{"id":13983,"date":"2025-01-21T18:31:19","date_gmt":"2025-01-21T21:31:19","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13983"},"modified":"2025-01-21T18:31:25","modified_gmt":"2025-01-21T21:31:25","slug":"evangelho-de-lucas-lc-11-4-414-21-projeto-de-libertacao-integral-por-emerson-sbardelotti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/evangelho-de-lucas-lc-11-4-414-21-projeto-de-libertacao-integral-por-emerson-sbardelotti\/","title":{"rendered":"EVANGELHO DE LUCAS (Lc 1,1-4; 4,14-21): PROJETO DE LIBERTA\u00c7\u00c3O INTEGRAL \u2013 Por Emerson Sbardelotti"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>EVANGELHO DE LUCAS (Lc 1,1-4; 4,14-21): PROJETO DE LIBERTA\u00c7\u00c3O INTEGRAL<\/strong> \u2013 Por Emerson Sbardelotti<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/hqdefault.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13984\" width=\"778\" height=\"584\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/hqdefault.jpg 480w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/hqdefault-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Frei Carlos Mesters e Francisco Orofino<\/strong><a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> afirmam: \u201cLucas inicia o seu Evangelho dizendo que muitos j\u00e1 tentaram escrever sobre Jesus e que, por isso, ele tamb\u00e9m resolveu escrever (Lc 1,1). E a gente logo pergunta: \u201cSe j\u00e1 havia tantos escritos sobre Jesus, por que ele precisava escrever mais um?\u201d. Aqui est\u00e1 o n\u00f3 da quest\u00e3o. Havia muitas tend\u00eancias e grupos: \u201cEu sou de Paulo. Eu sou de Apolo. Eu sou de Pedro. Eu sou de Cristo\u201d (1Cor 1,12). Havia muita confus\u00e3o. \u201cH\u00e1 pessoas que est\u00e3o semeando confus\u00e3o entre voc\u00eas e querem deturpar o Evangelho de Cristo\u201d (Gl 1,7).<\/p>\n\n\n\n<p>Cada um apresentava as coisas que Jesus fez e ensinou conforme o seu pr\u00f3prio gosto (cf. Gl 1,6-10). Havia gente que anunciava um Evangelho diferente daquele que Paulo tinha anunciado. Paulo chega a dizer na carta aos G\u00e1latas: \u201cMaldito seja quem anuncia um Evangelho diferente daquele que voc\u00eas receberam\u201d (Gl 1,8-9). Lucas vivia no meio dessa confus\u00e3o. Ele era um pag\u00e3o convertido. O Ap\u00f3stolo Paulo, seu grande amigo, tinha sido criticado por ter acolhido pag\u00e3os convertidos nas comunidades sem exigir deles a circuncis\u00e3o nem a observ\u00e2ncia das leis da pureza legal. Alguns judeus achavam que isso n\u00e3o era correto, e diziam que todos deviam ser circuncidados para poder ser salvos (At 15,1), e que a abertura para os pag\u00e3os, propagada por Paulo n\u00e3o vinha de Jesus, mas era uma \u201cinven\u00e7\u00e3o humana\u201d (cf. Gl 1,11). Por tudo isto, Lucas resolveu escrever, ele tamb\u00e9m, para trazer uma luz. E ele o fez com muito crit\u00e9rio e pesquisa. Consultou pessoas que, \u201cdesde o princ\u00edpio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra\u201d (Lc 1,2) e fez \u201cum estudo cuidadoso de tudo que aconteceu desde o princ\u00edpio\u201d (Lc 1,3). Escreveu para mostrar que o ensinamento de Paulo \u00e9 s\u00f3lido e que a abertura para os pag\u00e3os \u00e9 o rumo certo. Foi o pr\u00f3prio Jesus quem o iniciou.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de Lucas \u00e9 uma s\u00f3: ajudar as comunidades a superar estas dificuldades, crescer em fraternidade e, assim, revelar melhor a Boa-Nova de Deus que Jesus nos trouxe. Quem era o \u201cexcelent\u00edssimo Te\u00f3filo\u201d, a quem Lucas dedica seus dois livros? Alguns acham que Te\u00f3filo foi a pessoa que ajudou Lucas com dinheiro para ele poder escrever e editar o seu livro. Naquele tempo n\u00e3o havia gr\u00e1ficas nem editoras. Os livros eram escritos a m\u00e3o. Para algu\u00e9m poder escrever e editar um livro, precisava de muito dinheiro para comprar papel (papiro) e tinta e para contratar copistas que soubessem escrever. Te\u00f3filo teria sido uma pessoa de posse que contribuiu com dinheiro para que Lucas pudesse escrever e editar o seu livro. \u00c9 poss\u00edvel. Mas o mais prov\u00e1vel \u00e9 que Te\u00f3filo seja o nome para designar todos os destinat\u00e1rios do livro de Lucas. O nome Te\u00f3filo significa amigo de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito provavelmente, Lucas n\u00e3o se refere a uma pessoa determinada, mas sim aos crist\u00e3os convertidos do paganismo, aos tementes a Deus, todos eles pessoas muito amadas de Deus, amigos de Deus. N\u00f3s tamb\u00e9m somos os destinat\u00e1rios do Evangelho de Lucas, pois somos e queremos ser Te\u00f3filos, amigos de Deus. Lucas escreve para que possamos crescer em amizade. Lucas quer mostrar a Te\u00f3filo que as profecias est\u00e3o se realizando em Jesus\u201d (MESTERS &amp; OROFINO, 2019, p.13-14).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frei Gilvander Lu\u00eds Moreira<\/strong><a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> nos diz: \u201cO lugar e a data de composi\u00e7\u00e3o de Lucas e Atos s\u00e3o ainda hoje objeto de grande discuss\u00e3o entre os exegetas. