{"id":14705,"date":"2025-09-06T08:34:58","date_gmt":"2025-09-06T11:34:58","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14705"},"modified":"2025-09-06T08:35:03","modified_gmt":"2025-09-06T11:35:03","slug":"lc-1425-33-o-seguimento-de-jesus-nos-caminhos-do-bem-viver-texto-e-video-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/lc-1425-33-o-seguimento-de-jesus-nos-caminhos-do-bem-viver-texto-e-video-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Lc 14,25-33: O SEGUIMENTO DE JESUS NOS CAMINHOS DO BEM-VIVER (Texto e V\u00eddeo) \u2013 Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Lc 14,25-33: O SEGUIMENTO DE JESUS NOS CAMINHOS DO BEM-VIVER (Texto e V\u00eddeo) \u2013 Por Marcelo Barros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"900\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14706\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed-1.jpg 900w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed-1-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption>Padre Marcelo Barros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando lemos o texto que o lecion\u00e1rio nos prop\u00f5e nesse 23\u00ba domingo comum C (Lucas 14, 25 \u2013 33), a primeira coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 como, nessa passagem, as comunidades de Lucas recolhem palavras que Jesus pode ter pronunciado em diversos momentos e, talvez em outras circunst\u00e2ncias diferentes dessa cena na qual o evangelho a insere: o contexto da ceia da qual Jesus participou na casa de um fariseu, na subida para Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que surpreende \u00e9 como palavras aparentemente t\u00e3o duras podem ser consideradas como evangelho, isso \u00e9, boa not\u00edcia para todos\/as n\u00f3s a partir dos pobres. Tamb\u00e9m parece estranho que Jesus tenha escolhido o momento em que era acolhido em uma refei\u00e7\u00e3o festiva de s\u00e1bado para proferir palavras t\u00e3o radicais e duras sobre as condi\u00e7\u00f5es pesadas para quem o queira seguir. Ele adverte que quem quiser segui-lo tem de renunciar a tudo e assumir com ele o caminho para a cruz para a doa\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o poderia haver ambiente mais estranho para tal tipo de chamado. Jesus era h\u00f3spede de uma casa na qual se comia bem e, durante a refei\u00e7\u00e3o, fala em sacrif\u00edcio e cruz. Talvez a rela\u00e7\u00e3o entre essas palavras de Jesus sobre o caminho da morte na cruz que o evangelho situa nesse contexto e a ceia festiva daquele s\u00e1bado na casa do fariseu seja a mesma que liga a sua \u00faltima ceia e a crucifix\u00e3o. Todos os evangelhos contam que, na semana da P\u00e1scoa, em Jerusal\u00e9m, Jesus sair\u00e1 diretamente da \u00faltima ceia com os seus disc\u00edpulos e disc\u00edpulas para a entrega da sua vida e a paix\u00e3o. Ent\u00e3o, j\u00e1 aqui Lucas quis ligar a ceia e o caminho para a morte na cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse evangelho, Jesus faz esse chamado aos disc\u00edpulos em um contexto no qual est\u00e1 falando a todo mundo (a multid\u00e3o da qual Lucas fala desde o cap\u00edtulo 12). O verso 25 diz: <em>Muita gente o seguia<\/em>. Como isso se deu no momento no qual, conforme o evangelho, Jesus se dedicava \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do seu grupo de disc\u00edpulos e disc\u00edpulas, isso quer dizer que as comunidades de Jesus n\u00e3o podem se separar do povo. N\u00e3o deve se distanciar da humanidade. O di\u00e1logo aberto e amoroso com a humanidade faz parte essencial da miss\u00e3o dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus. Hoje, devemos viver isso, &nbsp;principalmente, na inser\u00e7\u00e3o com os Movimentos Sociais e na luta pac\u00edfica pela paz, justi\u00e7a e defesa da Terra e da Vida. Um sinal dessa rela\u00e7\u00e3o que Jesus quer entre o seu grupo e o povo \u00e9 que suas palavras terminam falando do sal. No discurso da montanha, conforme o evangelho de Mateus, ele disse aos disc\u00edpulos: \u201cVoc\u00eas s\u00e3o o sal da terra\u201d (Mt 5, 13). Aqui, Ele insiste mais na fun\u00e7\u00e3o do sal na alimenta\u00e7\u00e3o: o sal dar sabor \u00e0 comida. Se o sal fica isolado, perde o sabor e a finalidade para a qual existe. O discipulado n\u00e3o pode se desligar da inser\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A tradu\u00e7\u00e3o atual dessas exig\u00eancias de Jesus n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Quando uma Igreja crist\u00e3 se liga ao poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico, o risco de persegui\u00e7\u00e3o por parte dos poderosos n\u00e3o existe. Por isso, quando a hierarquia religiosa, crist\u00e3 de qualquer Igreja, est\u00e1 ligada ao poder social e pol\u00edtico, essa palavra de Jesus sobre o caminho da cruz s\u00f3 pode ser interpretada como exig\u00eancia de ren\u00fancia individual, no plano moral e espiritualista. No entanto, o contexto do evangelho n\u00e3o era esse. Jesus n\u00e3o chama ningu\u00e9m para ser asceta ou uma esp\u00e9cie de faquir ou atleta no exerc\u00edcio espiritual. Ao dizer que quem quiser segui-lo tem de assumir a Cruz, Ele est\u00e1 simplesmente advertindo sobre o caminho que est\u00e1 fazendo e os riscos que qualquer pessoa que segui-lo tem de assumir. N\u00e3o porque goste de ver os seus disc\u00edpulos ou disc\u00edpulas sofrendo e sim porque o mundo no qual eles e elas devem cumprir a miss\u00e3o \u00e9 uma sociedade estruturada para ser hostil e violenta. Nesse mundo em que vivemos, testemunhar o projeto divino \u00e9 arriscar-se, \u00e9 andar na contram\u00e3o da ideologia dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 50 anos, na Am\u00e9rica Latina, muitos crist\u00e3os e crist\u00e3s sofreram torturas e muitos foram assassinados por testemunharem o evangelho se inserindo e se solidarizando com os Movimentos Populares e com a caminhada da liberta\u00e7\u00e3o dos povos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 quando a Igreja opta prioritariamente (n\u00e3o s\u00f3 preferencialmente) pelas comunidades ind\u00edgenas, pelos grupos afrodescendentes, pelos direitos das mulheres e de todas as v\u00edtimas da sociedade \u00e9 que essa palavra de Jesus ganha de novo atualidade e sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando algu\u00e9m se insere na radicalidade do testemunho do reino divino e, al\u00e9m da solidariedade amorosa ao povo oprimido, confronta os poderes opressores, est\u00e1 se candidatando ao mart\u00edrio e,&nbsp; al\u00e9m de si mesmo\/a, compromete tamb\u00e9m as outras pessoas que seguem o mesmo caminho. Por isso, fica mais dif\u00edcil dar o passo decisivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse evangelho, Jesus nos ensina que tomar a cruz \u00e9 tamb\u00e9m aceitar transformar o seu modo de viver as rela\u00e7\u00f5es com as pessoas que amamos. A pessoa que assume o caminho do discipulado de Jesus tem de se libertar dos la\u00e7os que a prendem \u00e0s pessoas e \u00e0s coisas. N\u00e3o se trata de n\u00e3o amar, ou de amar menos pai, m\u00e3e, filhos, irm\u00e3os. Trata-se de amar de outra forma. Amar a partir do amor de Jesus como ele amou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito significativo que escutemos esse evangelho neste dia 7 de setembro, no qual comemoramos o dia da p\u00e1tria com o 31\u00ba Grito dos Exclu\u00eddos e Exclu\u00eddas com o tema \u201cCuidar da Casa Comum e da Democracia \u00e9 a luta de todo dia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa palavra de Jesus se traduz, hoje, na proposta de formarmos uma frente \u00fanica pela Vida (humana e do planeta). Esse projeto vai al\u00e9m das Igrejas e se expressa em propostas que fazem parte do caminho do Bem Viver: &#8211; no meio das lutas e das dores, suportadas na resist\u00eancia, priorizar a Vida e os direitos c\u00f3smicos que abrangem os humanos e todos os seres vivos. Para isso, precisamos come\u00e7ar por n\u00f3s mesmos, o esfor\u00e7o de escutar o\/a outro\/a e, no di\u00e1logo, ir buscando