"2025-01-14T19:37:00","slug":"nao-podemos-mais-adiar-as-conquistas-desafios-dos-movimentos-sociais-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/nao-podemos-mais-adiar-as-conquistas-desafios-dos-movimentos-sociais-em-2025\/","title":{"rendered":"N\u00c3O PODEMOS MAIS ADIAR AS CONQUISTAS: Desafios dos Movimentos Sociais em 2025"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>N\u00c3O PODEMOS MAIS ADIAR AS CONQUISTAS: Desafios dos Movimentos Sociais em 2025<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por Divina Lopes<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><br>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.mst.org.br\">www.mst.org.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"461\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/AromasdeMarco_FotoPagina-768x461-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13975\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/AromasdeMarco_FotoPagina-768x461-1.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/AromasdeMarco_FotoPagina-768x461-1-300x180.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption><em>Foto: Acervo MST<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nada como<br>o sonho para criar o futuro.<br>Utopia hoje, carne e osso amanh\u00e3\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Victor Hugo<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada de 2025 foi marcada por celebra\u00e7\u00f5es. A dureza dos tempos n\u00e3o retira do povo a vontade de celebrar! \u00c9 em defesa da alegria que nos colocamos novamente no fronte de luta.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano que chega rep\u00f5e o desafio de analisarmos o contexto de crise que estamos vivenciando em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es \u2013 econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social, ambiental \u2013 o que Ana Esther Cece\u00f1a tem chamado de&nbsp;colapso metab\u00f3lico, como uma poss\u00edvel \u201cjanela de oportunidades\u201d de fazer das contradi\u00e7\u00f5es capitalistas \u201cbrechas\u201d para denunciar o agroneg\u00f3cio e trazer o debate, junto \u00e0 sociedade, da import\u00e2ncia da Reforma Agr\u00e1ria Popular como um caminho poss\u00edvel para superar a destrui\u00e7\u00e3o ambiental, a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e a desigualdade social.<\/p>\n\n\n\n<p>A ordem perversa do capital imposta ao campo \u2013 personificada no <strong>agro-hidro-m\u00ednero-neg\u00f3cio<\/strong> \u2013 aprofunda in\u00fameras contradi\u00e7\u00f5es e impulsiona uma crise civilizat\u00f3ria expressa, entre outras coisas, na crise h\u00eddrica, na perda da biodiversidade, na emerg\u00eancia clim\u00e1tica, no envenenamento, cujas consequ\u00eancias recaem diretamente sobre os territ\u00f3rios camponeses, ind\u00edgenas, de povos e comunidades tradicionais e nas popula\u00e7\u00f5es urbanas em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel, que acabam por impactar de forma decisiva o conjunto da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca \u00e9 demais lembrar que a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria continua sendo uma das principais express\u00f5es da desigualdade em nosso pa\u00eds, sendo a terra hoje um dos mais importantes ativos financeiros do mercado e sua disputa foco permanente de tens\u00e3o, viol\u00eancia e ataque aos direitos da natureza e seus povos. Por essa raz\u00e3o, a luta pela Reforma Agr\u00e1ria Popular tem potencial revolucion\u00e1rio, na medida em que questiona e enfrenta a propriedade privada, a concentra\u00e7\u00e3o de terras e a espolia\u00e7\u00e3o da natureza, cerne da acumula\u00e7\u00e3o de capital em pa\u00edses perif\u00e9ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria Popular deve ser compreendida como necessidade do conjunto da sociedade, pois indica a urg\u00eancia de mudan\u00e7a na matriz produtiva e nas rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o, visando outro padr\u00e3o de uso e de posse da terra, mas tamb\u00e9m o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es humanas livres de todas as formas de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, a Reforma Agr\u00e1ria, como uma bandeira hist\u00f3rica da classe trabalhadora, foi abandonada por parte da esquerda brasileira e n\u00e3o \u00e9 uma prioridade no governo que elegemos. Entramos em 2025 com a pauta da terra em marcha lenta, sem respostas efetivas do governo para as quase 100 mil fam\u00edlias que continuam acampadas nas diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental que essa base social se mobilize, pois a mobiliza\u00e7\u00e3o popular \u00e9 crucial para alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o podemos mais adiar as conquistas que ainda n\u00e3o chegaram, nem permitir que a classe dominante siga impondo medidas que retirem nossos direitos, agridam nossos corpos, nossos modos de vida e nossos territ\u00f3rios. A\u00e7\u00f5es