{"id":14364,"date":"2025-04-18T10:37:42","date_gmt":"2025-04-18T13:37:42","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14364"},"modified":"2025-04-18T21:54:55","modified_gmt":"2025-04-19T00:54:55","slug":"o-que-pede-de-nos-a-paixao-amor-de-jesus-segundo-o-evangelho-de-lucas-lc-221-2356-por-frei-gilvander","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/o-que-pede-de-nos-a-paixao-amor-de-jesus-segundo-o-evangelho-de-lucas-lc-221-2356-por-frei-gilvander\/","title":{"rendered":"O QUE PEDE DE N\u00d3S A PAIX\u00c3O\/AMOR DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE LUCAS? (Lc 22,1-23,56). Por frei Gilvander"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O QUE PEDE DE N\u00d3S A PAIX\u00c3O\/AMOR DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE LUCAS? (Lc 22,1-23,56)<\/strong>. Por frei Gilvander Moreira<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"438\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Semana-Santa.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-14365\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Semana-Santa.png 700w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Semana-Santa-300x188.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A paix\u00e3o de Jesus Cristo \u00e9 narrada nos quatro Evangelhos. Em Lucas, come\u00e7a com o an\u00fancio da trai\u00e7\u00e3o de Judas (Lc 22,21-23). Estando reunido com seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas pela \u00faltima vez, Jesus anuncia: <em>&#8220;A m\u00e3o daquele que me trai est\u00e1 comigo sobre a mesa&#8221;.<\/em> Este jeito de falar acentua o contraste. O traidor seria um \u00edntimo. Ser tra\u00eddo por um companheiro refor\u00e7a o hero\u00edsmo do l\u00edder (cf. a Hist\u00f3ria e a Mitologia grega). O nome Judas ajuda a associar a judeus, a Jud\u00e1. Provavelmente, foi uma forma de tentar inocentar o Imp\u00e9rio Romano. Um sinal disso \u00e9 o evangelho de Mateus mostrar o governador Pilatos \u201clavando as m\u00e3os\u201d, atitude pouco prov\u00e1vel historicamente, devido ao car\u00e1ter sanguin\u00e1rio e opressor de Pilatos, conforme escreveu o historiador Fl\u00e1vio Josefo, no 1\u00ba s\u00e9culo da Era Crist\u00e3. Para os judeus, a comunh\u00e3o de mesa era a express\u00e3o m\u00e1xima da amizade, da intimidade e da confian\u00e7a. O fato de Jesus ser morto na cruz n\u00e3o se trata de predestina\u00e7\u00e3o nem de fatalismo. Em um mundo organizado a partir do ego\u00edsmo e da gan\u00e2ncia, quem decide viver o amor vai &nbsp;sempre ser condenado \u201ca morrer crucificado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os Evangelhos de Marcos e Mateus, Jesus est\u00e1 desesperado. \u201cApavora-se, angustia-se\u201d. Muito diferente, em contrapartida, \u00e9 o relato de Lucas. Lucas n\u00e3o descreve diretamente a ang\u00fastia de Jesus e omite a frase: <em>&#8220;A minha alma est\u00e1 triste at\u00e9 a morte&#8221;.<\/em> N\u00e3o aparece o tr\u00edplice e inquieto ir e vir de Jesus. Os disc\u00edpulos s\u00e3o repreendidos somente uma vez e tamb\u00e9m a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 proferida somente uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas acrescenta o seguinte: o anjo que conforta Jesus (Lc 22,43)<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>; assim como a ora\u00e7\u00e3o que, no momento da agonia, se faz mais forte e insistente, al\u00e9m do suor de sangue; &#8220;como de costume&#8221; (cf. Lc 21,37), afasta-se dos disc\u00edpulos &#8220;a um tiro de pedra&#8221;; n\u00e3o reza prostrado por terra, mas &#8220;dobrando os joelhos&#8221; (naquele tempo o costume era rezar em p\u00e9), e os disc\u00edpulos adormeceram &#8220;de tristeza&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Os disc\u00edpulos o acompanhavam&#8221;.