{"id":14880,"date":"2025-11-23T07:07:50","date_gmt":"2025-11-23T10:07:50","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14880"},"modified":"2025-11-23T07:07:55","modified_gmt":"2025-11-23T10:07:55","slug":"declaracao-da-cupula-dos-povos-rumo-a-cop30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/declaracao-da-cupula-dos-povos-rumo-a-cop30\/","title":{"rendered":"DECLARA\u00c7\u00c3O DA C\u00daPULA DOS POVOS RUMO A COP30"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>DECLARA\u00c7\u00c3O DA C\u00daPULA DOS POVOS RUMO A COP30<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/systemuploadsnews3e5074b9f5b4d67a2d3-320x210xfit-5aecb.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14881\" width=\"781\" height=\"513\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/systemuploadsnews3e5074b9f5b4d67a2d3-320x210xfit-5aecb.jpeg 320w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/systemuploadsnews3e5074b9f5b4d67a2d3-320x210xfit-5aecb-300x197.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 781px) 100vw, 781px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;N\u00f3s, da C\u00fapula dos Povos, reunidos em Bel\u00e9m do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, de 12 a 16 de novembro de 2025, declaramos aos povos do mundo o que acumulamos em lutas, debates, estudos, interc\u00e2mbios de experi\u00eancias, atividades culturais e depoimentos, ao longo de v\u00e1rios meses de prepara\u00e7\u00e3o e nestes dias aqui reunidos.&nbsp;&nbsp; Nosso processo reuniu mais de 70.000 pessoas que comp\u00f5em movimentos locais, nacionais e internacionais de povos origin\u00e1rios e tradicionais, camponeses\/as, ind\u00edgenas, quilombolas, pescadores\/as, extrativistas, marisqueiras, trabalhadores\/as da cidade, sindicalistas, popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, quebradeiras de coco baba\u00e7u, povos de terreiro, mulheres, comunidade LGBTQIAPN+, jovens, afrodescendentes, pessoas idosas, dos povos da floresta, do campo, das periferias, dos mares, rios, lagos e mangues. Assumimos a tarefa de construir um mundo justo e democr\u00e1tico, com bem viver para todas e todos. Somos a unidade na diversidade.&nbsp; O avan\u00e7o da extrema direita, do fascismo e das guerras ao redor do mundo exacerba a crise clim\u00e1tica e a explora\u00e7\u00e3o da natureza e dos povos. Os pa\u00edses do norte global, as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, e as classes dominantes s\u00e3o os maiores respons\u00e1veis por essas crises. Saudamos a resist\u00eancia e nos solidarizamos com todos os povos que est\u00e3o sendo cruelmente atacados e amea\u00e7ados pelas for\u00e7as do imp\u00e9rio estadunidense, Israel e seus aliados da Europa. H\u00e1 mais de 80 anos, o povo palestino tem sido v\u00edtima de genoc\u00eddio praticado pelo Estado sionista de Israel, que bombardeou a faixa de Gaza, deslocou pela for\u00e7a milh\u00f5es de pessoas e matou dezenas de milhares de inocentes, a maioria crian\u00e7as, mulheres e idosos. Nosso rep\u00fadio total ao genoc\u00eddio praticado contra a Palestina. Nosso apoio e abra\u00e7o solid\u00e1rio ao povo que bravamente resiste, e ao movimento de Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS).&nbsp; Ao mesmo tempo, no mar do Caribe, os Estados Unidos intensificam sua presen\u00e7a imperial. Fazem-no expandindo opera\u00e7\u00f5es conjuntas, acordos e bases militares, em conluio com a extrema direita, sob o pretexto de combate ao narcotr\u00e1fico e ao terrorismo, como com a opera\u00e7\u00e3o rec\u00e9m anunciada \u201cLan\u00e7a do Sul\u201d. O imperialismo segue amea\u00e7ando a soberania dos povos, criminalizando movimentos sociais e legitimando interven\u00e7\u00f5es que historicamente serviram aos interesses privados na regi\u00e3o. Nos solidarizamos \u00e0 resist\u00eancia da Venezuela, Cuba, Haiti, Equador, Panam\u00e1, Col\u00f4mbia, El Salvador, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Mo\u00e7ambique, Nig\u00e9ria, Sud\u00e3o, e com os projetos de emancipa\u00e7\u00e3o dos povos do Sahel, Nepal e de todo o mundo.