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que eles tenham sido escritos entre quarenta e sete e cinquenta e dois anos depois da execu\u00e7\u00e3o de Jesus, entre os anos 80 e 90 E.C. A obra lucana testemunha a primeira encultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3, ou seja, a Boa-Not\u00edcia anunciada por Jesus Cristo aos pobres (Lc 4,18-19) encarna-se na cultura helen\u00edstica. A obra lucana foi escrita provavelmente em uma \u2013 ou mais de uma \u2013 grande cidade marcada pela cultura grega e ligada a estrutura do Imp\u00e9rio Romano: Antioquia da S\u00edria (cidade de 700 mil habitantes); \u00c9feso, na \u00c1sia Menor (400 mil habitantes); e\/ou Corinto, na Gr\u00e9cia (500 mil habitantes). Lucas escreveu em grego cl\u00e1ssico a introdu\u00e7\u00e3o geral \u00e0 sua obra (1,1-4), e todo o seu evangelho est\u00e1 em um grego elegante, que se aproxima do grego da Septuaginta e algumas vezes da <em>koin\u00e9<\/em>, o grego comum falado na \u00e9poca de Jesus. Lucas escreve prioritariamente a crist\u00e3os oriundos do mundo pag\u00e3o, para comunidades mistas formadas de pessoas vindas do juda\u00edsmo helen\u00edstico e para pessoas vindas do paganismo, de fora da Palestina, em ambiente gentio, na di\u00e1spora. Essa informa\u00e7\u00e3o pode ser constatada pelo nome grego do destinat\u00e1rio: Te\u00f3filo; pelo cancelamento, nas fontes, de assuntos que dizem respeito exclusivamente aos judeus (pureza\/impureza); pela substitui\u00e7\u00e3o de nomes judeus por nomes gregos (<em>epistat\u00e9s<\/em> = mestre, e n\u00e3o rabi\/rabbouni); pela amplia\u00e7\u00e3o da genealogia de Jesus at\u00e9 Ad\u00e3o e, tamb\u00e9m, at\u00e9 Deus, n\u00e3o somente at\u00e9 Abra\u00e3o, como em Mt; cita\u00e7\u00f5es do Primeiro Testamento segundo a LXX e outros. O prologo do evangelho \u201cde\u201d Lucas, que est\u00e1 em 1,1-4, introduz n\u00e3o apenas o evangelho, mas toda a obra lucana. A\u00ed est\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de Lucas: \u201cDar solidez (<em>asph\u00e1leia<\/em> = \u201cgarantia\u201d, \u201cseguran\u00e7a\u201d, \u201csolidez\u201d) a Te\u00f3filo\u201d. Em 4,14-21 est\u00e1 o Minist\u00e9rio de Jesus na Galileia. A terra dos galileus \u00e9 apresentada como o campo de treinamento dos disc\u00edpulos. Eles ser\u00e3o quem dar\u00e1 testemunho do Mestre. A Galileia \u00e9 vista como o ponto de partida do grande \u201c\u00eaxodo\u201d de Jesus rumo \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o e Ascens\u00e3o, passando pelo grande confronto da morte em Jerusal\u00e9m\u201d (MOREIRA, 2022, p. 15-16; 19;23).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jos\u00e9 Antonio Pagola<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/strong> afirma: \u201cJesus \u00e9 Profeta de Deus. N\u00e3o foi ungido com \u00f3leo de oliveira, como se ungiam os reis para transmitir-lhes o poder de governo, ou os sumos sacerdotes para investi-los de poder sagrado. Ele foi \u201cungido\u201d pelo Esp\u00edrito de Deus. N\u00e3o vem governar nem reger. \u00c9 Profeta de Deus dedicado a libertar a vida. S\u00f3 podemos segui-lo se aprendermos a viver com seu esp\u00edrito prof\u00e9tico. Jesus vive dedicado a libertar. Entregue a tarefa de libertar o ser humano de todo tipo de escravid\u00f5es\u201d (PAGOLA, 2019, 7, p. 301).<\/p>\n\n\n\n<p>Am\u00e9m! Ax\u00e9! Awir\u00ea! Aleluia!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> MESTERS, Carlos. OROFINO, Francisco. <strong>Crescer em Amizade \u2013 Uma chave de leitura para o Evangelho de Lucas.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Paulus, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> MOREIRA, Gilvander Lu\u00eds. <strong>Lucas e Atos: uma teologia da hist\u00f3ria \u2013 Teologia Lucana<\/strong>. 4.reimp. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> PAGOLA, Jos\u00e9 Antonio. <strong>A Boa Not\u00edcia de Jesus \u2013 Roteiro homil\u00e9tico Anos A, B e C.<\/strong> Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EVANGELHO DE LUCAS (Lc 1,1-4; 4,14-21): PROJETO DE LIBERTA\u00c7\u00c3O INTEGRAL \u2013 Por Emerson Sbardelotti Frei Carlos Mesters e Francisco Orofino[1] afirmam: \u201cLucas inicia o seu Evangelho dizendo que muitos j\u00e1 tentaram escrever sobre Jesus e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13984,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,46,48,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13983","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-cultura-popular","category-direitos-das-mulheres","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13983"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13983\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13985,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13983\/revisions\/13985"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}