<\/em> Aqui aparece o verbo t\u00e9cnico do seguimento. Jesus e os disc\u00edpulos est\u00e3o juntos, mesmo se em atitudes contrastantes; e, se caem de sono, \u00e9 &#8220;de tristeza&#8221;. Lucas procura desculp\u00e1-los revelando ternura. A tens\u00e3o entre Jesus e os disc\u00edpulos, em Lucas, \u00e9, na verdade, lembrada, mas tamb\u00e9m, de certa forma, dissolvida. Lucas sabe muito bem que, na realidade, os disc\u00edpulos abandonaram Jesus no momento mais tr\u00e1gico e que Pedro at\u00e9 mesmo o renegou, mas sabe tamb\u00e9m que, depois, estes mesmos disc\u00edpulos deram a sua vida por Jesus Cristo e seu Evangelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus, que supera a tenta\u00e7\u00e3o rezando, \u00e9 o quadro. A moldura \u00e9 <em>&#8220;orai para n\u00e3o entrardes em tenta\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/em> Lucas quer ensinar \u00e0s comunidades que, se pretendem superar as tenta\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio rezar, como fez Jesus. \u00c9 como diz a sabedoria popular: &#8220;Certos &#8220;problemas&#8221; s\u00f3 se resolvem com reza &#8220;brava&#8221;&#8221;. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica arma capaz de deter a tenta\u00e7\u00e3o de querer instaurar o Reino com a viol\u00eancia do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que Judas trai Jesus? Porque n\u00e3o concorda com a forma de Jesus exercer a sua lideran\u00e7a messi\u00e2nica, n\u00e3o eliminando os inimigos (cf. Lc 9,54). E tamb\u00e9m Judas trai Jesus pela idolatria do dinheiro (cf. Lc 16,13<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>). Segundo Lucas, no tempo da Paix\u00e3o, Jesus e os disc\u00edpulos est\u00e3o unidos na mesma luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Narrada em Lc 22,47-53, o que a pris\u00e3o de Jesus quer nos dizer? O primeiro tra\u00e7o que desperta a aten\u00e7\u00e3o do leitor estudioso s\u00e3o os sil\u00eancios. Lucas diz que Judas <em>&#8220;se aproximou de Jesus para beij\u00e1-lo&#8221;<\/em>. Mas n\u00e3o diz se, de fato, o beijou. Em seguida, n\u00e3o existe nenhum aceno \u00e0 pris\u00e3o e nenhuma refer\u00eancia \u00e0 fuga dos disc\u00edpulos. Lucas procura calar, embora supondo-as, sobre as coisas mais humilhantes que Jesus sofreu. Jesus \u00e9 tra\u00eddo, aprisionado e abandonado, mas \u00e9, apesar disso, sempre o Senhor glorioso e inating\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Lucas, Jesus \u00e9 eminentemente misericordioso, aquele que sempre perdoa. Lucas n\u00e3o perde oportunidade de colocar tamb\u00e9m em evid\u00eancia que Jesus \u00e9 compassivo-misericordioso. Mais do que o discurso, o gesto de Jesus na hora em que seu disc\u00edpulo decepa a orelha de Malco, seguran\u00e7a do sumo-sacerdote (<em>&#8220;E tocando-lhe a orelha, curou-o&#8221;<\/em>) revela a l\u00f3gica que o guia: N\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, nem mesmo para resistir a outra viol\u00eancia, mas somente o amor. Jesus \u00e9 coerente com o seu ensinamento de amar os inimigos, inclusive. A dist\u00e2ncia entre Jesus e os disc\u00edpulos n\u00e3o poderia parecer maior, na compreens\u00e3o. Para uns disc\u00edpulos \u00e9 l\u00f3gico resistir. A paix\u00e3o de Jesus n\u00e3o aconteceu nem porque Deus quis a morte do seu Filho \u2013 o Deus da vida n\u00e3o \u00e9 s\u00e1dico! -, nem porque Jesus era masoquista e queria morrer, mas foi consequ\u00eancia da opress\u00e3o humana (sistema e pessoal) e da arrog\u00e2ncia dos poderosos da economia, da pol\u00edtica e da religi\u00e3o, que, j\u00e1 naquele tempo, sentiam-se donos da vida dos seres humanos. Jesus assumiu o mart\u00edrio por solidariedade a todas as v\u00edtimas do mundo, a todos\/as os\/as crucificados\/as da hist\u00f3ria, de todos os tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>O dinheiro recebido por Judas (Lc 22,5) para trair Jesus, segundo Mt 26,15, tratou-se de trinta siclos de prata (e n\u00e3o de trinta den\u00e1rios, como se afirma frequentemente). Era o pre\u00e7o que a Lei fixava para a vida de um escravo (Ex 21,32), o equivalente a quatro meses de trabalho. Logo, Jesus foi entregue pelo pre\u00e7o de um escravo (cf. Mt 26,15).