&nbsp;&nbsp; N\u00e3o h\u00e1 vida sem natureza. N\u00e3o h\u00e1 vida sem a \u00e9tica e o trabalho de cuidados. Por isso, o feminismo \u00e9 parte central do nosso projeto pol\u00edtico. Colocamos o trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o da vida no centro, \u00e9 isso que nos diferencia radicalmente dos que querem preservar a l\u00f3gica e a din\u00e2mica de um sistema econ\u00f4mico que prioriza o lucro e a acumula\u00e7\u00e3o privada de riquezas.&nbsp;&nbsp; Nossa vis\u00e3o de mundo est\u00e1 orientada pelo internacionalismo popular, com interc\u00e2mbios de conhecimentos e saberes, que constroem la\u00e7os de solidariedade, lutas e de coopera\u00e7\u00e3o entre nossos povos. As verdadeiras solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o fortalecidas por esta troca de experi\u00eancias, desenvolvidas em nossos territ\u00f3rios e por muitas m\u00e3os. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas constru\u00e7\u00f5es. Por isso, saudamos o an\u00fancio da constru\u00e7\u00e3o do Movimento Internacional de Atingidas e Atingidos por barragens, pelos crimes socioambientais e pela crise clim\u00e1tica.&nbsp;&nbsp; Iniciamos nossa C\u00fapula dos Povos navegando pelos rios da Amaz\u00f4nia que, com suas \u00e1guas, nutrem todo o corpo. Como o sangue, sustentam a vida e alimentam um mar de encontros e esperan\u00e7as. Reconhecemos tamb\u00e9m a presen\u00e7a dos encantados e de outros seres fundamentais na cosmovis\u00e3o dos povos origin\u00e1rios e tradicionais, cuja for\u00e7a espiritual orienta caminhos, protege territ\u00f3rios e inspira as lutas pela vida, pela mem\u00f3ria e por um mundo de bem viver.&nbsp; Depois de mais de dois anos de constru\u00e7\u00e3o coletiva e de realizar a C\u00fapula dos Povos, afirmamos:&nbsp; 1. O modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 a causa principal da crise clim\u00e1tica crescente. Os principais problemas ambientais do nosso tempo s\u00e3o consequ\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e descarte de mercadorias, sob a l\u00f3gica e dom\u00ednio do capital financeiro e das grandes corpora\u00e7\u00f5es capitalistas.&nbsp; 2. As comunidades perif\u00e9ricas s\u00e3o as mais afetadas pelos eventos clim\u00e1ticos extremos e o racismo ambiental. Enfrentam, por um lado, a aus\u00eancia de pol\u00edticas de infraestrutura e de adapta\u00e7\u00e3o. Por outro, a falta de a\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a e repara\u00e7\u00e3o, em especial \u00e0s mulheres, jovens, pessoas empobrecidas e n\u00e3o brancas.&nbsp;&nbsp; 3. As empresas transnacionais, em cumplicidade com governos do norte global, est\u00e3o no centro de poder do sistema capitalista, racista e patriarcal, sendo os atores que mais causam e mais se beneficiam das m\u00faltiplas crises que enfrentamos. As ind\u00fastrias de minera\u00e7\u00e3o, energia, das armas, o agroneg\u00f3cio e as Big Techs s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pela cat\u00e1strofe clim\u00e1tica em que vivemos.&nbsp; 4. Somos contr\u00e1rios a qualquer falsa solu\u00e7\u00e3o a crise clim\u00e1tica que venha a perpetuar pr\u00e1ticas prejudiciais, criar riscos imprevis\u00edveis e desviar a aten\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es transformadoras e baseadas na justi\u00e7a clim\u00e1tica e dos povos, em todos os biomas e ecossistemas. Alertamos que o TFFF, sendo um programa financeirizado, n\u00e3o \u00e9 uma resposta adequada. Todos os projetos financeiros devem estar sujeitos a crit\u00e9rios de transpar\u00eancia, acesso democr\u00e1tico, participa\u00e7\u00e3o e benef\u00edcio real para as popula\u00e7\u00f5es afetadas.