{"id":14636,"date":"2025-08-11T08:12:03","date_gmt":"2025-08-11T11:12:03","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14636"},"modified":"2025-08-11T08:12:08","modified_gmt":"2025-08-11T11:12:08","slug":"a-maquina-da-discordia-como-as-redes-amplificam-a-polarizacao-por-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/a-maquina-da-discordia-como-as-redes-amplificam-a-polarizacao-por-frei-betto\/","title":{"rendered":"A M\u00c1QUINA DA DISC\u00d3RDIA: COMO AS REDES AMPLIFICAM A POLARIZA\u00c7\u00c3O\u00a0&#8211; Por\u00a0 Frei Betto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A M\u00c1QUINA DA DISC\u00d3RDIA: COMO AS REDES AMPLIFICAM A POLARIZA\u00c7\u00c3O<\/strong>\u00a0<strong>&#8211; Por\u00a0<\/strong> <strong>Frei Betto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"980\" height=\"634\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1457477459_119657_1457478822_noticia_normal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14637\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1457477459_119657_1457478822_noticia_normal.jpg 980w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1457477459_119657_1457478822_noticia_normal-300x194.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1457477459_119657_1457478822_noticia_normal-768x497.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" \/><figcaption>Frei Betto &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o Redes Virtuais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 evit\u00e1vel? Minha resposta \u00e9 sim, desde que adotadas certas medidas. Enquanto n\u00e3o havia redes digitais, uma pessoa ficava muito irritada ao receber not\u00edcia &#8211; por conversas, TV, r\u00e1dio ou jornal -, a respeito de um pol\u00edtico ou outra pessoa de seu desagrado e o m\u00e1ximo de rea\u00e7\u00e3o poss\u00edvel se restringia a coment\u00e1rios desairosos em seus c\u00edrculos de familiares e amigos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Agora, ela abre o celular como quem desembainha um punhal ou carrega uma arma, e dissemina o seu \u00f3dio ao pol\u00edtico ou a outra pessoa com alcance planet\u00e1rio. Antes esbravejava contra o seu desafeto e, al\u00e9m das paredes, apenas quem estava pr\u00f3ximo escutava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As redes se tornaram um dos principais palcos de debate pol\u00edtico e ideol\u00f3gico na atualidade. Plataformas como Twitter (X), Facebook, Instagram e TikTok n\u00e3o apenas refletem os conflitos da sociedade, mas frequentemente os intensificam. Nesse cen\u00e1rio, compreender os mecanismos que acirram ou reduzem a polariza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u00e9 essencial para se alcan\u00e7ar um ambiente digital mais saud\u00e1vel e democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Com o avan\u00e7o da tecnologia, a emo\u00e7\u00e3o ganhou alcance global em tempo real. O&nbsp;aplicativo converte&nbsp;o meme (via&nbsp;WhatsApp, X, Instagram, TikTok etc.) para formato otimizado (como JPEG, MP4); os metadados (quem postou, quando, localiza\u00e7\u00e3o, descri\u00e7\u00e3o, hashtags) s\u00e3o anexados; o conte\u00fado \u00e9 enviado aos servidores da rede via internet (Wi-Fi ou dados m\u00f3veis). E atrav\u00e9s do algoritmo a mensagem se propaga como v\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Essa polariza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica se acirra nas redes por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores tecnol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos e sociais. Os algoritmos das plataformas s\u00e3o programados para maximizar o engajamento, e conte\u00fados que geram indigna\u00e7\u00e3o, medo ou raiva tendem a prender mais a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Isso significa que discursos mais extremados, provocativos ou polarizados costumam ter maior alcance.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O \u00eaxito das redes, inclusive ao criar depend\u00eancia dos usu\u00e1rios, \u00e9 devido \u00e0 emo\u00e7\u00e3o. Quanto mais emo\u00e7\u00e3o, mais ades\u00e3o que, &nbsp;segundo Freud, gera sintomas neur\u00f3ticos. Resulta de puls\u00f5es inconscientes, muitas vezes agressivas ou, como salienta Melanie Klein, esquizoparan\u00f3ide.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, seus efeitos nefastos, como o \u00f3dio, em geral escapam do controle do indiv\u00edduo. Se a not\u00edcia o desagrada e afeta seu emocional, reage impulsivamente antes de equacion\u00e1-la racionalmente. Assim, imediatamente lan\u00e7a m\u00e3o da arma de revide: a internet. Cancela, detona, exclui e ofende seu desafeto ou procura ridiculariz\u00e1-lo com memes, cr\u00edticas mordazes, v\u00eddeos ou montagens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O uso de fake news e desinforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m intensifica a polariza\u00e7\u00e3o. Quando informa\u00e7\u00f5es falsas circulam e s\u00e3o usadas para atacar o \u201cinimigo\u201d, constr\u00f3i-se um ambiente de desconfian\u00e7a e animosidade, que dificulta ainda mais qualquer tentativa de compreens\u00e3o m\u00fatua.