<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente de quanto afirmam os Evangelhos de Marcos (Mc 14,48-49) e Mateus (Mt 26,55), as \u00faltimas palavras de Jesus n\u00e3o s\u00e3o dirigidas \u00e0 multid\u00e3o, mas diretamente aos mandantes (&#8220;<em>chefes dos sacerdotes, chefes dos guardas do Templo e anci\u00e3os<\/em>&#8220;). Lucas sabe muito bem que, para prender Jesus veio <em>&#8220;uma multid\u00e3o&#8221;<\/em> (cf. Lc 22,47), e n\u00e3o os mandantes. Mas ele se dirige diretamente a estes, os verdadeiros respons\u00e1veis. \u00c9 a eles que Jesus fala, pois s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela condena\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e0 pena de morte e sua execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E Jesus diante do sin\u00e9drio? <strong>(<\/strong>Lc 22,66-71.63-65). Ap\u00f3s o relato da pris\u00e3o de Jesus, Lucas abandona a ordem da narra\u00e7\u00e3o de Marcos e Mateus, colocando os epis\u00f3dios diferentemente. Primeiro, a nega\u00e7\u00e3o de Pedro (Lc 22,54-62); depois, a cena dos ultrajes (Lc 22,63-65) e, por \u00faltimo, o interrogat\u00f3rio diante do Sin\u00e9drio (Lc 22,66-71).<\/p>\n\n\n\n<p>O Sin\u00e9drio era um &#8220;parlamento com poder judici\u00e1rio. Era composto por 71 membros (Fariseus + Anci\u00e3os + Sumo-sacerdote + Saduceus + Escribas). Segundo At 5, pelo menos um fariseu &#8211; Gamaliel &#8211; pertencia ao Sin\u00e9drio. Gamaliel consegue fazer valer sua opini\u00e3o no Sin\u00e9drio. Segundo At 23, o Sin\u00e9drio era composto por fariseus e saduceus. N\u00e3o se sabe se pertencer a um destes grupos era algo relevante para ser membro do Sin\u00e9drio ou se, ao contr\u00e1rio, os membros do Sin\u00e9drio eram determinados segundo outros crit\u00e9rios, como fam\u00edlia, propriedade ou fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Negado pelo primeiro dos disc\u00edpulos, espancado e escarnecido pelos seus advers\u00e1rios, Jesus anuncia diante dos chefes de Israel a sua reivindica\u00e7\u00e3o como Messias e filho de Deus<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><sup><strong><sup>[3]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>&#8220;.<\/em> Est\u00e1 delineada a figura do m\u00e1rtir, que nada consegue dobrar, nem a trai\u00e7\u00e3o dos amigos nem a zombaria dos inimigos. O interrogat\u00f3rio de Jesus \u00e9 conduzido por todos juntos, unanimemente, em coro, como se, na condena\u00e7\u00e3o de Jesus, ningu\u00e9m pudesse ser considerado mais respons\u00e1vel do que o outro. O segundo significado \u00e9 a absoluta centralidade de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Se eu vos disser, n\u00e3o acreditareis, e se eu vos interrogar, n\u00e3o respondereis&#8221;<\/em> (Lc 22,67b-68). Com estas palavras, um pouco enigm\u00e1ticas, que n\u00e3o t\u00eam nenhum paralelo em Marcos e Mateus, Jesus denuncia o v\u00edcio de fundo do interrogat\u00f3rio: a hipocrisia dos ju\u00edzes, que fingem indagar, mas na realidade j\u00e1 est\u00e3o de posse da resposta. <em>&#8220;Eles somente interrogam para encontrar motivos de condena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para saber, portanto n\u00e3o merecem ou n\u00e3o mereceriam uma resposta<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><sup><strong><sup>[4]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>&#8220;.