{"id":14837,"date":"2025-10-22T11:44:14","date_gmt":"2025-10-22T14:44:14","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14837"},"modified":"2025-10-22T11:45:35","modified_gmt":"2025-10-22T14:45:35","slug":"deus-abraca-o-publicano-e-repudia-o-fariseu-lc-189-14-religiao-que-liberta-por-frei-gilvander","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/deus-abraca-o-publicano-e-repudia-o-fariseu-lc-189-14-religiao-que-liberta-por-frei-gilvander\/","title":{"rendered":"DEUS ABRA\u00c7A O PUBLICANO E REPUDIA O FARISEU (Lc 18,9-14): RELIGI\u00c3O QUE LIBERTA. Por frei Gilvander"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>DEUS ABRA\u00c7A O PUBLICANO E REPUDIA O FARISEU (Lc 18,9-14): RELIGI\u00c3O QUE LIBERTA<\/strong>. Por frei Gilvander Moreira<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/images.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14838\" width=\"703\" height=\"878\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A texto de Lc 18,9-14, exclusivo do Evangelho de Lucas e parte da longa viagem a Jerusal\u00e9m (Lc 9,51-21,27), \u00e9 comumente chamada \u201ca par\u00e1bola do fariseu e do publicano\u201d. Cont\u00e9m: uma introdu\u00e7\u00e3o do evangelista Lucas, que procura mostrar o porqu\u00ea da par\u00e1bola (Lc 18,9); a par\u00e1bola (Lc 18,10-13) e a conclus\u00e3o de Jesus (Lc 18,14).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jesus desmascara a falsa postura religiosa (Lc 18,9). <\/strong>A par\u00e1bola tem duas finalidades: por um lado, desmascara a falsa postura religiosa de alguns que, convencidos de serem justos, desprezavam os outros (Lc 18,9); por outro lado, visa ensinar aos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas o aut\u00eantico relacionamento com Deus e com o pr\u00f3ximo. Os convencidos de serem justos se identificam com os fariseus, cujo comportamento foi muitas vezes condenado por Jesus. No Evangelho de Lucas, e somente nele (cf. Lc 16,14), os fariseus (palavra que significa \u201cseparados\u201d) s\u00e3o chamados de \u201camigos do dinheiro\u201d. Ou seja, s\u00e3o os que mant\u00eam e defendem, com ideologia e com palavras, com rela\u00e7\u00f5es de interesse (Lc 14,12-14) e com a religi\u00e3o do puro e do impuro (Lc 11,41) o sistema desigual e excludente das cidades, fundado na concentra\u00e7\u00e3o de bens em poder de poucas pessoas. Os fariseus op\u00f5em-se a Jesus e sua pr\u00e1tica, claramente favor\u00e1veis \u00e0 partilha e \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o do puro x impuro (veja, por exemplo, Lc 15,1-2).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ningu\u00e9m se justifica diante de Deus, que n\u00e3o \u00e9 compr\u00e1vel (Lc 18,10-13). <\/strong>A par\u00e1bola contrap\u00f5e dois modos de ser e de agir, um fariseu e um publicano, que v\u00e3o ao Templo para rezar\/orar (Lc 18,10). Ambos buscam entrar em comunh\u00e3o com Deus mediante a ora\u00e7\u00e3o. Entre os dois h\u00e1 um estridente contraste, seja quanto ao comportamento, seja quanto \u00e0 id\u00e9ia de religi\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m a id\u00e9ia de Deus que cada um deles possui \u00e9 diferente e n\u00e3o concili\u00e1vel. Uma \u00e9 falsa, e a outra verdadeira. \u00c0 primeira vista, tem-se a impress\u00e3o de que o fariseu esteja certo e o publicano errado. Mas a decis\u00e3o cabe a Jesus. O fariseu n\u00e3o pode ser juiz do publicano. Os fariseus se consideravam justos perante Deus. Acreditavam-se aut\u00eanticos e puros. A pr\u00f3pria palavra fariseu (= \u201cseparado\u201d) denota a consci\u00eancia que tinham e o rigor por eles usado na observ\u00e2ncia e aplica\u00e7\u00e3o da Lei de Mois\u00e9s. Desprezavam os que n\u00e3o conheciam a Lei e os que n\u00e3o fossem \u2013 como eles \u2013 escrupulosos em observ\u00e1-la nas min\u00facias. Julgavam-se aqueles que aplicavam autenticamente a Lei.