{"id":14380,"date":"2025-04-23T22:10:22","date_gmt":"2025-04-24T01:10:22","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14380"},"modified":"2025-04-23T22:10:28","modified_gmt":"2025-04-24T01:10:28","slug":"a-fe-como-experiencia-de-tocar-nas-feridas-jo-2019-31-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-fe-como-experiencia-de-tocar-nas-feridas-jo-2019-31-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"A F\u00c9 COMO EXPERI\u00caNCIA DE TOCAR NAS FERIDAS (Jo 20,19-31). Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A F\u00c9 COMO EXPERI\u00caNCIA DE TOCAR NAS FERIDAS (Jo 20,19-31)<\/strong>. Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/images-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14381\" width=\"782\" height=\"658\"\/><figcaption>Marcelo Barros, irm\u00e3o, padre, monge, biblista e te\u00f3logo da Liberta\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nesse 2\u00ba Domingo da P\u00e1scoa, Ano C, o evangelho (Jo\u00e3o 20,19-31) revela que todas as vezes que nos reunimos no nome de Jesus, atualizamos aquele encontro dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas com o Ressuscitado. Eles e elas estavam em uma sala de portas fechadas, com medo dos sacerdotes do templo e doutores da B\u00edblia. Ainda em nossos dias, h\u00e1 muitas pessoas que, para viver o projeto de uma f\u00e9 prof\u00e9tica, precisam tomar cuidado e quase se encontrar clandestinamente para n\u00e3o serem reprimidos pelos que se consideram donos da religi\u00e3o. Por exemplo, pessoas do Candombl\u00e9, da Umbanda, do Espiritismo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme esse evangelho que lemos, hoje, naquele domingo, a pequena comunidade dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus estava reunida de portas fechadas. Atualmente, \u00e9 o mundo inteiro que vive de portas fechadas. Nossas cidades s\u00e3o marcadas pelos muros das casas, dos shoppings e dos edif\u00edcios nos quais as pessoas se aprisionam com chaves e senhas de port\u00f5es eletrificados. Tamb\u00e9m nos bairros de periferia, as pessoas vivem com portas fechadas com medo de mil\u00edcias e gangues. Os pa\u00edses fecham cada vez mais suas fronteiras contra migrantes e refugiados. Vivemos em um mundo sob o dom\u00ednio do medo. A pol\u00edtica internacional \u00e9 dominada por guerras e conflitos. A economia capitalista, \u201ca que mata\u201d, segundo o papa Francisco, \u00e9 organizada para impedir milh\u00f5es de pessoas a viverem uma vida digna e com direitos humanos reconhecidos. Para triplicarem seus lucros e ampliarem sempre mais a sua riqueza e garantirem o seu dom\u00ednio, a elite de menos de 1% da humanidade mant\u00e9m bilh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de semiescravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia desse evangelho \u00e9 que mesmo com todas as portas fechadas, Jesus Ressuscitado se deixa ver pelos disc\u00edpulos e lhes traz a Paz, a alegria e a reconcilia\u00e7\u00e3o para iniciar nova miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o evangelho, o que, em primeiro lugar, o Ressuscitado mostra aos seus amigos e amigas s\u00e3o suas chagas. N\u00e3o mostra um corpo glorioso e et\u00e9reo, mas, sim, as chagas da cruz. \u00c9 o curador ferido. A ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o elimina as feridas da vida. Revela que elas continuam, mas de certa forma vencidas. Assim, o Cristo Ressuscitado pede que ven\u00e7amos o medo e a vergonha e aceitemos revelar nossas feridas interiores. Deixemos que os amigos e as amigas possam tocar e cuidar de nossas feridas. S\u00f3 quando assumimos nossas chagas&nbsp; e aceitamos que as pessoas que nos s\u00e3o pr\u00f3ximas cuidem delas, \u00e9 que podemos viver a experi\u00eancia da ressurrei\u00e7\u00e3o. S\u00f3 assim, podemos anunciar um modo novo de viver ressuscitados e ressuscitadas. Assim, as chagas do Ressuscitado e as nossas se tornam luminosas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ao reconhecer Jesus vivo nas pessoas feridas que os disc\u00edpulos se enchem de imensa alegria, como aquela alegria que Jesus tinha prometido: <em>&#8220;Hei de v\u00ea-los(as) outra vez e, ent\u00e3o, voc\u00eas se encher\u00e3o de uma alegria tal que ningu\u00e9m poder\u00e1 roubar de voc\u00eas essa alegria&#8221; (Jo 16, 20).