como: PEC do estupro \u2013 viola\u00e7\u00e3o dos direitos de mulheres e meninas, PL do Marco Temporal, PL dos venenos, flexibiliza\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo florestal, criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas e dos lutadores, assassinatos e viola\u00e7\u00f5es dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, quilombolas e camponeses, destrui\u00e7\u00e3o ambiental, marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o preta e pobre nos grandes centros urbanos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Arrancamos nas ruas e nas urnas uma importante vit\u00f3ria para o povo brasileiro ao elegermos Lula presidente. As for\u00e7as populares, mulheres, negros e negras, juventude, sujeitos LGBTI+, povos origin\u00e1rios, a classe trabalhadora em geral foi protagonista dessa vit\u00f3ria. Continuar mobilizando essa for\u00e7a social e popular pela garantia da manuten\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade \u00e9 uma tarefa que est\u00e1 na ordem do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos nossos principais desafios \u00e9 impulsionar um amplo processo de organiza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, que mobilize a indigna\u00e7\u00e3o desses sujeitos que est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o direta com a viol\u00eancia do Estado e do capital. S\u00f3 a press\u00e3o popular ser\u00e1 capaz de arrancar do governo as conquistas e a implementa\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o de interesse da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>As demandas e necessidades concretas da diversidade de sujeitos que comp\u00f5em a classe trabalhadora do campo e da cidade precisam ser transformadas em luta pol\u00edtica. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio experimentar novas formas organizativas que enfrentem a hegemonia neoliberal, estimulem e recriem os la\u00e7os de solidariedade, coletividade, coopera\u00e7\u00e3o e humanidade entre as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>2026 est\u00e1 chegando e, enquanto esquerda brasileira, precisamos evitar o deslocamento de todas as nossas energias e capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o popular para disputar as elei\u00e7\u00f5es como centralidade. J\u00e1 est\u00e1 comprovado que uma teoria desprovida de pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria e o imediatismo ao tentar resolver o presente, desprovido de um debate estrat\u00e9gico do que seria o futuro, n\u00e3o s\u00e3o capazes de recuperar, entre o povo, a capacidade de sonhar e de projetar os dias que vir\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O capital e a classe dominante nacional e mundial jamais assumir\u00e3o o compromisso com as gera\u00e7\u00f5es atuais e futuras. Precisamos estimular a luta, a organiza\u00e7\u00e3o do poder popular e apresentar atrav\u00e9s de nossa pr\u00e1xis a alternativa do socialismo aos territ\u00f3rios urbanos e camponeses como o nosso bem viver.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cBordar, num pano de linho um poema tambor que desperte o vizinho.<br>Pintar no asfalto e no rosto, um poema alvoro\u00e7o que desperte a cidade.<br>Dan\u00e7ar com tamancos na pra\u00e7a, cantar porque o grito j\u00e1 n\u00e3o basta.<br>Esfarrapados, banguelas e meninos de rua, poetas, bab\u00e1s.<br>Vistam seus trapos, abram os teatros, \u00e9 hora de come\u00e7ar:<br>Alertar, desperta, ainda cabe sonhar.\u201d<\/strong><br>(Jonathan Silva, pe\u00e7a adaptada de Garcia Lorca)<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 estamos sentindo os aromas de mar\u00e7o e das outras lutas que vir\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em defesa da democracia, sem anistia para os golpistas!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Educadora popular e militante do MST<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00c3O PODEMOS MAIS ADIAR AS CONQUISTAS: Desafios dos Movimentos Sociais em 2025 Por Divina Lopes[1]Fonte: www.mst.org.br &#8220;N\u00e3o h\u00e1 nada comoo sonho para criar o futuro.Utopia hoje, carne e osso amanh\u00e3\u201d Victor Hugo A chegada de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13975,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,38,49,27,30,25,56,29,43],"tags":[],"class_list":["post-13974","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-luta-pela-terra-e-reforma-agraria","category-meio-ambiente","category-movimentos-sociais-populares","category-pedagogia-emancipatoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13974","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13974"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13974\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13976,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13974\/revisions\/13976"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13975"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}