{"id":14605,"date":"2025-07-27T08:16:05","date_gmt":"2025-07-27T11:16:05","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14605"},"modified":"2025-07-27T08:16:08","modified_gmt":"2025-07-27T11:16:08","slug":"carta-do-v-congresso-nacional-da-comissao-pastoral-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/carta-do-v-congresso-nacional-da-comissao-pastoral-da-terra\/","title":{"rendered":"Carta do V Congresso Nacional da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>O jubileu ser\u00e1 para v\u00f3s coisa santa, <\/em><br><em>E comereis o produto dos campos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">(Lv, 25:12)<\/p>\n\n\n\n<p><br>Somos 1.026 pessoas que chegamos a S\u00e3o Lu\u00eds movidas pelos ventos maranhenses para o V Congresso Nacional da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, entre 21 e 25 de julho de 2025. Provocadas pelo sopro da sabedoria divina, celebramos <strong>50 anos de Presen\u00e7a, Resist\u00eancia e Profecia <\/strong>junto \u00e0s comunidades do campo, das \u00e1guas e das florestas, proclamando <strong>Romper Cercas e Tecer Teias: a terra a Deus pertence!<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Viemos em romaria de todos os estados e de nossos territ\u00f3rios: assentamentos e acampamentos de reforma agr\u00e1ria, comunidades de fundo e fecho de pasto, de p\u00e9 de serra, ribeirinhas, geraizeiras, ind\u00edgenas, quilombolas, taboqueanas, pantaneiras, seringueiras, raizeiras\u2026 Carregamos na sola das sand\u00e1lias a terra do nosso ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos tamb\u00e9m agentes de pastoral, bispos, padres e irm\u00e3s, paj\u00e9s, pais e m\u00e3es de santo, pastores e pastoras, unidos em nossa decis\u00e3o de lutar at\u00e9 as extremas consequ\u00eancias contra a injusti\u00e7a e a opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, da CPT, partilhamos em nosso jubileu da coragem de camponeses e camponesas, testemunhas vivas da profecia. Sua esperan\u00e7a pela terra sem males e sua firmeza nos animam e orientam. Ouvindo o seu clamor, nos comprometemos a buscar uma convers\u00e3o permanente para que nossa presen\u00e7a seja fermento temperado com coer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, das comunidades, denunciamos que estamos cercadas pelas diferentes figuras do monstro do capital. Aliado ao Estado, ele \u201ctransforma a natureza em cifra\u201d, e quer seguir nos colonizando para nos tornar mono-cultura. Resistimos ao deserto das lavouras de soja transg\u00eanica, \u00e0s chuvas de veneno sobre as cabe\u00e7as, \u00e0s e\u00f3licas com \u201cl\u00e2minas que rasgam o sossego\u201d, \u00e0 minera\u00e7\u00e3o a abrir crateras no cora\u00e7\u00e3o da terra, ao trabalho escravo a explorar at\u00e9 a \u00faltima gota de suor. \u201cPara eles, somos praga; ent\u00e3o seremos praga at\u00e9 destruir o agroneg\u00f3cio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfrentamos as cercas do latif\u00fandio que sufoca, mata e fere nossas vidas e todas as vidas da nossa Casa Comum. \u201cO agroneg\u00f3cio veio para matar o planeta e n\u00f3s fazemos parte do planeta\u201d, ainda que queiram nos expulsar. Cada \u00e1rvore derrubada \u00e9 nosso corpo que sangra. Cada rio polu\u00eddo \u00e9 o leite de nossas crian\u00e7as que se contamina. Mas a poesia, a agroecologia e as sementes crioulas curam a destrui\u00e7\u00e3o da terra. \u201cPodem derrubar as folhas, os galhos, os troncos: nossas ra\u00edzes est\u00e3o profundas na nossa terra, e nela permaneceremos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa luta, as mulheres \u2013 maioria em nosso congresso \u2013 somos a ponte entre a ancestralidade e o futuro. Nossos corpos se alimentam da seiva do planeta. \u201cN\u00e3o temos medo de morrer, nossos descendentes s\u00e3o sementes plantadas na luta\u201d. Com gritos insurgentes, ensinamos a necessidade amorosa de caminhar \u201combreadas com os homens\u201d. Profetizas