{"id":14923,"date":"2025-12-21T07:37:51","date_gmt":"2025-12-21T10:37:51","guid":{"rendered":"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14923"},"modified":"2025-12-27T08:57:20","modified_gmt":"2025-12-27T11:57:20","slug":"sonhos-que-esse-natal-provoca-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/sonhos-que-esse-natal-provoca-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"SONHOS QUE ESSE NATAL PROVOCA &#8211; Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>SONHOS QUE ESSE NATAL PROVOCA<\/strong> &#8211; Por Marcelo Barros<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"530\" src=\"http:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-1-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14928\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-1-1.jpeg 800w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-1-1-300x199.jpeg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-1-1-768x509.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Monge Marcelo Barros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O an\u00fancio deste Natal de 2025 vem junto com sinais do agravamento da crise ecol\u00f3gica. Ocorre em meio a mais de 50 guerras no mundo e amea\u00e7as de novas interven\u00e7\u00f5es do Imp\u00e9rio na Am\u00e9rica Latina e Caribe. Mistura-se com not\u00edcias de feminic\u00eddios e vit\u00f3rias da barb\u00e1rie nas elei\u00e7\u00f5es do Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, no Brasil, apesar de todas as conquistas democr\u00e1ticas, grande parte do povo, e mesmo aquela mais oprimida, pela qual fiz op\u00e7\u00e3o de servir, ainda que pense estar votando pelo mais direito, opta pela direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a tudo isso, a maior tristeza \u00e9 ver que as diferentes Igrejas que formam o Cristianismo n\u00e3o t\u00eam, verdadeiramente, assumido a miss\u00e3o do evangelho: testemunhar o projeto divino de vida e liberta\u00e7\u00e3o no mundo e para o mundo. Ainda dividem o sagrado e o profano, a vida e a f\u00e9. Imaginam aprisionar Deus na gaiola da religi\u00e3o e ensinam as pessoas que devem entrar na gaiola para se relacionarem com Deus. No evangelho, Jesus chama Deus de Papai e diz: &nbsp;\u201cEle faz nascer o sol sobre as pessoas boas e as m\u00e1s. Faz a chuva descer sobre as pessoas justas e as injustas\u201d (Mt 5, 45).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, disso, pregam um Deus mais patr\u00e3o do que pai. Algu\u00e9m que as pessoas precisam ser amea\u00e7adas com o inferno eterno para serem amigas dele. E dizem ainda que ele \u00e9 muito cruel com quem n\u00e3o aceita ser seu amigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s desse mito de mau gosto, n\u00e3o poucos ministros e grupos pentecostais, evang\u00e9licos e tamb\u00e9m cat\u00f3licos tentam desenterrar a velha Cristandade e reproduzem desse modelo de Igreja o que h\u00e1 de pior: o uso do nome de Deus para exercer poder, hegemonia pol\u00edtica e ac\u00famulo extorsivo de bens, sob o pretexto de miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No tempo da ditadura militar brasileira, lutamos para votar e protest\u00e1vamos contra a nomea\u00e7\u00e3o de interventores para todas as capitais do pa\u00eds. Hoje, a maioria dos padres aceita tranquilamente que os bispos continuem a ser nomeados pelo Vaticano e n\u00e3o eleitos pela Igreja local, como era nos primeiros s\u00e9culos. Enquanto, padres que s\u00e3o bons presb\u00edteros aceitarem ser nomeados e as dioceses os receberem cantando <em>\u201cbendito seja aquele que vem em nome do Senhor<\/em>\u201d, persistir\u00e1 sempre o modelo de Igreja Cristandade. A verdadeira sinodalidade, proposta pelo saudoso Papa Francisco, nunca ocorrer\u00e1 em uma Igreja que se agarre ao velho princ\u00edpio da hierarquia (poder sagrado), quando o que veio de Jesus foi o minist\u00e9rio do cuidado uns dos outros e do testemunho do projeto divino no mundo. Sinodalidade convive bem com minist\u00e9rios, mas n\u00e3o com monarquia, absoluta ou mesmo parlamentar. N\u00e3o se descobriu ainda o c\u00edrculo quadrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Sonhemos com um Natal no qual, nas Igrejas, a ceia de Jesus possa voltar a ser refei\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o e partilha. A\u00ed, sim, a eucaristia ser\u00e1 de novo profecia de um novo modo de organizar o conv\u00edvio humano, em uma terra onde o amor vence o \u00f3dio e a paz surge como luta social e priorit\u00e1ria contra a fome, a mis\u00e9ria e as desigualdades sociais que as provocam.