<\/em> Com esta den\u00fancia, Jesus, o interrogado, se transforma em juiz. \u00c9 in\u00fatil dar uma resposta, se n\u00e3o existe a sinceridade da pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p>O que nos diz a cena de Jesus diante de Pilatos<strong> (<\/strong>Lc 23,1-25)? Lucas insiste em real\u00e7ar a unanimidade (em forma de coro) da rejei\u00e7\u00e3o de Jesus. Multid\u00e3o, ou seja, povo de Jerusal\u00e9m, sacerdotes e anci\u00e3os se sobrep\u00f5em. N\u00e3o se diz que os sacerdotes incitaram a multid\u00e3o. Para Lucas, autoridades e multid\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis do mesmo modo e no mesmo n\u00edvel. Al\u00e9m da unanimidade, surpreende o encarni\u00e7amento da rejei\u00e7\u00e3o. Os acusadores seguem Jesus em todos os diferentes deslocamentos: do Sin\u00e9drio a Pilatos, de Pilatos a Herodes, de Herodes a Pilatos. N\u00e3o s\u00e3o somente graves e infundadas as acusa\u00e7\u00f5es contra Jesus, mas tamb\u00e9m e, sobretudo, encarni\u00e7ada e furiosa a maneira como o acusam.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas d\u00e1 a entender que os respons\u00e1veis pela morte de Jesus s\u00e3o as autoridades judaicas, especificamente o Sin\u00e9drio, e inocenta o povo e Pilatos. Se as autoridades do Sin\u00e9drio tivessem coragem de peitar o povo, poderiam optar pela via do apedrejamento, como o far\u00e3o mais tarde com Est\u00eav\u00e3o (At 6 e 7), mas preferem optar pela via pol\u00edtica, arrancando de Pilatos o castigo aplicado aos que se rebelavam contra o imp\u00e9rio romano escravocrata.<\/p>\n\n\n\n<p>O que as acusa\u00e7\u00f5es contra Jesus (Lc 23,1-2) nos dizem? As acusa\u00e7\u00f5es contra Jesus s\u00e3o fundamentalmente tr\u00eas: a) subverte a na\u00e7\u00e3o (acusa\u00e7\u00e3o social religiosa); b) impede que se paguem os impostos<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> (acusa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica) a C\u00e9sar; c) e se proclama rei \u2013 acusa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica &#8211; (cf. Lc 23,2). A acusa\u00e7\u00e3o principal \u00e9 a primeira, de tal sorte que \u00e9 retomada mais adiante pelos acusadores <em>(&#8220;ele subverte o povo\u201d<\/em> (Lc 23,5) e por Pilatos <em>(&#8220;V\u00f3s me apresentastes este homem como agitador do povo&#8221;<\/em> (Lc 23,14)).<\/p>\n\n\n\n<p>Os chefes judeus temem a subvers\u00e3o religiosa. Contudo, diante de Pilatos, deixam entender que o seu temor diz respeito, acima de tudo, \u00e0 subvers\u00e3o pol\u00edtica, conforme fica sugerido claramente pela segunda acusa\u00e7\u00e3o: n\u00e3o pagar tributos a C\u00e9sar. Trata-se de uma maliciosa invers\u00e3o de perspectiva que comprova a sua falta de sinceridade. Em parte, por\u00e9m, eles mesmos se traem, ao insistirem, dizendo: <em>&#8220;Ele subverte o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde come\u00e7ou, at\u00e9 em Jerusal\u00e9m\u201d<\/em> (Lc 23,5). Logo, era o ensinamento de Jesus que metia medo nas autoridades opressoras e exploradoras.<\/p>\n\n\n\n<p>E a inoc\u00eancia de Jesus (Lc 23,3-5)? Por tr\u00eas vezes, Pilatos declara publicamente que Jesus \u00e9 inocente (cf. Lc 23,4.14-15.22) e por tr\u00eas vezes externa o desejo de solt\u00e1-lo (Lc 23,16.20.22). Contudo, ao final, entrega Jesus <em>&#8220;ao arb\u00edtrio deles&#8221;<\/em> (Lc 23,25).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo muitos biblistas, o objetivo de Lucas \u00e9 o de desculpar Jesus (e os crist\u00e3os) diante do imp\u00e9rio romano de qualquer acusa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A sociedade romana n\u00e3o precisaria temer nada dos crist\u00e3os. Jesus n\u00e3o teria nada a ver com os zelotas, do tipo Barrab\u00e1s, diz Lucas. Mesmo se o seu fundador foi crucificado &#8211; processado por um procurador romano e sentenciado com a condena\u00e7\u00e3o que os romanos reservavam aos revoltosos -, a acusa\u00e7\u00e3o de subleva\u00e7\u00e3o que lhe foi imputada era completamente infundada. Na d\u00e9cada de 80 do 1\u00ba s\u00e9culo, com as pessoas crist\u00e3s sendo expulsas da sinagoga, Lucas percebe que \u00e9 melhor ir infiltrando no imp\u00e9rio romano que confront\u00e1-lo abertamente, o que poderia levar \u00e0 exaspera\u00e7\u00e3o da persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas crist\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>A ironia da troca entre Barrab\u00e1s e Jesus (Lc 23,18-19) \u00e9, em Lucas, muito mais descoberta do que em Marcos e Mateus. Acusam Jesus de ser um subversivo e pedem a liberta\u00e7\u00e3o exatamente de um subversivo! Com efeito, Lucas descreve Barrab\u00e1s assim: <em>&#8220;Este \u00faltimo havia sido preso por um motim na cidade e por homic\u00eddio&#8221;<\/em> (Lc 23,19). Lucas quer dizer: este povo n\u00e3o sabe o que faz, n\u00e3o tem cabe\u00e7a, \u00e9 massa e n\u00e3o povo. Por ironia da hist\u00f3ria, Jesus, que tinha sido acusado injustamente de amotinar o povo, \u00e9 entregue ao arb\u00edtrio de seus acusadores em troca de um condenado por &#8220;subvers\u00e3o e assassinato&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>E averdade de Jesus? Se de um lado Jesus rompe o esquema teocr\u00e1tico, <em>irritando os judeus<\/em>, por outro lado rompe o esquema do absolutismo pol\u00edtico, <em>irritando os romanos<\/em>. Assim Jesus foi um profeta religioso-pol\u00edtico, n\u00e3o somente um revoltoso pol\u00edtico. Todavia, as coisas &#8220;religiosas&#8221; que disse e que fez eram tamb\u00e9m socialmente e politicamente &#8220;perigosas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>E Jesus diante de Herodes<strong> (<\/strong>Lc 23,8-12)? A novidade mais importante do relato de Lucas \u00e9 o comparecimento de Jesus diante de Herodes (Lc 23,8-12), algo que os outros evangelhos n\u00e3o mencionam. Lucas ainda acrescenta: a partir desta data, Pilatos e Herodes, antes inimigos, fazem as pazes. Para a comunidade de Lucas isso tem um sentido muito claro e dram\u00e1tico, que se expressa na ora\u00e7\u00e3o da primeira comunidade crist\u00e3 em At 4,24-30: trata-se da uni\u00e3o dos poderes opressores e violentos para destruir o ungido de Deus, como j\u00e1 o dissera o Salmo 2. <em>&#8220;Nesse mesmo dia Herodes e Pilatos ficaram amigos entre si&#8221;<\/em> (Lc 23,12). Contra a verdade de Jesus, est\u00e3o de acordo tamb\u00e9m aqueles que em outras coisas s\u00e3o inimigos, como precisamente os judeus e os romanos.<\/p>\n\n\n\n<p>E a crucifica\u00e7\u00e3o e morte de Jesus <strong>(<\/strong>Lc 23,26-49)? Lucas est\u00e1 muito interessado em mostrar a grandeza \u00e9tica de Jesus, representando-o como o modelo do m\u00e1rtir crist\u00e3o. Lucas enfatiza a inoc\u00eancia de Jesus, j\u00e1 enfatizada no processo diante de Pilatos e aqui reconhecida pelo bom ladr\u00e3o (Lc 23,41) e pelo centuri\u00e3o pag\u00e3o (Lc 23,47).<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus passou toda a sua vida em perene busca dos injusti\u00e7ados, exclu\u00eddos e dos pecadores, e agora morre na cruz entre dois malfeitores (Lc 23,33). Falou de perd\u00e3o e pregou o amor aos inimigos (cf. Lc 6,27-42; 15) e agora, na cruz, n\u00e3o somente rejeita a viol\u00eancia, mas perdoa os seus crucificadores (Lc 23,34) e morre por aqueles que o rejeitam, ilustra\u00e7\u00e3o viva da miseric\u00f3rdia de Deus, de que fala toda a Escritura Sagrada. O m\u00e1rtir afirma o homem diante de Deus, Jesus afirma Deus diante da pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p>A caminho do Calv\u00e1rio (Lc 23,26-32) o que nos diz? No caminho para o calv\u00e1rio, os soldados romanos propositalmente n\u00e3o s\u00e3o citados. A estrada que conduzia do pal\u00e1cio do governador ao lugar da execu\u00e7\u00e3o, fora dos muros, n\u00e3o era longa. O condenado, por\u00e9m, era obrigado a passar pelas ruas do centro de Jerusal\u00e9m. A condena\u00e7\u00e3o devia ser p\u00fablica e servir de esc\u00e1rnio. As tropas de ocupa\u00e7\u00e3o podiam obrigar qualquer um a prestar um servi\u00e7o de ordem p\u00fablica. Sim\u00e3o, de Cirene (de fora da Palestina), ajuda Jesus a carregar a cruz. <em>&#8220;Vinha do campo&#8221;<\/em> indica que era um disc\u00edpulo (cf. Lc 6,1). Lucas utiliza, ao contr\u00e1rio, uma express\u00e3o mais gen\u00e9rica, de uso civil: <em>&#8220;tomaram&#8221;.