da vida, n\u00e3o deixaremos o sonho de um mundo novo escapar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o benzimento de dona Maria Roxa, paj\u00e9 Akro\u00e1-Gamella; com a un\u00e7\u00e3o do azeite de coco baba\u00e7u; com a cura do \u00f3leo de andiroba; com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Santa Maria Madalena, for\u00e7a do amor que se faz comunh\u00e3o, dizemos: \u201cEnquanto houver mulher no mundo, n\u00e3o v\u00e3o nos vencer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos tamb\u00e9m juventudes que se fazem resist\u00eancia e profecia: \u201cn\u00e3o somos o futuro, somos o presente!\u201d. Ao buscar dignidade, encontramos a ilus\u00e3o do capital, sedu\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Mas a mem\u00f3ria dos confins sem cerca nos guia a caminhar hoje rumo ao futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Viemos de muitos lugares, das florestas \u00e0 caatinga, dos pampas ao cerrado, com m\u00faltiplos modos de vida camponeses, unidos na diversidade contra um inimigo comum. Isso nos irmana e nos fortalece. Do luto fazemos luta. \u201cS\u00f3 romperemos cercas se tecermos teias\u201d. E nossa imensa teia, colorida como nosso milho, n\u00e3o ser\u00e1 destru\u00edda. Somos um grande mutir\u00e3o, composto por vivos e mortos, for\u00e7as encantadas e santos, \u00e1guas e ventania, \u00e1rvores e ro\u00e7a, abelhas e formigas, todos como irm\u00e3os e irm\u00e3s defendendo a cria\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Se ainda existe o an\u00fancio de vida em abund\u00e2ncia, \u00e9 porque seguimos existindo, resistindo \u2013 re- existindo! Honramos os m\u00e1rtires da caminhada e reafirmamos aos poderosos e aos que querem nosso exterm\u00ednio: n\u00e3o silenciaremos nossa dor e nossa revolta. Se caminhamos em dire\u00e7\u00e3o ao apocalipse, lembramos que \u201co apocalipse de Jo\u00e3o \u00e9 o Livro da Esperan\u00e7a: \u00e9 o fim do mundo dos poderosos e in\u00edcio do tempo de Justi\u00e7a e Paz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes 50 anos, evocamos Pedro Casald\u00e1liga a gritar: \u201cMalditas sejam todas as cercas que nos privam de viver e amar!\u201d Seguiremos vivos e fortes, ao som dos cantos, tambores e marac\u00e1s, lutando por reforma agr\u00e1ria popular e pela retomada dos territ\u00f3rios, e comemoraremos o jubileu da terra para todo o sempre!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Upaon-A\u00e7u, Ilha de S\u00e3o Lu\u00eds, Maranh\u00e3o, 25 de julho de 2025. <\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p><em>As frases entre aspas s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es de participantes do congress<\/em>o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/V-Congresso-Nacional-da-CPT-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14583\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/V-Congresso-Nacional-da-CPT-819x1024.jpg 819w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/V-Congresso-Nacional-da-CPT-240x300.jpg 240w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/V-Congresso-Nacional-da-CPT-768x960.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/V-Congresso-Nacional-da-CPT-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/V-Congresso-Nacional-da-CPT.jpg 1638w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jubileu ser\u00e1 para v\u00f3s coisa santa, E comereis o produto dos campos (Lv, 25:12) Somos 1.026 pessoas que chegamos a S\u00e3o Lu\u00eds movidas pelos ventos maranhenses para o V Congresso Nacional da Comiss\u00e3o Pastoral<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14607,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-14605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14605"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14610,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14605\/revisions\/14610"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}