{"id":14351,"date":"2025-04-15T11:42:04","date_gmt":"2025-04-15T14:42:04","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14351"},"modified":"2025-04-15T11:42:10","modified_gmt":"2025-04-15T14:42:10","slug":"a-pascoa-da-cruz-nas-pessoas-crucificadas-e-nos-povos-martirizados-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-pascoa-da-cruz-nas-pessoas-crucificadas-e-nos-povos-martirizados-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"A P\u00e1scoa da Cruz nas pessoas crucificadas e nos povos martirizados \u2013 Por\u00a0 Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A P\u00e1scoa da Cruz nas pessoas crucificadas e nos povos martirizados<\/strong> \u2013 Por\u00a0 Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/marco-barros-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-14352\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/marco-barros-1024x576.png 1024w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/marco-barros-300x169.png 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/marco-barros-768x432.png 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/marco-barros.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Marcelo Barros, irm\u00e3o, padre, monge, biblista e te\u00f3logo da Liberta\u00e7\u00e3o. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste dia em que celebramos a P\u00e1scoa da Cruz, torna-se gra\u00e7a divina, mas tamb\u00e9m \u00e9 nossa responsabilidade escutar a boa nova contida na narrativa&nbsp; da paix\u00e3o de Jesus segundo Jo\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No quarto evangelho, o relato da paix\u00e3o de Jesus (Jo\u00e3o 18 e 19), se diferencia das outras vers\u00f5es da paix\u00e3o. Enquanto os demais evangelistas sublinham os sofrimentos de Jesus, o quarto evangelho prefere mostrar como, mesmo em meio a muitos sofrimentos, \u00e9 Jesus que toma a iniciativa dos acontecimentos e dirige o rumo do que vai acontecendo. Os evangelistas Marcos, Mateus e Lucas narram que Jesus passou por um momento de agonia e ang\u00fastia no Horto das Oliveiras. Jesus chega a pedir ao Pai: \u201cAfasta de mim este c\u00e1lice\u201d. O quarto evangelho n\u00e3o conta nada disso. Revela que Jesus foi ao jardim de Gets\u00eamani para orar. E quando os soldados se aproximam para prend\u00ea-lo, \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus, que vai ao encontro dos soldados e toma a iniciativa de perguntar: <em>A quem procurais?<\/em> E quando eles dizem: <em>Jesus de Nazar\u00e9<\/em>,&nbsp; Jesus responde:&nbsp; <em>Sou eu<\/em>, a mesma palavra que define o nome divino no \u00caxodo. Ao ouvir essa palavra, s\u00e3o os soldados que caem e Jesus que fica de p\u00e9. Do mesmo modo, quando Pilatos o interroga, Jesus se proclama claramente como tendo vindo ao mundo para dar testemunho de que o reino de Deus \u00e9 verdade. Na mesma linha, de acordo com esse evangelho, foi ao inclinar a cabe\u00e7a para expirar que Jesus nos entregou o Esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Que sentido tem para n\u00f3s hoje receber em nossas vidas esse evangelho com essa vis\u00e3o aparentemente pouco hist\u00f3rica e mais teol\u00f3gica da paix\u00e3o de Jesus que o quarto evangelho chama de \u201c<em>exalta\u00e7\u00e3o do Filho do Homem<\/em>\u201d?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No final dos anos 1970, em uma aldeia dos \u00edndios Bororo no Mato Grosso, Umero, velho guerreiro do seu povo confidenciava a religiosos que quisessem escutar: <em>\u201cO problema nosso \u00e9 que estamos sendo destru\u00eddos como povo e estamos perdidos. E, em segredo, vou lhe dizer porque. Deus est\u00e1 com raiva de n\u00f3s e decidiu nos destruir. Sabe por qu\u00ea?&nbsp; Porque os mission\u00e1rios andaram por a\u00ed espalhando que n\u00f3s, os Bororo, somos culpados da morte do filho de Deus. E eu garanto ao senhor, padre, a gente nem conheceu ele no tempo que era vivo&#8230; Como a gente pode ter matado o filho de Deus?\u201d<\/em>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Umero tinha suas raz\u00f5es para tirar essa conclus\u00e3o de uma teologia que fala da cruz como sacrif\u00edcio e de um Deus que precisava que o seu Filho morresse na cruz para salvar a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em El Salvador, o bispo Oscar Romero celebrava a paix\u00e3o de Jesus contemplando a paix\u00e3o dos pobres no mundo atual. N\u00e3o para dizer: <em>s\u00e3o santos porque est\u00e3o na cruz e assim depois de mortos v\u00e3o para o c\u00e9u.<\/em> N\u00e3o. Ele denunciava que o povo estava crucificado e que a obriga\u00e7\u00e3o de quem tem f\u00e9 \u00e9 fazer tudo, o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel para tir\u00e1-los da cruz. Por isso, ele, Romero, tamb\u00e9m foi martirizado como Jesus.