{"id":14877,"date":"2025-11-22T09:46:52","date_gmt":"2025-11-22T12:46:52","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14877"},"modified":"2025-11-23T07:05:21","modified_gmt":"2025-11-23T10:05:21","slug":"refazer-hoje-o-pacto-das-catacumbas-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/refazer-hoje-o-pacto-das-catacumbas-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"REFAZER, HOJE, O PACTO DAS CATACUMBAS &#8211; Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>REFAZER, HOJE, O PACTO DAS CATACUMBAS<\/strong> &#8211; Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/images-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14878\" width=\"782\" height=\"519\"\/><figcaption>Marcelo Barros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Cada 16 de novembro recorda um acontecimento fundamental para as Igrejas crist\u00e3s e para o mundo. Nessa data, em 1965, em Roma, durante o \u00faltimo per\u00edodo de sess\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II, 42 bispos cat\u00f3licos de diferentes pa\u00edses e continentes se encontraram para assinar um compromisso p\u00fablico fundamental para a inser\u00e7\u00e3o amorosa da Igreja junto \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais empobrecidas. Atrav\u00e9s daquele documento, os bispos decidiam renunciar a t\u00edtulos honor\u00edficos como \u201cpr\u00edncipes da Igreja\u201d e a s\u00edmbolos de nobreza, como pal\u00e1cio episcopal, cruz e anel de ouro, ou metal precioso. Alguns arcebispos tinham at\u00e9 trono.&nbsp; Assumiram, ent\u00e3o, o compromisso de simplicidade e sobriedade no modo de morar, de vestir e de viver. Como servidores do Evangelho, testemunhavam que, por voca\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, a Igreja de Cristo deve ser, prioritariamente, Igreja de pobres e para pobres. Para assumir e assinar esse documento, aqueles 42 bispos se reuniram nas Catacumbas de Domitila, em Roma. Era um local simb\u00f3lico, porque, ali, nos primeiros s\u00e9culos, junto aos t\u00famulos de irm\u00e3os e irm\u00e3s, m\u00e1rtires da f\u00e9, a comunidade crist\u00e3 de Roma celebrava o louvor de Deus e vivia a comunh\u00e3o. Por isso, esse documento se tornou conhecido como \u201c<em>Pacto das Catacumbas<\/em>\u201d. &nbsp;Nos dias seguintes, mais de 500 outros bispos de todo o mundo assinaram o documento e assumiram o mesmo compromisso<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No episcopado cat\u00f3lico brasileiro, depois do Conc\u00edlio Vaticano II, esse novo modo de compreender a miss\u00e3o eclesial e de viver o minist\u00e9rio pastoral foi vivido por homens como Helder Camara, Ant\u00f4nio Fragoso, Jorge Marcos, Marcos Noronha, Jos\u00e9 Maria Pires e mais tarde, Tom\u00e1s Baldu\u00edno, Pedro Casald\u00e1liga, Jos\u00e9 Gomes, Jos\u00e9 Rodrigues, Paulo Evaristo Alves e v\u00e1rios outros pastores profetas. Mesmo sem a mesma visibilidade, houve movimento semelhante entre alguns pastores evang\u00e9licos brasileiros e latino-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, durante o S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia no Vaticano, um grupo de bispos, padres, mission\u00e1rios e mission\u00e1rias leigas, ministros e ministras de outras Igrejas crist\u00e3s e tamb\u00e9m representantes de povos origin\u00e1rios se reuniram de novo, nas Catacumbas de Domitila. Ali renovaram o compromisso do Pacto das Catacumbas e o atualizaram em um documento que se chamou: <em>Pacto das Catacumbas pela Casa Comum&#8221;. <\/em>Em 15 pontos que atualizam o chamado \u00e0 pobreza evang\u00e9lica e \u00e0 defesa da vida e da casa comum, essa nova vers\u00e3o do Pacto focou na defesa da Amaz\u00f4nia, no cuidado com a M\u00e3e-Terra e na solidariedade aos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa iniciativa, em algumas Igrejas locais, grupos ecum\u00eanicos laicos se constitu\u00edram como grupos da renova\u00e7\u00e3o do Pacto.