{"id":14616,"date":"2025-08-02T06:34:02","date_gmt":"2025-08-02T09:34:02","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14616"},"modified":"2025-08-02T06:34:07","modified_gmt":"2025-08-02T09:34:07","slug":"a-vida-como-amor-e-projeto-de-comunhao-lc-1213-21-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-vida-como-amor-e-projeto-de-comunhao-lc-1213-21-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"A VIDA COMO AMOR E PROJETO DE COMUNH\u00c3O (Lc 12,13-21) \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A VIDA COMO AMOR E PROJETO DE COMUNH\u00c3O (Lc 12,13-21) \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/images.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14617\" width=\"780\" height=\"780\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/images.jpg 225w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/images-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><figcaption>Monge Marcelo Barros. Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nesse XVIII Domingo do tempo comum (do ano C) o evangelho lido nas comunidades \u00e9 Lucas 12, 13 a 21.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos dias, a realidade pol\u00edtica agrava a contradi\u00e7\u00e3o entre os grupos crist\u00e3os que se inserem no projeto de uma humanidade justa e solid\u00e1ria e outros que vivem a f\u00e9 como se a espiritualidade n\u00e3o tivesse nada a ver com a justi\u00e7a ecossocial e a Paz. Al\u00e9m disso, na Am\u00e9rica Latina e em outros continentes, h\u00e1 pol\u00edticos de extrema direita que instrumentalizam a religi\u00e3o para o seu projeto de poder. Isso faz com que esse texto que lemos hoje no evangelho possa ser mal interpretado por n\u00e3o poucos padres e pastores. O mais f\u00e1cil \u00e9 fazer leitura fundamentalista do texto e interpretar erradamente a resposta de Jesus ao rapaz que lhe pede para dizer ao irm\u00e3o que reparta com ele a heran\u00e7a deixada pelo pai. Quando Jesus pergunta ao rapaz &#8220;<em>Quem me fez juiz entre voc\u00eas para discutir essas quest\u00f5es de heran\u00e7a?<\/em>&#8220;, o pessoal interpreta como se a justi\u00e7a social e a quest\u00e3o dos direitos das pessoas n\u00e3o interessassem a Jesus. Interpreta\u00e7\u00e3o p\u00e9ssima e err\u00f4nea.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelista Lucas coloca Jesus dando o seu ensinamento a partir da provoca\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m do meio do povo. J\u00e1 vimos isso em Lc 10, 25 e 11, 45. Agora, algu\u00e9m pede que Jesus sirva de juiz em uma quest\u00e3o de heran\u00e7a entre dois irm\u00e3os. No mundo de Jesus, era costume os rabinos religiosos resolverem quest\u00f5es como essa. Mas, Jesus se nega e vai \u00e0 raiz do problema social.<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus se nega a tratar de uma quest\u00e3o de justi\u00e7a no plano interpessoal, sem mostrar a injusti\u00e7a estrutural do sistema do pa\u00eds. De alguma forma, a justi\u00e7a entre os dois irm\u00e3os est\u00e1 ligada ao modo de organizar o mundo. Se a sociedade \u00e9 fundamentada sobre a ambi\u00e7\u00e3o e o ego\u00edsmo, considerados como direito \u00e0 propriedade privada, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de justi\u00e7a. Jesus se nega a entrar na defesa da propriedade privada, vivida como direito absoluto.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, Dom Helder Camara insistia que o mundo nunca poder\u00e1 ter paz, enquanto n\u00e3o se resolver o problema da desigualdade econ\u00f4mica. Em nossos dias, essa desigualdade se agravou duas ou tr\u00eas vezes mais do que na \u00e9poca de Dom Helder. O Papa Francisco afirmava: \u201cEsse sistema mata!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das melhores heran\u00e7as do Papa Francisco \u00e9 a proposta de uma economia alternativa \u00e0 do Capitalismo que tem sido chamada de Economia de Francisco e Clara. O Papa Francisco a prop\u00f4s, ao convocar um encontro no Vaticano com jovens economistas de todo o mundo para repensar a Economia, a partir de outros pressupostos, que n\u00e3o sejam os da ambi\u00e7\u00e3o e do lucro a qualquer custo. Atualmente, em todo o mundo, se espalham comiss\u00f5es e experi\u00eancias de economias solid\u00e1rias e de partilha.