&nbsp;Jesus foi crucificado para que ningu\u00e9m mais seja crucificado. Lutar pela supera\u00e7\u00e3o de todas injusti\u00e7as e viol\u00eancias \u00e9 o que o Evangelho pede de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Para elucidar ainda mais a quest\u00e3o acima suscitada, se torna necess\u00e1rio dar-se conta de que, de fato, continuamos a viver em um mundo no qual imensa parte da humanidade est\u00e1 sendo crucificada pelo poder econ\u00f4mico que domina o mundo e beneficia uma minoria de menos de 5% da humanidade. Por isso, mais de um bilh\u00e3o de pessoas no mundo passam fome, mais um tanto sofre car\u00eancia de \u00e1gua pot\u00e1vel, milh\u00f5es de migrantes que n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos como pessoas humanas. E a pr\u00f3pria Terra, nossa casa comum, como diz o papa Francisco, est\u00e1 sendo crucificada e ferida pela ambi\u00e7\u00e3o humana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todas as dificuldades e dos fracassos que nos sobrev\u00eam diariamente, a nossa f\u00e9 nos pede que levantemos a cabe\u00e7a, renovemos a esperan\u00e7a e possamos descortinar a vit\u00f3ria pascal de Jesus ocorrendo em meio \u00e0s nossas lutas interiores e morais, assim como nas lutas sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se queremos ligar nossa f\u00e9 \u00e0 vida concreta nossa e da humanidade, precisamos compreender que Jesus morreu na cruz para que todos possam viver e para que nunca mais ningu\u00e9m morra nas cruzes simbolizadas pelas diversas formas cru\u00e9is de humilha\u00e7\u00f5es, viol\u00eancias morais e f\u00edsicas, desigualdades, pobrezas e exclus\u00f5es&#8230; Jesus morreu na cruz para que n\u00f3s todos lutemos para descer da cruz os oprimidos e perseguidos que at\u00e9 hoje continuam crucificados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, celebramos a crucifix\u00e3o para <em>descrucificar<\/em> as pessoas que hoje vivem crucificadas. A cruz de Jesus \u00e9 todo sofrimento assumido por miss\u00e3o, por amor e solidariedade a todos os seres humanos, especialmente aos mais pobres e os grupos e categorias marginalizados ou perseguidos pela sociedade dominante.&nbsp;\u00c9 preciso descer da Cruz as multid\u00f5es crucificadas, cuja cruz n\u00e3o \u00e9 a de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O Evangelho de Jo\u00e3o revela que, mesmo na Cruz, Jesus se preocupa com sua m\u00e3e ali chorando ao p\u00e9 da cruz e com o disc\u00edpulo amado que representa a todos\/as n\u00f3s, disc\u00edpulos e disc\u00edpulas. E assim como Lucas revela Jesus perdoando os seus algozes e inimigos, Jo\u00e3o nos mostra Jesus nos dando o seu Esp\u00edrito mesmo quando teria motivos de se sentir abandonado e quase que tra\u00eddo pelos pr\u00f3prios disc\u00edpulos. Essa atitude de amor n\u00e3o violento e paciente \u00e9 o que ele pede de n\u00f3s na nossa milit\u00e2ncia e vida di\u00e1ria. N\u00f3s aprendemos desse relato da paix\u00e3o que o que Deus nos pede hoje \u00e9 rever e corrigir nossas atitudes de intransig\u00eancia e intoler\u00e2ncia, pois, ao agir dessa forma, n\u00e3o nos tornamos radicalmente diferentes dos nossos advers\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o relato desse evangelho nos fala da cruz vitoriosa de Jesus \u00e9 para nos ajudar a ver que o amor, a solidariedade e a luta por justi\u00e7a podem tornar vitoriosas as lutas dos pequenos por uma terra sem males. Na cruz, Jesus nos entrega o seu esp\u00edrito, que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo para nos animar nessa luta para que venha a esse mundo o reino de Deus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perguntas para a medita\u00e7\u00e3o pessoal:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1 \u2013 Em que aspectos da minha vida pessoal, preciso hoje deixar que transpare\u00e7a a \u201celeva\u00e7\u00e3o do Filho do Homem\u201d, ou seja, que tenha lugar a entrega, a doa\u00e7\u00e3o amorosa na qual a generosidade vence o que h\u00e1 de dor e de sacrif\u00edcio pessoal?<\/p>\n\n\n\n<p>2 \u2013 Como realizar isso juntos e juntas no nosso compromisso pastoral e dar essa fisionomia \u00e0 nossa Igreja local?<\/p>\n\n\n\n<p>3 \u2013 Como ligar essa revela\u00e7\u00e3o do Cristo glorificado pelo Pai na cruz com a Campanha da Fraternidade desse ano sobre Ecologia Integral?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A P\u00e1scoa da Cruz nas pessoas crucificadas e nos povos martirizados \u2013 Por\u00a0 Marcelo Barros Neste dia em que celebramos a P\u00e1scoa da Cruz, torna-se gra\u00e7a divina, mas tamb\u00e9m \u00e9 nossa responsabilidade escutar a boa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14352,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-14351","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14351"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14351\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14353,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14351\/revisions\/14353"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14352"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}