<\/em> E continua: <em>&#8220;e impuseram-lhe a cruz para lev\u00e1-la atr\u00e1s de Jesus&#8221;<\/em> (Lc 23,26). Sim\u00e3o, personagem representativo (&#8220;<em>certo<\/em>&#8220;) de um grupo real (nome pr\u00f3prio) de disc\u00edpulos oriundos da di\u00e1spora judaica (&#8220;<em>que vinha do campo<\/em>&#8220;, &#8220;<em>de Cirene<\/em>\u201d (cf. At 11,20; 13,1), \u00e9 figura do disc\u00edpulo que faz sua a cruz de Jesus, levando at\u00e9 o fim o seu seguimento (cf. Lc 9,23; 14,27).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos sepultamentos judaicos, estavam sempre presentes algumas mulheres que elevavam lamentos f\u00fanebres. Isto fazia parte do rito. Para os sentenciados \u00e0 morte, por\u00e9m, estavam proibidos os lamentos f\u00fanebres, proferidos em p\u00fablico, porque o justi\u00e7ado era considerado uma maldi\u00e7\u00e3o (cf. Dt 21,22-23). As mulheres que seguem Jesus demonstram, com o seu corajoso testemunho, que ele n\u00e3o \u00e9 um malfeitor, mas um profeta que est\u00e1 padecendo a sorte de todos os profetas: o mart\u00edrio<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<em>Pai, perdoa-lhes<\/em>&#8221; <strong>(<\/strong>Lc 23,34). A crucifix\u00e3o era um castigo imposto pelo imp\u00e9rio romano aos que se engajavam politicamente fazendo oposi\u00e7\u00e3o ao imp\u00e9rio. Curiosamente, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda de Jesus s\u00e3o crucificados dois l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o ao imp\u00e9rio, chamados de malfeitores. O Crucificado de Lucas n\u00e3o est\u00e1 em sil\u00eancio, mas fala: \u00e0s multid\u00f5es, ao Pai, ao ladr\u00e3o arrependido. Jesus n\u00e3o somente perdoa, mas desculpa. N\u00e3o morre amea\u00e7ando com o ju\u00edzo de Deus, mas perdoando e desculpando. Toda a Paix\u00e3o, segundo Lucas, est\u00e1, efetivamente, atravessada pela miseric\u00f3rdia: o gesto de Jesus que cura a orelha do servo do Sumo Sacerdote, o olhar benevolente a Pedro que o renega e a palavra de perd\u00e3o aos que o crucificam. Jesus n\u00e3o d\u00e1 pessoalmente o seu perd\u00e3o, mas o pede ao Pai. Deve ficar claro que o seu perd\u00e3o remete ao do Pai. A cruz \u00e9 o esplendor do perd\u00e3o do Pai. Morrer perdoando \u00e9 uma caracter\u00edstica essencial do m\u00e1rtir crist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<em>Salva-te a ti mesmo!<\/em>&#8220;<strong> (<\/strong>Lc 23,35b.37.39). Observe-se a insist\u00eancia na express\u00e3o &#8220;salvar a si mesmo&#8221;, dirigida a Jesus por todos os tr\u00eas representantes da incredulidade: os chefes, os soldados e um dos dois malfeitores. Renunciando salvar a si mesmo, ele permanece solid\u00e1rio com todas as pessoas que, na morte, podem esperar salva\u00e7\u00e3o somente de Deus &#8211; abandonando-se a ele na f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<em>Jesus, lembra-te de mim!<\/em>&#8221; <strong>(<\/strong>Lc 23,39-43). O primeiro malfeitor \u00e9, provavelmente, um indom\u00e1vel zelota, que, mesmo na morte, continua fiel \u00e0 sua op\u00e7\u00e3o de se rebelar contra o dom\u00ednio estrangeiro, para instaurar o reino de Deus. O ladr\u00e3o arrependido confia nele prontamente (&#8220;<em>Jesus, lembra-te de mim!<\/em>&#8220;), e Jesus responde com a sua pessoa, assegurando-lhe uma vida de comunh\u00e3o com ele (&#8220;<em>estar\u00e1s comigo<\/em>&#8220;), e logo (&#8220;<em>hoje<\/em>&#8220;). A um pedido que remetia ao futuro (&#8220;<em>quando vieres no teu reino<\/em>&#8220;), Jesus responde, remetendo ao presente (&#8220;<em>hoje<\/em>&#8220;)<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. No epis\u00f3dio dos dois malfeitores est\u00e3o presente a miseric\u00f3rdia e a justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<em>Dizendo isso, expirou<\/em><strong>&#8221; (<\/strong>Lc 