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca do primeiro pacto, o compromisso com os irm\u00e3os e irm\u00e3s pobres se compreendia como caminho asc\u00e9tico de ren\u00fancia ao conforto e busca de comunh\u00e3o com os empobrecidos e empobrecidas do mundo. J\u00e1 em tempos anteriores ao Vaticano II, em alguns pa\u00edses, surgiu o movimento dos padres oper\u00e1rios. Depois do Conc\u00edlio, muitos irm\u00e3s e irm\u00e3os religiosos(as) optaram por morar nas periferias e viver junto \u00e0s pessoas mais empobrecidas. Tamb\u00e9m alguns grupos de jovens seguiram este caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos dias, as pessoas pobres n\u00e3o s\u00e3o apenas indiv\u00edduos. S\u00e3o coletivos que o m\u00e1rtir salvadorenho Ignacio Ellacur\u00eda chamava de \u201cpovos crucificados. Por isso, hoje, o Pacto das Catacumbas n\u00e3o pode mais ser apenas de comunh\u00e3o e proximidade. \u00c9 urgente fazer os povos crucificados descerem da cruz. A Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o nos ensinou: \u201c<em>Com os pobres, mas contra a pobreza injusta<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, a solidariedade aos povos empobrecidos (op\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 preferencial, mas priorit\u00e1ria) continua necess\u00e1ria, mas \u00e9 preciso mais. Temos de atacar as ra\u00edzes do problema: as causas estruturais da pobreza no mundo. Se n\u00e3o lutarmos contra as estruturas sociais e pol\u00edticas que criam e alimentam os diversos rostos que a pobreza toma, agimos como algu\u00e9m que quisesse enxugar uma sala molhada, sem antes fechar a torneira. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o come\u00e7o do seu minist\u00e9rio, em 2013, o saudoso Papa Francisco prop\u00f4s que a Igreja se colocasse \u201c<em>em sa\u00edda, ao encontro das periferias do mundo\u201d.<\/em> Concretamente, Francisco provocou encontros mundiais de representantes de movimentos populares de todo o mundo e prop\u00f4s como meta da luta contra a pobreza o direito universal aos tr\u00eas T: terra, trabalho e teto.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 2025, 16 de novembro coincide com o 33\u00ba Domingo comum do ano, no qual, pela nona vez, a Igreja Cat\u00f3lica celebra o Dia Mundial dos Pobres. Neste ano, o tema proposto \u00e9 \u201cTu \u00e9s a minha esperan\u00e7a&#8221; (Sl 71,5).<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o aumento descomunal da pobreza no mundo, as discrimina\u00e7\u00f5es sociais e a persegui\u00e7\u00e3o violenta que migrantes e estrangeiros sofrem nos mais diversos pa\u00edses, assim como a prolifera\u00e7\u00e3o de guerras e conflitos tornam urgente esse chamado. O olhar sobre a realidade, por mais necess\u00e1rio que seja, pode ser desmobilizador e os diagn\u00f3sticos, pessimistas. A esperan\u00e7a s\u00f3 pode vir da confian\u00e7a da f\u00e9. Podemos dizer \u201cTu \u00e9s a nossa esperan\u00e7a\u201d. Concretamente, o Esp\u00edrito de Amor, no qual esperamos suscita a resist\u00eancia das comunidades origin\u00e1rias, dos grupos afrodescendentes e dos movimentos populares. Quanto mais dificuldades e obst\u00e1culos se agravam, mais expressam alegria e resist\u00eancia amorosa. Assim, o amor vence a indiferen\u00e7a e a vida vence a morte. Dom Helder Camara repetia sempre: <em>\u201cQuanto mais escura \u00e9 a noite, mais bela e fulgurante ser\u00e1 a aurora\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> &#8211; Cf. BEOZZO, <strong>Pacto das Catacumbas<\/strong>. <em>Por uma Igreja servidora e pobre. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REFAZER, HOJE, O PACTO DAS CATACUMBAS &#8211; Por Marcelo Barros Cada 16 de novembro recorda um acontecimento fundamental para as Igrejas crist\u00e3s e para o mundo. 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