&nbsp;&nbsp; 5. \u00c9 evidente o fracasso do atual modelo de multilateralismo. S\u00e3o cada vez mais recorrentes os crimes ambientais e os eventos clim\u00e1ticos extremos que ocasionam mortes e destrui\u00e7\u00e3o. Isto demonstra o fracasso das in\u00fameras confer\u00eancias e reuni\u00f5es mundiais que prometeram resolver esses problemas, mas nunca enfrentaram as suas causas estruturais.&nbsp; 6. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 sendo implementada sob a l\u00f3gica capitalista. Apesar da amplia\u00e7\u00e3o das fontes renov\u00e1veis, n\u00e3o houve redu\u00e7\u00e3o nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. A expans\u00e3o das fontes de produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica acabou por se configurar tamb\u00e9m como um novo espa\u00e7o de acumula\u00e7\u00e3o de capital.&nbsp;&nbsp; 7. Finalmente, afirmamos que a privatiza\u00e7\u00e3o, mercantiliza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o dos bens comuns e servi\u00e7os p\u00fablicos contrariam frontalmente os interesses populares. Nestes marcos, as leis, institui\u00e7\u00f5es de Estado e a imensa maioria dos governos foram capturados, moldados e subordinados \u00e0 busca do lucro m\u00e1ximo pelo capital financeiro e pelas empresas transnacionais. S\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas para avan\u00e7ar na recupera\u00e7\u00e3o dos Estados e enfrentar as privatiza\u00e7\u00f5es.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Frente a esses desafios, propomos:&nbsp; 1. O enfrentamento \u00e0s falsas solu\u00e7\u00f5es de mercado. O ar, as florestas, as \u00e1guas, as terras, os min\u00e9rios e as fontes de energia n\u00e3o podem permanecer como propriedade privada nem serem apropriados, porque s\u00e3o bens comuns dos povos.&nbsp; 2. Cobramos que haja participa\u00e7\u00e3o e protagonismo dos povos na constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, reconhecendo os saberes ancestrais. A multidiversidade de culturas e de cosmovis\u00f5es, carrega sabedoria e conhecimentos ancestrais que os Estados devem reconhecer como refer\u00eancias para solu\u00e7\u00f5es \u00e0s m\u00faltiplas crises que assolam a humanidade e a M\u00e3e Natureza.&nbsp; 3. Exigimos a demarca\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o das terras e territ\u00f3rios ind\u00edgenas e de outros povos e comunidades locais, uma vez que s\u00e3o quem garantem a floresta viva. Exigimos dos governos o desmatamento zero, o fim das queimadas criminosas, e pol\u00edticas de Estado para restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e atingidas pela crise clim\u00e1tica.&nbsp;&nbsp; 4. Reivindicamos a concretiza\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria popular e o fomento \u00e0 agroecologia, para garantia da soberania alimentar e combate \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Os povos produzem alimentos saud\u00e1veis, a fim de eliminar a fome no mundo, com base na coopera\u00e7\u00e3o e acesso a t\u00e9cnicas e tecnologias de controle popular. Esse \u00e9 um exemplo de verdadeira solu\u00e7\u00e3o para combater a crise clim\u00e1tica.&nbsp;&nbsp; 5. Demandamos o combate ao racismo ambiental e a constru\u00e7\u00e3o de cidades justas e periferias vivas atrav\u00e9s da implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e solu\u00e7\u00f5es ambientais. Os programas de moradia, saneamento, acesso e uso da \u00e1gua, tratamento de res\u00edduos s\u00f3lidos, arboriza\u00e7\u00e3o, e acesso \u00e0 terra e \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, devem considerar a integra\u00e7\u00e3o com a natureza. Queremos o investimento em pol\u00edticas de transporte p\u00fablico, coletivo e de qualidade, com tarifas zero. Essas s\u00e3o alternativas reais para o enfrentamento da crise clim\u00e1tica nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos no mundo todo, que devem ser implementadas com o devido financiamento para adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.