{"id":14955,"date":"2026-01-17T18:40:29","date_gmt":"2026-01-17T21:40:29","guid":{"rendered":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/?p=14955"},"modified":"2026-01-17T18:40:34","modified_gmt":"2026-01-17T21:40:34","slug":"venezuela-o-bolivarianismo-e-o-imperio-por-marcelo-barros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/venezuela-o-bolivarianismo-e-o-imperio-por-marcelo-barros\/","title":{"rendered":"Venezuela, o Bolivarianismo e o Imp\u00e9rio &#8211; Por Marcelo Barros"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Venezuela, o Bolivarianismo e o Imp\u00e9rio<\/strong> &#8211; Por <em>Marcelo Barros<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"530\" src=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14956\" srcset=\"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-2.jpeg 800w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-2-300x199.jpeg 300w, https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image_processing20221226-11986-xk0m6d-2-768x509.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Irm\u00e3o Marcelo Barros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Todos n\u00f3s, ligados \u00e0 unidade latino-americana, repudiamos a invas\u00e3o da Venezuela pelo imp\u00e9rio, que estrebucha seus \u00faltimos rugidos, antes de perder, por completo, a hegemonia econ\u00f4mica e o poder imperial, no jogo de rela\u00e7\u00f5es multilaterais entre as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 se divulgaram muitas an\u00e1lises do ocorrido e, o importante \u00e9 termos muito cuidado em discernir o que \u00e9 verdade e o que faz parte da guerra midi\u00e1tica movida pela grande imprensa contra qualquer governo e povo que contrariem os interesses do imp\u00e9rio. Seus agentes continuam a chamar Maduro de ditador, enquanto Trump invade outro pa\u00eds, prende o presidente e declara que vai governar (provisoriamente) a Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece que Trump e a grande imprensa continuam acreditando que o inimigo a vencer \u00e9 o presidente Maduro e que, eliminando-o, podem apoderar-se da Venezuela, do seu petr\u00f3leo e de suas riquezas minerais.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 estive na Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela umas dez vezes e tenho contato com amigos e amigas que vivem ali. Em janeiro de 2006, no F\u00f3rum Social Mundial, ocorrido em Caracas, os movimentos sociais se reuniram no gin\u00e1sio esportivo Poliedro, onde juntaram 25 mil pessoas. Fui escolhido pela coordena\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais para ser a pessoa que apresentasse o Presidente Hugo Ch\u00e1vez e introduzisse o seu discurso. Fiz isso como pude e, a partir desse dia, nos tornamos amigos. No mesmo ano, junto Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno, Padre Jos\u00e9 Comblin, o Pastor Fred Morris e diversas outras pessoas do Brasil, atuei como observador internacional das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Assim como Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, que chefiava a delega\u00e7\u00e3o estadunidense, assinamos o documento, atestando que estivemos em diversas zonas eleitorais, em todo o pa\u00eds, com toda liberdade de entrar e sair; acompanhamos o processo de contagem dos votos e n\u00e3o vimos nenhuma irregularidade nas elei\u00e7\u00f5es que elegeram Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele contexto, Dom Tom\u00e1s, Padre Comblin e eu fomos recebidos pelo presidente da Confer\u00eancia dos Religiosos(as) da Venezuela (CRV). Na conversa, Dom Tom\u00e1s perguntou qual era a posi\u00e7\u00e3o da CRV sobre o governo bolivariano. O padre respondeu: \u201c<em>Estamos de acordo que nunca, nenhum outro governo cuidou tanto dos pobres, quanto esse. Estamos de acordo que o pa\u00eds avan\u00e7ou no que diz respeito \u00e0 justi\u00e7a social e \u00e0 democracia de participa\u00e7\u00e3o popular<\/em>. <em>Entretanto, nos posicionamos contra o governo bolivariano, por causa da sua proximidade com o governo cubano e porque h\u00e1 amea\u00e7a de nacionalizar a educa\u00e7\u00e3o. Se isso acontecer, nossos col\u00e9gios religiosos ter\u00e3o de fechar. Como n\u00f3s, religiosos, viveremos sem nossos col\u00e9gios que nos sustentam?