{"id":13986,"date":"2025-01-21T18:48:35","date_gmt":"2025-01-21T21:48:35","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=13986"},"modified":"2025-01-25T09:51:04","modified_gmt":"2025-01-25T12:51:04","slug":"13986-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/13986-2\/","title":{"rendered":"POR QUE E COMO JESUS SE TORNOU REVOLUCION\u00c1RIO: Lc 1,1- 4; 4,14- 21 \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>POR QUE E COMO JESUS SE TORNOU REVOLUCION\u00c1RIO &#8211; III Domingo comum C: Lc 1,1- 4; 4,14- 21 \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/images-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13988\" width=\"778\" height=\"440\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste domingo, as comunidades come\u00e7am a leitura quase cont\u00ednua do evangelho de Lucas. Dos quatro evangelhos, \u00e9 o \u00fanico que tem uma esp\u00e9cie de dedicat\u00f3ria a algu\u00e9m chamado Te\u00f3filo, que pode ser cada pessoa que o evangelho chama de amada de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois desse breve pr\u00f3logo, o lecion\u00e1rio passa a apresentar a primeira palavra p\u00fablica de Jesus em um s\u00e1bado na sinagoga de Nazar\u00e9, sua aldeia. Gustavo Gutierrez considera esse texto (Lc 4,14- 21) &nbsp;\u201co Pentecostes de Jesus\u201d, de certa forma semelhante ao que o livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos chama de \u201cPentecostes da Igreja\u201d (Cf. At 2).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns anos, em uma cidade do norte do pa\u00eds, houve um encontro de jovens cat\u00f3licos carism\u00e1ticos. Naquela assembleia de mais de 300 rapazes e mo\u00e7as, o ambiente era de louvor, alegria, muitas dan\u00e7as e pulos no Esp\u00edrito. O que mais se ouviam eram os gritos: Aleluia, gl\u00f3ria a Deus!<\/p>\n\n\n\n<p>De repente, convidaram para o palco um amigo assessor da PJ que estava passando. Ele parabenizou os rapazes e mo\u00e7as que se diziam cheios do Esp\u00edrito e perguntou se o Esp\u00edrito Santo, pelo qual diziam estar possu\u00eddos, provocava neles e nelas o que o Esp\u00edrito tinha provocado em Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a palavra de Jesus na sinagoga de Nazar\u00e9 tem dimens\u00e3o extremamente pentecostal. Jesus \u00e9 totalmente possu\u00eddo pelo Esp\u00edrito Divino. Entretanto, o Esp\u00edrito n\u00e3o se apossa de Jesus para fazer dele um m\u00edstico separado da vida do mundo, e sim um profeta da consola\u00e7\u00e3o e da cura, anunciador do reino da liberta\u00e7\u00e3o integral das pessoas doentes, presas e oprimidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A trag\u00e9dia do Cristianismo \u00e9 separar a dimens\u00e3o pentecostal do car\u00e1ter transformador e revolucion\u00e1rio da profecia. Na B\u00edblia, sempre a irrup\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo gera profecia (Cf. Nm 11 e v\u00e1rias passagens em Atos dos Ap\u00f3stolos).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Lucas, no culto sab\u00e1tico da sinagoga de Nazar\u00e9, Jesus escolheu para ler o relato da voca\u00e7\u00e3o do chamado \u201cterceiro Isa\u00edas\u201d (Cf. Is 61,1-2). Assim, Jesus se apresenta como profeta. Ao escolher Isa\u00edas 61, se define como profeta da consola\u00e7\u00e3o, da restaura\u00e7\u00e3o e da cura (profetismo da \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica), n\u00e3o como porta-voz do castigo e da amea\u00e7a divina, figura&nbsp; comum aos primeiros tempos do profetismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de um tempo de cativeiro, o profeta disc\u00edpulo de Isa\u00edas proclamou um ano de jubileu, gra\u00e7a e liberta\u00e7\u00e3o. Lucas diz que Jesus viu sua miss\u00e3o nessa perspectiva social (curar as pessoas doentes, socorrer as pobres) e pol\u00edtica (anunciar o reino da liberta\u00e7\u00e3o para todos e todas).<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus leu o texto da voca\u00e7\u00e3o do 3\u00ba Isa\u00edas, mas omitiu a parte do verso 2 que fala da ira e da vingan\u00e7a de Deus. Essa escolha dele parece provocar o esc\u00e2ndalo e depois a rejei\u00e7\u00e3o dos seus ouvintes (\u00e9 o texto que meditaremos no pr\u00f3ximo domingo).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante salientar que o Esp\u00edrito leva Jesus a anunciar \u2013 o verbo aparece tr\u00eas vezes em dois vers\u00edculos: anunciar a cura das pessoas doentes e a liberta\u00e7\u00e3o das pessoas oprimidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria dos povos b\u00edblicos, a profecia de um jubileu da liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se cumpriu como as comunidades judaicas que ouviam Isa\u00edas podiam esperar que se cumprisse. Ao contr\u00e1rio, os povos b\u00edblicos passaram de uma a outra domina\u00e7\u00e3o estrangeira, sem que o Esp\u00edrito parecesse vir libert\u00e1-los. Por muito tempo, as comunidades que acreditavam na B\u00edblia esperavam uma liberta\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o tinha chegado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vida de Jesus, quem olha o texto como relato hist\u00f3rico, tem dificuldade de imaginar como o profeta Jesus de Nazar\u00e9 poderia, em sua pobreza e impot\u00eancia, prometer tanto como ele prometeu. O fato de que ele veio para isso e tal liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorreu ainda deveria mobilizar ainda mais seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas a prosseguirem essa miss\u00e3o libertadora.