{"id":14048,"date":"2025-02-01T14:27:01","date_gmt":"2025-02-01T17:27:01","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14048"},"modified":"2025-02-01T14:27:07","modified_gmt":"2025-02-01T17:27:07","slug":"forcas-produtivas-ou-destrutivas-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/forcas-produtivas-ou-destrutivas-frei-betto\/","title":{"rendered":"FOR\u00c7AS PRODUTIVAS OU DESTRUTIVAS? &#8211; Frei Betto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>FOR\u00c7AS PRODUTIVAS OU DESTRUTIVAS?<\/strong> &#8211; <strong>Frei Betto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/images-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14049\" width=\"778\" height=\"502\"\/><figcaption>Frei Betto. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 1974, Hans Magnus Enzensberger publicou o artigo \u201cCr\u00edtica \u00e0 ecologia pol\u00edtica\u201d, no qual questionava o paradigma marxista de que o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas erradicaria a mis\u00e9ria. Aliado a Marcuse, o intelectual alem\u00e3o enfatizou que \u201cas for\u00e7as produtivas se revelam como for\u00e7as destrutivas e amea\u00e7am toda a base natural da vida humana.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A crescente industrializa\u00e7\u00e3o, a expans\u00e3o do consumismo, a \u201csociedade da superabund\u00e2ncia\u201d, arru\u00ednam o equil\u00edbrio ambiental, sacrificam os mais pobres e comprometem o futuro das pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Eis o paradoxo: a riqueza gera pobreza, como adverte o papa Francisco na enc\u00edclica \u201cLaudato S\u00ed\u201d (\u201cLouvado sejas \u2013 sobre o cuidado da casa comum\u201d).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fil\u00f3sofo Andr\u00e9 Gorz, em \u201cEcologia, uma \u00e9tica da liberta\u00e7\u00e3o\u201d, frisa que a ecologia s\u00f3 atinge o seu car\u00e1ter pol\u00edtico e \u00e9tico quando se compreende que a devasta\u00e7\u00e3o da Terra resulta de um modo de produ\u00e7\u00e3o centrado na maximiza\u00e7\u00e3o do lucro e no uso de tecnologias e recursos, como os combust\u00edveis f\u00f3sseis, que violentam o equil\u00edbrio biol\u00f3gico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Walter Benjamin, em \u201cTeses sobre a filosofia da hist\u00f3ria\u201d, contestou o conceito tecnocr\u00e1tico e positivista de hist\u00f3ria derivado do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. Sonhou com um tipo de trabalho que, \u201clonge de explorar a natureza, \u00e9 capaz de trazer \u00e0 luz suas cria\u00e7\u00f5es adormecidas em seu ventre como promessa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J\u00e1 em 1964, h\u00e1 60 anos, Murray Bookchin escreveu: \u201cDesde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial a massa atmosf\u00e9rica total de di\u00f3xido de carbono aumentou 13% acima dos n\u00edveis anteriores, que eram mais est\u00e1veis. A partir de bases te\u00f3ricas s\u00f3lidas, esse crescente cobertor de di\u00f3xido de carbono, ao interceptar o calor irradiado da Terra para o espa\u00e7o sideral, levar\u00e1 ao aumento das temperaturas atmosf\u00e9ricas, \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de ar mais violenta, a padr\u00f5es mais destrutivos de tempestades e, por fim, ao derretimento das calotas polares (&#8230;), ao aumento do n\u00edvel do mar e \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o de vastos territ\u00f3rios.\u201d Os ga\u00fachos que o digam.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Marcuse, em 1972, descobriu a natureza como aliada dos que lutam contra as sociedades predat\u00f3rias, como a capitalista. Em \u201cContrarrevolu\u00e7\u00e3o e revolta\u201d, ele afirma: \u201cA descoberta de for\u00e7as libertadoras da natureza e de seu papel vital na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade livre se torna uma nova for\u00e7a de mudan\u00e7a social.