{"id":14866,"date":"2025-11-15T08:02:27","date_gmt":"2025-11-15T11:02:27","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14866"},"modified":"2025-11-15T08:13:13","modified_gmt":"2025-11-15T11:13:13","slug":"14866-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/14866-2\/","title":{"rendered":"\u201cQUANDO O DIA DA PAZ RENASCER\u201d: DIA MUNDIAL DOS POBRES (Lc 21,5-19) &#8211; Por\u00a0 Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>\u201cQUANDO O DIA DA PAZ RENASCER\u201d: DIA MUNDIAL DOS POBRES (Lc 21,5-19)<\/strong> &#8211; Por&nbsp; Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/maxresdefault-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14867\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/maxresdefault-300x169.jpg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/maxresdefault-768x432.jpg 768w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/maxresdefault.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Neste domingo, o evangelho que meditamos conta o discurso de Jesus sobre aquilo que as pessoas costumam chamar de fim do mundo ou fim da hist\u00f3ria. Nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, Jesus conclui o an\u00fancio da vinda do reinado divino por um discurso no qual se misturam refer\u00eancias \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da cidade de Jerusal\u00e9m e do seu templo pelo ex\u00e9rcito do imp\u00e9rio romano e, a partir da\u00ed, o an\u00fancio do fim da hist\u00f3ria e dos tempos. Nos evangelhos de Mateus e Marcos, Jesus teria dito essas palavras no Monte das Oliveiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o Evangelho de Lucas, Jesus est\u00e1 no \u00e1trio do templo com os disc\u00edpulos. Contempla as belas pedras da constru\u00e7\u00e3o do templo e faz esse an\u00fancio, no qual aparecem como tr\u00eas momentos ou etapas da hist\u00f3ria: 1\u00ba &#8211; a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, 2\u00ba &#8211; o tempo da miss\u00e3o das comunidades e 3\u00ba &#8211; a vinda do Filho do Homem que manifestar\u00e1 a plenitude do reinado divino no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira insist\u00eancia da palavra de Jesus \u00e9 que a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pode parecer o fim de tudo, mas n\u00e3o \u00e9. Ao contr\u00e1rio, mesmo sem o templo, a alian\u00e7a divina tomaria outra forma de ser vivida. Esse tempo da miss\u00e3o \u00e9 o que estamos vivendo agora e \u00e9 tempo de perseveran\u00e7a e de espera.<\/p>\n\n\n\n<p>Se as primeiras comunidades crist\u00e3s interpretavam a Palavra de Deus como se o final da hist\u00f3ria fosse imediato, a gera\u00e7\u00e3o que veio depois e da qual o Evangelho de Lucas \u00e9 testemunha, compreendeu a verdade do que o evangelho de hoje diz: \u201c<em>\u00e9 preciso que essas coisas aconte\u00e7am, mas isso n\u00e3o ser\u00e1 ainda o fim\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O evangelho alude a conflitos pol\u00edticos e guerras e diz que os crist\u00e3os dever\u00e3o estar metidos nessa realidade. Se os crist\u00e3os achassem que o reino de Deus j\u00e1 vem e por isso n\u00e3o devessem ligar para o que acontece no mundo, n\u00e3o haveria motivo para serem perseguidos. Se a f\u00e9 crist\u00e3 fosse para ser vivida como espiritualidade intimista e apenas voltada para as coisas do c\u00e9u, n\u00e3o incomodaria ningu\u00e9m. No entanto, Jesus deixa claro: \u201c<em>eles vos perseguir\u00e3o, vos levar\u00e3o \u00e0s sinagogas e \u00e0s pris\u00f5es&#8230;\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se o tempo \u00e9 de persegui\u00e7\u00e3o, \u00e9 sinal de que a f\u00e9 deve ser profecia e vai sempre incomodar a poderosos. A f\u00e9 crist\u00e3 e o testemunho de Jesus n\u00e3o podem ser vividos como se n\u00f3s j\u00e1 estiv\u00e9ssemos todos e todas com um p\u00e9 na terra e outro no c\u00e9u e o que est\u00e1 acontecendo no mundo n\u00e3o nos dissesse respeito. Em nome da f\u00e9, n\u00e3o \u00e9 correto os crist\u00e3os se descomprometerem com a pol\u00edtica e a realidade do mundo. E Jesus conclui o seu discurso dizendo: \u00e9 pela perseveran\u00e7a que voc\u00eas ser\u00e3o salvos\/as.<\/p>\n\n\n\n<p>O que significa essa perseveran\u00e7a hoje? Perseveran\u00e7a em que e como? Na caminhada do reino de Deus, no testemunho do mundo novo que, em nome da vida, queremos e na esperan\u00e7a na qual a f\u00e9 nos confirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00fasica \u201cUtopia\u201d, composta por Z\u00e9 Vicente e t\u00e3o querida das comunidades, come\u00e7a dizendo: \u201cQuando o dia da Paz renascer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, quanto mais o tempo atual \u00e9 dif\u00edcil e a realidade das comunidades \u00e9 sofrida, mais se torna urgente e fundamental cantar e proclamar a esperan\u00e7a mais profunda que nos move: a utopia de um mundo novo poss\u00edvel. \u00c9 claro que para quem est\u00e1 lucrando com a realidade atual e tem interesse de que essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mude, qualquer promessa de mudan\u00e7a se torna amea\u00e7a. O fim da realidade atual parece o fim do mundo. Mas fim de qual mundo?