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje, mesmo se n\u00e3o tem mais tanta aceita\u00e7\u00e3o nos c\u00edrculos oficiais eclesi\u00e1sticos, &#8211; se alguma vez, o teve \u2013 a vis\u00e3o libertadora da f\u00e9 continua atual e urgente.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus exerceu essa sua miss\u00e3o de anunciar a liberta\u00e7\u00e3o divina, que \u00e9 liberta\u00e7\u00e3o integral, n\u00e3o a partir da grandeza e do poder, mas da fragilidade, da pobreza e da cruz. Proclamou um jubileu que n\u00e3o se faz magicamente. D\u00e1-nos a for\u00e7a do Esp\u00edrito para trabalhar e dar a vida para que essa liberta\u00e7\u00e3o se realize. \u00c9 uma liberta\u00e7\u00e3o a partir dos pequenos, vivida a partir da inser\u00e7\u00e3o e da identifica\u00e7\u00e3o com os que sofrem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bom recordar que esse texto do evangelho de Lucas foi a leitura b\u00edblica que abriu a 2\u00aa confer\u00eancia geral dos bispos cat\u00f3licos latino-americanos em Medellin (1968), na Col\u00f4mbia. Desde ent\u00e3o, principalmente nos anos da d\u00e9cada de 1970, foi o texto evang\u00e9lico mais influente na caminhada das Igrejas inseridas no meio do povo. Na Am\u00e9rica Latina e Caribe, as comunidades populares aprenderam a ir transformando nossa forma de conceber Deus. Jesus nos revela n\u00e3o um Deus poderoso e milagroso, mas Algu\u00e9m que \u00e9 Amor, pobre e inserido com os pequenos at\u00e9 a cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ceia eucar\u00edstica, Jesus se d\u00e1 como alimento e nos convida a nos doar tamb\u00e9m, n\u00e3o apenas em um gesto ritual, mas na vida concreta do dia a dia. Esse \u00e9 o melhor modo de escutar e praticar esse texto do Evangelho: doar a vida para que todos e todas tenham vida em abund\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>C\u00e2ntico das comunidades de base da d\u00e9cada de 1970:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Nossa alegria \u00e9 saber que um dia,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Todo este povo se libertar\u00e1,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Pois Jesus Cristo \u00e9 o Senhor do mundo,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Nossa esperan\u00e7a realizar\u00e1!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Jesus nos manda libertar os pobres,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>E ser crist\u00e3o \u00e9 ser libertador,&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Nascemos livres pra crescer na vida,&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>N\u00e3o pra ser pobres e viver na dor!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>N\u00e3o diga nunca que Deus \u00e9 culpado,&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Quando , na vida o sofrimento vem,&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Vamos lutar que o sofrimento passa,&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Pois Jesus Cristo j\u00e1 sofreu tamb\u00e9m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Liberta\u00e7\u00e3o se alcan\u00e7a no trabalho,&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Mas h\u00e1 dois modos de se trabalhar,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>H\u00e1 quem trabalha escravo do dinheiro,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>H\u00e1 quem procura o mundo melhorar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>E pouco a pouco o tempo vai passando,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>E a gente espera a liberta\u00e7\u00e3o,&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Se a gente luta ela vai chegando,&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Se a gente p\u00e1ra ela n\u00e3o chega, n\u00e3o!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>(Canto das Comunidades-Livro Cantemos ao Senhor )<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR QUE E COMO JESUS SE TORNOU REVOLUCION\u00c1RIO &#8211; III Domingo comum C: Lc 1,1- 4; 4,14- 21 \u2013 Por Marcelo Barros Neste domingo, as comunidades come\u00e7am a leitura quase cont\u00ednua do evangelho de Lucas.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13988,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,17,44,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-13986","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-destaque","category-direito-a-memoria","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13986"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13986\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14002,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13986\/revisions\/14002"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}