23,44-46). Para a comunidade de Lucas a cruz \u00e9 o momento \u00faltimo de reafirmar a fidelidade ao projeto do Pai e \u00e0 miss\u00e3o que recebeu pela un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Quem morre ali \u00e9 o m\u00e1rtir, fiel at\u00e9 o fim. A cruz \u00e9 o momento:<\/p>\n\n\n\n<p>a) do perd\u00e3o maior, do perd\u00e3o \u00e0queles que lhe tiram a vida (Lc 23,34. Cf. Estev\u00e3o em At 7,60);<\/p>\n\n\n\n<p>b) da promessa da vida (Lc 23,43) para aquele que na \u00faltima hora reconheceu o sentido de sua miss\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;c) de afirmar, no \u00faltimo suspiro, a confian\u00e7a no Pai: \u201c<em>Pai, em tuas m\u00e3os, eu entrego o meu esp\u00edrito\u201d<\/em> (Lc 23,46).<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente do que relatam Marcos e Mateus, para Lucas, &#8220;<em>a vida de Jesus n\u00e3o termina com uma tr\u00e1gica interroga\u00e7\u00e3o, mas na serena convic\u00e7\u00e3o do cumprimento de uma miss\u00e3o libertadora<\/em><a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>&#8220;. Para Lucas n\u00e3o houve uma salva\u00e7\u00e3o <em>da<\/em> morte, mas <em>na<\/em> morte.<\/p>\n\n\n\n<p>E as Sete Frases exclusivas de Lucas o que nos dizem? Eis Sete frases de Jesus que s\u00f3 Lucas nos conservou e nas quais transparece a vit\u00f3ria da vida que a morte n\u00e3o conseguiu matar:<\/p>\n\n\n\n<p>1) &#8220;<em>Desejei ardentemente comer esta p\u00e1scoa com voc\u00eas<\/em>&#8221; (Lc 22,15).<\/p>\n\n\n\n<p>2) &#8220;<em>Fa\u00e7am isto em mem\u00f3ria de mim!<\/em>&#8221; (Lc 22,19).<\/p>\n\n\n\n<p>3) &#8220;<em>Sim\u00e3o, rezei por voc\u00ea, para que n\u00e3o desfale\u00e7a a sua f\u00e9!<\/em>&#8221; (Lc 22,32).<\/p>\n\n\n\n<p>4) Na hora da nega\u00e7\u00e3o de Pedro, Jesus fixa nele o olhar, provocando o choro de arrependimento (Lc 22,61).<\/p>\n\n\n\n<p>5) No caminho do calv\u00e1rio, Jesus acolhe as mulheres: &#8220;<em>Filhas de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o chorem por mim!<\/em>&#8221; (Lc 23,28).<\/p>\n\n\n\n<p>6) Na hora de ser pregado na cruz, ele reza: &#8220;<em>Pai, perdoa, porque n\u00e3o sabem o que fazem<\/em>&#8221; (Lc 23,34).<\/p>\n\n\n\n<p>7) Ao ladr\u00e3o pendurado na cruz ao seu lado ele diz: &#8220;<em>Hoje mesmo estar\u00e1s comigo no para\u00edso!<\/em>&#8221; (Lc 23,43).<\/p>\n\n\n\n<p>Estas frases nos d\u00e3o os olhos certos para ler e a saborear a descri\u00e7\u00e3o da morte, do enterro e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, Jesus aceitou ser crucificado por infinito amor \u00e0 humanidade e a toda a Cria\u00e7\u00e3o, e pede de n\u00f3s compromisso com a liberta\u00e7\u00e3o de todos\/as que est\u00e3o crucificados atualmente. A crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus foi consequ\u00eancia da sua op\u00e7\u00e3o incondicional pelo reino de Deus, de liberdade, de justi\u00e7a, de amor, de paz, de vida! Os poderosos da \u00e9poca foram desmascarados. Jesus incomodou a religi\u00e3o, o sistema pol\u00edtico do imp\u00e9rio romano, os grandes do poder econ\u00f4mico e passou a ser uma amea\u00e7a para os exploradores. Por isso,\u00a0 n\u00e3o tem sentido fazer mem\u00f3ria da paix\u00e3o de Jesus e do seu mart\u00edrio,\u00a0 sem reconhecer que Jesus continua padecendo, encarnado na vida de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s, v\u00edtimas de um sistema que oprime, exclui, mata. E como disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus, devemos seguir com coragem e esperan\u00e7a seus passos, em defesa de vida\u00a0com dignidade para todos e todas e para toda a Cria\u00e7\u00e3o, na certeza de que a morte n\u00e3o tem a \u00faltima palavra&#8230; O horizonte imediato \u00e9 de ressurrei\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>18\/04\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obs<\/strong>.: As videorreportagens nos links, abaixo, de alguma forma ATUALIZAM o assunto tratado, acima.