&nbsp; 6. Defendemos a consulta direta, a participa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o popular das pol\u00edticas clim\u00e1ticas nas cidades, para o enfrentamento \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es do setor imobili\u00e1rio que t\u00eam avan\u00e7ado na mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida urbana. A cidade da transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e energ\u00e9tica dever\u00e1 ser uma cidade sem segrega\u00e7\u00e3o e que abrace a diversidade. Por fim, condicionar o financiamento clim\u00e1tico a protocolos que visem a perman\u00eancia habitacional e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a indeniza\u00e7\u00e3o justa para pessoas e comunidades com garantia de terra e moradia, tanto no campo quanto nas cidades.&nbsp; 7. Exigimos o fim das guerras e a desmilitariza\u00e7\u00e3o. Que todos os recursos financeiros destinados \u00e0s guerras e \u00e0 ind\u00fastria b\u00e9lica sejam revertidos para a transforma\u00e7\u00e3o desse mundo. Que as despesas militares sejam direcionadas \u00e0 repara\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es atingidas por desastres clim\u00e1ticos. Que sejam tomadas todas as medidas necess\u00e1rias para impedir e pressionar Israel, responsabilizando-o pelo genoc\u00eddio cometido contra o povo palestino.&nbsp; 8. Exigimos a justa e plena repara\u00e7\u00e3o das perdas e danos impostos aos povos pelos projetos de investimento destrutivos, pelas barragens, minera\u00e7\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis e desastres clim\u00e1ticos. Tamb\u00e9m exigimos que sejam julgados e punidos os culpados pelos crimes econ\u00f4micos e socioambientais que afetam milh\u00f5es de comunidades e fam\u00edlias em todo o mundo.&nbsp; 9. Os trabalhos de reprodu\u00e7\u00e3o da vida devem ser visibilizados, valorizados, compreendidos como o que s\u00e3o &#8211; trabalho &#8211; e compartilhados no conjunto da sociedade e com o Estado. Esses s\u00e3o essenciais para a continuidade da vida humana e n\u00e3o humana no planeta. Isso tamb\u00e9m garante autonomia das mulheres, que n\u00e3o podem ser responsabilizadas individualmente pelo cuidado, mas devem ter suas contribui\u00e7\u00f5es consideradas: nosso trabalho sustenta a economia. Queremos um mundo com justi\u00e7a feminista, autonomia e participa\u00e7\u00e3o das mulheres.&nbsp; 10. Demandamos uma transi\u00e7\u00e3o justa, soberana e popular, que garanta os direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, bem como o direito a condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas, liberdade sindical, negocia\u00e7\u00e3o coletiva e prote\u00e7\u00e3o social. Consideramos a energia como um bem comum e defendemos a supera\u00e7\u00e3o da pobreza e da depend\u00eancia energ\u00e9tica. Tanto o modelo energ\u00e9tico, quanto a pr\u00f3pria transi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podem violar a soberania de nenhum pa\u00eds do mundo.&nbsp;&nbsp; 11. Exigimos o fim da explora\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis e apelamos aos governos para que desenvolvam mecanismos para garantir a n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis, visando uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, popular e inclusiva com soberania, prote\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o aos territ\u00f3rios. Em particular na Amaz\u00f4nia e demais regi\u00f5es sens\u00edveis e essenciais para a vida no planeta.&nbsp; 12. Lutamos pelo financiamento p\u00fablico e taxa\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es e dos mais ricos. Os custos da degrada\u00e7\u00e3o ambiental e das perdas impostas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es devem ser pagos pelos setores que mais se beneficiam desse modelo. Isso inclui fundos financeiros, bancos e corpora\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio, do hidroneg\u00f3cio, aquicultura e pesca industrial, da energia e da minera\u00e7\u00e3o. Esses atores tamb\u00e9m devem arcar com os investimentos necess\u00e1rios para uma transi\u00e7\u00e3o justa e voltada \u00e0s necessidades dos povos.