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Esse domingo \u00e9 como o oitavo dia da ressurrei\u00e7\u00e3o. Assim como Tom\u00e9 era disc\u00edpulo, mas n\u00e3o estava com o grupo no primeiro domingo, tamb\u00e9m n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos com a comunidade no Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Tom\u00e9 nunca aceitou Jesus ter vindo a Jerusal\u00e9m e o cap\u00edtulo 11 do quarto evangelho deixa claro que ele tinha acompanhado Jesus at\u00e9 ali, mas quase como quem se sente for\u00e7ado a vir. Acreditava em um Jesus, enviado de Deus, mas sem cruz&#8230;. E agora n\u00e3o acreditava mais. Os outros do grupo tinham medo. Tinham d\u00favidas. N\u00e3o sabiam se acreditavam ou n\u00e3o, mas de qualquer modo, ficaram juntos em uma sala fechada&#8230; Tom\u00e9, n\u00e3o. A f\u00e9 dele era individualista, era eu e Deus&#8230; Queria ser disc\u00edpulo de Jesus, mas sem comunidade. Com os outros, ele n\u00e3o tinha compromisso de estar junto. N\u00e3o previa cruz, chagas. (<em>S\u00f3 se eu tocar nas chagas dele, vou crer que isso \u00e9 real<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>No oitavo dia da ressurrei\u00e7\u00e3o, portanto, no domingo de hoje, Jesus se deixa ver e se deixa tocar&#8230; Ao se mostrar aos disc\u00edpulos, mesmo com portas fechadas, n\u00e3o mostra nenhuma luz especial. N\u00e3o fala de vit\u00f3ria nenhuma. N\u00e3o voa, nem parece ter nada de diferente&#8230; Mostra as chagas. E pede que Tom\u00e9 toque em seu corpo ferido; veja o sangue ainda a correr na ferida que tem no peito. S\u00f3 quando a gente tem coragem de mostrar as nossas feridas interiores e sociais, parece que a vida pode se recompor e se tornar nova. E tamb\u00e9m quando a gente tem a empatia e compaix\u00e3o para ver e tocar as feridas das pessoas, s\u00f3 irm\u00e3os em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil, mais de 330 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Jesus ressuscitado ressuscita os disc\u00edpulos e as disc\u00edpulas. Faz com que passem do medo \u00e0 liberdade, \u00e0 paz, \u00e0 alegria e ao perd\u00e3o. Hoje, Ele nos convida para reconstruir as nossas vidas, atrav\u00e9s do perd\u00e3o a n\u00f3s mesmos e aos outros. Como Tom\u00e9, podemos tocar nas chagas do Ressuscitado e das pessoas feridas pelas injusti\u00e7as da vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo atual, muitas pessoas creem em um Cristo a\u00e9reo, celestial e pouco humano. Precisamos testemunhar a f\u00e9 em um Jesus hist\u00f3rico, real, com corpo e com chagas. \u00c9 diante do ser humano nu, ferido e sangrando, que fazemos como Tom\u00e9, nos prostramos e dizemos: <em>Meu Senhor e meu Deus<\/em>!<\/p>\n\n\n\n<p>Tocar nas chagas de Jesus \u00e9 tocar nas chagas da humanidade hoje e ser capaz de reconhecer a presen\u00e7a do Esp\u00edrito nas v\u00edtimas da sociedade atual. S\u00e3o tantas pessoas e tantas comunidades e mesmo povos, como o povo palestino, povos crucificados. Humanidade em chagas vivas.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas que, nesse momento, nos diversos servi\u00e7os, vivem a solidariedade e cuidam dos outros tocam nas chagas de Jesus e testemunham ressurrei\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o formos capazes de fazer isso diante das pessoas concretas, cada uma com suas feridas, n\u00e3o testemunhamos a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Deixemos que os povos origin\u00e1rios, cuja semana celebramos nesses dias de abril, entrem na sala onde estamos fechados e nos mostrem suas feridas. S\u00e3o ressuscitados porque resistem h\u00e1 mais de 500 anos e nos ensinam li\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia. Suas feridas s\u00e3o provocadas pela mesma doen\u00e7a que atinge toda nossa sociedade: ambi\u00e7\u00e3o e o desamor.<\/p>\n\n\n\n<p>Acolhendo-nos uns aos outros\/umas \u00e0s outras como presen\u00e7a do Cristo Ressuscitado, podemos experimentar, mesmo em meio \u00e0s dores e aos medos justificados de cada dia, uma imensa alegria, a mesma alegria que os disc\u00edpulos sentiram ao ver o Ressuscitado e a plena reconcilia\u00e7\u00e3o conosco mesmos, uns com os outros e com Deus, mist\u00e9rio de infinito amor. Am\u00e9m. Aleluia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A F\u00c9 COMO EXPERI\u00caNCIA DE TOCAR NAS FERIDAS (Jo 20,19-31). 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