<\/p>\n\n\n\n<p>No evangelho de hoje, Jesus deixa claro que o racioc\u00ednio da propriedade privada capitalista leva necessariamente \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o e ao ego\u00edsmo. Ele conta uma par\u00e1bola baseada em hist\u00f3rias que j\u00e1 apareciam nos livros da Sabedoria e quase se pode ler literalmente em Eclesi\u00e1stico 11.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa par\u00e1bola, n\u00e3o se trata de um rico mau ou avarento. N\u00e3o. Simplesmente, ele pensa no modelo que \u00e9, hoje, o normal no sistema capitalista. O homem diz: \u201cmeus frutos, meus cereais, meus celeiros, meus bens\u201d. &nbsp;Hoje, os ricos continuam dizendo isso em um mundo no qual h\u00e1 um bilh\u00e3o de pessoas que n\u00e3o t\u00eam o m\u00ednimo para viver com dignidade. No Brasil, poucas pessoas ou fam\u00edlias possuem renda equivalente \u00e0 renda de mais da metade de toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira e isso \u00e9 injustamente considerado como normal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Evangelho de Lucas, desde Lc 9,51 at\u00e9 Lc 19,27, durante dez cap\u00edtulos, Jesus se dedica a formar os disc\u00edpulos e as disc\u00edpulas para a miss\u00e3o. Nesse cap\u00edtulo, Jesus se empenha em mostrar que o discipulado que ele prop\u00f5e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem que o disc\u00edpulo ou disc\u00edpula organize a sua vida a partir da partilha.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A par\u00e1bola que ele conta se conclui pedindo que sejamos ricos n\u00e3o cada um para si mesmo\/a, mas para Deus. Para a maioria das tradi\u00e7\u00f5es espirituais, isso significa organizar a vida a partir de um projeto de partilha e de justi\u00e7a que testemunhe o Amor Divino como fundamento de nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica ensina isso: \u201c<em>Quem \u00e9 solid\u00e1rio com o pr\u00f3ximo empresta a Deus<\/em>\u201d (Prov 19, 17 e Eclo 29, 8- 13). Isso deu o ditado popular: \u201cQuem d\u00e1 aos pobres, empresta a Deus!\u201d. O problema do rico \u00e9 que ele n\u00e3o se preocupa com os direitos dos trabalhadores que constru\u00edram os celeiros e produziram a produ\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 se preocupa em \u201ccomer, beber e aproveitar ou se regalar com sua riqueza\u201d (Lc 12,19). N\u00e3o se prop\u00f5e a partilhar. S\u00f3 quer acumular e gastar consigo mesmo. Esse era o sistema que imperava nas cidades e foi fortalecido pelo imp\u00e9rio grego. Enquanto, no Evangelho, Lucas resgata a experi\u00eancia do sistema do campo, das aldeias, onde a partilha, a ajuda m\u00fatua, os mutir\u00f5es, a vida em comum&#8230; era a coluna mestra das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o do rico \u00e9 gozar sozinho o que ele tem. A\u00ed Deus condena e vem buscar a sua vida naquela mesma noite. E Jesus conclui a par\u00e1bola dizendo: \u201cIsso acontece com quem junta s\u00f3 para si e n\u00e3o para Deus. Juntar para Deus \u00e9 repartir com os outros e viver a vida partilhando com os demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1964, ano do in\u00edcio da ditadura militar-civil-empresarial no Brasil, o jovem Geraldo Vandr\u00e9 lan\u00e7ou a m\u00fasica:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fica mal com Deus<br>Quem n\u00e3o sabe dar<br>Fica mal comigo<br>Quem n\u00e3o sabe amar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pelo meu caminho vou<br>Vou como quem vai chegar<br>Quem quiser comigo ir<br>Tem que vir do amor<br>Tem que ter pra dar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Vida que n\u00e3o tem valor<br>Homem que n\u00e3o sabe dar<br>Deus que se descuide dele<br>O jeito a gente ajeita dele se acabar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fica mal com Deus<br>Quem n\u00e3o sabe dar<br>Fica mal comigo<br>Quem n\u00e3o sabe amar<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A VIDA COMO AMOR E PROJETO DE COMUNH\u00c3O (Lc 12,13-21) \u2013 Por Marcelo Barros Nesse XVIII Domingo do tempo comum (do ano C) o evangelho lido nas comunidades \u00e9 Lucas 12, 13 a 21. 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