{"id":14311,"date":"2025-04-07T22:05:57","date_gmt":"2025-04-08T01:05:57","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14311"},"modified":"2025-04-07T22:06:03","modified_gmt":"2025-04-08T01:06:03","slug":"ainda-tem-sangue-seco-nas-paredes-por-sol-barreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/ainda-tem-sangue-seco-nas-paredes-por-sol-barreto\/","title":{"rendered":"\u00a0\u201cAINDA TEM SANGUE SECO NAS PAREDES\u201d &#8211; Por Sol Barreto"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00a0<strong>\u201cAINDA TEM SANGUE SECO NAS PAREDES\u201d &#8211; Por Sol Barreto<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/maxresdefault-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14312\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/maxresdefault-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/maxresdefault-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/maxresdefault-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/maxresdefault-1.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Belo Horizonte, 4 de abril de 2025 Ocupa\u00e7\u00e3o pelo Memorial dos Direitos Humanos MG Av. Afonso Pena, 2351, Belo Horizonte \u2013 MG<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Av. Afonso Pena, 2351<\/p>\n\n\n\n<p>Passando pela cal\u00e7ada voc\u00ea pode at\u00e9 achar que esse \u00e9 um pr\u00e9dio comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda tem sangue seco na parede<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse espa\u00e7o que se estende at\u00e9 a esquina,<\/p>\n\n\n\n<p>Ergueu-se do ch\u00e3o a mando do Estado<\/p>\n\n\n\n<p>Um monumento de Domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o 3 andares pra cima e um subsolo de terror<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 no fundo, no cantinho do estacionamento<\/p>\n\n\n\n<p>Uma salinha de configura\u00e7\u00e3o esquisita<\/p>\n\n\n\n<p>Com bancos de pedra, uma sauna quente e um po\u00e7o de \u00e1gua gelado<\/p>\n\n\n\n<p>Seus elementos n\u00e3o deixam d\u00favida<\/p>\n\n\n\n<p>Que ali entrou gente viva que nunca mais saiu<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda tem sangue seco nas paredes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse pr\u00e9dio, constru\u00eddo ao estilo modernista que questionava o conservadorismo da arquitetura, existe um conservadorismo entranhado:<\/p>\n\n\n\n<p>O seu subsolo \u00e9 feito de celas, solit\u00e1rias e sala de tortura.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui em cima, o Sol se p\u00f5e as seis e meia,<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 embaixo ele j\u00e1 foi embora antes das quatro.<\/p>\n\n\n\n<p>Atr\u00e1s desse mural de pastilhas, mural constru\u00eddo por Haroldo Mattos<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 uma das ferramentas de viol\u00eancia do Estado mais desesperadoras que eu j\u00e1 vi na minha vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Atr\u00e1s desse mural, existe uma sala<\/p>\n\n\n\n<p>Dividida por uma parede.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa parede, uma janela nos permite a vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem entra nessa sala pela porta da frente encontra um ambiente acusticamente isolado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem entra pela passagem de tr\u00e1s, que conecta a pris\u00e3o, sabe-se l\u00e1 que crueldade ir\u00e1 encontrar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nesta sala tem Sangue Seco nas Paredes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>2025<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda tem sangue seco nas paredes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De Quem \u00e9 esse sangue?<\/p>\n\n\n\n<p>Quem deixou essa marca de sangue na parede?<\/p>\n\n\n\n<p>A Pessoa que deixou essa marca de sangue na parede saiu daqui?<\/p>\n\n\n\n<p>A Pessoa que deixou essa marca de sangue na parede chegou em casa?<\/p>\n\n\n\n<p>E reencontrou seus familiares?<\/p>\n\n\n\n<p>O que aconteceu com essa Pessoa que deixou a marca de sangue na parede?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os Algozes n\u00f3s j\u00e1 sabemos que seguem por a\u00ed, aproveitando a possibilidade de nos assistir sofrer, dentro de suas cabines acusticamente isoladas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E as Pessoas que deixaram essas marcas nas paredes?<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que est\u00e3o aqui ocupando hoje?<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que tive a sorte de conhec\u00ea-los?<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que \u00e9 o Senhor Guarani, que veio aqui<\/p>\n\n\n\n<p>Estava aqui os quatro dias da ocupa\u00e7\u00e3o,<\/p>\n\n\n\n<p>Foi preso aqui e retornou pra conquistar esse lugar de novo?<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seus Companheiros, assassinados, desaparecidos?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o importa quantas camadas de tinta,<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o importa se trocar todas as pedras do concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00c1gua que escorre da Chuva, tinge o Solo da Cidade de Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa Hist\u00f3ria \u00e9 nossa, Esse Pr\u00e9dio \u00e9 nosso,<\/p>\n\n\n\n<p>Esse Sangue na Parede, tamb\u00e9m \u00e9 Nosso.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente n\u00e3o pode esquecer do Sangue Seco na Parede! N\u00e3o tem tinta que pode cobrir o Sangue na Parede! N\u00e3o adianta derrubar o Pr\u00e9dio!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Sangue Seco na Parede ainda vai estar l\u00e1.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel apagar essa hist\u00f3ria. O que \u00e9 poss\u00edvel \u00e9 garantir um futuro em que nosso sangue siga vivo e vibrante dentro de uma sociedade que nos quer e nos preserva, assim como n\u00f3s queremos e exigimos a preserva\u00e7\u00e3o de cada pedra desse Pr\u00e9dio, da Antiga Sede do Dops\/MG, constru\u00eddo na Av. Afonso Pena, 2351, em Belo Horizonte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cAinda tem sangue seco nas paredes\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Texto produzido por Sol Barreto, baseado na Visita Mediada conduzida por Beatriz, do Movimento Uni\u00e3o da Juventude Rebeli\u00e3o (UJR), em 03\/04\/2025 na sede do antigo Dops\/MG localizado na Av. Afonso Pena 2351, Belo Horizonte. MG; e na disserta\u00e7\u00e3o \u201cDisputas em torno do Dops\/MG: Guerra de Narrativas, memorializa\u00e7\u00e3o e patrimonializa\u00e7\u00e3o (1989-2018)\u201d, de D\u00e9bora Raiza Carolina Rocha Silva (Belo Horizonte, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Sol Barreto (<a href=\"mailto:contatosolbarreto@gmail.com\">contatosolbarreto@gmail.com<\/a> ) \u00e9 artista independente, residente em Belo Horizonte, comp\u00f5e o Bloco ClandesTinas e o Movimento Aut\u00f4nomo Trans (MovaT).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u201cAINDA TEM SANGUE SECO NAS PAREDES\u201d &#8211; Por Sol Barreto[1] Belo Horizonte, 4 de abril de 2025 Ocupa\u00e7\u00e3o pelo Memorial dos Direitos Humanos MG Av. Afonso Pena, 2351, Belo Horizonte \u2013 MG Av. 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