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A polariza\u00e7\u00e3o se acentua porque o uso das redes digitais induz ao narcisismo e ao individualismo que selam o tribalismo.&nbsp;Nas tribos ou bolhas, os usu\u00e1rios se exp\u00f5em a opini\u00f5es semelhantes \u00e0s suas. Isso reduz a capacidade de acatar vis\u00f5es diferentes, transformando-as em divergentes, e cria a sensa\u00e7\u00e3o de que o \u201coutro lado\u201d \u00e9 irracional ou mal-intencionado. As pessoas passam a debater n\u00e3o ideias, mas afirma\u00e7\u00f5es &nbsp;muitas vezes descabidas. A l\u00f3gica do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d se estabelece, e o di\u00e1logo d\u00e1 lugar ao confronto. D\u00e1-se import\u00e2ncia ao que n\u00e3o tem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao se sentir amea\u00e7ada em sua identidade e ideologia (ainda que sem consci\u00eancia de ter ideologia), a pessoa reage com ressentimento e adota a atitude de radicaliza\u00e7\u00e3o destrutiva. Isso \u00e9 incentivado pelos algoritmos, programados para ampliar o n\u00famero de usu\u00e1rios e criar depend\u00eancia, a nomofobia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;H\u00e1 duas medidas que considero importantes para aplacar a polariza\u00e7\u00e3o: a regula\u00e7\u00e3o das big techs por parte do Estado, com transpar\u00eancia dos algoritmos; e a educa\u00e7\u00e3o digital na fam\u00edlia e na escola. O smartphone e o computador s\u00e3o armas virtuais. Como as facas, servem para o bem,&nbsp; cortar alimentos, ou o mal,&nbsp; assassinar. Crian\u00e7as e jovens devem saber us\u00e1-los com proveito, modera\u00e7\u00e3o e empatia cognitiva ao se colocar no lugar do outro. Assim, haver\u00e1 menos embates e mais debates.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A&nbsp;educa\u00e7\u00e3o para a cidadania digital&nbsp;precisa ser incentivada. Desde cedo, \u00e9 poss\u00edvel ensinar a navegar nas redes com responsabilidade, empatia e capacidade argumentativa. Com isso, cria-se uma cultura online mais madura, capaz de lidar com diverg\u00eancias sem partir para o confronto emocional e, muitas vezes, irracional.A&nbsp;diversifica\u00e7\u00e3o das fontes de informa\u00e7\u00e3o&nbsp;tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. Acessar conte\u00fados de diferentes linhas editoriais, ouvir vozes fora da pr\u00f3pria bolha e evitar julgamentos imediatos contribuem para uma vis\u00e3o mais complexa e menos manique\u00edsta da realidade.&nbsp;&nbsp;Outra a\u00e7\u00e3o importante \u00e9 o incentivo ao pensamento cr\u00edtico. Antes de compartilhar uma not\u00edcia ou opini\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio verificar a veracidade das informa\u00e7\u00f5es e refletir sobre suas implica\u00e7\u00f5es. Combater a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma concreta de reduzir conflitos desnecess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Influenciadores, jornalistas, educadores e formadores de opini\u00e3o t\u00eam papel central nesse processo. Quando figuras p\u00fablicas adotam uma postura equilibrada e respeitosa, inspiram seus seguidores a fazer o mesmo. As plataformas digitais podem contribuir ao ajustar seus algoritmos para valorizar conte\u00fados construtivos e pluralistas, em vez de premiar apenas o que viraliza por meio da indigna\u00e7\u00e3o.Promover o di\u00e1logo, estimular a empatia, diversificar as fontes de informa\u00e7\u00e3o e investir na educa\u00e7\u00e3o digital s\u00e3o estrat\u00e9gias que, se adotadas em conjunto, podem transformar o ambiente virtual em um espa\u00e7o mais democr\u00e1tico, plural e construtivo. A responsabilidade \u00e9 coletiva, mas cada usu\u00e1rio tem o poder de contribuir para essa mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Frei Betto \u00e9 escritor, autor do romance \u201cMinas do Ouro\u201d (Rocco), que retrata 500 anos da hist\u00f3ria de Minas Gerais. Livraria virtual:&nbsp;<a href=\"http:\/\/freibetto.org\/\">freibetto.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A M\u00c1QUINA DA DISC\u00d3RDIA: COMO AS REDES AMPLIFICAM A POLARIZA\u00c7\u00c3O\u00a0&#8211; Por\u00a0 Frei Betto &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 evit\u00e1vel? Minha resposta \u00e9 sim, desde que adotadas certas medidas. 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