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dom Tom\u00e1s e n\u00f3s, pedimos licen\u00e7a e nos retiramos.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela ocasi\u00e3o, visitamos bairros de periferia atendidos pela <em>Opera\u00e7\u00e3o Vivienda<\/em>, estivemos em ambulat\u00f3rios e cl\u00ednicas da <em>Misi\u00f3n Salud<\/em>. Comemos junto com muita gente pobre nos <em>comedores populares. <\/em>Entramos em <em>tiendas del Gobierno, <\/em>que vendiam a tr\u00eas pesos o azeite de oliva, que no mercado da esquina custava 28.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 Pol\u00edtica Econ\u00f4mica internacional, o governo bolivariano construiu uma verdadeira teia de unidade latino-americana. A partir da lideran\u00e7a do Presidente Ch\u00e1vez, foi criada a UNASUL, (Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas), organiza\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o regional, que re\u00fane os 12 pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, criada para promover a paz, democracia, desenvolvimento econ\u00f4mico, social e cultural, integrando blocos como o Mercosul e a Comunidade Andina, a ALBA, Alian\u00e7a Bolivariana para os Povos da Nossa Am\u00e9rica \u2014 Tratado de Com\u00e9rcio dos Povos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 nessa \u00e9poca, Marcelo Rezende, ent\u00e3o diretor da FAO, organismo da ONU, cuja maioria de governos, se colocou do lado dos Estados Unidos, declarou que a Venezuela tinha sa\u00eddo do mapa da fome. Na \u00e9poca, a ONU reconheceu que a Venezuela era o pa\u00eds no qual a desigualdade social tinha diminu\u00eddo mais nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, considerei normal que a irm\u00e3 que me hospedava no seu convento, quando soube que eu era favor\u00e1vel ao bolivarianismo, me dissesse que eu deveria procurar outro lugar para ficar. Era e \u00e9 compreens\u00edvel que pessoas que viviam do aluguel de casas para pobres fossem contra o governo. Os donos de postos de gasolina s\u00f3 podiam reclamar que, proporcionalmente, os combust\u00edveis eram os mais baratos de todo o continente. Durante a sua vida, o Presidente Ch\u00e1vez enfrentou greves de postos de gasolina e a guerra vinda da maioria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Nunca fez qualquer interven\u00e7\u00e3o, nem proibiu. Apenas criou uma televis\u00e3o do governo, a Telesur, que se espalhou por v\u00e1rios pa\u00edses do continente sulamericano.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que, em mar\u00e7o de 2013, Ch\u00e1vez morreu, o vice-presidente Maduro assumiu a chefia do governo. A partir da\u00ed, intensificou-se a guerra midi\u00e1tica contra o bolivarianismo e o bloqueio dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Penso que nem Maduro nem ningu\u00e9m teria conseguido resistir por doze anos e at\u00e9 melhorar alguns \u00edndices sociais, se n\u00e3o contasse com apoio firme e aprova\u00e7\u00e3o da maioria do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>O imp\u00e9rio estadunidense apoderou-se das reservas que o governo venezuelano tinha em bancos internacionais e tentou, de todas as formas, asfixiar o governo e o povo da Venezuela. Durante todos esses anos, a Venezuela sofreu campanha de descr\u00e9dito internacional, opera\u00e7\u00f5es encobertas de terrorismo, todo tipo de san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pilhagem, exclus\u00e3o do sistema financeiro ocidental e agora, opera\u00e7\u00f5es de cerco e Invas\u00e3o Militar, assassinato de, ao menos 80 pessoas, entre civis e militares e sequestro do Presidente e da sua esposa, primeira combatente.<\/p>\n\n\n\n<p>O bolivarianismo continua um sonho, s\u00f3 em parte realiz\u00e1vel, nesse mundo que lhe \u00e9 contr\u00e1rio. O pr\u00f3prio Bol\u00edvar, o libertador, que fez a proeza impressionante de, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, atravessar os Andes a p\u00e9, com um ex\u00e9rcito de gente pobre e libertar <a><\/a><a href=\"#_msocom_1\">[R1]<\/a>&nbsp;a Venezuela, a Col\u00f4mbia, o Equador, o Peru e a Bol\u00edvia do dom\u00ednio espanhol, n\u00e3o conseguiu realizar o seu sonho e libertar, verdadeiramente, esses povos. Eles passaram do dom\u00ednio da Espanha para o da classe rica que, em cada pa\u00eds, manteve-se no poder para continuar a tratar o povo pobre