<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ocorreu com as comunidades crist\u00e3s das \u00faltimas d\u00e9cadas do primeiro s\u00e9culo da era crist\u00e3. Na B\u00edblia e nas sinagogas, se aprendia que Jerusal\u00e9m e o seu templo eram sinais e garantias da prote\u00e7\u00e3o divina ao \u201cpovo eleito\u201d, que n\u00e3o se trata de um povo exclusivo, uma etnia, mas s\u00e3o todas as pessoas injusti\u00e7adas de todas as culturas. Deus tinha selado um compromisso de alian\u00e7a com Israel e nunca iria falhar. Como compreender, ent\u00e3o, que, nos anos 70 do primeiro s\u00e9culo, o ex\u00e9rcito romano invadiu Jerusal\u00e9m e depois de um cerco cruel, destruiu a cidade e o templo?<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00e3o desanimar na f\u00e9 e para tentar discernir o que Deus queria dizer com isso, as comunidades crist\u00e3s procuraram lembrar as palavras que, nos seus \u00faltimos dias antes da paix\u00e3o, Jesus teria dito sobre o que iria acontecer e como os disc\u00edpulos e disc\u00edpulas deveriam ler a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na It\u00e1lia, Marco Campedelli, presb\u00edtero, poeta e escritor, afirma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cC\u00e9us abalados, epidemias e guerras: a linguagem apocal\u00edptica usada no evangelho parece em parte a descri\u00e7\u00e3o do tempo presente: pelo mundo se multiplicam guerras, a natureza \u00e9 violentada pela prepot\u00eancia humana. Lucas valoriza a hist\u00f3ria, a comunidade e a inser\u00e7\u00e3o no mundo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se voc\u00ea quer ter paz no c\u00e9u, comece por desarmar as m\u00e3os nas trincheiras da terra, se quer um c\u00e9u sem hierarquias, comece a abolir os degraus que distanciam as pessoas. (&#8230;) A revolu\u00e7\u00e3o celeste nasce da revolu\u00e7\u00e3o terrestre. (&#8230;) Pasolini escreveu que toda verdadeira revolu\u00e7\u00e3o nasce de uma renova\u00e7\u00e3o interior\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse domingo, o papa Francisco instituiu \u201co Dia Mundial dos Pobres\u201d e, anualmente, ele e celebrado em todo o mundo. N\u00e3o \u00e9 apenas para falar de pobreza e sim para testemunharmos a esperan\u00e7a do reinado divino no mundo atrav\u00e9s da solidariedade concreta \u00e0s pessoas que, por sua pobreza e fragilidade, parecem invis\u00edveis em nossa sociedade. Se a revolu\u00e7\u00e3o celeste nasce da revolu\u00e7\u00e3o terrestre, essa tem como ponto de partida e como eixo fundamental o cuidado com os mais fr\u00e1geis da sociedade: o nosso amor e inser\u00e7\u00e3o junto aos pobres, pequeninos de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Utopia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Z\u00e9 Vicente<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando o dia da paz renascer<br>Quando o Sol da esperan\u00e7a brilhar<br>Eu vou cantar<br>Quando o povo nas ruas sorrir<br>E a roseira de novo florir<br>Eu vou cantar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando as cercas ca\u00edrem no ch\u00e3o<br>Quando as mesas se encherem de p\u00e3o<br>Eu vou sonhar<br>Quando os muros que cercam os jardins<br>Destru\u00eddos, ent\u00e3o os jasmins<br>V\u00e3o perfumar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Vai ser t\u00e3o bonito se ouvir a can\u00e7\u00e3o<br>Cantada de novo<br>No olhar da gente, a certeza do irm\u00e3o<br>Reinado do povo<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando as armas da destrui\u00e7\u00e3o<br>Destru\u00eddas em cada na\u00e7\u00e3o<br>Eu vou sonhar<br>E o decreto que encerra a opress\u00e3o<br>Assinado s\u00f3 no cora\u00e7\u00e3o<br>Vai triunfar<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando a voz da verdade se ouvir<br>E a mentira n\u00e3o mais existir<br>Ser\u00e1, enfim<br>Tempo novo, de eterna justi\u00e7a<br>Sem mais \u00f3dio, sem sangue ou cobi\u00e7a<br>Vai ser assim<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Vai ser t\u00e3o bonito<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQUANDO O DIA DA PAZ RENASCER\u201d: DIA MUNDIAL DOS POBRES (Lc 21,5-19) &#8211; Por&nbsp; Marcelo Barros Neste domingo, o evangelho que meditamos conta o discurso de Jesus sobre aquilo que as pessoas costumam chamar de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14867,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-14866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14866"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14866\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14869,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14866\/revisions\/14869"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}