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada eucaristia encaminhar\u00e1 as pessoas que participam as \u201cBel\u00e9m\u201d de nossos dias para libertar do exterm\u00ednio o povo palestino, que representa, hoje, o antigo povo hebreu, na luta pela terra prometida. Como seria bom se, ao menos as religi\u00f5es, implicadas nesse holocausto, o Juda\u00edsmo, o Cristianismo e o Isl\u00e3, se unissem para fazer cessar o exterm\u00ednio e possibilitar ao povo palestino a sua ressurrei\u00e7\u00e3o e ao israelita, a liberta\u00e7\u00e3o do veneno que o desamor e o racismo provocam.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a essa noite escura da f\u00e9, acolhamos como boa nova o an\u00fancio do Natal e o celebremos na comunidade, ou (e) na fam\u00edlia. Os cl\u00e1ssicos c\u00e2nticos de Natal despertam em n\u00f3s emo\u00e7\u00f5es e fazem parte do aconchego afetuoso que, em cada Natal, revivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, precisamos evitar uma espiritualidade que parece expressar certa regress\u00e3o a uma religi\u00e3o puramente sentimental e meio infantil do anivers\u00e1rio do Menino Jesus. \u00c9 dessa piedade ing\u00eanua, que o com\u00e9rcio se serve para transformar o Natal em maior ocasi\u00e3o de lucro. Esse Natal pede de n\u00f3s evitarmos o fundamentalismo que confunde o belo conto po\u00e9tico e simb\u00f3lico do nascimento de Jesus em Bel\u00e9m com uma reportagem hist\u00f3rica, como se o evangelho de Lucas fosse uma p\u00e1gina de jornal daquela \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Repitamos as belas leituras b\u00edblicas do Natal para entrarmos na espiritualidade pascal que pede de n\u00f3s novo nascimento no cotidiano de nossas vidas. Que possamos ver no Natal, a P\u00e1scoa, antecipada no pres\u00e9pio de Bel\u00e9m. Antigos pais da Igreja diziam que a madeira do pres\u00e9pio \u00e9 a mesma da Cruz. E o texto evang\u00e9lico proclamado na noite de Natal chama o menino rec\u00e9m-nascido de Senhor. \u00c9 esse Senhor, sem patriarcalismos machistas, que pode fazer da celebra\u00e7\u00e3o deste Natal de 2025, ocasi\u00e3o de profecia para o mundo e para a Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Que o nosso sonho, seja como no Xamanismo, sonho-profecia como o que, conforme o poema do evangelho de Mateus, o pobre Jos\u00e9 recebeu, para ser pai de Jesus e esposo de Maria. E assim, a todos n\u00f3s, vir\u00e1 o Emanuel, Deus conosco, Deus em n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>A fil\u00f3sofa espanhola Maria Zambrano afirmava que o ser humano n\u00e3o \u00e9 apenas mortal. Isso n\u00e3o o caracteriza, j\u00e1 que todo ser vivo \u00e9 mortal. O que constitui o ser humano \u00e9 ser \u201cnatal\u201d, ou seja, capaz de se renovar permanentemente.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse Natal torna verdadeira a can\u00e7\u00e3o de Milton Nascimento:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cH\u00e1 um menino, h\u00e1 um moleque,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Morando sempre no meu cora\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Toda vez que o adulto balan\u00e7a,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ele vem pra me dar a m\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Feliz Natal!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SONHOS QUE ESSE NATAL PROVOCA &#8211; Por Marcelo Barros O an\u00fancio deste Natal de 2025 vem junto com sinais do agravamento da crise ecol\u00f3gica. Ocorre em meio a mais de 50 guerras no mundo e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14928,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-14923","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14923"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14929,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14923\/revisions\/14929"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}