<\/p>\n\n\n\n<p>O fariseu da par\u00e1bola denota a consci\u00eancia e a escrupulosidade do movimento ao qual pertence. Tem consci\u00eancia de n\u00e3o ser como o resto das pessoas, e por isso se dirige a Deus com altivez, rezando em voz alta, de p\u00e9, enumerando suas qualidades. Essas qualidades se caracterizam pelo n\u00e3o ser como os demais e pelo fazer escrupulosamente mais do que a Lei exigia. Ele n\u00e3o \u00e9 como os outros. E passa a catalogar os pecados que evita: os outros s\u00e3o ladr\u00f5es, injustos e ad\u00falteros. Esses tr\u00eas pecados sintetizam a transgress\u00e3o do Dec\u00e1logo em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo: n\u00e3o roube, n\u00e3o cometa adult\u00e9rio etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, enumera o que faz escrupulosamente: jejua duas vezes por semana. A Lei prescrevia um s\u00f3 jejum por ano, no dia da reconcilia\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 incrivelmente generoso, indo muito al\u00e9m do prescrito, provavelmente jejuando em representa\u00e7\u00e3o-substitui\u00e7\u00e3o pelos pecados do povo (\u00e9, como se dizia, uma \u201calma reparadora\u201d). Al\u00e9m disso, paga o d\u00edzimo de todos os seus rendimentos, inclusive dos que fossem isentos de taxas dizimais. Trata-se, pois, de fariseu exemplar, \u00edntegro em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo e a Deus. Contudo, seu erro consiste em se julgar, por causa disso, merecedor da benevol\u00eancia divina. Deus estaria sendo obrigado a reconhec\u00ea-lo justo. N\u00e3o \u00e9 por m\u00e9rito que se encontra o Deus da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O publicano \u00e9 o oposto do fariseu. Sendo cobradores de impostos, os publicanos eram, e com raz\u00e3o, acusados de extors\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o. Por isso, tornaram-se impopulares, odiados como pessoas de moral pervertida. Enquanto cobradores de taxas, eram agentes do governo imperialista e ganancioso dos romanos. Colaboracionistas com os opressores, via-se neles a encarna\u00e7\u00e3o do pecado. Havia pelo menos duas classes de cobradores de impostos: os chefes (como Zaqueu, cf. Lc 19,1-10) e os subordinados. Os chefes praticavam a extors\u00e3o sobre seus comandados, e estes exploravam o povo. Os chefes eram ricos; os subordinados, remediados. Ambas as classes, malvistas, por serem colaboradoras do imperialismo romano, que era escravocrata.<\/p>\n\n\n\n<p>A atitude do publicano diante de Deus choca-se frontalmente com a do fariseu. Reconhece-se pecador, n\u00e3o tem coragem de levantar os olhos, bate no peito e pede piedade (Lc 18,13). <strong>O pecador encontra a miseric\u00f3rdia divina (Lc 18,14). <\/strong>A conclus\u00e3o de Jesus mostra que o publicano voltou para casa perdoado (justificado), e n\u00e3o o fariseu, que se propunha como modelo de religioso a ser seguido (Lc 18,14). Os fariseus se julgavam os primeiros (ou seja, os \u00fanicos, os \u201cseparados\u201d) a serem recompensados por sua religiosidade e escrupulosidade em cumprir os m\u00ednimos detalhes da Lei. E julgavam os publicanos os \u00faltimos (ou seja, os exclu\u00eddos), para os quais n\u00e3o havia esperan\u00e7a nem salva\u00e7\u00e3o. A conclus\u00e3o de Jesus subverte essa mentalidade: o que se exalta (o fariseu) ser\u00e1 humilhado (por Deus); o que se humilha (o publicano) ser\u00e1 exaltado (por Deus). Como n\u00e3o reconhecer aqui um eco do Magnificat, o C\u00e2ntico de Maria, que profetiza: <em>\u201cDeus dispersa os soberbos de cora\u00e7\u00e3o, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes\u201d?<\/em> (Lc 1,51-52).<\/p>\n\n\n\n<p>A ora\u00e7\u00e3o do fariseu \u00e9 inaut\u00eantica pelos seguintes motivos:<\/p>\n\n\n\n<p>1) Por causa do rigor na aplica\u00e7\u00e3o da Lei \u2013 indo muito al\u00e9m do que ela prescrevia \u2013 ele cr\u00ea que Deus se sinta mais que obrigado a recompens\u00e1-lo. Mas Deus n\u00e3o se sente obrigado, porque a ora\u00e7\u00e3o do fariseu era pura exalta\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias qualidades. E, no fundo, acobertava sua gan\u00e2ncia de \u201camigo do dinheiro\u201d (Lc 16,14). Muitas vezes, uma pessoa que se enriqueceu explorando os pobres, por ser religiosa sente que Deus a aben\u00e7oou e que por isso ela se enriqueceu. Assim, a f\u00e9 da pessoa encobre as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o que viabilizaram o enriquecimento dela. Ela se sente uma santa e bendita e, pior, o pobre, o que n\u00e3o se enricou, \u00e9 taxado como um vagabundo e incompetente.<\/p>\n\n\n\n<p>2) \u00c9 inaut\u00eantica porque cria classes entre as pessoas, duvidando que a ora\u00e7\u00e3o do publicano possa redimir o passado de injusti\u00e7as. Com sua ora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de exaltar a si pr\u00f3prio, cria a id\u00e9ia de um deus feito \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, incapaz de transformar totalmente a vida da pessoa pecadora.