o consenso e encontrar a complementariedade nas diferen\u00e7as, acolhidas e valorizadas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No texto do Evangelho de Lucas, Jesus faz ainda duas compara\u00e7\u00f5es. A da constru\u00e7\u00e3o iniciada e da batalha a ser enfrentada. Ambas dizem: o disc\u00edpulo ou disc\u00edpula n\u00e3o pode se comprometer, sem antes se preparar. N\u00e3o pode ser imprevidente. Os profetas e profetizas t\u00eam de saber bem a que se arriscam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quem conhece um pouco mais a realidade latino-americana e acompanha a reorganiza\u00e7\u00e3o dos movimentos ind\u00edgenas, assim como em v\u00e1rias regi\u00f5es o fortalecimento da luta dos quilombolas e das mulheres por sua liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode deixar de ver que existem profetas e profetizas, dentro e fora das comunidades eclesiais. A profecia continua se exercendo em eventos como O Grito dos Exclu\u00eddos&nbsp; e Exclu\u00eddas, as lutas sociais como a do MST, dos Povos e Comunidades Tradicionais e a dos movimentos ind\u00edgenas e negros, assim como tamb\u00e9m se d\u00e1 na busca da palavra divina no cotidiano da vida. A vida em primeiro lugar!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Parte superior do formul\u00e1rio<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Parte inferior do formul\u00e1rio<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ordem E Progresso<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Autoria: Z\u00e9 Pinto. Grava\u00e7\u00e3o de Beth Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Esse \u00e9 o nosso pa\u00eds<br>Essa \u00e9 a nossa bandeira<br>\u00c9 por amor a essa p\u00e1tria Brasil<br>Que a gente segue em fileira<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Queremos que abrace essa terra<br>Por ela quem sente paix\u00e3o<br>Quem p\u00f5e com carinho a semente<br>Pra alimentar a na\u00e7\u00e3o<br>Quem p\u00f5e com carinho a semente<br>Pra alimentar a na\u00e7\u00e3o<br>Amarelos s\u00e3o os campos floridos<br>As faces agora rosadas<br>Se o branco da paz se irradia<br>Vit\u00f3ria das m\u00e3os calejadas<br>Se o branco da paz se irradia<br>Vit\u00f3ria das m\u00e3os calejadas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Esse \u00e9 o nosso pa\u00eds&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Queremos mais felicidades<br>No c\u00e9u deste olhar cor de anil<br>No verde esperan\u00e7a sem fogo<br>Bandeira que o povo assumiu<br>No verde esperan\u00e7a sem fogo<br>Bandeira que o povo assumiu<br>A ordem \u00e9 ningu\u00e9m passar fome<br>Progresso \u00e9 o povo feliz<br>A Reforma Agr\u00e1ria \u00e9 a volta<br>Do agricultor \u00e0 raiz<br>A Reforma Agr\u00e1ria \u00e9 a volta<br>Do agricultor \u00e0 raiz<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Esse \u00e9 o nosso pa\u00eds&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lc 14,25-33: SEGUIMENTO DE JESUS NOS CAMINHOS DO BEM-VIVER. EV. P\/ AL\u00c9M DE TEMPLOS. Marcelo e Darlan<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/nccja6NhVLw\">https:\/\/www.youtube.com\/live\/nccja6NhVLw<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lc 14,25-33: O SEGUIMENTO DE JESUS NOS CAMINHOS DO BEM-VIVER (Texto e V\u00eddeo) \u2013 Por Marcelo Barros Quando lemos o texto que o lecion\u00e1rio nos prop\u00f5e nesse 23\u00ba domingo comum C (Lucas 14, 25 \u2013<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14706,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,44,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-14705","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-memoria","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14705"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14705\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14707,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14705\/revisions\/14707"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14706"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}