&nbsp; 13. Exigimos que o financiamento clim\u00e1tico internacional n\u00e3o passe por institui\u00e7\u00f5es que aprofundam a desigualdade entre Norte e Sul, como o FMI e o Banco Mundial. Ele deve ser estruturado de forma justa, transparente e democr\u00e1tica. N\u00e3o s\u00e3o os povos e pa\u00edses do Sul global que devem continuar pagando d\u00edvidas \u00e0s pot\u00eancias dominantes. S\u00e3o esses pa\u00edses e suas corpora\u00e7\u00f5es que precisam come\u00e7ar a saldar a d\u00edvida socioambiental acumulada por s\u00e9culos de pr\u00e1ticas imperialistas, colonialistas e racistas, pela apropria\u00e7\u00e3o de bens comuns e pela viol\u00eancia imposto a milh\u00f5es de pessoas mortas e escravizadas.&nbsp; 14. Denunciamos a cont\u00ednua criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos, a persegui\u00e7\u00e3o, o assassinato e desaparecimento de nossas lideran\u00e7as que lutam em defesa de seus territ\u00f3rios, bem como aos presos pol\u00edticos e presos palestinos que lutam por liberta\u00e7\u00e3o nacional. Reivindicamos a amplia\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o de defensores e defensoras de direitos humanos e socioambientais na agenda clim\u00e1tica global, no marco do Acordo de Escaz\u00fa e outras normativas regionais. Quando um defensor protege o territ\u00f3rio e a natureza, ele n\u00e3o protege apenas um indiv\u00edduo, mas todo um povo e beneficia toda a comunidade global.&nbsp; 15. Reivindicamos o fortalecimento de instrumentos internacionais que defendam os direitos dos povos, seus direitos consuetudin\u00e1rios e a integridade dos ecossistemas. Precisamos de um instrumento internacional juridicamente vinculante em mat\u00e9ria de direitos humanos e empresas transnacionais, que seja constru\u00eddo desde a realidade concreta das lutas das comunidades atingidas pelas viola\u00e7\u00f5es cometidas, exigindo direitos para os povos e regras para as empresas. Afirmamos ainda que a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Campesinos e de Outras Pessoas que Trabalham nas \u00c1reas Rurais (UNDROP) deve ser um dos pilares da governan\u00e7a clim\u00e1tica. A plena implementa\u00e7\u00e3o dos direitos camponeses devolve o povo aos territ\u00f3rios, contribui diretamente para a sua alimenta\u00e7\u00e3o, para o cuidado do solo e o esfriamento do planeta.&nbsp; Por fim, consideramos que \u00e9 tempo de unificar nossas for\u00e7as e enfrentar o inimigo comum. Se a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 forte, a luta \u00e9 forte. Por esta raz\u00e3o, a nossa tarefa pol\u00edtica principal \u00e9 o trabalho de organiza\u00e7\u00e3o dos povos em todos os pa\u00edses e continentes. Vamos enraizar nosso internacionalismo em cada territ\u00f3rio e fazer de cada territ\u00f3rio uma trincheira da luta internacional. \u00c9 tempo de avan\u00e7ar de modo mais organizado, independente e unificado, para aumentar nossa consci\u00eancia, for\u00e7a e combatividade. Este \u00e9 o caminho para resistir e vencer. \u201cPovos do mundo: Uni-vos\u201d&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DECLARA\u00c7\u00c3O DA C\u00daPULA DOS POVOS RUMO A COP30 &nbsp;N\u00f3s, da C\u00fapula dos Povos, reunidos em Bel\u00e9m do Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, de 12 a 16 de novembro de 2025, declaramos aos povos do mundo o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-14880","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14880"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14880\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14882,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14880\/revisions\/14882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}