<\/p>\n\n\n\n<p>3) \u00c9 inaut\u00eantica porque n\u00e3o deixa margem para a gratuidade. Rezar \u00e9 acolher o dom de Deus, oferecido gratuitamente em Jesus. Este veio ao mundo n\u00e3o por causa da bondade dos fariseus, mas porque Deus \u00e9 amoroso e bom (cf. Mc 10,18). Rezar n\u00e3o viabiliza troca de favores; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 p\u00f4r-se na atitude de quem est\u00e1 disposto a se humanizar buscando o mist\u00e9rio de Deus, que \u00e9 infinito amor. O fariseu n\u00e3o tem nada a pedir. Julga-se, portanto, perfeito. O fariseu ignora o que Jesus Cristo nos ensina na ora\u00e7\u00e3o do Pai-nosso (Lc 11,2-4).<\/p>\n\n\n\n<p>A ora\u00e7\u00e3o do publicano \u00e9 aut\u00eantica, pois nasce da sua humildade e condi\u00e7\u00e3o de pecador. Sabe-se devedor a Deus e \u00e0s pessoas. Reconhece que, se n\u00e3o houver um Deus misericordioso, seu caso n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o nem salva\u00e7\u00e3o. Assim ele mergulha no mist\u00e9rio de Deus, que n\u00e3o quer a morte do pecador, mas sim que se converta e viva (cf. Ez 18,23; Lc 15,7; Jo 8,11).<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, ao abra\u00e7ar o publicano no seu jeito de orar, Jesus aponta o jeito libertador que se espera de uma pessoa religiosa: que n\u00e3o se exalte no sentido de ser merecedora de reconhecimento por pretensos m\u00e9ritos, mas que conviva na humildade buscando ser a cada dia express\u00e3o de&nbsp; uma \u00e9tica amorosa. Um ensinamento fundamentalista e moralista leva a um jeito de orar farisaico. Por outro lado, quem est\u00e1 mergulhado nas rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais buscando ser pessoa \u00e9tica, justa e solid\u00e1ria com todas as pessoas e com toda a biodiversidade pode orar acolhendo o amor de Deus que nos envolve e nos inspira \u00e0 pr\u00e1tica de um humanismo que nos dignifica a cada dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A postura humana de muitas pessoas consideradas profanas agrada muito mais a Deus do que a postura de muitas pessoas religiosas, arraigadas em pr\u00e1ticas religiosas auto-referenciais, mas que s\u00e3o r\u00edspidas e ranzinzas nas&nbsp; rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na &#8220;par\u00e1bola do fariseu e do publicano&#8221;, Jesus nos mostra que a ora\u00e7\u00e3o diz respeito ao nosso modo de ser e viver, \u00e0 nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus, com n\u00f3s mesmos, com os outros seres humanos e toda a biodiversidade. Jesus nos ensina que nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 sermos humanos, o que n\u00e3o deixa espa\u00e7o para soberba, vaidade, poder. Deus acolhe quem tem a coragem de se reconhecer pecador e busca, com sinceridade, a liberta\u00e7\u00e3o, confiante no amor misericordioso de Deus, com a firme disposi\u00e7\u00e3o de se transformar, de mudar de vida para ser mais humano a cada dia.&nbsp;Que a gente tenha a humildade e a coragem de ser mais humano\/a e menos arrogante!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela FAE\/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP\/SP; mestre em Exegese B\u00edblica pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico, em Roma, It\u00e1lia; assessor da CPT, CEBI e Ocupa\u00e7\u00f5es Urbanas; autor de livros e artigos. E-mail:&nbsp;<a href=\"mailto:gilvanderlm@gmail.com\">gilvanderlm@gmail.com<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.gilvander.org.br\/\">www.gilvander.org.br<\/a>&nbsp;\u2013&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.freigilvander.blogspot.com.br\/\">www.freigilvander.blogspot.com.br<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Canal no You Tube:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@freigilvander\">https:\/\/www.youtube.com\/@freigilvander<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2013&nbsp;&nbsp; &nbsp;No instagram: @gilvanderluismoreira \u2013&nbsp;Facebook: Gilvander Moreira III \u2013 No&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@frei.gilvander.moreira\">https:\/\/www.tiktok.com\/@frei.gilvander.moreira<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DEUS ABRA\u00c7A O PUBLICANO E REPUDIA O FARISEU (Lc 18,9-14): RELIGI\u00c3O QUE LIBERTA. 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