como escravo, ou semiescravid\u00e3o. Bol\u00edvar, que nasceu rico e em fam\u00edlia nobre, faleceu aos 45 anos, pobre e tuberculoso. Jess\u00e9 de Souza afirma que s\u00f3 pode se compreender o Brasil a partir da escravid\u00e3o. Isso pode ser dito de toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo dos Estados Unidos e os agentes da guerra midi\u00e1tica chamam o sistema pol\u00edtico venezuelano de \u201cchavismo\u201d, como no Brasil, h\u00e1 quem fale do lulismo. Em todos esses anos, o que o governo dos Estados Unidos fez n\u00e3o foi contra o Presidente Maduro. Foi tentar de todos os modos destruir o projeto bolivariano de constru\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia do povo venezuelano. No entanto, estou convicto de que, na Venezuela, com Ch\u00e1vez ou sem Ch\u00e1vez, com Maduro ou sem Maduro, <a><\/a><a href=\"#_msocom_2\">[R2]<\/a>&nbsp;os c\u00edrculos bolivarianos e muita gente de base continuar\u00e3o a lutar por um processo de transforma\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtico, caracterizado por din\u00e2micas que consistem em:<\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba &#8211; libertar-se do imperialismo para construir um caminho pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>2\u00ba &#8211; superar as desigualdades sociais para conquistar justi\u00e7a social e econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>3\u00ba &#8211; criar um tipo de novo socialismo, popular e democr\u00e1tico, inspirado no bem-viver ind\u00edgena e que responda aos desafios do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, crist\u00e3os e crist\u00e3s, que nos consideramos disc\u00edpulos\/as de Jesus, &nbsp;precisamos ver nesse sonho a sacramentaliza\u00e7\u00e3o ou media\u00e7\u00e3o concreta do projeto divino no mundo. Nesses dias, a carta das religiosas inseridas da Venezuela, que denuncia a iniquidade do ato de invas\u00e3o do Trump e se pronuncia pelo bolivarianismo, nos convida a ligarmos tudo isso com a espiritualidade libertadora. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2008, Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno e eu fomos convidados pelo governo paraguaio para a posse do Presidente Fernando Lugo, que t\u00ednhamos conhecido como bispo ligado \u00e0 Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Naquela ocasi\u00e3o, encontramo-nos novamente com o presidente Ch\u00e1vez e, na conversa conosco, ele afirmou: <em>\u201cA pol\u00edtica s\u00f3 vale a pena se for um ato de amor social e revolucion\u00e1rio<\/em>\u201d. Esse tipo de pol\u00edtica, nem Trump, nem ningu\u00e9m conseguir\u00e1 vencer. Como afirmava Pedro Casald\u00e1liga, podemos n\u00f3s tamb\u00e9m dizer: <em>\u201cPodemos perder batalhas, mas a nossa causa \u00e9 invenc\u00edvel\u201d. &nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_msocom_1\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a href=\"#_msoanchor_1\">[R1]<\/a>com o objetivo de libertar<a id=\"_msocom_2\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a href=\"#_msoanchor_2\">[R2]<\/a>retirei as v\u00edrgulas, veja se concorda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Venezuela, o Bolivarianismo e o Imp\u00e9rio &#8211; Por Marcelo Barros Todos n\u00f3s, ligados \u00e0 unidade latino-americana, repudiamos a invas\u00e3o da Venezuela pelo imp\u00e9rio, que estrebucha seus \u00faltimos rugidos, antes de perder, por completo, a hegemonia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14956,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,22,46,44,38,49,27,30,43,26],"tags":[],"class_list":["post-14955","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-cebs-comunidades-eclesiais-de-base","category-direito-a-cultura-popular","category-direito-a-memoria","category-direito-a-saude","category-direito-a-terra","category-direitos-humanos","category-fe-e-politica","category-pedagogia-emancipatoria","category-teologia-da-libertacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14955"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14955\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14957,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14955\/revisions\/14957"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gilvander.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}