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><strong>1 &#8211; SENTIDO DA P\u00c1SCOA DA CRUZ NAS PESSOAS CRUCIFICADAS E NOS POVOS MARTIRIZADOS (JO 18 E 19): EVANGELHO PARA AL\u00c9M DOS TEMPLOS. Por Nancy Cardoso, Gilvander Moreira e Darlan Oliveira. 18\/04\/25<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_26900\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Li5WAi2N1_U?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>2 &#8211; Segue Sexta-feira da Paix\u00e3o em Ibirit\u00e9\/MG. MRS\/Vale, despejo\/DEMOLI\u00c7\u00c3O de CASAS SEM DECIS\u00c3O JUDICIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_43792\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qqv_-5lNlw8?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>3 &#8211; Basta de sexta-feira da Paix\u00e3o em Betim, MG! Construamos Domingos de Ressurrei\u00e7\u00e3o. Ara\u00fajo! V\u00eddeo 3<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_47580\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mrF-Dzp1iRY?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>4 &#8211; Paix\u00e3o e calv\u00e1rio no despejo de Ocupa\u00e7\u00e3o em Mirav\u00e2nia, norte de MG. Zilah. V\u00eddeo 5. 10\/7\/2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\"  id=\"_ytid_71305\"  width=\"810\" height=\"456\"  data-origwidth=\"810\" data-origheight=\"456\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vlJjkwOl24Y?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;playsinline=0&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; Mestre em Ci\u00eancias B\u00edblicas; Bacharel e Licenciado em Filosofia; Bacharel em Teologia; frei e padre da Ordem dos Carmelitas; e Agente de Pastoral e Assessor da CPT\/MG (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra \u2013 <a href=\"http:\/\/www.cptmg.org.br\">www.cptmg.org.br<\/a> ); e-mail: <a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\">www.gilvander.org.br<\/a> \u2013 <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/@freigilvander\">www.youtube.com\/@freigilvander<\/a> \u2013 No instagram: @gilvanderluismoreira<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Pela terceira vez em Lc Deus se manifesta diretamente a Jesus. A primeira vez foi no Batismo (Lc 3,21-22). A segunda, na Transfigura\u00e7\u00e3o (Lc 9,35). E agora, a terceira vez, no Horto das Oliveiras (Lc 22,43).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u201cNenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou h\u00e1 de odiar um e amar o outro, ou se h\u00e1 de chegar a um e desprezar o outro. N\u00e3o podeis servir a Deus e a Mamom.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> J. ERNST, <em>op. cit<\/em>., pp. 863-864.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> O. SPINHETOLI, <em>Da Luca<\/em>, Assis, Cittadella, 1982, p. 893.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> O Imp\u00e9rio Romano dominava os povos conquistados atrav\u00e9s de uma pesad\u00edssima carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Mencionando a presen\u00e7a da multid\u00e3o e das mulheres, Lucas mostra a sua predile\u00e7\u00e3o pelas grandes multid\u00f5es e pela presen\u00e7a das figuras femininas. Ver, a prop\u00f3sito, ROSS\u00c9, G., <em>Il vangelo di Luca<\/em>, Roma, Citt\u00e0 Nuova, 1992, p. 967.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Cf. GRELOT, P., <em>De la mort \u00e0 la vie eternelle<\/em>, Paris, Cer, 1971, pp. 201ss.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> G. ROSS\u00c9, <em>Il vangelo di Luca<\/em>, op. cit., p. 987.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O QUE PEDE DE N\u00d3S A PAIX\u00c3O\/AMOR DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE LUCAS? (Lc 22,1-23,56). Por frei Gilvander Moreira[1] A paix\u00e3o de Jesus Cristo \u00e9 narrada nos quatro Evangelhos. 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