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esse debate sobre ecologia pol\u00edtica deu ensejo ao ecossocialismo, no qual se destaca a obra de Michael Lowy. Quanto mais as for\u00e7as produtivas avan\u00e7am sem par\u00e2metros ecol\u00f3gicos, mais a sua \u00fanica fonte de recursos \u2013 a natureza \u2013 \u00e9 degradada. Destroem-se as condi\u00e7\u00f5es de sustentabilidade da esp\u00e9cie humana. A ambi\u00e7\u00e3o tecnoecon\u00f4mica predomina sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A racionalidade moderna comete ainda grave erro ao excluir do pensamento ecol\u00f3gico pr\u00e1ticas tradicionais de ind\u00edgenas e camponeses. A fim de dominar territ\u00f3rios dos pa\u00edses emergentes e subdesenvolvidos, imp\u00f4s o pensamento tecnocrata e promoveu a coloniza\u00e7\u00e3o do conhecimento. Por isso, as lutas dos povos origin\u00e1rios s\u00e3o pol\u00edticas e epistemol\u00f3gicas, pois visam a descoloniza\u00e7\u00e3o do conhecimento para que se alcance a emancipa\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica e o surgimento de territ\u00f3rios sustent\u00e1veis de vida. \u00c9 preciso descolonizar o saber. Isso significa promover o reconhecimento e a revaloriza\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais e outros denominados \u201csabedoria popular\u201d ou \u201csaber local\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como acentuou Milton Santos, a vis\u00e3o euroc\u00eantrica da cultura, imposta como valor universal, qualificou de retr\u00f3grada a cultura de povos origin\u00e1rios, silenciou culturas ou saberes em sua raz\u00e3o instrumental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na enc\u00edclica \u201cLaudato S\u00ed\u201d, o papa Francisco ressalta que \u201cos efeitos mais graves de todas as agress\u00f5es ambientais recaem sobre as pessoas mais pobres. Hoje, n\u00e3o podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecol\u00f3gica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justi\u00e7a nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da Terra, como o clamor dos pobres.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;\u201cTodo o Universo material \u00e9 uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por n\u00f3s. O solo, a \u00e1gua, as montanhas: tudo \u00e9 car\u00edcia de Deus.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201c\u00c9 evidente a incoer\u00eancia de quem luta contra o tr\u00e1fico de animais em risco de extin\u00e7\u00e3o, mas fica completamente indiferente perante o tr\u00e1fico de pessoas, desinteressa-se dos pobres ou procura destruir outro ser humano de que n\u00e3o gosta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cToda a abordagem ecol\u00f3gica deve integrar uma perspectiva social que tenha em conta os direitos fundamentais dos mais desfavorecidos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como dizia Chico Mendes, separar a quest\u00e3o ambiental da pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 ecologia, \u00e9 jardinagem&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Betto \u00e9 escritor, autor de \u201cUala, o amor\u201d (FTD), entre outros livros. Livraria virtual:&nbsp;<a href=\"http:\/\/freibetto.org\/\">freibetto.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Frei Betto \u00e9 autor de 79 livros, editados no Brasil e v\u00e1rias dessas obras tamb\u00e9m no exterior. Voc\u00ea poder\u00e1 adquiri-los com desconto na Livraria Virtual \u2013 <\/strong><a href=\"http:\/\/www.freibetto.org\/\"><strong>www.freibetto.org<\/strong><\/a><strong>&nbsp; <\/strong><strong>Ali os encontrar\u00e1&nbsp;a pre\u00e7os mais baratos<\/strong><strong> <\/strong><strong>e os receber\u00e1 em casa pelo correio.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FOR\u00c7AS PRODUTIVAS OU DESTRUTIVAS? &#8211; Frei Betto &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 1974, Hans Magnus Enzensberger publicou o artigo \u201cCr\u00edtica \u00e0 ecologia pol\u00edtica\u201d, no qual questionava o paradigma marxista de que o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas erradicaria a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14049,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,46,44,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-14048","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14048"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14048\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14050,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14048\/revisions\/14050"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}